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2. Metode og framgangsmåte

3.2 Identitet og dannelse

Quem de fato está interessado em promover rupturas? O discurso não convence mais, precisamos ir além dele e redesenhar uma escola, um estado de conhecimento diferente do que estamos habituados a vislumbrar, construir e reconstruir. (GOULART, 2010, p.41)26

Nas escolas é comum ouvirmos a assertiva de que “todo mundo quer mudança, mas poucos realmente querem mudar”. Não é fácil romper com paradigmas e colocar em prática mudanças significativas. Assim, como na epígrafe citada de Goulart, a vontade de romper motiva, mas muitos acabam por cair em caminhos já trilhados e pouco significativos para o contexto vivido. Parece-nos que as discussões em torno da educação e da escola muitas vezes aparenta o processo de “amassar o barro” sem saber o que será feito dele. Sabemos que é possível fazer muitas coisas com o barro - panelas, utensílios e esculturas- mas no fim a argila fica ali, esperando ser moldada, sem realmente tomar uma forma.

Na educação, muitas vezes não é diferente, começamos a discorrer e refletir sobre um assunto, acabamos por repetir discursos e não damos um formato significativo para que ele faça sentido para os sujeitos envolvidos no processo educativo. De maneira metafórica é como se falássemos, “esse é o barro, podemos fazer muito com ele, no futuro ele será belo”, e não nos movimentamos para dar essa forma. Na educação, o discurso seria: “é preciso formar professores, a escola precisa mudar sua estrutura, a tecnologia precisa auxiliar a educação...”, afirmações que já conhecemos, e continuamos a repetir sem dar um sentido para que as ações se concretizem e efetivamente formem professores.

Certamente, há muitas iniciativas bem sucedidas, reflexões e ações que implementam mudanças no contexto educativo. Contudo, é forte entre os docentes a perspectiva de que as transformações dos contextos educativos estão sempre sendo gestadas e se concretizarão no futuro, no que está por vir e não no presente vivido.

A ideia dessa pesquisa não é encontrar as soluções para resolver os problemas da prática educativa do docente, muito menos sistematizar um formato para a formação de professores. Nesse trabalho, a tentativa é a de contribuir com as discussões no campo educativo utilizando-se da rede informacional. A cultura virtual tem ocupado um espaço

26 GOULART, M. R. As espirais da subjetividade reveladas na inteireza do educador para a construção do seu

crescente na vida das pessoas e precisa ser melhor explorada como um campo de formação docente, que possibilite o envolvimento desse profissional com a as inúmeras produções culturais disponibilizadas na web.

O intuito é construir com os professores uma reflexão e uma proposição envolvendo a web e a produção colaborativa de conteúdos para a formação estética do docente.

Esboçamos a criação de um website no qual são apresentados artefatos diversos e postagens sobre mesmos. Apresentamos livros, filmes, animações, artigos de revistas e jornais, músicas e bandas, aplicativos, sites, entre outros conteúdos que nem sempre estão presentes na mídia tradicional (TV e rádio), e que merecem ser conhecidos e apreciados pelos professores.

A ideia é de que o site seja um ambiente de formação, sem contudo, fornecer modelos, receitas e prescrições para a prática pedagógica do professor. Há na rede muitos sites que objetivam dar suporte ao professor e que oferecem conteúdos de forma a contribuir com a formação docente e suas práticas pedagógicas; porém, observamos que a maioria deles possui um formato que muitas vezes remetem ao contexto escolar e especificamente a prática docente em sala de aula, ou seja, ao ambiente de trabalho. Tanto em seus formatos, cores e até mesmo nos conteúdos, podem transmitir ao docente a impressão de ser uma extensão do seu ambiente de trabalho. Consideramos que essas propostas são importantes e precisam ser fomentadas, entretanto, as mesmas podem afastá-los de um acesso mais lúdico e prazeroso no ambiente da rede.

Acessar um site que lembre o seu ambiente de trabalho, apesar de necessário, pode ser desinteressante para o docente. Um exemplo é o Portal do Professor27, site do Ministério da

Educação (MEC), elaborado para que os docentes acessem sugestões de planos de aula, baixem mídias de apoio, notícias sobre educação e iniciativas do MEC, e possam até mesmo compartilhar seus planejamentos de aula ou participar de discussões. Em suas cores, verde com escritos brancos, o site remete a um quadro negro escrito a giz, um clichê quando se pensa em educação e professores (figura 1).

Figura 1 - Site Portal do Professor

FONTE: Disponível em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br. Acesso em 07/07/2015.

Outro site muito acessado pelos docentes, o da Revista Nova Escola28, produzido pela

editora Abril, traz um repertório de planos de aula, artigos e discussões sobre a educação e também sobre as disciplinas específicas, além de conteúdos em vídeo, jogos, fotos e chats de debates. Apesar de suas cores não remeterem ao quadro negro, tem-se a impressão de ser um pouco mais renovado, apostando em cores que lembram a lousa branca escrita com pincel vermelho. Esse site apresenta uma diversidade de conteúdos referentes ao ambiente de trabalho do professor, com sugestões já pré-estruturadas de aula e arquivos prontos com experiências para que o docente possa realizar em sala de aula. O mesmo fica restrito ao trabalho no contexto escolar.

A seguir a imagem página principal do site:

Figura 2 - Site Nova Escola

A ideia do website produzido como resultado da pesquisa aqui desenvolvida preconiza uma abordagem distinta de espaço de aprendizagem convencional de professores, pois, diferentemente dos sites citados anteriormente, ele apresenta sugestões para a formação cultural, se desvencilhando do ambiente de trabalho pedagógico, ou seja, um lounge de cultura, informação e criatividade, e não um ambiente virtual de trabalho, com discussões de cunho pedagógico, planos de aula e experiências a serem executadas nos ambientes escolares. Propomos um espaço que, de modo semelhante a sala de estar, todos possam conversar sobre o que quiserem, sem que o tema seja propriamente o trabalho.

Segundo Fisher (2007, p. 298), “um dos trabalhos pedagógicos mais revolucionários é o que se refere a uma ampliação do repertório de professores, crianças e adolescentes, em matéria de cinema, televisão, literatura, teatro, artes plásticas e música”. A autora acredita que

Talvez pesquisar e montar videotecas, alugar vídeos e DVDs com materiais selecionados, diferenciados daquilo que se vê cotidianamente e que circula na grande mídia, parece-me fundamental para educar olhos e ouvidos, educar a alma, de modo que o pensamento crítico se forme aí, tanto na escuta do que os mais jovens veem e produzem a partir das tais “novas tecnologias”, como na oferta de algo mais, de alguma imagem inesperada que um programa de televisão mais elaborado pode colocar à nossa disposição. A ampliação do repertório pode configurar-se inclusive como o exercício de outras formas de recepção e apropriação dos próprios materiais FONTE: Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/. Acesso em 07/07/2015

cotidianos, presentes na mídia e fartamente consumidos por alunos e professores. (FISHER, 2007, p. 298)

Concordamos com a autora, e é a partir disso que acreditamos caminhar para uma proposta no campo da educação que possa contribuir com a formação de professores.