A Revista de Letras é uma das revistas mais antigas e respeitadas da UNESP e representa a área de estudos literários da referida Universidade. Além disso, dada a característica dos campi descentralizados, reúne pesquisadores das três unidades nas quais se oferecem cursos de Graduação e Pós-Graduação na área de Letras: Araraquara, Assis e São José do Rio Preto.
O primeiro número da revista foi lançado em 1960, como periódico da recém- instalada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Assis. Esta Faculdade, bem como outras de filosofia e ciências do Estado de São Paulo, foi escolhida como parte de um plano de expansão do Governo do Estado que visava à democratização do ensino público universitário até então muito restrito aos grandes centros urbanos (LORENCINI, 1992) 14.
A primeira Comissão de Redação era formada por Antonio Candido, Antonio Soares Amora, Erwin T. Rosenthal, Joseph van den Besselar, Vítor Ramos e W. S.
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O texto consultado de Lorencini (1992) foi publicado originalmente em Romanische Forschungen, Frankfurt Am Main, no ano de 1988, a convite da comissão de redação, que elaborava o centésimo número daquela revista e selecionou cem periódicos internacionais considerados de alto nível na área de Letras.
Jonas Speyer. Na época, com periodicidade anual, devido às circunstâncias financeiras, destinava-se à divulgação de trabalhos de professores da faculdade, que se revezavam a cada número. A partir do terceiro número, começa a receber colaborações externas de especialistas das mais variadas áreas das letras e reconhecidos nacional e internacionalmente como, por exemplo, o português Fidelino de Figueiredo (historiador da literatura portuguesa) e o brasileiro Joaquim Mattoso Câmara Júnior (linguista).
O exemplo desses dois importantes autores demonstra outra característica da
Revista de Letras, como ilustra Lorencini (1992, p.10):
Mas esse exemplo de um eminente historiador da literatura portuguesa, ao lado de um insigne linguista brasileiro, parece também significativo para ilustrar aquela orientação segundo a qual a Revista de Letras, já pelo seu próprio nome, jamais pretendeu acantonar-se numa única área dentro do vasto campo das Letras, abrindo-se indiferentemente para a linguística como para a literatura, num amplo leque que abrangia todo o conjunto das disciplinas ministradas no curso de Letras da Faculdade de Assis, a saber: Língua Portuguesa, Literatura Portuguesa, Literatura Brasileira, Língua e Literatura Grega, Latina, Italiana, Alemã, Francesa, Inglesa e Norte- Americana, Espanhola e Hispano-Americana, além de Filologia Românica, Linguística Geral, Teoria Literária e Literatura Comparada, estas duas últimas introduzidas pela primeira vez nos currículos nacionais.
O primeiro número da Revista de Letras apresentava 290 páginas contendo artigos originais e resenhas. A revista passou por várias fases até se estabelecer como é conhecida atualmente. Na primeira etapa, de 1960 até 1977, publicou 19 volumes, com apenas uma interrupção (o número 13 referia-se aos anos 1970 e 1971 e em 1966 foi publicado um volume único equivalente aos números 8 e 9). A comissão editorial variou bastante nesse período, mas os objetivos e o perfil original da publicação foram mantidos e, cada vez mais, especialistas estrangeiros e brasileiros, encaminhavam suas contribuições, como por exemplo: Antonio Candido, Wilson Martins, Massaud Moisés, José Carlos Garbuglio, Nelly Novaes Coelho, Lígia Chiapini de Moraes Leite, Eduardo Peñuela Cañizal, Edward Lopes, Leodegário A. de Azevedo Filho, Cyro dos Anjos, Célia Berretini, João Alexandre Barbosa, Haroldo de Campos, Boris Schnaiderman, José Lino Grünewald, André Martinet, Bernard Poittier, Alfredo Bosi, Antonio Carreño, Juan M. Lope Blanch, entre outros.
A partir do ano de 1977, a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Assis passou a fazer parte da recém-criada Universidade Estadual Paulista e, aos poucos, delineavam-se novos caminhos para a Revista de Letras. Esta deixa de ser exclusiva do curso de Letras de Assis para “[...] constituir-se em órgão oficial de todos os cursos de letras da nova Universidade.” A partir daquele momento, seu foco também é alterado: a
revista passaria a publicar apenas trabalhos relacionados à literatura, enquanto outra revista, denominada Alfa, dedicar-se-ia aos trabalhos na área de linguística. Na antiga
home page da Revista de Letras, relacionada ao Instituto de Biociências, Letras e
Ciências Exatas (IBILCE − UNESP – Campus São José do Rio Preto), outros dados complementam as informações acima:
Com a criação da Universidade Estadual Paulista − UNESP, em 1976, agrupando os antigos institutos isolados de ensino, ocorreu uma centralização dos periódicos, passando a Revista de Letras a constituir a “Série Literatura”, conforme informa nota explicativa que introduz o número 20, publicado em 1980, após dois anos de interrupção. Em novo formato (perdeu páginas, pois antes tinha uma média de 300 páginas, e o número 20 tem apenas 143 páginas), inicia sua segunda etapa, com uma Comissão Editorial formada por seis professores (dois do campus de Assis, dois do campus de Araraquara e dois do campus de São José do Rio Preto, um dois quais é o diretor). Até 1989, conta com apenas um atraso na periodicidade, já que os volumes 26/27, equivalentes aos anos 1986/1987, saem unificados em 1987, apresentando poucas mudanças na Comissão Editorial. (REVISTA DE LETRAS, [2004]).
Em 1989, sob a direção do Prof. Ismael Ângelo Cintra, do campus do IBILCE, sofre uma considerável melhoria em seu aspecto visual, assumindo uma feição gráfica diferenciada, padronizada para todos os periódicos da Universidade na época, volta a ter um maior número de páginas, acrescenta uma parte temática, além das tradicionais seções de artigos gerais e resenhas. Esse período também foi marcado pelas editorias rotativas, com a revista circulando periodicamente entre os campi da UNESP nos quais se concentravam os estudos na área de Letras (São Jose do Rio Preto, Assis e Araraquara). A partir da década de 90, a Revista passa a ser arbitrada, reunindo em seu Conselho alguns dos nomes mais respeitados na área tanto do Brasil quanto do exterior.
Novas mudanças acontecera durante o ano de 2002: alterações no corpo editorial e reformulações culminaram em seu atual formato. As novas políticas de periódicos estabelecidas pela Universidade levaram a revista a repensar a periodicidade e a estrutura. A partir do volume 43, número 1, referente ao primeiro semestre de 2003, a
Revista de Letras adota a periodicidade semestral e uma orientação estritamente
temática na organização de seus fascículos.
Atualmente a Revista de Letras integra o seleto grupo de periódicos institucionais da UNESP subordinados diretamente à Pró-Reitoria de Pesquisa – PROPe. O universo de revistas científicas institucionais da área de Ciências Humanas da UNESP compreende 7 periódicos científicos a saber: Alfa: revista de linguística (área de linguística), Bolema (área de educação matemática), História (área de história),
Ciências Sociais (área de ciências sociais), Revista Ciência & Educação (área de educação científica, ensino e aprendizagem de Ciências, Física, Química, Biologia, Geociências, Educação Ambiental, Matemática e áreas afins) e Trans/Form/Ação: revista de filosofia (área de filosofia). A partir de 2006, adota definitivamente o formato eletrônico (algumas incursões foram tentadas entre 2004 e 2006), já com editoria no campus de Araraquara. A partir desse momento, tem enfrentado o desafio de manter os dois formatos, de lidar com as mudanças tecnológicas, manter a periodicidade, entre outras questões, que levaram a escolha da revista como nosso objeto de pesquisa15. Mas apesar de todas estas questões e mudanças, a revista nunca abandonou seus objetivos e sua ligação com o contexto atual, como destacado no texto sobre o histórico da revista:
Em respeito à sua longa tradição, mas também na tentativa de atribuir-lhe um caráter decididamente receptivo às trocas que possam enriquecê-la, a Revista de Letras passa a assumir a proposta de buscar uma identidade própria nos
estudos de literatura, não para encerrar essa particularidade no espaço de uma escola, mas para redefinir-se produtivamente a partir da inquietação que mantém vivos, para o contemporâneo, os problemas do texto e da literatura. (REVISTA DE LETRAS, [2004]).