Para avaliar a credibilidade de uma informação, o jornalista utiliza diversos critérios na seleção de suas fontes. Traquina (2001) destaca três deles: a autoridade, a produtividade e a credibilidade. A autoridade da fonte está intimamente ligada à posição que ela ocupa na sociedade; quanto maior o prestígio, maior a confiança recebida. Daí a preferência dos jornalistas pelas chamadas fontes oficiais ou institucionais.
Segundo definição de Nilson Lage (2001), “fontes oficiais são mantidas pelo Estado; por instituições que preservam algum poder de Estado, como as juntas comerciais e os cartórios de ofício; e por empresas e organizações, como sindicatos, associações, fundações, etc” (Lage, 2001, p. 65). Lage fala ainda em fontes oficiosas – que estão reconhecidamente ligadas a uma entidade ou indivíduo mas não são autorizadas a falar por eles, podendo ser desmentidas; e fontes independentes, aquelas desvinculadas de uma relação de poder ou interesse específico naquela determinada situação, a exemplo das Organizações Não- Governamentais (ONG’s).
Nilson Lage também classifica as fontes em primárias e secundárias. As primárias são aquelas a quem o jornalista recorre em primeira instância, para colher o essencial de uma matéria: fatos, versões e números. As fontes secundárias fornecem o contexto ou ajudam na construção das premissas genéricas da pauta (Lage, 2001, p. 66). Por exemplo: em uma matéria sobre um escândalo de corrupção no governo, quem passa a informação sobre o esquema ao repórter será a fonte primária. Uma fonte secundária poderia ser um sociólogo, para explicar as raízes da corrupção no país.
Outra classificação proposta por Lage é a de testemunhas e experts. Os testemunhos são permeados de emoção e sofrem alterações com o passar do tempo. Portanto, para Lage, o testemunho mais confiável é o mais imediato, quando o indivíduo acabou de vivenciar a situação e ainda não teve tempo de reinterpretar os fatos ou reescrever uma narrativa mentalmente. O pesquisador afirma que um procedimento comprovado por estudos de probabilidade é ouvir três fontes que não se conhecem nem trocaram informações entre si. Os
experts geralmente são fontes secundárias que o jornalista procura para interpretar ou contextualizar os fatos. Segundo Lage, é preciso ouvir mais de um especialista e variar os nomes consultados, a fim de não reproduzir um único discurso.
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Em dissertação de mestrado defendida na Universidade Federal de Santa Catarina, Aldo Antonio Schmitz (2010), resumiu a classificação de fontes de diversos autores quanto a:
a) Categoria: primárias e secundárias
b) Grupo: oficial (Gierber e Johnson, 1961); oficial e não governamental (Sigal, 1973); oficial e oficiosa, institucional e pessoal (Gans, 1980); pessoal ou documental, pública ou privada (Pinto, 2000); Oficial, oficiosa e independente, testemunha e expert (Lage, 2001); organizada, aferição, referência e bibliográfica (Chaparro, 2009).
c) Ação: ativa e passiva (Gans, 1980); ativa, passiva, proativa e reativa (McNair, 1998), ativa ou passiva, proativa ou reativa (Pinto, 2000); informal e aliada (Chaparro, 2009) d) Crédito: explicitada ou confidencial (Pinto, 2000)
e) Qualificação: confiável e duvidosa (Gans, 1980); confiável (Lage, 2001); fidedigna e duvidosa (Charaudeau, 2009).
Muitas vezes o jornalista utiliza a fonte mais pelo que ela é do que pelo que sabe. Acredita-se que as fontes oficiais tenham mais receio de mentir abertamente e que também sejam mais persuasivas, já que representam ações e opiniões oficiais. O sociólogo e jornalista Venício A. Lima (1992) afirma que a presença de jornalistas nas capitais, palco da burocracia governamental, ilustra e reforça a ideia da preferência pelas fontes institucionais e estáveis.
A produtividade da fonte está relacionada à qualidade e à quantidade de materiais e informações que ela está apta a oferecer. Esse aspecto facilita sobremaneira a vida do jornalista, que não precisa recorrer a um grande número de fontes. Os prazos reduzidos e os custos da produção, típicos do jornalismo, acabam sendo determinantes na escolha dos informantes oficiais: eles correspondem melhor às necessidades organizativas da redação (Traquina, 2001).
A credibilidade é outro aspecto que pesa na escolha da fonte. Quanto mais confiável ela for, menor a necessidade de checagem posterior da informação. Para fazer essa avaliação, o jornalista costuma utilizar o método da “tentativa e erro”: se uma fonte forneceu informações legítimas em dada ocasião, é grande a possibilidade de isso voltar a acontecer. A relação de confiança entre fonte e jornalista se constrói ao longo do tempo e da convivência
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(como qualquer outra relação). No entanto, se o informante “pisa na bola”, são grandes as chances de as portas se fecharem para ele no mundo jornalístico.
Entre as fontes habituais dos jornalistas, Marcet e Vizuete (2003) destacam cinco tipos: as agências de notícias, as assessorias de imprensa, entrevistas coletivas, a internet e os meios concorrentes. Segundo os autores, as agências de notícias proporcionam informação central e exclusiva, quando os repórteres não conseguem acessar esse material informativo por seus próprios meios, além de complementar as informações que o meio de comunicação obtém por conta própria. As assessorias auxiliam fornecendo material adaptado às necessidades dos jornalistas; as coletivas de imprensa dão o posicionamento oficial que o jornalista precisa; a internet, pela abrangência das informações, e os meios concorrentes, quando estes produzem um “furo” – não é porque a notícia deixou de ser exclusiva que perdeu sua importância.
O Manual da Redação da Folha de São Paulo (2010) alerta que o jornalista deve estabelecer uma escala de confiabilidade de fontes, baseada no bom-senso. Segundo a publicação, “a classificação de uma fonte varia com as circunstâncias políticas, o relacionamento pessoal da fonte com o jornalista, a atitude dela em relação ao veículo que o profissional representa” (1996, p. 38). São quatro os tipos de fonte elencados:
a) Fonte tipo zero: escrita e com tradição de exatidão, ou gravada, sem deixar margem a dúvida: enciclopédias renomadas, documentos emitidos por instituição com credibilidade, videoteipes. Em geral, a fonte de tipo zero prescinde de cruzamento.
b) Fonte tipo um: a mais confiável nos casos em que a fonte é uma pessoa. Tem um histórico de informações que se confirmaram. Fala com conhecimento de causa, está próxima ao fato mas não tem interesses diretos na divulgação. c) Fonte tipo dois: tem todos os atributos da fonte um, menos o histórico de confiabilidade. Precisa ser confrontada com pelo menos mais uma fonte (do tipo um ou dois).
d) Fonte tipo três: a menos confiável. É bem-informada mas tem nítidos interesses na publicação da informação. A Folha sugere duas saídas: ou
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utilizar essa fonte apenas como ponto de partida para uma investigação, ou divulgar a informação em coluna de bastidores, com a indicação clara de que se trata de informação não-confirmada.