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Claramente percebe-se que os grupos observados são caracterizados por atividades pouco orgânicas, não se inserindo em uma rede variada de ramos produtivos. Suas atividades, em geral, não necessitam um nível de qualificação elevado da mão-de-obra nem o uso de equipamentos complexos, sendo de baixo nível tecnológico e com produtos de reduzido valor agregado (como discutimos pela abordagem de Milton Santos no final do tópico I.2.2 e em seguida no tópico I.3). Quanto às atividades econômicas desenvolvidas, quase a totalidade é de produção artesanal de diversos produtos elaborados manualmente como vestuários (44%), bijuterias (31%), cama, mesa e banho (18%), bolsas (13%), etc. Como nesse item poderia-se marcar diversas opções, o resultado é maior do que 100%. Muitos grupos marcaram reciclagem paralelamente a outras atividades (17%), quando possivelmente o correto seria reaproveitamento de materiais. Uma pequena parte trabalha com produtos alimentícios (12%) e há apenas um grupo que assinalou agricultura e uma cooperativa que respondeu setor industrial. Não foi encontrado, na feira, um único grupo que desenvolvesse atividades de crédito64.

A forma de comercialização da produção, como seria possível imaginar, ocorre principalmente por meio de feiras regulares ou eventuais (64%), em casa (38%), pela venda de porta em porta ou por encomendas (35%). Apenas 5% dos grupos afirmaram comercializar em loja mantida pelo grupo, outros 5% por intermediários ou atravessadores e 6% através de lojas comerciais. É interessante que 7% afirmou haver comercialização com consumidores solidários65. Apenas um grupo respondeu fornecer para empresas do setor industrial (uma cooperativa) e dois grupos informais para órgãos públicos. Esse mesmo padrão se verifica para os grupos informais, associações ou cooperativas.

Quanto ao investimento e crédito, a informação resumida nas FIGS.4e5 abaixo revela uma situação perversa quando se quer analisar a sustentabilidade e a capacidade de competitividade dos grupos dentro da economia capitalista. Não apenas a maioria dos grupos não fez qualquer tipo de investimentos (61%), como também se constata que entre os grupos que afirmaram ter realizado investimentos (23 grupos informais, 5 cooperativas,

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Embora exista um Banco Popular de Belo Horizonte, que apóia diversos grupos da região, não havia uma representação deste na feira.

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Até onde se tem conhecimento, não há nenhuma rede de consumo e comércio solidário em BH. As afirmações nesse sentido provavelmente estão relacionadas ao consumo devido às relações familiares ou de amizade desenvolvidas em pequenos grupos seja da comunidade ou da família (que também fazem algum tipo de produção artesanal semelhante).

3 associações e 2 instituições), estes geralmente são quase insignificantes para o aumento da produtividade e da capacidade produtiva do grupo66. Uma parte desses investimentos não vem de recurso próprio (já que o grupo não tem condições nem de investir, nem de fazer um financiamento), são doações de instituições de apoio. Outra parte são peças simples como ferramentas de trabalho. Cinco grupos afirmaram ter investido em maquinário, dois abriram novos espaços para comercialização, um afirmou ter investido em capacitação dos trabalhadores e um em informatização.

A falta de controle sobre os meios de produção, refletida na carência ao acesso e uso efetivo de um conjunto de conhecimentos técnicos, financeiros e gerenciais mais sofisticados é verificada diretamente na dificuldade do acesso a um sistema de crédito. Mais de 40% dos grupos nem ao menos procurou crédito. Somando-se aos que procuraram e não tiveram acesso, têm-se cerca de 85% dos grupos sem utilização desse recurso. Entre os 15% que tiveram acesso a crédito (ou seja, 13 grupos, sendo 10 grupos informais, 2 cooperativas e 1 instituição) verificou-se que em 7 o crédito foi utilizado para capital de giro, em 5 para investimentos67 e em 1 para ambos. Dentre as fontes de financiamento, se tem 1 resposta como crédito concedido por familiares, 7 de Banco Popular, e 5 em outros (onde se incluem ONG’s e instituições de apoio).

Figuira 4 - Grupos segundo realização de Investimentos

39%

61%

Realizou Não realizou

Figura 5 - Grupos segundo acesso a Crédito

15%

40% 45%

Teve acesso Não teve acesso Não procurou

A FIG.6 e a TAB.2 mostram que em mais da metade dos grupos a renda média é de até um salário mínimo por trabalhador e apenas em 6 grupos (7%) essa renda supera 3 salários

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Dez dos questionários onde a resposta para a questão sobre investimentos é afirmativa estavam com a resposta ‘investimento pessoal’ no que se refere à especificação do tipo de investimento. Possivelmente um erro do entrevistador quanto ao conceito de investimento, o que dificulta a análise. Em relação ao crédito e outras questões, a análise no nível individual (e não em termos de grupo) seria mais precisa (pois, p. ex., uma cooperativa que teve acesso à crédito atinge mais trabalhadores que um grupo informal).

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A resposta das questões 6 e 7 em dois questionários apresentou uma contradição. Dois dos grupos que afirmaram não ter realizado investimentos, afirmaram ao mesmo tempo ter recebido crédito, e que este teria sido captado para investimento.

mínimos. É importante lembrar que esta é uma pergunta delicada. Como poderia se esperar, um número elevado de grupos (18) não respondeu a questão. É provável assim, que o resultado possa estar subestimado. Outra informação importante (referente à questão 9 do questionário) é de que para 64% dos participantes a atividade exposta na feira é a única ou a principal fonte de renda, enquanto 29% possui outra fonte de renda (7% não soube responder em nome do grupo). Entre as atividades ou fontes de renda obtidas fora do que seria a organização no grupo de EPS foi citado em cerca de 10 questionários ‘aposentadoria’ ou ‘renda do marido’, em cerca de 6 casos atividades de autônomos, em outros 6 ‘assalariados’ e em um caso ‘aluguel’.

Figura 6 - Renda em salários mínimos (SM) possibilitada pelo empreendimento

33% 25% 14% 7% 21% < 1 SM 1 SM 2 SM > 3 SM NS / NR

Tabela 2 – Nível de renda média segundo forma de organização Nível de renda média

Forma de organização

< 1 SM 1 SM 2 SM > 3 SM NS / NR Total

Associação 5 1 0 0 2 8

Cooperativa 1 3 2 0 4 10

Grupo Informal 18 16 10 4 12 60