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Este trabalho tinha ainda o objetivo de analisar a forma como o alargamento da oferta dos Cursos Profissionais às escolas secundárias foi implementado, assim como o seu efeito no sucesso que o ensino profissional revelou até à implementação desta medida. Esta informação foi recolhida através de entrevistas a dirigentes de estabelecimentos de ensino com oferta de Cursos Profissionais de nível secundário. Das entrevistas realizadas pudemos constatar que, a opinião dos dirigentes das escolas profissionais e secundárias é divergente em alguns dos itens por nós abordados, mas, coincidente em muitos deles. Foi interessante registar algumas considerações e propostas dos dirigentes quanto à implementação da medida em análise. No que respeita ao efeito que o alargamento dos Cursos Profissionais teve nas escolas: os dirigentes das escolas profissionais referem, como negativo, a diminuição da procura, o aumento do número de alunos por turma, a alteração do plano curricular (aumento da carga científica e cultural) e a canalização dos alunos para os cursos oferecidos pelas escolas secundárias por recurso aos Serviços de Psicologia e Orientação. Referem, como efeito positivo, a diminuição da idade dos alunos à entrada dos Cursos Profissionais e o facto da concorrência os ter obrigado a melhorar as instalações e equipamentos e apostar em maior publicitação. Os dirigentes das escolas secundárias referem, como positivo, o reencaminhamento e recuperação de alunos.

No que respeita ao modo como o ensino profissional foi implementado nas escolas secundárias: os dirigentes das escolas profissionais e escolas secundárias referem que a generalização foi imposta a todas as escolas de forma precipitada pois não teve em conta a

64 especificidade das mesmas (vocação, instalações, equipamentos e corpo docente). Referem ainda que os Cursos Profissionais deveriam ter sido implementados sem alterações curriculares, que a articulação da rede não foi correta levando à abertura de cursos (com o inerente investimento) que foram mandados encerrar passados 2 ou 3 anos e que as escolas secundárias não tiveram formação prévia suficiente relativamente à estrutura modular. Os dirigentes das escolas profissionais queixam-se de não terem sido tratados de forma igual às escolas secundárias, pois não lhes foi permitido crescimento ainda que demonstrassem possuir as condições para tal e que os indicadores o justificassem (taxas de conclusão e empregabilidade/prosseguimento de estudos).

Quanto ao facto de existirem (ou não) diferenças no ensino profissional ministrado nas escolas secundárias e nas escolas profissionais: os dirigentes das escolas profissionais referem não acreditar que o ensino profissional ministrado nas escolas secundárias seja igual ao ministrado por elas atendendo aos seus 20 anos de experiência, ao facto de as escolas secundárias não disporem de um corpo docente com ligação efetiva à área técnica dos Cursos Profissionais e à dificuldade em assegurar a estrutura modular, o acompanhamento individualizado dos alunos e o estágio em contexto real de trabalho. Acrescem ainda, ser sua convicção, que as escolas secundárias usam os Cursos Profissionais para os alunos problemáticos e com percursos de insucesso e para reaproveitamento do seu corpo docente, vinculando-se ao grupo de docência e não à especificidade da área técnica. Os dirigentes das escolas secundárias tendem a acreditar que a formação é idêntica embora demonstrem dúvidas no que respeita à formação das áreas técnicas e à estrutura modular.

No que respeita ao efeito que o alargamento dos Cursos Profissionais teve na escolarização e nas taxas de empregabilidade: os dirigentes das escolas profissionais e das escolas secundárias referem acreditar que a generalização do ensino profissional às escolas secundárias teve um efeito direto no aumento da escolarização ao nível do secundário mas não acreditam que o mesmo aconteça relativamente à empregabilidade. Referem ainda que o estágio é o melhor veículo para assegurar boas taxas de empregabilidade.

Quanto a uma eventual distinção que possa ser feita pelos empregadores, no que respeita aos alunos diplomados de Cursos Profissionais por escolas profissionais ou por escolas secundárias: os dirigentes das escolas profissionais tendem a considerar que os seus alunos são preferidos pelos empregadores, não só pela diferenciação que estes fazem do ensino

65 ministrado por estas mas também pela ligação que muitos deles têm às escolas profissionais através dos formadores, estágios e protocolos. Os dirigentes das escolas secundárias tendem a considerar que os empregadores não diferenciam os alunos e que o que poderá ser vinculativo é o desempenho destes nos estágios.

Os dirigentes de ambas as escolas referem acreditar que a generalização do ensino profissional às escolas secundárias teve como principal objetivo reafectar professores e instalações, a que acresce o aumento da escolarização, o que se tornava imperioso com o alargamento da escolaridade a 12 anos. Todas elas expressam concordância com este alargamento, mas não com a forma como foi feito. Se tivessem sido chamados a dar opinião, teriam proposto o alargamento apenas às escolas que tivessem vontade e recursos humanos e materiais, não teriam efetuado alterações ao plano curricular e teriam estabelecido uma rede de parcerias com o tecido empresarial.

No que respeita a medidas possíveis para reforçar o ensino profissional, as sugestões dos dirigentes entrevistados foram: assegurar a cooperação entre escolas profissionais, escolas secundárias, MEC, IEFP e tecido empresarial, para que a abertura/manutenção de cursos seja coerente; criar gabinetes de orientação de alunos fora das entidades formadoras, que ajudem o aluno na escolha do seu percurso escolar bem como do estabelecimento de ensino, dando-lhe a conhecer as possibilidades de emprego; implementar uma avaliação de escolas relativamente ao ensino profissional por forma a permitir uma definição da rede; permitir o crescimento do ensino profissional em qualquer tipologia de estabelecimento de ensino, e não exclusivamente nas escolas secundárias; diminuir o número de alunos por turma para permitir um trabalho adequado ao seu cariz técnico e de acompanhamento individualizado; implementar uma campanha de imagem a nível nacional que evidencie que o ensino profissional é uma opção e não uma segunda escolha.

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