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4. ENERGY SUPPLY SYSTEM

4.2 S ET HEATING SUPPLY SYSTEM

Nos Estados Unidos, os investimentos em reconhecimento e em outras práticas de

inteligência eram justificados em termos de Segurança Nacional. No jogo de enfrentamento planetário com a União Soviética, a superpotência calculava ser necessário observar e

acompanhar os passos do inimigo para descobrir o que se planejava e observar como se comportava. Deste modo, as informações obtidas os ajudariam a melhor conduzir suas próprias ações no sentido de prevenir um Pearl Harbor Nuclear2.

A superioridade bélica e tecnológica dos Estados Unidos, alcançada com o advento da bomba nuclear3, começou a ser ameaçada em agosto de 1949, quando a URSS, executou o

teste de sua primeira bomba atômica.4 Segundo o relatório de 12 de abril de 1950 enviado ao

Conselho Nacional de Segurança (CNS) dos EUA,5 a Central Intelligence Agency (CIA)

acreditava que, em meados daquele ano, os soviéticos teriam de 10 a 20 bombas de fissão nuclear estocadas. A estimativa era de que, em 1951, este número aumentasse para algo entre 25 a 45 bombas. No ano seguinte, a projeção era que os soviéticos atingiriam um estoque de 45 a 90 bombas. Para 1953, previam entre 70 e 135 bombas estocadas e, em meados de 1954, poderiam chegar a 200 bombas.

Enquanto as projeções dos serviços de inteligência dos EUA estimavam avanços quantitativos, os soviéticos também mostravam progressos em termos qualitativos. Em 1953, chegaram notícias da explosão da primeira bomba de hidrogênio soviética, nove meses após a primeira realização de testes pelos Estados Unidos com o mesmo tipo de artefato. Ganhava

2 Na manhã de 7 de dezembro de 1941, a Marinha Imperial Japonesa realizou um “ataque surpresa” à base norte-

americana de Pearl Harbor, no Havaí. Este episódio resultou na entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Entretanto, o impacto mais forte e duradouro de Pearl Harbor não esteve nas perdas em números de navios, aviões e soldados, mas na sensação de que o país, mesmo despontando como uma potência mundial, estaria vulnerável.

3 A bomba nuclear, desenvolvida pelos Estados Unidos dentro do Projeto Manhattan (1939-1946), foi decisiva

para o fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico. Apenas um mês após o seu primeiro teste, ela foi utilizada pelo país no bombardeamento das cidades de Hiroshima e Nagasaki, em 6 e 9 de agosto de 1945, com a finalidade de obter a rendição total do Japão.

4 A notícia da bomba atômica soviética surpreendeu todo o ocidente, pois os serviços de inteligência

estadunidenses supunham que, antes de meados de 1950, o país não teria capacidade técnica para desenvolver um artefato nuclear. O programa nuclear soviético, iniciado por Joseph Stalin ao ser avisado das intenções estadunidenses de criação de bombas nucleares durante a Segunda Guerra Mundial, foi interrompido com a guerra e retomado apenas após o ataque a Hiroshima e Nagasaki e o fim do conflito mundial. Para a construção de suas bombas nucleares, a URSS beneficiou-se tanto de informações obtidas com o projeto nazista de energia nuclear quanto pela espionagem de agentes secretos infiltrados no projeto Manhattan.

5 "A Report to the National Security Council - NSC 68", April 12, 1950, p. 19. President's Secretary's File,

Truman Papers. Disponível em: https://www.trumanlibrary.org/whistlestop/study_collections/coldwar/documents/pdf/10- 1.pdf. Consultado em 12/12/2014.

força entre os membros do governo do presidente Harry Truman as concepções do estrategista militar estadunidense Bernard Brodie, o arquiteto da estratégia da dissuasão nuclear. Pesquisador ligado ao think-tank criado pelas Forças Aéreas, o Project RAND, Brodie foi um dos primeiros a postular que se a URSS desenvolvesse armas nucleares, a medida mais racional a ser tomada seria a de desencorajar o seu uso contra os Estados Unidos.

A sensação de ameaça agravou-se após os Estados Unidos recensearem seus arsenais nucleares. Apesar de seu pioneirismo, sua capacidade nuclear era bem restrita até o final da década de 1940. Supõe-se que o país dispusesse, até meados de 1947, não mais do que 13 bombas, boa parte delas ainda desmontadas e, em 1948, 50 bombas. O país também não possuía uma quantidade suficiente de aviões bombardeiros preparados para transportar e lançar as armas. Esta situação devia-se ao fato de, com o fim da guerra, os Estados Unidos terem reduzido seu orçamento para a produção de armas. Além disso, naquele momento ainda era muito caro produzir bombas nucleares, tidas pelo então presidente Truman como armas a serem utilizadas apenas em “última instância” (Mélandri, 1984).

A posição de Truman em relação aos armamentos nucleares começou a mudar logo após o Bloqueio de Berlim (1948/1949) e a explosão da primeira bomba nuclear soviética. Com a anuência do Congresso estadunidense, Truman aumentou o orçamento para armas e acelerou a sua produção. Ao mesmo tempo em que apoiou o esforço de rearmamento das forças militares com artefatos bélicos convencionais, Truman também decidiu pela fabricação da bomba nuclear por fusão (bomba de hidrogênio) e de um reduzido estoque de armamentos nucleares. As diretivas de segurança nacional passaram então a encarar estes últimos como meios disponíveis entre outros, mas que dependeriam de autorização presidencial para serem usados, inclusive para garantir a segurança dos aliados europeus.6

6 A Guerra da Coreia contribuiu muito para Truman apoiar a chamada “dissuasão ampla”, ou seja, estender o

“desencorajamento do uso de armas nucleares” também no caso de possíveis ataques soviéticos contra os aliados europeus (Mélandri, 1984).

Pelo menos da parte estadunidense, a corrida armamentista havia sido disparada. Na Casa Branca ganhavam espaço tanto as doutrinas que preconizavam o uso massivo de armas nucleares quanto as que defendiam usá-las para dissuadir o inimigo de atacá-los. No final da década de 1950, o país entrava em uma “era de abundância nuclear” (Idem), com 12.289 armas nucleares armazenadas (Kristensen e Norris, 2013).

Para o desespero dos estadunidenses, durante muitos anos os soviéticos blefariam quanto a sua real capacidade nuclear. Este inferno os fizeram literalmente ganhar os céus para conseguir evidências que comprovassem se estavam ou não em desvantagem bélica e tecnológica com relação aos comunistas. Somente em 1978 os soviéticos teriam um estoque de ogivas nucleares maior que o dos Estados Unidos (26.169 frente a 24.418), situação que se manteria até o início dos anos 2000 (Idem), quando a União Soviética nem mais existia e nem mais os Estados Unidos queriam competir nesta corrida.

pilhagem e tecnologia de ponta

Era preciso voar mais alto, ser mais veloz para escapar dos impasses colocados pelo confronto indireto da Guerra Fria. Foguetes para mísseis e foguetes para lançadores.7 Mísseis

7 A tecnologia de produção de foguetes é conhecida pela humanidade desde a Idade Média com o emprego da

pólvora pelos chineses para criar fogos de artifício e, depois, armas. Há vários relatos do uso de foguetes em conflitos e guerras europeus durante a Idade Moderna. Na virada do século XIX para o século XX, uma geração de jovens cientistas, engenheiros, físicos e matemáticos, influenciados pela ficção de Júlio Verne e pelas leis de Isaac Newton, encontraram um novo fim para os foguetes. Queriam usá-los para viagens interplanetárias e se dedicaram a buscar respostas teóricas e a elaborar projetos de engenharia para realizá-los. Na Rússia, o autodidata Konstantin Tsiolkovsky, em 1883, aos 26 anos escreveu o artigo “Espaço Livre”, no qual defendia a possibilidade de se viver no espaço sideral mesmo sob os efeitos da gravidade zero. Em 1903, publicou o livro A

exploração do espaço cósmico por meio de dispositivos de reação, no qual postulava o uso de foguetes para a propulsão de naves interplanetárias. Tsiolkovsky aplicou a matemática e a física para desenvolver as leis do movimento de foguetes num espaço sem gravidade. Ainda concebeu foguetes de múltiplos estágios para escapar ao campo gravitacional terrestre. Também os experimentos e pesquisas com foguetes e propulsores de Sergei Pavlovitch Korolev e de Valentin Petrovich Glushko, que integraram grupos amadores de estudos de foguetes antes de trabalharem para o Estado soviético, tiveram um papel fundamental para o programa espacial da União Soviética. Na mesma época, nos Estados Unidos, Robert Hutchings Goddard, com base no princípio da Ação e Reação, estudou o movimento que deveriam realizar os foguetes interplanetários. Dedicou-se à tecnologia de foguetes sempre com objetivos de tornar real o voo espacial. Na Alemanha, Herman Oberth criou, a partir dos anos 1920, expressões físico-matemáticas sobre consumo de combustível e velocidade, sobre a ação da gravidade, duração do voo propulsado, estabelecendo leis fundamentais da relação entre velocidade, consumo de combustível e aceleração. As invenções e soluções técnicas de Oberth foram utilizadas por um de seus discípulos, Werner Magnus Von Braun, no desenvolvimento dos mísseis V-2 da Alemanha nazista. Von Braun,

balísticos e veículos lançadores espaciais possuem a mesma procedência: o foguete

Vergeltungswaffe 2 (V-2), a “arma de represália” (na tradução do alemão) lançada pelo Terceiro Reich contra cidades europeias como resposta aos bombardeios dos aliados.8

O desenvolvimento de mísseis balísticos intercontinentais e de lançadores espaciais deu-se a partir do espólio tecnológico da Alemanha nazista apropriado no final da Segunda Guerra. Estadunidenses e soviéticos ansiavam por produzir artefatos com potencialidade para atravessar ou deixar o planeta. O fusólogo alemão Wernher von Braun, com a queda do Reich, foi um dos que preferiu se render aos estadunidenses ao invés de ser capturado por soviéticos, sendo “recrutado” junto com outros técnicos e cientistas, durante a Operação

Paperclip9. Posteriormente instalado nos EUA, tornou-se um dos grandes responsáveis pelo

programa espacial daquele país, dedicando-se ao desenvolvimento de foguetes, satélites e naves espaciais, tanto para fins militares como civis. Logo que chegou no país, von Braun morou na base do Exército de Fort Bliss, em El Paso, no Texas, onde colaborou no Projeto Hermes de construção de mísseis.

Embora nestes países já houvesse um prévio desenvolvimento tecnológico de foguetes por iniciativa de seus pioneiros da astronáutica, tendo como base os V-2 pilhados, os soviéticos construíram o míssil R-1 (1942), do qual derivou o foguete lançador R-7/Semiorka (1957), que colocou em órbita o satélite Sputnik. No caso dos estadunidenses, a partir dos V-2

antes de servir ao Terceiro Reich, foi também um apaixonado pelas viagens interplanetárias, participando da Sociedade Alemã de Foguetes, uma associação que reunia interessados em propulsão de foguetes nos arredores de Berlim (Burgess e Dubbs, 2007).

8 Os V-2 foram desenvolvido pela Alemanha Nazista, a partir de 1938, na base experimental do exército alemão

de Peenemünde, pela equipe do fusólogo Wernher von Braun. Já no final da Segunda Guerra Mundial, entre 1944 e 1945, mais de 3 mil V-2 foram utilizados para bombardear a Inglaterra, França, Bélgica e Holanda.

9 Realizada no final da Segunda Guerra Mundial pelo exército dos Estados Unidos, a Operação Paperclip teve

como objetivo capturar e permitir a fuga de quase 1.500 cientistas alemães atuantes no complexo militar- industrial nazista. Estes cientistas estavam envolvidos em pesquisas de diversas áreas com armas químicas, experiências de desenvolvimento de psicotrópicos, mísseis e armas de longa distância, e também no campo da conquista espacial. Aos Estados Unidos interessavam as “armas secretas” do Terceiro Reich. Os “recrutados”, ao chegarem nos Estados Unidos, receberam a direção de importantes programas de pesquisa nas bases militares de White Sands, no Novo México, e em Fort Bliss, no Texas, colaborando assim para o avanço tecnológico estadunidense durante a Guerra Fria. Mantida em sigilo durante sua execução, a Operação Paperclip tornou-se conhecida publicamente apenas em 1973 (Burgess e Dubbs, 2007).

construíram um de seus primeiros mísseis, o Redstone, sendo que o pioneiro foguete a colocar em órbita um satélite estadunidense, o foguete Júpiter C, era uma derivação do míssil Atlas, cuja elaboração fora coordenada pelo próprio von Braun.

A exemplo do que ocorrera anteriormente na Segunda Guerra Mundial, na Guerra Fria as descobertas e os experimentos dos pioneiros da astronáutica, dos quais muitos produzidos independentemente do Estado, por vezes associados em grupos amadores ou ligados a universidades, foram rapidamente arregimentados para ampliar os arsenais bélicos dos Estados em guerra. Na União Soviética e nos Estados Unidos, tais conhecimentos foram absorvidos para serem aplicados militarmente na construção de mísseis (Mourão, 1999:49).

Como é evidente em relação à Segunda Guerra e ainda no caso da Guerra Fria, foram arregimentados indivíduos e associações animadas pelo desafio das “viagens interplanetárias”, que muitas vezes exteriormente ao Estado elaboraram saberes sobre a propulsão de foguetes. Preparados para a guerra, os Estados capturaram estas energias inteligentes10 para compor um fluxo destinado à produção de novas tecnologias em

armamentos.

A arregimentação das experimentações dos pioneiros da astronáutica pelas guerras mostra como os problemas e as invenções colocadas pelas ciências nômades são capturados pelas ciências régias, a fim de fortalecer a forma-Estado. Deleuze e Guattari expõem de maneira contundente a relação entre o que chamam de ciências nômades ou ambulantes e as ciências de Estado ou régias. Enquanto as ciências régias operam a partir da dedução e da indução, tendo como lógica a reprodução, as ciências nômades buscam seguir singularidades, por meio da itineração e do deslocamento ambulante. Para os autores, uma não é superior à outra, e o que mais importa está:

10 O investimento em energias inteligentes é apontado por Passetti (2003) como um redimensionamento

observado nas sociedades de controle. Ao contrário das sociedades disciplinares, o controle não foca na exploração de forças mecânicas, mas volta-se para o investimento na extração de energias intelectuais.

No campo de interação das duas ciências, as ciências ambulantes contentam-se em inventar problemas, cuja solução remeteria a todo um conjunto de atividades coletivas e não científicas, mas cuja solução científica depende, ao contrário, da ciência régia, e da maneira pela qual esta ciência de início transformou o problema, incluindo-o em seu aparelho teoremático e em sua organização do trabalho (Deleuze e Guattari, 1997: 42).

Se na Segunda Guerra os V-2 foram utilizados de última hora, na tentativa desesperada de Hitler de reverter o avanço dos aliados, revelando-se armas que careciam de precisão para acertar alvos11, na Guerra Fria o contexto era outro. Combinados às bombas

nucleares, os mísseis tornaram-se as principais armas estratégicas do gélido conflito entre Leste e Oeste, que se desenvolveu por mais de 40 anos sem a necessidade do disparo de nenhum deles em um confronto direito. Ao mesmo tempo em que sua capacidade destrutiva aumentou com a invenção da bomba de hidrogênio, seu alcance foi ampliado, podendo então atingir outros hemisférios do planeta, com a construção, na década de 1950, dos mísseis balísticos intercontinentais. Os V-2 tornaram-se foguetes lançadores quando combinados aos satélites, estes artefatos técnicos que, a partir de 1957, com o soviético Sputnik, permitiram ao homem, entre outras coisas, conhecer mais sobre a Terra e o universo.

inteligência para o governo da Guerra Fria

Para orientar a ação governamental em seu território, o Estado necessita, dentre outras coisas, de informações que são fornecidas pelas estatísticas. Para governar a ação de um Estado em uma guerra, a espionagem assume a função de municia-lo com informações sobre o inimigo. Desse modo, estatística e espionagem são recursos empregados pelos Estados para orientarem suas ações e, se possível, antecipar a ação dos outros Estados.

A Segunda Guerra Mundial exigiu, tanto dos Aliados quando do Eixo, a constituição de amplos aparatos de espionagem para se obter informações sobre as ações e, inclusive, sobre as

11 Apesar de terem sido responsáveis pela morte de milhares de pessoas, sobretudo civis, os V-2 não tiveram

tecnologias inventadas pelos inimigos para serem utilizadas como armas. Com o fim da guerra, estes aparatos formados nos países Aliados não foram desmontados.12 Nos Estados Unidos, a

conjunção entre espionagem e tecnologias espaciais se deu antes do que na URSS, tanto é que foi o primeiro a constituir sistemas de monitoramento do território inimigo por satélite.

Como ex-combatente da Segunda Guerra, o presidente Dwight D. Eisenhower sabia da importância da obtenção de informações para o estabelecimento de estratégias de ataque e também de defesa, principalmente para não ser surpreendido pelo inimigo. Quando assumiu a presidência em 1953, Eisenhower deu sequência à iniciativa de seu antecessor, Henry Truman, de estabelecer grupos e agências especializadas em inteligência também para os tempos de paz.

Com o final da Segunda Guerra, a espionagem foi institucionalizada nos Estados Unidos sob o nome de inteligência e mediante a criação de agências como a Central Intelligence Agency (CIA)13 e o National Reconnaissance Office (NRO), entre outras,

especificamente dedicadas à produção de dados sobre outros países. Idealizado por Eisenhower em resposta ao lançamento do Sputnik soviético, o NRO iniciou suas atividades assim que os primeiros satélites de reconhecimento dos EUA foram colocados em órbita, ficando responsável pelos serviços de inteligência baseados em dados recolhidos por estes satélites. Esta agência era tão secreta que sua existência foi revelada pela mídia estadunidense apenas no começo dos anos 1970. Em meados dos anos 1980, uma matéria publicada no The

New York Times revelou mais detalhes sobre sua atuação, mantida em sigilo pelo governo

12 No mesmo ano em que Eisenhower assumiu o comando nos EUA, Joseph Stalin morreu após dirigir a URSS

por 30 anos. Com sua morte, diversas mudanças foram realizadas, dentre elas a criação do KGB (Комитет государственной безопасности, em português, “Comitê de Segurança do Estado”), órgão que funcionou até 1991 como polícia política voltada para a defesa do Estado contra inimigos internos e externos. Devido as suas atribuições, o KGB acabou concentrando alguns dos serviços de espionagem nos países da URSS e além- fronteiras. O KGB deu sequência aos trabalhos anteriormente realizados pelo NKVD (Народный комиссариат внутренних дел, translit. Narodniy komissariat vnutrennikh diel, em português, “Comissariado do povo para assuntos internos”), principalmente os relacionados à espionagem de tecnologias para armas e a cooptação de funcionários de governos de outros países.

13 Fundada em 1947, por Truman, como sucessor do Office of Strategic Services (que havia sido estabelecido em

1942 com o objetivo de centralizar os serviços de espionagem das Forças Armadas durante a Segunda Guerra Mundial), a CIA foi a primeira agência de inteligência a operar permanentemente em períodos de paz.

estadunidense até 1992, quando enfim foram revelados ao público os documentos oficiais sobre a sua existência (Haines, 1998).

Um dos primeiros documentos oficiais a apoiar o emprego do reconhecimento como meio de inteligência para a defesa dos Estados Unidos foi o Relatório Beacon Hill. Publicado em junho de 1952, este relatório confidencial foi produzido pelo Projeto Lincoln14, do

Massachusetts Institute of Technology (MIT). Sua elaboração contou com a participação de 15 especialistas em reconhecimento, especialmente convidados pelo governo e pelas forças armadas. Este grupo realizou visitas a bases militares, laboratórios, empresas e agências de todo o país para inventar o que existia de mais avançado em tecnologia de reconhecimento e que poderia ser aplicada para aumentar a quantidade e melhorar a qualidade dos serviços de inteligência dos Estados Unidos.

Ao longo de seus 14 capítulos, o relatório trazia métodos de reconhecimento por radar, rádio e fotografia, destacando inovações como a utilização de raios infravermelhos passivos e micro-ondas. O grupo aconselhou o uso de balões, aeronaves de alta altitude, sondagens com foguetes e drones de longo alcance. O emprego de satélites é rapidamente mencionado, sendo apontada a necessidade de mais investigações sobre o assunto.

Ao selecionar as tecnologias que deveriam produzir dados para a inteligência, o Relatório Beacon Hill estabeleceu uma preferência por formas de reconhecimento que não despertassem grandes debates internacionais, que fossem como diríamos hoje, “politicamente corretas”. Indicou o uso de rádio e radares, que poderiam ser operados fora das fronteiras dos países reconhecidos, para assim evitar qualquer tipo de violação de soberania. Sugeriu veículos que sobrevoassem os territórios inimigos nas mais extremas altitudes, como aviões e

14 O presidente do grupo de estudos Beacon Hill era o físico da empresa Kodak Carl F. P. Overhage. Possuía

entre seus membros James G. Baker e Edward M. Purcell, da Universidade de Harvard; Saville Davis, do Christian Science Monitor; Allen F. Donovan, do Cornell Aeronautical Laboratory; Peter C. Goldmark, do Columbia Broadcasting System Laboratorie; Edwin H. Land, o fundador da Polaroid Corporation; Stewart E. Miller, dos Laboratórios Bell; Richard S. Perkin, da Perkin-Elmer Company, e Louis N. Ridenour, do Ridenour Associates (Pedlow e Welzembach, 1998).

foguetes, pois seriam mais difíceis de serem detectados e interceptados. Também advertiu para o fato destas operações dependerem da aprovação de autoridades de alto nível, pois diziam respeito a possíveis “intrusões” em territórios de outros países.

O grupo de estudos trabalha com uma forte convicção. Presumido que a