2. Character and Identity
2.2. Identity
2.2.2. Identity in Fiction
4.1.1. Atividades curriculares
a) A opinião dos diretores é de que na escola tem havido preocupações relacionados com a sustentabilidade socio ambiental e, que têm sido desenvolvidas atividades ambientais num plano extracurricular. Ambos os diretores consideram que as atividades que promovem a educação para a sustentabilidade socio ambiental são transversais a todas as disciplinas (E1; E16). Paralelamente, um dos diretores argumenta que é um assunto que tem tido diferentes graus de atenção na escola e que “a escola tem desenvolvido várias atividades (…) avulsa (…) tem havido a preocupação (…) com (…) sustentabilidade ambiental (…) todos os professores têm dado atenção, uns mais e outros menos” (E1). b) Quanto ao posicionamento dos professores entrevistados, em ambas as escolas, consideram que questões relacionadas com a promoção da educação para a sustentabilidade socio ambiental, através de atividades ambientais, ainda não constam no currículo do ensino secundário e, sendo assim, consideram que o currículo não aborda diretamente a formação de cidadãos ambientalmente conscientes, não direciona e que oferece poucas oportunidades para trabalharem questões de educação e cidadania ambiental, conforme as respostas dos entrevistados E3 e E7.
Outros professores entrevistados consideram que existem temas nos currículos que se relacionam com as questões ambientais e que podem contribuir para a formação de um cidadão ambientalmente consciente, ou que podem ser aproveitados para introduzir questões ambientais, como podemos ver nos trechos das entrevistas aos professores E5 e E10: “ás vezes exploramos ao máximo certos temas (…) e procuramos relacionar com a vertente ambiental” (E5); “efeito estufa, o aquecimento global (…) costumo dar exemplos com os cosméticos que usamos” (E10). Associada a esta ideia, um dos professores entrevistados argumenta que “depende das estratégias/metodologias que o professor utilizar para trabalhar esses conteúdos” (E3) de forma a contribuir para a sustentabilidade socio ambiental.
Por outro lado, alguns professores entrevistados, em ambas escolas consideram que existem disciplinas em que os conteúdos estão mais relacionados com o ambiente do que outras, esperando que sejam os professores destas disciplinas a realizarem atividades para promover a educação e cidadania ambiental na escola, como se pode ver nos trechos das entrevistas aos professores E 13 e E10: “a disciplina de Ciências Naturais trabalha o tema sobre ambiente, daí não planificamos nada sobre isso” (E13); “há disciplinas mais ligadas ao ambiente do que a Geografia (…) acho que têm mais ligação ao ambiente, como é o caso de Biologia” (E10). Conforme as considerações de Hart (2003), citado pelos autores Green, Medina-Jerez e Bryant (2016), quando as práticas de EA não constituem conteúdos obrigatórios do currículo, os professores poderão não as incluir nos seus ensinamentos, embora haja um consenso de que a EA pode ser transversal a todas as disciplinas.
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Ao nível do 8º ano, os professores consideram que “o programa do 8º ano (…) o próprio manual dos alunos está muito bem direcionado sobre as causas ambientais (…) no sentido de terem boas práticas” (E4) e que “há oportunidades para se trabalhar a questão ambiental (…) ao nível da sensibilização e educação ambiental” (E9).
Em suma, existe uma fraca perceção sobre a contribuição das escolas para a sustentabilidade socio ambiental, através das atividades curriculares. O facto de existir a perceção que o currículo do secundário pouco orienta o desenvolvimento de atividades ambientais, também influencia a perceção dos professores sobre o contributo duma dada disciplina para a educação para a sustentabilidade socio ambiental. O único nível em que os professores de diferentes disciplinas consideram que as atividades curriculares estão direcionadas para a promoção da educação para a sustentabilidade socio ambiental, é o 8º ano.
4.1.2. Atividades extracurriculares
a) Projetos/programas ambientais das escolas
Em ambas as escolas secundárias, conforme os diretores, apesar de não haver programas regulares direcionados para o ambiente, a escola tem elaborado e desenvolvido atividades, programas/projetos ambientais, de uma forma transdisciplinar, para promover a Cidadania e Educação Ambiental, e contribuir desta forma, para a sustentabilidade socio ambiente, conforme se pode demonstrar a partir dos trechos da entrevista aos diretores: “não há uma programação rigorosa sobre as atividades ambientais envolvidas na escola, mas no âmbito das várias disciplinas (…) tem havido a preocupação de facto relacionado com a sustentabilidade ambiental” (E1); “o plano é alargado a todas as disciplinas, enquadrado também nas atividades da escola” (E16). Paralelamente, um dos professores entrevistados argumenta que têm implementado “um conjunto de atividades em jeito de programa (…) sempre que haja oportunidades” (E14).
Em relação à elaboração e implementação das atividades extracurriculares, conforme os entrevistados, as escolas têm uma certa autonomia relativa para elaborar e implementar as atividades ambientais (E3; E7), sendo propostas, conforme os diretores (E1; E16), pela direção e pelos professores, e, por vezes, não deixam de recolher opiniões de alguns alunos.
De entre estas atividades, os diretores (E1; E16) referem ao projeto de monitorização de algumas praias de mar na ilha de Santiago, implementado em parceria com a CNU, denominado Sandwatch, que tem como objetivo educar as pessoas sobre o uso sustentável das praias e promover a sustentabilidade da região costeira. Neste projeto participam professores e alunos no desenvolvimento das atividades, “os quais fazem regularmente, intervenções nas praias” (E1).
Quanto a esta atividade, os professores E3, E12, E14 referem que se verifica uma preocupação com o desenvolvimento de atividades nas praias, por vezes em conjunto com todas as outras escolas associadas, desde limpeza, medições, entrevistas às pessoas que frequentam a praia, com intuito de informar e sensibilizar os banhistas para a preservação, conservação e bom uso da praia. A enfase é colocada no impacto que as ações de sensibilização direta podem ter nas pessoas que frequentam as praias e não se tem desenvolvido atividades fora da praia como se pode confirmar nos seguintes
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trechos da entrevista aos professores: “trabalhamos diretamente com os banhistas na questão da informação e da sensibilização para o uso sustentável das nossas praias” (E3); “não fizemos nenhuma atividade com a comunidade fora da praia” (E12). Por outro lado, o professor E13 considera que é necessário “fazer sessões de palestras, a divulgação sobre o que é Sandwatch” e argumenta que existe uma lacuna em relação à sua divulgação na escola.
Sobre a importância das atividades desenvolvidas nas praias, permite nos inferir que existe a perceção que é muito importante para a mudança de atitude e comportamento das pessoas e porque consideram o seu contributo para resolver problemas de acumulação do lixo nas praias e sensibilizar sobre as construções na região costeira, as quais podem causar insustentabilidade naquelas zonas, a médio e longo prazo, como se pode conferir no seguinte trecho de entrevista ao professor E12: “em algumas praias já encontramos grande quantidade de lixo (…) temos reparado que existem muitas construções na praia (…) e isso pode trazer impactos e comprometer a sustentabilidade” (E12).
Uma outra atividades extracurricular referido tanto pelos diretores (E1; E16) quanto por alguns professores entrevistados (E3; E5; E14; E15) é a criação/existência do Clube Ecológico nas escolas, considerando que é um projeto muito importante, um potencial promotor de eventos essenciais para a promoção da sustentabilidade socio ambiental, através da organização e desenvolvimento de atividades de EA, principalmente ações de sensibilização e conscientização que proporcionam o desenvolvimento e o fortalecimento de valores de proteção, conservação e utilização sustentável dos recursos e, atividades que permitem informar, sensibilizar e orientar e, proporcionar oportunidades para os alunos construírem experiências positivas, estando em contacto com o mundo natural, conforme se pode ver no seguinte trecho da entrevista a um dos professores: “informações e sensibilização (…) recolha do lixo, tratamento de canteiros (…) visitas de estudos (…) algumas atividades que temos vindo a desencadear para promover o contacto dos alunos com a natureza de forma a sensibilizá-los a preservarem aquilo que lhes está próximo” (E3). Isto vai ao encontro do que Collado e Corraliza (2016) têm destacado que é importante proporcionar aos jovens, oportunidades para construírem experiencias positivas na natureza com o objetivo de melhorarem suas atitudes e comportamentos ambientais. Na escola onde existe o Clube Ecológico, todas as atividades ambientais são realizadas ao nível deste clube, baseando-se num calendário ambiental (que contém as principais datas ambientais), conforme se pode confirmar na resposta obtida do professor E3: “tudo aquilo que nós fazemos relativamente a atividades ambientais, enquadramos dentro de um plano extracurricular (…) trabalhamos com base num calendário ambiental” (E3). Por outro lado, na outra escola, as atividades ambientais são desenvolvidas ao nível das várias disciplinas, e atividades coletivas, conforme se pode ver nas respostas dos professores E15 e E12: “fizemos visitas de estudos a parques naturais (…) na comemoração do dia mundial do ambiente, elaboramos cartazes” (E15); “foi lançada aqui na escola uma campanha de sensibilização, a nível nacional, sobre a questão dos plásticos” (E12).
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Quanto a estas atividades, podemos inferir que a criação/melhoramento da horta escolar é a atividade, considerada pelos diretores como importante para se produzir benefícios socio ambientais nos alunos, permitindo-lhes “aprenderem como utilizar (…) estrumes, a utilização e reutilização das águas (…) tratar das plantas” (E1), daí existe vontade, sonho de se implementar este projeto na escola (E16).
Quanto ao posicionamento dos professores, consideram que os alunos podem ser vetores de transmissão dos conhecimentos e replicação das informações e conhecimentos adquiridos na escola às suas comunidades, conforme se pode verificar no trecho da entrevista aos professores, E14 e E3, considerando que “estando eles aqui bem preparados, levam os hábitos para casa (…) e (…) poderão (…) contribuir para a mudança das atitudes que se deseja que estejam nas práticas dos cidadãos” (E14). Consideram que as atividades que promovem o contacto dos alunos com a natureza permitem melhorar as suas atitudes ambientais, tendo em conta que passam algum tempo na escola, tornando- se muito importante para o dia a dia dos alunos (Collado e Corraliza, 2016).
Em suma, a opinião dos diretores e dos professores relativamente à contribuição das atividades extracurriculares desenvolvidas à promoção da educação para a sustentabilidade socio ambiental é bastante positiva, e vai de encontro com o que Victor Corral Verdugo, no preâmbulo da obra dos autores Collado e Corraliza (2016) argumenta, que é importante que as crianças estejam em contacto com a natureza para poderem melhorar e desenvolver atitudes e comportamentos pró sociais e de cuidado com o meio ambiente, sendo muito importante nos dias que correm.