5 Results
5.1 Identification and verification of transgenic CEL mice
O cromo é um elemento naturalmente presente na crosta terrestre. É predominante em minerais no esta- do de oxidação Cr3+, e na sua forma dissolvida pode estar presente no ambiente como cátions trivalentes
ou ânions com estado de oxidação Cr6+ (HEM, 1985). Em ambientes aquáticos está presente de maneira
solúvel ou insolúvel e ocorre na fase Cr3+, carreado com sólidos em suspensão e adsorvido em materiais
argilosos, orgânicos ou óxidos de ferro (Fe2O3) (ATSDR, 2000).
O níquel também é abundante na crosta terrestre, pode substituir o ferro em minerais de rochas ígne- as, ligado à estrutura de silicatos, e tende a ser coprecipitado com óxido de ferro, e especialmente óxidos de manganês (HEM, 1985). Encontra-se em pequenas quantidades no ambiente como sulfetos minerais, como a pirita (SIEGEL, 1979).
As concentrações de Cr observadas variam de 17,61 mg/kg a 574,22 mg/kg, no período chuvoso, e de
2,89 mg/kg a 289,38 mg/kg, no período seco. A Resolução Conama n. 454/2012 limita esse elemento em
37,3 mg/kg no nível 1 e 90 mg/kg no nível 2. Do total de amostras, seis ultrapassaram o limite de 90 mg/ kg, no período chuvoso: 574,22 mg/kg no P4, 178,39 mg/kg no P6 e 197,58 mg/kg no P7. No período seco registraram-se 98,39 mg/kg no P2, 289,38 mg/kg no P3 e 91,62 mg/kg no P5 (GRÁFICO 37).
Gráfico 37 – Variação da concentração de cromo nos sedimentos
Fonte: Elaborado pela autora.
Para o Ni, a resolução estabelece 18 mg/kg para o nível 1 e 35,9 mg/kg no nível 2. Seguindo o padrão similar do Cr os valores encontrados acima do nível 2 da legislação no período chuvoso são P3 com 43,8
mg/kg, 164,73 mg/kg no P4; 98,47 mg/kg no P6; 67,41 mg/kg no P7, no período seco 96,81 mg/kg no P2;
99,99 mg/kg no P3 e 96,25 mg/kg no P5 (GRÁFICO 38).
Gráfico 38 – Variação da concentração de níquel nos sedimentos
Esses resultados evidenciam fonte natural de contaminação pela presença da unidade peridotítica Quebra Ossos (associação cobalto-cromo-níquel) e pelas ocorrências de ouro com arsenopirita associada, somadas às atividades de mineração existentes na região, o que contribui para que as concentrações dos metais fiquem mais disponíveis nos sedimentos nos leitos de rios (BALTAZAR; ZUCHETTI, 2005 ), sendo lixiviados com maior intensidade no período chuvoso.
Os valores encontrados coincidem com aqueles encontrados por Costa (2015) no Alto Rio das Velhas, no Quadrilátero Ferrífero, onde o Ni atingiu índices de 157,7 mg/kg e o Cr, de 572 mg/kg, associando-se a disponibilização desses metais às atividades de mineração. Assim como foram registrados resultados de até 1359 mg/kg para Cr e 356,4 mg/kg para Ni na sub-bacia no ribeirão Caraça, relacionados à influência direta das atividades minerárias da região (BALTAZAR, ZUCHETTI, 2005).
5.5.5 Cobre e zinco
Os resultados relacionados ao Cu indicam uma variação de 10,79 mg/kg a 183,91 mg/kg no período chuvoso e de 7,44 mg/kg a 271,71 mg/kg no período seco (GRÁFICO 39). O ponto P15 no período seco registrou con- centrações abaixo do limite de detecção. Os valores sugeridos na resolução são de 35,7 mg/kg no nível 1 e de 90 mg/kg no nível 2. Apenas o ponto P2 excedeu o limite no nível 2, com 271,71 mg/kg no período seco.
Gráfico 39 – Variação da concentração de cobre nos sedimentos
Fonte: Elaborado pela autora.
O Cu apresenta altas concentrações em minerais sulfetados e está fortemente relacionado a rochas vulcânicas básicas presentes no Grupo Nova Lima, encontrado nesses pontos. O P2 é um local intensa- mente influenciado pela mineração a sua montante, o que contribui para os resultados encontrados.
Padrão semelhante foi encontrado para o Zn, em que o P6 atingiu o maior valor no período chuvoso, com 78,66 mg/kg, e o P2, 73,21 mg/kg no período seco (GRÁFICO 40). A legislação limita o Zn em 123 mg/ kg no nível 1 e 315 mg/kg no nível 2, e todas as amostras registraram valores abaixo do limite para esse elemento, tanto no nível 1 quanto no nível 2.
Gráfico 40 – Variação da concentração de zinco nos sedimentos
Fonte: Elaborado pela autora.
5.5.6 Chumbo
O chumbo é um metal raramente encontrado na natureza. O mineral de Pb mais comum é a galena (PbS) (SIE- GEL, 1979). Trata-se de um elemento bastante disperso em rochas sedimentares, de baixa mobilidade em função da sua baixa solubilidade. A adsorção em superfícies de sedimentos orgânicos e inorgânicos e a coprecipitação com óxidos de manganês tendem a manter níveis baixos de concentração na coluna d’água (HEM, 1985).
Gráfico 41 – Variação da concentração de chumbo nos sedimentos
O Pb apresentou um valor médio de 17,52 mg/kg no período chuvoso e de 13,02 mg/kg no período seco (GRÁFICO 41). A legislação determina que os valores de Pb não excedam 35 mg/kg no nível 1 e 91,3 mg/ kg no nível 2. Os resultados indicam que apenas dois pontos ultrapassaram o nível 1: P1, com 40,99 mg/kg, e P4, com 60,69 mg/kg no período chuvoso; os demais pontos apresentaram valores abaixo desse limite.
Como os dois pontos citados não sofrem influência direta de processo de urbanização e/ou industriali- zação, é possível que estejam sendo influenciados pelo processo de mineração, que expõe diversas forma- ções geológicas (LIMA et al., 2001). A contaminação ocorre pelo arraste de partículas finas ao leito do rio, provenientes de rochas encaixantes da mineração aurífera, associadas a veios de sulfetos ou óxi-hidróxidos de ferro, além de itabiritos e filitos do Super Grupo Minas, características dos locais (COSTA, 2015).
5.5.7 Ferro e alumínio
As concentrações de ferro variaram de 2973,33 mg/kg a 230025,47 mg/kg no período chuvoso e de 298,12
mg/kg a 242801,44 mg/kg no período seco (GRÁFICO 42). Os maiores índices foram encontrados no P1, com 2300025,47 mg/kg, e no P15, com 177634,69 mg/kg no período chuvoso, e no P6, com 242801,44 mg/ kg, e 209,977 mg/kg no P13. A Resolução Conama não traz referências a esse elemento.
Gráfico 42 – Variação da concentração de ferro nos sedimentos
Fonte: Elaborado pela autora.
Para o Al, os valores oscilaram entre 2108,67 mg/kg e 5004,61 mg/kg no período chuvoso e entre
2633,85 mg/kg e 16405,19 mg/kg no período seco (GRÁFICO 43). Os pontos com concentrações mais elevadas são o P12 no período chuvoso e o P8 no período seco. A Resolução Conama também não faz nenhuma inferência sobre esse elemento.
Gráfico 43 – Variação da concentração de alumínio nos sedimentos
Fonte: Elaborado pela autora.
Mendes (2007) encontrou concentrações de Fe entre 1600 mg/kg e 206200 mg/kg no ribeirão Caraça, atribuindo esses índices ao processo de intemperismo de rochas como os dunitos e serpentinitos do Grupo Nova Lima. Ainda segundo Mendes (2007), as concentrações de Al no mesmo local variaram entre 5800
mg/kg e 88300 mg/kg. Todos os pontos com teores elevados de Al apresentam como característica intensos processos erosivos. O Al está presente em muitos minerais primários, tais como caulinita e aluminossilica- tos, e o intemperismo desses minerais e o desgaste do solo ao longo do tempo resultam na sua deposição no ambiente aquático, sendo carreado de forma mais intensiva durante o período chuvoso. O U.S. Depart- ment of Health and Human Services reporta valores de Al entre 14000 mg/kg e 140000mg/kg, associando essa oscilação aos tipos de uso e ocupação do solo, e ao tipo de vegetação presente (ATSDR, 2006).
5.5.8 Manganês
O manganês apresentou uma oscilação entre 490,08 mg/kg e 5004,61 mg/kg no período chuvoso e entre
248,98 mg/kg e 3172,62 mg/kg no período seco. Os pontos P2 e P4 obtiveram maiores resultados nos períodos de amostragem, respectivamente (GRÁFICO 44). Não há referência a esse elemento na legislação vigente.
O valor de background proposto por Rodrigues (2012) é de 1600 mg/kg. Partindo do pressuposto dessa referência, 33% de todas as amostras estão com as concentrações acima desse limite. Porém, quando as comparamos ao valor de background proposto por Oliveira et al. (1979) para o Quadrilátero Ferrífero, todos os valores estão abaixo do limite estabelecido, já que os autores descrevem que teores abaixo de 10000
Gráfico 44 – Variação da concentração de manganês nos sedimentos
Fonte: Elaborado pela autora.
Teores desses elementos se elevam sob o domínio do Grupo Itabira (OLIVEIRA et al., 1979), caracterís- tica dos pontos P1, P2, P4 e P5, que apresentaram maiores resultados, e podem estar associados direta- mente às atividades antropogênicas, podendo mobilizar o elemento para o ambiente durante e após as operações de exploração mineral (RODRIGUES, 2012).
5.5.9 Cálcio e magnésio
Os teores de Mg apresentaram baixa variação sazonal, de 301 mg/kg a 5456,06 mg/kg durante o período chuvoso e de 8,19 mg/kg a 4415,37 mg/kg no período seco. Os pontos P8 e P7 foram os mais elevados nos dois períodos de amostragem, respectivamente (GRÁFICO 45).
Gráfico 45 – Variação da concentração de magnésio nos sedimentos
Os resultados de Ca demonstram uma variação de 597,44 mg/kg a 14354 mg/kg no período chuvoso e de 41,76 mg/kg a 14855 mg/kg no período seco. Assim como para o Mg, os pontos P7 e P8 foram os mais elevados nos dois períodos de amostragem, respectivamente (GRÁFICO 46).
Gráfico 46 – Variação da concentração de cálcio nos sedimentos
Fonte: Elaborado pela autora.
A legislação não traz nenhuma referência aos dois elementos. Parra (2006) reportou valores de Mn entre 190 mg/kg e 560 mg/kg no verão e entre 100 mg/kg e 789 mg/kg no inverno no rio Conceição, ob- tendo uma variação menor em comparação às amostragens no rio Santa Bárbara. Segundo o autor, as concentrações desse elemento estão associadas às formações ferríferas na região. Já Lima (2009) relatou valores de 888 mg/kg a 10625 mg/kg no verão e de 853 mg/kg a 4700 mg/kg no inverno no rio Piracicaba.
Lima (2009) também descreveu os teores de Ca: no verão registrou-se variação de 256 mg/kg a 2150 mg/kg, e no inverno, de 272 mg/kg a 1025 mg/kg, assim como Parra (2006), que obteve valores de 560 mg/kg a 1670
mg/kg no verão e de 470 mg/kg a 1670 mg/kg no inverno, atribuindo as fontes de Ca à presença de dolomitas e calcita e à mobilidade do elemento, que poder ter sido carreado de outras fontes de áreas mais distantes.
5.5.10 Fósforo
Os índices de fósforo encontrados nas amostragens oscilaram entre 12,98 mg/kg e 509 mg/kg no período chuvoso e entre 8,75 mg/kg e 666,44 mg/kg no período seco. Nos pontos P11 e P15 os valores ficaram abaixo do nível de detecção, que é de 6,93 mg/kg (GRÁFICO 47). A Resolução Conama estabelece um va- lor limite de alerta de 2000 mg/kg. Observa-se que todos os pontos, tanto no período seco quanto no chuvoso, ficaram abaixo dessa delimitação.
Gráfico 47 – Variação da concentração de fósforo nos sedimentos
Fonte: Elaborado pela autora.
Os resultados corroboram os valores encontrados por Silva (2010), em amostragem na parte média e inferior da bacia do rio Piracicaba, onde os índices atingiram de 234 mg/kg a 633 mg/kg no período chuvoso e de 289 mg/kg a 1290 mg/kg no período seco. Reis (2015) registrou valores similares: no período chuvoso a oscilação foi entre 502 mg/kg e 1296 mg/kg, e entre 578 mg/kg e 1454 mg/kg no período seco.
As concentrações de fósforo estão relacionadas basicamente à utilização de fertilizantes fosfatados e a processos de mineração na bacia de drenagem, além de erosão do solo, que pode adicionar quantida- des consideráveis de fosfatos nos rios.