Del IV Fellesbestemmelser
Kapittel 10 Ikrafttredelses- og overgangsbe- overgangsbe-stemmelser - endringer i andre lover
Em Março de 1996, surgiu no semanário Domingo uma página cujo nome era Randzarte. Randzarte é uma mistura de ku randza, que quer dizer amar, na língua xi-tsonga, falada no sul de Moçambique, e arte, do português. Portanto, amar a arte ou amor pela arte. No nosso entender, esta página pode ser considerada uma contribuição da sociedade civil no plano das artes em Moçambique. Na verdade, aqui, o conceito de sociedade civil pode ser remontado a Habermas(1989). Isto é, a sociedade civil é tal como o mundo é expresso, portanto,tem a comunicação no centro da sua definição.Quer dizer que as instituições e formas associacionais requerem interação comunicativa. Embora tenha sido um “diálogo de surdos”, no fundo, houve sempre a enunciação de um discurso legitimador das artes plásticas em Moçambique. Tanto foi, que a página liderada por esse grupo de reguladores estéticos acabou sendo contestada pelos artistas, embora estes reconheçam o papel de crivo desempenhado pelo RANDZARTE. Esta constatação ocorre depois de a página deixar de existir.
Considero o Randzarte um grupo de referência e de pertença que cabe na nossa definição de sociedade civil. Grupo de aficionados, eles próprios artistas, à excepção de Júlio Navarro, a que se juntava Malangatana, Augusto Cabral e Eugénio de Lemos, o Randzarte era um grupo de lobby e legitimação muito forte.
Adimensão simbólica da arte clama por legitimadores, isto é, os agentes que levam a cabo uma série de actividades em que se incluem os comentadores, o grande público, os jornalistas, os críticos, publicações, revistas especializadas, analistas, catálogos, entre outros. De facto, deste grupo fazem parte aqueles que, de forma institucionalizada, se encarregam de dizer o que é arte, o que se deve expor, em que espaços, se está em consonância com as expectativas, digamos assim, canónicas, ou não.
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O Randzarte desempenhou esse papel e não só. O Randzarte participava da formação dos artistas, na estruturação da opinião pública, fazia o papel de crítico e, por isso, de regulador estético. E tal como o diz Melo (2001:86), em termos gerais, os discursos dos críticos combinam quatro tipos de elementos: informações, enquadramentos, juízos de valor e reflexões. Esta foi, como veremos, a participação do Randzarte no empreendimento das artes plásticas em Moçambique.
Como um colectivo de legitimação e regulação da actividade artística, iniciou as suas actividades de crítica em jornais na edição dosemanário Domingo a 26 de Março de 1989, identificando-se como “um espaço de crítica às artes plásticas”. É composto por um colectivo que não se identifica e se propõe a “acompanhar atempadamente as manifestações artísticas que se registem na cidade de Maputo”.
O colectivo identifica-se como sendo composto por indivíduos que amam a arte e considera que a junção das palavras xitsonga Rhandza e da portuguesa Arte traz, desde logo, em si, a mescla que constitui a arte de Moçambique e, consequentemente, a sua crítica.
Definem a arte como sendo algo com “raízesmergulhadas em vários tipos de realidade", mas constituindo, por isso mesmo, “um todo perfeitamente definido e definível”.
Indicam que o colectivo é constituído por um grupo mais ou menos fixo, mas que não terá forçosamente de usar todos os seus elementos para cada crítica.
Consideram que só como colectivo alcançam essa qualidade e capacidade – após uma análise e debate entre as várias visões e conhecimentos que cada um possui. No entanto, esse grupo era o crivo, como aliás atestam os próprios artistas:
“O Randzarte era uma má boa coisa. Pelo menos sabíamos o caminho a seguir. O Navarro era chato, mas apontava pistas e sugestões para os nossos trabalhos”, diz-nos o artista plástico Falcão.
“Com Navarro, pelo menos sabíamos o que estava mal e o que estava bem na nossa produção artística, dava para nosemendarmos, agora cada um anda sozinho, só sabe dizer que o que faz é arte contemporânea, mas não temos as balizas que a crítica do Randzarte nos porporcionava”, Gonçalo Mabunda (artista plástico).
A publicação do Randzarte arranca com uma colectiva no Núcleo de Arte e a individual de Sílvia na galeria Afritique.
Antes da publicação do Randzarte, funcionou, por um curto espaço de tempo,aquilo a que se chamou Apontamento Crítico Núcleo de Arte.
O Randzarte incide a sua abordagem sobre a selecção das obras para a exposição (curadoria), o rumo que as mesmas seguem, a técnica utilizada, o tratamento das figuras, as linhas com que é elaborada, sobre os espaços usados para as exposições, o ritmo da composição, as cores, o
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tratamento dos materiais, a imaginação do artista, a fase (época histórica) da obra. Sobre estes ângulos, emitia juízos de valor, dizendo, por exemplo, que eram boas, más,que havia equilíbrio ou desequilíbrio, se era bem conseguida ou não, etc..
O objecto destas apreciações valorativas são as pinturas, as esculturas, os desenhos e a cerâmica, a arte nas empresas; os artistas de renome e da nova geração, as exposições individuais, as colectivas, as temáticas e não temáticas.
Dão ênfase às exposições colectivas, por as considerarem mais ricas,
“ (…) Porque permitem àqueles que começam a não terem de se lançar logo na aventura daindividual e possam começar a temperar-se antes de o fazerem; e aqueles já temperados não terem de, muitas vezes, quando interessados, mostrarem algumas das suas obras, improvisar para conseguir o número suficiente de trabalhos para uma individual”.(…) Julgamos urgenteo desenvolver das colectivas claramente apostadas na qualidade e não apenas como “mostruários comerciais”(Semanário Domingo: 3 - 23/04/89).
Sobre as esculturas, o grupo incide a sua crítica sobre o uso de materiais, criatividade, textura das madeiras, suas nuances na coloração, tipo de madeira, seu aproveitamento,sua perspectiva e expressão dos ícones esculpidos.
Também reflectem sobre os murais.A visita aos murais de Maputo foi feita no sentido da redescoberta e da divulgação. Para o efeito, um percurso sobre murais tanto em locais fechados como abertos, no ano de 1991.
Avaliam os espaços que acolhem as exposições de artes plásticas e falam da necessidade de os mesmos possuírem as condições mínimas. Falam da publicitação das exposições. Olham para a questão da iluminação e da sua influência para a exposição. Aludem à fixação dos títulos das obras e numeração por forma a permitir uma melhor referência. Focam-se para a questão do catálogo de apresentação das obras, nomeadamente a enumeração, e concentram-se para a relação entre o título dado à obra no catálogo e a relação com a própria obra. Aproveitamento e alinhamento das obras.
Olham também para as exposições de carácter permanente patentes em museus, colecções individuais ou institucionais, como é caso dos bancos, que, em Moçambique, possuem um acervo considerável.