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Identitet og selvfremstilling på sosiale medier

Querendo chamar atenção particularmente para a variável que diz respeito às alterações ideológicas e às formulações de estratégias para a convergência nacional de mudanças estruturais, nota-se que ao lado da necessidade de um planejamento adequado surgem os indispensáveis investimentos para que esse fosse corroborado.

Partindo dessas considerações, foi preocupante estabelecer a participação do Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais (IPES) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD). Entidades, aparentemente de pesquisa, canalizavam recursos externos para impulsionar a construção de uma nova ideologia e estratégias para promover, na grande imprensa – toda ela aliada a favor do golpe - propaganda do movimento golpista que se preparava. Políticos circulavam abertamente pela embaixada norte-americana, que articulava a ação internacional de apoio aos golpistas. O embaixador Lincoln Gordon era personagem diretamente envolvido naquelas articulações.(SADER, 1990).

Um outro aspecto preocupante que merece destaque nesse contexto á a participação de oficiais das Forças Armadas entre os agentes-sociais, ou seja, grupo modernizante conservador. Tinham como base a experiência ideológica e militar da campanha na Itália10 a qual foi reforçada pela

participação em cursos de instrução e treinamentos nos Estados Unidos. Isso se estendeu a filiações a partidos políticos como a União Democrática Nacional (UDN) e o Partido Democrático Cristão (PDC), não podendo excluir a imensa importância político e ideológica da Escola Superior de Guerra (ESG), da qual eram os co-fundadores.

Como é sabido, esse grupo tinha como representantes expressivos os até então oficial escalão médio Golbery do Couto e Silva, Orlando Geisel, Ernesto Geisel, Aurélio de Lyra Tavares, Jurandir Bizarria Mamede, Heitor Almeida Herrera, Edson de Figueiredo, Geraldo de Mendes Cortes, Idálio Sardenberg, Belfort Bethlem, João Bina Machado, Liberato da Cunha Friedrich, Ademar de Queiroz e os generais Cordeiro de Farias e Juarez Távora.

Não é difícil identificar que esses oficiais, entre outros, tinham um alto grau de congruência de valores com os tecno-empresários. Tudo em favor do desenvolvimento industrial capitalista. Alguns oficiais militares eram diretores importantes ou acionistas de corporações privadas, o que trouxe uma consolidação de um complexo militar-industrial após 1964. Frente a essa questão, os interesses industriais, civis e militares se unificam e buscam uma produção conjunta. (DREIFUSS, 1981).

Ora, não se pode esquecer novamente, nesse instante, que a intensa ligação com os Estados Unidos era feita principalmente por dois veículos, a Escola Superior de Guerra e o complexo político de acordos militares Brasil-Estados Unidos, entre os quais sobressaíram o Programa de Assistência Militar (PAM) e o Acordo de Assistência e Defesa Mútua.11

Essa caracterização inicial importa do ponto de vista dos argumentos desta pesquisa em dois sentidos básicos: o primeiro, já foi expresso e construído no começo deste capítulo, concretiza-se na congruência entre o Brasil e os Estados Unidos; o segundo é a convergência de interesses industriais, civis e militares, o que ocasionou uma forte propagação de poder.

Outras questões importantes são as idéias e atitudes maniqueístas dominantes do cenário da Guerra Fria, nas quais normas de desenvolvimento foram associadas a valores empresariais. Este Estado guiado por razões técnicas e não políticas “... seria estável por intermédio do autoritarismo político incorporado na doutrina de segurança nacional. Ideologias americanas de ‘construção nacional’ foram disseminadas entre as Forças Armadas Brasileiras e reforçadas pela doutrinação empresarial.”(DREIFUSS, 1981, p. 79).

11 O embaixador Lincoln Gordon afirmou que o Programa de Assistência Militar foi o veículo de

maior importância para se estabelecer um estreito relacionamento com os membros das Forças Armadas para influenciar os militares do Brasil a serem favoráveis aos Estados Unidos. (DREIFUSS, 1981).

Todos esses passos de congruências e convergências deixam evidente que a perspectiva desenvolvida por tais industriais e tecno-empresários era diferente da orientação liberal ou populista de grupos de elite que foram capazes de chegar ao poder através de eleições.

É certo que, compartilhando a ideologia de segurança nacional de seus equivalentes, esses empresários viam a disciplina e a hierarquia como componentes essenciais de um sistema industrial. Em uma palestra ministrada na Escola Superior de Guerra, pelo General George Robinson Mather, comandante da delegação americana na Comissão Mista Militar Brasil-Estados Unidos e chefe do Programa de Assistência Mútua - princípios de 1964, ele deixou claro ao público a necessidade da ordem, e alertou-se que o Brasil estava exposto mais a uma subversão comunista e agressão indireta do que a uma agressão direta vinda de fora do Hemisfério. Esse era o inimigo interno, o comunismo.

Tal tese – a do comunismo interno – teve suas origens com o advento dos acontecimentos cubanos: fim do governo ditatorial de Fulgêncio Batista pelo Movimento de 26 de julho (acolhido com simpatias pelo governo norte-americano) e os desdobramentos posteriores que levaram Cuba a se posicionar como socialista, após a derrubada do até então ditador e o estabelecimento do novo governo que se iniciou em 1959 e foi liderado por Fidel Castro (daí a ruptura dos Estados Unidos da América com Cuba). Esse posicionamento posterior foi condicionante na formação da referida tese, isto é, o inimigo interno; a partir de então, o inimigo já se coloca no próprio território da América Latina.

Se do ponto de vista da política norte-americana para o continente latino-americano a questão era evitar o exemplo de Cuba, do ponto de vista dos países latino-americanos – notadamente naqueles de agitações de conflitos e tensões que poderiam ser semelhantes às condições cubanas e que conduziram ao Movimento 26 de julho – passou a significar uma preparação política- ideológica para a tomada do poder pelos militares e levar adiante as mudanças que estão sendo assinaladas até a presente discussão.

Tal formulação – a do inimigo interno – tem um grande efeito propagandístico ideológico; de fato ela era o “mote” para alicerçar as mudanças nos rumos do capitalismo brasileiro que está sendo

anunciado e que as “reformas” propostas por João Goulart não satisfariam aos novos agentes elaboradores das novas estratégias em vigência, mesmo antes da tomada do poder.

O programa norte-americano para a América Latina se substancia na Aliança para o Progresso (com ajuda econômica) de maneira geral, e mais especificamente para os países que mostravam uma relativa estabilidade das instituições políticas locais, como o Chile, Venezuela e que desenvolviam políticas elaboradas por Governos de Democracia Cristã. Nos países onde os conflitos e tensões eram mais intensos adotavam, como prática, o apoio a governos militares. É nesse âmago propagandístico ideológico que se fez possível a elaboração de políticas e atuações ditatoriais. Com o uso direto da mídia tanto televisiva, jornalística, quanto radialista, usufruindo de frases apelativas, folders, programas televisivos, entre outros, foram, em curto prazo, uma das alavancas que proporcionaram o apoio ideológico populacional. Em longo prazo, a ideologia penetrou nas entranhas da Educação e as conseqüências disso são sofridas até hoje. Partindo dessas considerações, foi preocupante abordar as atuações do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Ele não tinha políticas importantes de cooptação das Forças Armadas e nem conseguiu causar impactos significativos sobre os militares, o que, na prática, acabou ocorrendo que João Goulart, chefe desse partido, foi julgado de romper com os limites estreitos e exclusivistas das relações civil-militares, pois havia imiscuído ilegalmente na hierarquia do Exército no episódio da revolta dos marinheiros. Além disso, realizou um comício, no dia 13 de março, no Rio de Janeiro que não foi digerido pelo bloco modernizante-conservador.

Dois períodos podem ser destacados no processo político e ideológico.Por meio deles, os interesses multinacionais associados e seus intelectuais-empresários, políticos e militares assumiram o controle do Estado. O primeiro período, usando uma expressão de Gramsci, foi de “transformismo molecular”. Foram criados anéis burocrático-empresariais, escritórios técnicos e centros burocráticos de militares de doutrinação e disseminação ideológica, os quais se interligam na sua visão programática das reformas de Estado necessárias, formando os incipientes intelectuais orgânicos do bloco de poder multinacional associado. Ao mesmo tempo em que isso acontecia, o bloco histórico populista dava sinais de exaustão política. (DREIFUSS, 1981).

Esse primeiro período abarcou da Escola Superior de Guerra (1948) até a renúncia de Jânio Quadros; envolveu a preparação histórica e organizacional do poder de classe e terminou devido a frustrações e deficiências de combinação tecno-empresarial (apoiada pela UDN e ESG) na renúncia de Jânio Quadros.

Dessa época em diante, os esforços do bloco de poder multinacional emergente se concentrava para influenciar o Parlamento, militares e ministros de Estado para agir, dentro dos limites da constituição, e para impedir que o executivo de João Goulart agisse por si só. Essa, como foi dito acima, já foi uma ampla manobra dentro de pré-elaboração que recairia em direção ao golpe do Estado.

Quando esse bloco emergente não obteve o êxito para atingir ou conter a massa popular dentro do sistema político populista, as várias organizações da sociedade civil e política se agregaram para a concepção da consciência coletiva de classe. Era o núcleo organizado do bloco multinacional e seu estágio militante, para desenvolver em conjunto ideologias políticas e estratégicas de ações políticas e estabelecimento de poder.

“Essa foi a segunda fase, a do ‘transformismo’ de grupos inteiros da burguesia que se transferiam para o campo modernizante-conservador militante. O segundo período abarca os três anos de João Goulart no governo, de 1961 a 1964, período este em que as novas forças sócio- econômicas, em seu anseio de poder político, tentam destruir o Executivo de sua autoridade e arrancar das formas populares o ponto de apoio que elas haviam conseguido na condução dos assuntos estatais.” (DREIFUSS, 1981, p. 107).