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Outro projeto que está sendo desenvolvido pela Fundação Pró-Rim prevê um investimento na qualidade de vida da comunidade. Trata-se do projeto “Educar para Prevenir”. Sabe-se que 50% (cinqüenta por cento) dos pacientes que fazem hemodiálise ou transplante renal desenvolvem insuficiência renal conseqüentes da diabetes ou da hipertensão arterial, não tratados em tempo adequado.

A insuficiência renal crônica gasta R$ 1.3 bilhão do orçamento da saúde do Brasil, somente com tratamento por hemodiálise e transplante renal, correspondendo a 8% do orçamento de todo o Ministério da Saúde em 2004.

Estima-se também que, hoje, o Brasil tem pelo menos 1,8 a 2,0 milhões de pessoas doentes dos rins não submetidas a nenhum tipo de tratamento, o que, mais cedo ou mais tarde, terão que fazê-lo. Não podemos esquecer que o número de pacientes em hemodiálise aumenta 11% ao ano e, conseqüentemente, o custo (Figura 7). Logo, um aumento significativo nos gastos públicos com essa terapia em curto espaço de tempo é inevitável.

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FIGURA 7 – Estimativa de Crescimento do Número de Pacientes

Fonte: Fundação Pró-Rim

Por outro lado, dos pacientes que morreram em diálise nos últimos 10 anos, 1/3 deles morreu precocemente, nos primeiros três meses de tratamento, denotando que não houve diagnóstico precoce e tratamento ambulatorial pré-diálise adequados, ou seja, os pacientes foram atendidos tardiamente. Faltou, portanto, o chamado tratamento ambulatorial conservador pré-diálise. A conclusão é que se gastou dinheiro público em hemodiálise tratando pessoas que morreram precocemente. Se houvesse um ambulatório ativo, inclusive com exames laboratoriais disponíveis, as mortes, provavelmente, teriam sido minimizadas e é bem possível que se teria gastado menos, porque se adiaria a entrada de tais pacientes em diálise (Figura 8).

Por isso, é importante que o Programa da Saúde da Família e os Ambulatórios da Rede Pública de Saúde estejam engajados no projeto. O paciente que for diagnosticado com insuficiência renal, precocemente, será encaminhado ao especialista para retardar seu ingresso na hemodiálise.

Estimativa de crescimento do

número de Pacientes

Pacientes requerendo diálise no Brasil

Com base na ainda baixa prevalência (falta de diagnóstico ?) da IRC no Brasil e em função do crescimento de doenças com diabetes e hipertensão, estima-se que o número de pacientes em diálise deve duplicar nos próximos 5-6 anos

46.557 48.806 54.232 61.000 67.000 74.370 82.551 91.631 101.711 112.899 125.318 42.69 5 1999 2001 2003 2005 2007 2009 2010

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Óbitos dos Pacientes em Hemodiálise

10 anos – 363 Casos na Fundação Pró-RimÓbitos dos Pacientes em Hemodiálise

10 anos – 363 Casos na Fundação Pró-Rim

31,7%

68,3

Antes de 90 dias Após 90 dias

Morte Precoce

Um terço dos pacientes Que iniciam hemodiálise morrem precocemente, porque não foram

diagnosticados precocemente ou adequadamente tratados

antes de inicar o tratamento dialitico.

FIGURA 8 – Óbitos dos Pacientes em Hemodiálise Fonte: Fundação Pró-Rim

O projeto Educar para Prevenir será realizado em convênio ou contrato com as secretarias de educação e saúde das prefeituras municipais ou estaduais, permitindo fazer com que os alunos da sétima série, nas aulas de informática e ciências, realizem a pesquisa para a identificação de doenças renais em seus familiares. O aluno preencherá um formulário criado por especialistas da Fundação Pró-Rim. O formulário será distribuído em sala de aula e preenchido em casa com dados dos membros da família.

A Equipe da Fundação Pró-Rim realizará a supervisão de toda a pesquisa feita pelos alunos. Da equipe farão parte um médico com especialização em nefrologia, um técnico em informática e um pedagogo.

A orientação será dada aos diretores e professores da escola que estarão encarregados de incluir essa atividade no plano de ensino de suas aulas. Estará sendo estabelecida uma agenda entre as Escolas e a Fundação Pró-Rim para a entrega e o recolhimento dos formulários.

A Fundação Pró-Rim também cuidará para que os formulários, assim como seus conteúdos, tenham caráter sigiloso. Apenas os dados estatísticos serão divulgados sem que qualquer indivíduo seja identificado. Os dados estatísticos e avaliações serão divulgados nas escolas participantes pelos diretores e professores. Para a comunidade serão comunicados por órgãos de imprensa.

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Os alunos receberão o número de formulários impressos para que os adultos, principalmente idosos de sua família, sejam entrevistados. Serão selecionadas pessoas a partir de 18 (dezoito) anos de idade (maioridade). Caso os alunos tenham acesso à Internet, em casa ou na escola, poderão acessar o formulário que estará disponível no site da Fundação Pró-Rim (www.prorim.com.br).

A equipe da Fundação Pró-Rim realizará palestras nas escolas sobre doenças renais para lançamento do projeto em parceria com a Prefeitura Municipal, Secretaria da Educação e Secretaria da Saúde de cada município participante.

É desejável que os pais desses alunos também tenham acesso à palestra de sensibilização para que reconheçam a importância do trabalho de seus filhos para a comunidade de sua região.

Na região norte de Santa Catarina, nas cidades de Gaspar, Indaial, São Bento do Sul e Joinville já foi realizado um PROGRAMA PILOTO (Figura 9). Aproximadamente 8000 alunos das sétimas séries das redes municipal, estadual e particular participaram do programa educativo. Os questionários sobre obesidade, hipertensão arterial, diabetes e doenças renais foram preenchidos nas residências de seus familiares. Os dados fornecidos pelos alunos no programa aplicado nas escolas foram tabulados pela equipe da Fundação Pró-Rim.

Quarenta e quatro por cento, 44%, da população pesquisada necessita de algum cuidado médico (hipertensos, diabéticos, outras doenças renais e pessoas acima do peso ideal). Esses pacientes deverão ser encaminhados ao SUS para uma consulta médica ou continuar o seu tratamento. Somente 21,5% dos entrevistados que tem alguma patologia se tratam no SUS.

FIGURA 9 – Educar para Prevenir – Gaspar/SC Fonte: Fundação Pró-Rim

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É importante dizer que 45,33% dos pacientes têm mais de 40 anos de idade e estão mais propensos à insuficiência renal e doenças cardiovasculares.

Também é importante pesquisar entre as pessoas com mais de 40 anos saudáveis, mas que tenham parentes com doenças cardiovasculares, que estejam acima do peso ideal, se não são portadoras de diabetes e hipertensão arterial. Esse é o grupo de maior risco.

Para completar a pesquisa, no sentido de detectar as doenças silenciosas (diabetes e insuficiência renal, nos grupos de risco (mais de 40 anos de idade, obesos, hipertensos e parentes doentes) a realização de exames laboratoriais glicemia, creatinina sérica, colesterol total e urinálise serão suficientes para a detecção de mais pessoas doentes. Naqueles em que a creatinina e glicose for alta, a constatação de proteinuria (proteínas na urina) fará o diagnóstico de doença renal). Portanto, exames baratos, simples e de grande eficácia.

Com esse programa, a Fundação estará ajudando a comunidade local na detecção de doenças renais e também estará ampliando seu domínio territorial no Brasil. Portanto, mais pessoas estarão conhecendo os trabalhos da Fundação Pró-Rim sendo potenciais pessoas para aumentar a base de colaborações.

A forma de remuneração do projeto está diretamente vinculada à abertura de novos mercados para que o call center possa solicitar da comunidade uma contribuição. Atualmente, o projeto prevê o ingresso na cidade de São Paulo. O ingresso se dará porque o projeto-piloto, realizado na cidade de Gaspar/SC, mostrou possibilidade de sucesso. Houve grande envolvimento da população com um percentual de retorno maior do que estava sendo praticado nas demais localidades. Em São Paulo, conta-se com um investimento estimado de R$ 700.000,00 (setecentos mil reais), com um payback de 2,3 anos e uma taxa interna de retorno de 17% (dezessete por cento) ao ano.