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Os SF, como são a porta de entrada dos produtos farmacêuticos no Hospital, devem garantir a qualidade dos produtos recebidos. Assim, todos os produtos recebidos devem ser

sujeitos a um apertado controlo ao nível da verificação de conformidade (4).

No HSM a receção de encomendas é realizada numa área junto ao armazém e com fácil acesso ao exterior. Nesta instituição, as encomendas são rececionadas por um TDT que confere qualitativa e quantitativamente os medicamentos, produtos farmacêuticos e dispositivos médicos entregues. Aquando da receção da encomenda deve conferir-se a guia de remessa com a nota de encomenda. Se tudo estiver conforme, o TDT assina a nota de entrega, entregando o duplicado ao transportador. De seguida, o TDT introduz os códigos dos

produtos no computador e estes entram no stock do Alert® e, posteriormente, são enviados

para armazenamento, tendo em conta os critérios técnicos (condições especiais de armazenagem, segurança especial de medicamentos) e o original da guia de remessa é enviado para o Serviço de Aprovisionamento (2).

No HSM, a receção dos psicotrópicos, estupefacientes e BZD’s é supervisionada por um farmacêutico, sendo, no instante da receção, confirmada a quantidade recebida de forma a assegurar que toda a encomenda foi entregue pelo distribuidor. Depois de conferida a encomenda, estes medicamentos são colocados em cofres existentes nos SF e aos quais só têm acesso os farmacêuticos. Se a encomenda contiver hemoderivados, para além do referido anteriormente, ainda é exigida a conferência dos boletins de análise e dos certificados de aprovação emitidos pelo INFARMED, que ficam arquivados juntamento com a respetiva fatura em dossiers específicos (por ordem de entrada) (2).

3.4. Armazenamento

O armazenamento de medicamentos, produtos farmacêuticos e dispositivos médicos deve ser feito de modo a respeitar as condições de espaço, luz, temperatura, humidade e segurança destes produtos. Um armazém de medicamentos deve obedecer aos seguintes critérios: proteção da luz solar direta, temperatura inferior a 25ºC e humidade inferior a 60%. Os medicamentos termolábeis devem ser armazenados em frigoríficos com temperatura entre

2 e 8ºC, possuindo um sistema de controlo e registo da mesma (9).

Os SF do HSM possuem duas áreas de armazenamento: um armazém para produtos com elevada distribuição, como soros, água destilada e desinfetantes, e outro armazém para os medicamentos e restantes produtos farmacêuticos. Este último está organizado por áreas: área dos medicamentos de uso comum, que se encontram organizados por ordem alfabética da Denominação Comum Internacional (DCI) e ocupam grande parte do espaço do armazém; área dos antídotos; área dos medicamentos de uso oftálmico; área dos medicamentos de

grande volume e/ou de elevada rotatividade; área da alimentação entérica e parentérica; área do material de penso e área dos anticoncecionais. No mesmo armazém existe, ainda, uma arca frigorífica para armazenar o plasma, um frigorífico para os hemoderivados, um frigorífico para citotóxicos, um frigorífico para os produtos termolábeis e vários frigoríficos para as vacinas. Os restantes citotóxicos (que não necessitam de conservação no frio) e os medicamentos com AUE são armazenados. Tal como referido anteriormente, as BZD’s, os psicotrópicos e estupefacientes são armazenados em cofres existentes neste armazém.

Em ambos os armazéns, os medicamentos são arrumados segundo a regra FIFO (“first in, first out”), de modo a que os medicamentos cujo prazo de validade expira primeiro sejam dispensados primeiro. Mensalmente, o FH responsável pelas compras verifica a validade dos produtos armazenados. Com a ajuda do programa Alert®, o farmacêutico verifica quais os medicamentos cujo prazo de validade expira nos seis meses seguintes. Se existirem medicamentos nesta situação, o farmacêutico responsável pelas compras analisa a possibilidade de estes serem consumidos antes do término da sua validade. Se isso não for possível e, se existirem embalagens fechadas, o farmacêutico contacta o laboratório que fabricou o medicamento de forma a trocar os produtos por outros com prazo de validade maior ou, então, trocar os produtos por uma nota de crédito. Se os produtos não forem consumidos nem trocados antes de terminar o prazo de validade, o farmacêutico responsável pelas compras tem de pedir autorização à administração para inutilizar esses medicamentos.

4.

Distribuição

Os SF são responsáveis pela obtenção, distribuição e controlo de todos os medicamentos, dispositivos médicos e outros produtos farmacêuticos utilizados no hospital, para doentes, quer em regime de internamento, quer em regime de ambulatório. Para isso, os SF, em colaboração com os Serviços Clínicos, devem implementar políticas e

procedimentos conducentes à racionalização da terapêutica (9). A utilização do medicamento

na instituição hospitalar, designadamente a prescrição e a administração, pressupõe o envolvimento de diferentes profissionais de saúde com os quais o farmacêutico colabora diretamente. Assim, o FH deve desenvolver “atividades de enfermaria”, como o

acompanhamento da visita médica (9). Durante o meu estágio no HSM, tive oportunidade de

acompanhar algumas visitas médicas, nomeadamente nos serviços de Medicina A, Pneumologia e Ortopedia Homens.

A Distribuição de Medicamentos é uma função da Farmácia Hospitalar que, através de metodologias e circuitos próprios, torna disponível o medicamento correto, na quantidade e

qualidade certas, para cumprimento da prescrição médica de todos os doentes do hospital (9).

Tem, ainda, como objetivos: diminuir os erros relacionados com a medicação (administração de medicamentos não prescritos, troca da via de administração, erros de doses, etc.),

monitorizar a terapêutica, reduzir o tempo de enfermaria dedicado às tarefas administrativas

e manipulação dos medicamentos, e racionalizar os custos com a terapêutica (2).

O Despacho do Ministério da Saúde de 30 de Dezembro de 1991, publicado no Diário da República nº32, 2ª série, de 28 de Janeiro de 1992, torna imperativo, em todos os hospitais, o sistema de Distribuição Individual Diária em Dose Unitária (DIDDU). Quando este sistema não é aplicável (por exemplo: Unidade de Cuidados Intensivos, consultas, Hospital de Dia, etc.) deve aplicar-se o sistema de distribuição que melhor garanta os objetivos de eficácia, segurança e redução de custos (2,9). Existem vários tipos de distribuição: distribuição a doentes em regime de internamento; sistema de reposição de stocks nivelados; sistema DIDDU; dispensa de medicamentos e dispositivos médicos ao público; dispensa de medicamentos sujeitos a legislação restritiva, como estupefacientes, psicotrópicos e hemoderivados.