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Chapter 4: Research Methodology

4.4 Data Collection

3.1.1 Enquadramento metodológico

Neste capítulo apresenta-se, globalmente, a metodologia que serviu de referência ao desenvolvimento da presente tese. O enquadramento metodológico apoia o planeamento que orienta o processo de investigação ao longo de toda a sua realização. Não obstante, e devido à especificidade inerente a cada um dos temas tratados, nomeadamente o desenvolvimento do produto (Cap. 4), a avaliação da usabilidade (Cap. 5) e a avaliação da atividade muscular (Cap. 6); o desenvolvimento mais pormenorizado dos métodos e das técnicas de investigação aplicados em cada uma destas três vertentes são tratados no início de cada um dos respetivos capítulos. Procura-se, deste modo, favorecer a descrição sequencial dos processos, adotados para a investigação, relativamente a cada um dos domínios explorados nos capítulos 4, 5 e 6. O desenho do processo de investigação define um plano onde as estratégias de investigação visam a colheita de dados e os respetivos métodos de análise, de modo a dar resposta às perguntas de investigação (Saunders, Lewis e Thornhill 2012) e, ou, a responder aos objetivos específicos delineados para a tese. Estes autores utilizam a metáfora da cebola para descrever os passos gerais de um qualquer processo de investigação (Figura 3.1).

Figura 3.1 – The research Onion [A Cebola da Investigação] (Fonte: adaptada de Saunders, Lewis e Thornhill, 2012).

Na Cebola da Investigação, o processo inicia-se na camada mais periférica e decorre em passos sucessivos em direção ao núcleo, não sendo possível passar para uma camada mais interior sem que o passo relativo à camada antecedente tenha ocorrido. Composta por seis

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camadas, três dizem respeito ao planeamento global do processo de investigação, as estratégias, as escolhas, e os horizontes temporais enquanto as camadas mais periféricas referem-se às filosofias de investigação e às abordagens (metodologia dedutiva ou indutiva) adotadas no mesmo processo. De acordo com Saunders, Lewis e Thornhill (2012) o primeiro passo a dar em qualquer processo de investigação é definir a filosofia de investigação adequada, e, em segundo lugar, posicionar a metodologia de investigação quanto à abordagem mais adequada a realizar. Na terceira camada encontram-se as estratégias, sendo aqui indicadas a experimentação, a investigação por questionários ou entrevistas, o estudo de caso, a investigação de ação, a teoria fundamentada, a etnografia e a investigação de dados disponíveis em arquivo. No quarto passo deve proceder-se à escolha relativa à tipologia dos métodos (uso de técnicas quantitativas e ou qualitativas) seguindo-se os horizontes temporais, e por último, as técnicas e os procedimentos utilizados na recolha dos dados e na sua análise.

Assim, o processo de investigação conduzido no âmbito desta tese assume o seguinte enquadramento: no que diz respeito à filosofia de investigação assenta no conceito do positivismo, encontrando-se associado às ciências exatas, sendo a metodologia de investigação estruturada, facilitando assim a sua replicação. O positivismo está ainda associado à observação de factos sob a forma de medidas quantificáveis, para além de que as observações e as conclusões são fundamentadas com base estatística, assumindo-se o investigador como um observador que não influencia os observados. Quanto às abordagens para a investigação, aplica-se no processo de avaliação dos produtos uma abordagem dedutiva (formação de hipóteses e teorias que são depois testadas pela estratégia de investigação), do tipo quantitativo já que se utiliza a recolha de dados e os métodos de análise que produzem resultados numéricos. Todavia, aplica-se a abordagem indutiva no desenvolvimento de uma nova ferramenta de avaliação dos dispositivos manuais apontadores para computador. A estratégia de investigação assenta na experimentação, envolvendo a escolha por múltiplos métodos (escolha esta designada por multi-método na Fig. 3.1), uma vez que se recorre a mais do que um método, sempre com a obtenção de dados quantitativos, durante os estudos experimentais. Em relação aos horizontes temporais, a investigação contempla uma componente transversal (estudo 1, avaliação da usabilidade e estudo 2, avaliação da atividade muscular e da usabilidade) mas também contempla uma componente longitudinal (avaliação da usabilidade considerando os estudos 1 e 2 combinados). Quanto às técnicas e procedimentos adotados na colheita e análise de dados, estes são globalmente descritos noutra secção deste capítulo e descritos em pormenor nos capítulos 5 e 6 sendo que no capítulo 7 procede-se à análise dos resultados.

Por outro lado, e dada a natureza da presente investigação que contempla uma abordagem de criação de artefactos (desenvolvimento do produto) e uma abordagem de avaliação de artefactos (quanto à usabilidade e à atividade muscular durante a utilização dos artefactos), a metodologia empregue no processo combinado de conceção e investigação no âmbito desta

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tese pode ser adequadamente classificada através da taxonomia de métodos de investigação desenvolvida por Järvinen (2004), que se encontra esquematicamente reproduzida na Figura 3.2. A taxonomia proposta está orientada para o desenvolvimento de sistemas informáticos (IS) embora se assuma a sua ampla aplicação a sistemas técnicos e à tecnologia. O artefacto pode ser classificado como algo intangível ou tangível. Trata-se assim da operacionalização de uma abordagem de investigação científica com foco em particular na utilidade dos artefactos e conjugando a abordagem ‘da construção de artefactos’ com a abordagem ‘da avaliação de artefactos’. Järvinen (2004) define uma abordagem de investigação como um conjunto de métodos de investigação que podem ser aplicados a um objeto de investigação e a perguntas de investigação similares. Deste modo, considera distintas abordagens da investigação e indica vários métodos de investigação que podem ser aplicados no contexto de uma determinada abordagem. A taxonomia de métodos de investigação proposta por Järvinen (2004) apresenta 6 categorias, designadamente abordagens matemáticas, conceptuais- analíticas, de teste da teoria, de criação da teoria, de criação de artefactos e de avaliação de artefactos (Figura 3.2).

Figura 3.2 – Taxonomia de abordagens metodológicas à investigação (Fonte: adaptada de Järvinen, 2004).

Em estudos de teste da teoria são usados diversos métodos (ou estratégias) tais como a experimentação laboratorial, a investigação por questionário, o estudo de campo, etc. Num estudo orientado por uma abordagem de teste da teoria, a teoria, o modelo ou quadro

Abordagens de Investigação

Abordagens que estudam a realidade Abordagens matemáticas

Abordagens que salientam o que é realidade Abordagens que salientam a utilidade dos artefactos

Abordagens conceptuais- analíticas Abordagens para estudos empíricos Abordagens de criação de artefactos Abordagens de avaliação de artefactos Abordagens de teste da teoria Abordagens de criação da teoria

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conceptual (framework) são adquiridos a partir da pesquisa bibliográfica ou desenvolvidos ou refinados para esse estudo. A pergunta de investigação poderá ser: as observações confirmam ou desmentem aquela teoria? Por seu turno, em estudos visando a criação da teoria empregam-se amiúde os seguintes métodos (ou estratégias): estudo de caso, método etnográfico, teoria fundamentada, contextualismo, análise discursiva, estudo longitudinal, estudo fenomenológico, etc. No que diz respeito às abordagens que salientam a utilidade dos artefactos, na construção de um novo artefacto a pergunta de investigação poderia ser: É possível construir um certo artefacto? Já no que diz respeito à avaliação de um artefacto, o investigador pode perguntar: Quão eficiente é este artefacto? Na procura de respostas às perguntas de investigação, são utilizados critérios e realizadas medições. Ainda em relação à avaliação de artefactos, Sweeney et al. (1993), citados por Järvinen (2004), sugerem uma metodologia de investigação relativamente à avaliação da interação humano-computador para avaliação da usabilidade, composta por três dimensões: a estratégia de avaliação, o tipo de avaliação e o tempo de avaliação no contexto do ciclo de vida do produto. Neste sentido, apresentam essas estratégias como user-based, theory-based, e expert-based. A respeito dos estudos de caso, Cunningham (1997), citado por Järvinen (2004), indica existirem pelo menos nove tipos, sugerindo que os casos comparativos têm como objetivo o desenvolvimento de conceitos com base nas comparações de casos, afirmando que os casos comparativos pertencem às abordagens de teste da teoria.

A metodologia de investigação assente no desenvolvimento de sistemas, segundo Nunamaker et al. (1991), citados por Järvinen (2004), encaixa confortavelmente na categoria da ciência aplicada, pertencendo ao tipo de investigação formulativa de desenvolvimento em engenharia. Esta metodologia foi considerada simultaneamente geral e pivô, representando uma super-metodologia contendo sub-metodologias. Os investigadores delinearam, para a metodologia de investigação que apresentaram, os seguintes passos: 1 - construir um enquadramento teórico (framework) ou conceptual; 2 - desenvolver uma arquitetura do sistema; 3 - analisar e desenhar o sistema; 4 - construir o protótipo e 5 - observar e avaliar o sistema. Os passos 2, 3 e 4 pertencem ao desenvolvimento do próprio sistema. O passo 1 está associado à sub-metodologia da construção da teoria de um ponto de vista de utilidade, isto é, para suportar o processo da criação de artefactos. Apresentam ainda diversos métodos que integram o processo de investigação. Refira-se, com especial importância para a presente tese, os métodos relativos ao ponto 5, observar e avaliar o sistema, observar o uso do sistema através de estudos de caso e estudos de campo, avaliar o sistema através da experimentação em laboratório ou da experimentação de campo.

Com vista à satisfação do objetivo geral para a presente tese: “Proceder a um estudo ergonómico comparativo entre geometrias distintas de dispositivos apontadores para computador e desenvolver novas geometrias, integrando-as no estudo comparativo, procurando satisfazer e validar premissas de caráter ergonómico; desenvolver também novos

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indicadores e ferramentas de avaliação com vista à classificação dos dispositivos”; aplica-se a taxonomia de Järvinen (2004) ao processo de investigação, considerando tratar-se de um estudo empírico que assenta na abordagem de teste da teoria e da sua expansão, englobando ainda uma abordagem para a criação de artefactos e uma abordagem para a avaliação dos artefactos (Figura 3.3).

As investigações mais tradicionais, segundo Bhattacherjee (2012), tendem a ser dedutivas e funcionalistas; a Figura 3.4 esquematiza o respetivo processo de desenvolvimento da investigação deste tipo e retrata uma série de atividades a implementar. O processo divide-se em três fases: exploração, projeto da investigação e execução da investigação. O mesmo autor refere que este diagrama está numa forma generalizada e pode ser modificado de modo a ajustar-se às necessidades impostas pela investigação a realizar.

Figura 3.3 – Abordagem metodológica da tese segundo a taxonomia de Järvinen (2004).

Abordagem para a