3.3 Developing new methods for finding TADs
3.3.6 Improvements to Approach III
Ter um emprego não implica sempre estar diante de uma porta aberta para a sublimação. Um número impressionante de empregos caracteriza-se pela confrontação com os constrangimentos organizacionais que tornam impossível o emprego da inteligência e não dão à criatividade, à descoberta, à engenhosidade, qualquer possibilidade de manifestação. Essas tarefas merecerão o mesmo epíteto de tarefas “antissublimatórias”. E com consequências dramáticas para o vir a ser subjetivo e a saúde mental (Dejours, 2012b, p. 17).
Até o momento, destacou-se inúmeros aspectos referentes à complexidade e as nuances do trabalho e do trabalhar além das funções e / ou papéis desempenhados por eles na vida e na saúde dos sujeitos. Neste contexto,
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para findar o presente capítulo, optou-se em destacar, mesmo que de forma breve, a correlação entre trabalho, sublimação e emancipação. Ao abordar tais temas na fase conclusiva, objetiva-se oferecer ao leitor a possibilidade de conexão, ou seja, de estabelecer inter-relações entre os conceitos abordados até o momento. Trata-se ainda, de mais um elemento para sustentação da tese da centralidade do trabalho.
O termo “sublimação” designa um conceito que tem origem na psicanálise freudiana. Trata-se, de forma geral, de um mecanismo de defesa inconsciente que, em última instância, retrata um dos destinos das pulsões. Dito de outra forma, o termo sublimação nomeia o processo capaz de transformar a própria pulsão, no que diz respeito ao seu objeto e a sua meta, sempre sexual para Freud, em um objeto, meta ou atividade socialmente valorizados (Freud, 2010; Dejours, 2012b; Laplanche, 2014).
Destaca-se que a sublimação, enquanto processo, distingue-se de outros mecanismos de defesa contra o sofrimento, tais como a repressão, a projeção, a negação, etc. Nela, a chamada saída pulsional não seria desestabilizadora ao funcionamento psíquico dos sujeitos. Nas outras defesas, por exemplo, em nome da manutenção de um certo equilíbrio, tais saídas acabam, por vezes, impedindo a possibilidade de desenvolvimento do psiquismo (Freud A, 2006).
Ainda neste contexto, outro aspecto que diferencia a sublimação de outros mecanismos de defesa refere-se ao fato de que, ao colocar em evidência o investimento e a mudança de curso da pulsão na direção de atividades socialmente consideradas úteis ou valorizadas, dá-se destaque à função de outros sujeitos neste processo. Destaca-se, portanto, seu caráter intersubjetivo
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e não meramente individual, como no caso das outras defesas (Dejours, 2004f,g, 2012b).
O outro, no processo sublimatório, não ocupa o lugar destinado ao amor ou a economia erótica. Trata-se aqui, de um ator socialmente situado, ou seja, ao abrir espaço para a interlocução com o mundo social, constrói-se um processo no qual a sexualidade não se constitui enquanto eixo central (Dejours, 2004f,g, 2012b).
Para Dejours (2012b), a sublimação enquanto processo, coloca ainda em evidência, aspectos outros em relação aos tratados pela psicanálise. Para o autor, existe uma lacuna importante na medida em que essa disciplina não se debruça no estudo das condições sociais necessárias ao desenvolvimento e à efetivação da mesma.
Tais condições, relacionam-se à existência de coletivos ou comunidades que ofereçam a oportunidade do reconhecimento de utilidade e de beleza no cenário do trabalho. Para tanto, como observado nas seções anteriores, seria fundamental a existência de um espaço coletivo onde a deliberação sobre o fazer dos sujeitos tivesse lugar privilegiado.
Neste contexto, as pesquisas e demais análises guiadas pela psicodinâmica do trabalho indicam que o trabalho pode desempenhar papel fundamental no processo de sublimação, com destaque à construção da identidade e, consequentemente da saúde mental dos sujeitos.
Adotando o pressuposto de que o trabalho pode ser um operador da saúde, ele se torna, para determinados sujeitos, eixo central em detrimento das vias afetiva e erótica. Para Dejours (2012b) ele tem, no mínimo, tanta importância e é tão fundamental quanto as últimas.
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Para a PDT, o sofrimento produzido no encontro com o real do mundo do trabalho e toda a inteligência e criação empregadas para superá-lo ganham sentido pelo reconhecimento atribuído pelos pares e pelas instâncias hierárquicas superiores. É, exatamente neste momento que, para o autor, o processo de sublimação pela via do trabalho se concretiza. Coloca-se, portanto, em evidência, a realização de si pelo trabalho (Dejours, 2004f,g, 2012b; Uchida et al., 2011).
Entretanto destaca-se que, o reconhecimento desempenha sua função na economia psíquica quando corresponde ao sentido que o trabalho possui para o sujeito em questão, inclusive, na relação com sua história pessoal. Sendo assim, em linhas gerais, o trabalho ou melhor, a atividade profissional revela ser potencialmente portadora do desenvolvimento e da satisfação pessoal principalmente quando livremente escolhida pois, desta forma, facilitaria a ocorrência de processos de sublimação, o aprimoramento e a realização em ato de vocações, desejos e anseios (Dejours, 2012b).
Soma-se a isso, e existência de situações de trabalho que facilitam ou dificultam a ocorrência dos processos sublimatórios, ao impedir ou impulsionar o uso da inteligência, da eficácia, da astucia, entre outros aspectos.
Para Dejours (2004f,g, 2012b), como destacado até aqui, é pela sublimação que todo o sofrimento vivenciado na situação de trabalho se transforma em prazer. Neste sentido, ela acaba se caracterizando menos como mecanismo de defesa e mais como instrumento de emancipação, pelo qual as pessoas podem se realizar, se constituir no âmbito identitário e construir sua saúde mental.
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A conquista do prazer pela via do trabalho, como destacado até então, passa pelo estranhamento, pelo confronto com o real, ou seja, inicialmente, ela emerge do fracasso, da frustração, da desagregação. A mobilização do ser humano por inteiro, com o intermédio do corpo, é o caminho no qual a subjetividade é colocada à prova. Tal provação, para além do âmbito social, traduz-se numa relação do sujeito com ele mesmo, ou seja, acontece também no âmbito individual, com vistas à emancipação que, neste contexto,
[...] procede do poder em substituir o constrangimento da dominação pela exigência de mensurar-se, de seu próprio grado, com os poderes de seu corpo e de sua inteligência confrontados à resistência do real [...] não se avalia aqui no direito de circular livremente, de praticar sua religião ou de expressar sua opinião, mas no poder de encontrar em seu trabalho a via que leva ao gozo de si, em outros termos, da ampliação da subjetividade e da revelação da vida em si (Dejours, 2009, p. 158).