• No results found

Chapter 7: Contributions and Conclusion

7.3 Implications for Practice

A seleção dos músculos a monitorizar quanto à sua atividade resultou de um processo que teve lugar em várias vertentes. A primeira consistiu numa revisão bibliográfica específica, norteada para a seleção adequada dos músculos a monitorizar. Estes músculos foram também identificados através da consideração da sua relevância na geração de posturas consideradas inadequadas e potencialmente danosas e que são passíveis de ser adotadas aquando uso do rato de computador. Estas posturas consistem nomeadamente nas que envolvem a extensão do punho e, ou, dos dedos mediais, o desvio radial e o desvio cubital do punho ou da mão (ISO 9241-400:2007). O processo de seleção dos músculos cuja atividade se iria monitorizar beneficiou ainda sobejamente do aconselhamento pessoal recebido da parte do Professor David D. Rempel. Após a ponderação da informação recolhida e em consonância com o perito referido optou-se por monitorizar os seguintes músculos: o Extensor Carpi Radialis (ECR), o Extensor Carpi Ulnaris (ECU) o Extensor Digiorum (ED) e o Abdutor Pollicis Longus (APL). Neste contexto, o Professor David D. Rempel, no âmbito de comunicações pessoais direcionadas (2013-2015), deu um contributo essencial ao presente estudo, quer em relação à instrumentação selecionada e expressamente adquirida, que considerou adequada ao tipo de investigação pretendida (DE 2.1 Single Differential Electrode, Delsys® com 4 elétrodos de superfície), quer relativamente à seleção dos músculos sob interesse. O conjunto de músculos que o Professor David D. Rempel aconselhou a monitorizar incluía inicialmente o Abductor Pollicis Brevis (APB), um músculo envolvido na abdução do dedo polegar, que foi considerado relevante no uso de um novo modelo de dispositivo que estava na altura em desenvolvimento no âmbito dos trabalhos da presente tese, mas cujo desenvolvimento subsequente veio posteriormente a ser colocado em espera (Fig. 4.7). Após a decisão de incluir na investigação 5 modelos de dispositivos (Fig. 5.1) com ângulos característicos diferentes (0º, 30º, 45, 60 e 90º), constatou-se que em alguns destes modelos se tornava inviável a monitorização adequada da atividade do músculo APB, visto que o sensor aplicado na mão se iria arrastar na

107

superfície do tapete do rato e, ou, na superfície do próprio dispositivo. Nessa altura, a presente investigação contou ainda com o valioso contributo da Dra. Cristina Roque Ferreira (médica interna do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra) que, em virtude da monitorização pretendida, a abdução do polegar, recomendou a substituição do músculo APB pelo músculo APL (Abductor Pollicis Longus). Esta médica prestou ainda apoio teórico-prático local na fase de preparação das experiências de laboratório e na sua implementação, apoio esse relacionado com a anatomia e a fisiologia muscular, essencial na fase de estabelecimento dos procedimentos experimentais e de arranque da colheita de dados eletromiográficos.

Segundo Perotto (2011), a função principal do músculo Extensor Carpi Ulnaris (ECU) é a extensão do punho em desvio cubital, sendo que a função principal do músculo Extensor Carpi Radialis (ECR) é a extensão do punho em desvio radial. Cram e Criswell (2011) apontam igualmente o mesmo tipo de funções para os referidos dois músculos. Na Figura 6.4, Cram e Criswell (2011) apresentam um registo eletromiográfico dos músculos ECR e ECU durante o desvio radial, durante o desvio cubital e durante a extensão do punho, respetivamente. A atividade muscular é quantificada através de um sinal elétrico, sendo que na Figura 6.4 é mostrada a amplitude do sinal, onde cada divisão vale 200 uV, e no eixo das abcissas cada divisão vale 1 segundo. É notório que durante o desvio radial do punho sobrepõe-se a atividade do músculo ECR (sinal ligado ao canal L, em cima, na Fig. 6.4) à atividade do músculo ECU (sinal ligado ao canal R, em baixo, na Fig. 6.4) e, por seu turno, durante o desvio cubital do punho sobrepõe-se a atividade do músculo Extensor Carpi Ulnaris (ECU) à atividade do músculo Extensor Carpi Radialis (ECR). Constata-se também que durante a extensão do punho são ativados ambos os músculos, o ECR e o ECU.

Figura 6.4 – Registo eletromiográfico de superfície dos músculos ECR e ECU em desvio radial, em desvio cubital e na extensão do punho (Fonte: adaptada de Cram e Criswell, 2011).

Desvio radial Desvio cubital Extensão do

punho

Extensor Carpi Radialis

Extensor Carpi Ulnaris

1.0 s/div EMG:

200 uV/div

108

Por outro lado, a função principal do músculo Extensor Digitorum (ED ou EDC) é a de extensão dos quatro dedos mediais relativamente às suas articulações metacarpofalângicas (Perotto, 2011). Trata-se das articulações localizadas entre as falanges dos quatro dedos mediais e a palma da mão. Na Figura 6.5, obtida através de eletromiografia de superfície, pode-se observar que durante a extensão do punho regista-se atividade do músculo ED mas também do músculo ECR, enquanto se regista durante a extensão dos dedos, sem proceder à extensão do punho, a predominância da atividade do músculo ED face ao músculo ECR.

Figura 6.5 – Registo eletromiográfico de superfície dos músculos ED e ECR na extensão do punho e na extensão dos dedos (Fonte: adaptada de Cram e Criswell, 2011).

A principal função do músculo Abdutor Pollicis Longus (APL) é a abdução do 1º metacarpo, estendendo todo o dedo polegar e estendendo a articulação carpometacárpica do polegar (Perotto, 2011). Em termos de monitorização do músculo APL por S-EMG, Cram e Criswell (2011) alertam para a proximidade entre este e o músculo Extensor Pollicis Brevis (EPB) no que diz respeito à melhor localização do elétrodo de superfície a colocar no antebraço, indicando ainda como ações de contração isométrica a abdução e a extensão do polegar para o registo do sinal eletromiográfico. Por outro lado, a Figura 6.6 ilustra o comportamento em termos do sinal eletromiográfico dos músculos APL e APB, de modo que durante a abdução do dedo polegar se regista atividade muscular em ambos os músculos, enquanto no movimento de ‘preensão de pinça’ (pinch grasp) se regista atividade do músculo APB mas não se regista atividade no músculo APL. Isto deixa antever que a substituição da monitorização do músculo APB pelo músculo APL provoca a perda do registo de ‘preensão de pinça’. Para além do mais, a proximidade entre os músculos APL e EPB na região do antebraço, onde se coloca o elétrodo de superfície também leva a antever possíveis problemas de Cross-talk (este efeito de Cross- talk ocorre quando o mesmo sinal eletromiográfico é proveniente de mais do que um músculo ativo). Deste modo, monitoriza-se nestas condições não só a abdução do polegar como

Extensão do punho Extensão dos dedos

EMG: 500 uV/div

1.0 s/div Extensor Carpi Radialis

109

também a sua extensão; contudo, não é monitorizado o envolvimento do polegar na ação de ‘preensão de pinça’.

Figura 6.6 – Registo eletromiográfico de superfície dos músculos APL e APB ao agarrar e largar, em abdução, em preensão de pinça e em abdução (Fonte: adaptada de Cram e Criswell, 2011).