O diagrama a seguir ilustra os resultados obtidos para metais em sedimentos. Esses resultados equivalem aos elementos que ultrapassaram o limite estabelecido pela Resolução Conama n. 454/2012 e/ou outras referências citadas no trabalho.
Figura 21 – Diagrama-síntese dos resultados dos elementos químicos em sedimentos
5.6 Extração sequencial
As frações obtidas em cada etapa do procedimento estão descritas na Tabela 13. As amostras foram sub- metidas em triplicatas, conforme procedimento proposto por Rauret et al. (2001). As etapas 1, 2, 3 e 4
equivalem, respectivamente, às etapas trocável redutível (metais associados a óxidos de ferro e manga- nês), oxidável (metais associados a matéria orgânica e sulfetos) e residual (metais associados a fração não silicática dos sedimentos).
Tabela 13 – Resultados da extração sequencial
Cd Cr Cu Ni Pontos Frações Mg.kg -1 Mg.kg -1 Mg.kg -1 Mg.kg -1 M ± DP M ± DP (%) M ± DP M ± DP (%)M ± DP M ± DP (%)M ± DP M ± DP (%) Ponto 1 F1 <LQ – 0,6±0.01 0,46±0.007 178,9±5.1 49,9±1.44 33,8±0.92 25,6±0.69 F2 0,36± 0.02 3±0.10 2,31±0.07 100,7±3.0 28,12±0.85 21,1±0.83 16,07±0.62 F3 <LQ – 6,2±0.38 4,83±0.29 28,9±1.9 8 ±0.54 16,5±1.33 12,5±1 F4 <LQ – 119,8±1.4 92,4±1.07 49,6±1.1 13,84±0.30 60,24±3.9 45,71±2.95 Ponto 2 F1 <LQ – 0,4±0.01 0,12±0.002 21,6±0.3 23,48±0.41 10,8±0.21 8,14±0.15 F2 0,3±0.006 2,2±0.09 0,61±0.02 24±1.0 26,14±1.18 9,93±0.49 7,43±0.36 F3 <LQ – 12± 0.8 3,33±0.23 7,6±0.50 8,33±0.5 10,02±0.2 7,5±0.17 F4 <LQ – 348,3±2.2 95,94±0.61 38,7±0.05 42,05±0.05 102,7±3.4 76,92±2.56 Ponto 3 F1 <LQ – <LQ 1,8±0.04 8,25±0.17 2,78±0.08 9,55±0.27 F2 <LQ – 0,7±0.02 1,05±0.03 4,8±0.19 21,44±0.83 3,77±0.19 12,95±0.65 F3 <LQ – 5,1±0.39 7,59±0.58 1,5±0.17 6,79±0.74 <LQ – F4 <LQ – 61,1±1.2 91,37±1.90 14,4±1.15 63,52±5.07 22,56±2.2 77,5±7.55 Ponto 4 F1 <LQ – 3±0.17 10,1±0.55 <LQ – F2 0,3± 0.02 1,9±0.11 3,24±0.18 4,1±0.06 13,5±0.19 <LQ – F3 <LQ – 5,9±0.22 9,94±0.36 1,9±0.10 6,26±0.32 <LQ – F4 <LQ – 51,7±0.91 86,821.52 21,4±0.42 70,14±1.37 13,68±0.48 – (continua)
Pb Zn Fe Mn Pontos Frações Mg.kg -1 Mg.kg -1 Mg.kg -1 Mg.kg -1 M ± DP M ± DP (%)M ± DP M ± DP (%)M ± DP M ± DP (%)M ± DP M ± DP (%) Ponto 1 F1 <LQ – 24,3±2.5 17,1±1.80 224,2±8.4 0,13±0.004 1103,1±7.8 42,7±0.27 F2 10,2±0.2 10,9±0.4 7,64±0.29 4147,7±54 2,3±0.03 834,1±3.5 32,3±0.12 F3 <LQ – 9,1±0.85 6,4±0.59 445,9±10.2 0,2±0.005 39,17±0.72 1,5±0.02 F4 <LQ – 98,2±4.9 68,9±3.43 173221±1660.7 97,2±0.93 605,3±1.64 23,4±0.05 Ponto 2 F1 <LQ – 11,2±1.9 10,32±1.80 18,34± 1.95 0,01±0.001 393,33±0.6 26,07±0.63 F2 6,5±0.54 7,6±0.60 6,98±0.55 3108,8±39.4 1,95±0.02 548,9±3.95 36,38±0.26 F3 <LQ – 6,13±0.3 5,63±0.36 270,63±11.1 0,17±0.006 36, ±1 2,44±0.06 F4 <LQ – 83,9±3,3 77,06±3.03 155983±1240.5 97,87±0,8 529,72±1.4 35,11±0.09 Ponto 3 F1 <LQ – 9,82±0.8 10,92±0.95 5,07±0.65 0±0002 294,89±2.3 10,72±0.08 F2 6,19±0.1 8,3±0.64 9,23±071 1687±22.9 0,58±0.007 1636,7±1.5 59,52±0.05 F3 <LQ – 5,51±0.5 6,13±0.60 150,48±5.6 0,05±0.001 54,46±0.32 1,98±0.01 F4 <LQ – 66,3±2.6 73,72±2.89 289266,1±2345 99,37±0.8 763,97±5.5 27,78±0.19 Ponto 4 F1 <LQ – 9,95±2.9 9,93±2.98 47,05±4.6 0,02±1.94 306,25±4.3 29,01±0.40 F2 13,9±0.4 7±0.87 6,99±0.86 3206,1±36 1,36±0.02 284,9±3.1 26,99±0.29 F3 <LQ – 6,26±0.4 6,25±0.41 160,82±7.4 0,07±0.003 23,73±0.35 2,25±0.03 F4 <LQ – 77±1.10 76,84±1.09 232637,9±2111.1 98,55±0.89 440,6±4.87 41,74±0.46
*M- Média, DP- Desvio padrão, <LQ- Abaixo do limite de quantificação
Os quatro pontos de amostragem selecionados para a realização do procedimento foram escolhidos de acordo com as influências diretas ou indiretas de atividades antrópicas da região. O ponto P3 recebe todo o aporte da bacia de drenagem do rio Conceição, com várias atividades minerárias de minerais metálicos, não metálicos e minério de ferro. O ponto P6 recebe toda a contribuição do rio Conceição e também do ribeirão Caraça, onde ocorrem processos minerários. O ponto P7 apresenta como aditivo aos processos minerários a contaminação de efluentes domésticos e industriais e é o último ponto antes da barragem de Peti, que atua como barreira que impede parcialmente o fluxo de contaminação ao longo do curso do rio. E o ponto P15 é o último local de amostragem da bacia, sendo a confluência com o rio Piracicaba, e recebe todo o aporte do rio Santa Bárbara da parte após a barragem de Peti.
5.6.1 Cádmio
O Cd apresenta diferentes níveis de mobilidade de acordo com as características do ambiente; é um ele- mento móvel sob condições oxidantes na ausência de partículas ricas em ferro e pH do meio 5, modera- do sob condições de acidez, neutras e alcalinas e a mobilidade é muito baixa em ambiente redutor (SMI- TH; HUYCK, 1999). Possui como barreiras geoquímicas sua formação de quelatos em contato com ácidos húmicos e sua adsorção com argilas.
Nos pontos P3, P6 e P15 o Cd apresentou as etapas F1, F3 e F4 abaixo dos limites de quantificação, por isso foi representada graficamente apenas a etapa F2 (GRÁFICO 48). No ponto P7 todas as etapas ficaram abaixo do limite de quantificação. A etapa F2 se refere a metais associados a óxidos de ferro e manganês. Próximo à interface de água-sedimentos, em zona anóxica, de depleção de O2, metais catiônicos como Cd2+, Cu2+ Pb2+, Zn2+ podem ser liberados para o meio a partir das reações de redução e dissolução de
óxidos de Fe (III) e Mn (IV) que se encontravam adsorvidos a eles (GUILHERME et al., 2005).
Jordão et al. (1990) descreveram concentrações de cádmio ligadas a fração residual não biodisponível, e a frações potencialmente biodisponíveis, no rio Paraibuna (MG), afetado por indústrias metalúrgicas. Segundo o autor, a preferência pelas frações potencialmente biodisponíveis do metal ocorreu em função de uma redução acidental do pH no curso d’água, fazendo com que o elemento fosse mobilizado. Em rios mais poluídos por efluentes domésticos e industriais, como a bacia do rio Tietê (SP), concentrações de Cd também foram encontradas preferencialmente na fase residual, porém teores em frações biodisponíveis foram registrados, indicando uma carga de poluição recente, uma vez que o elemento foi adsorvido com óxidos de Fe e Mn e matéria orgânica (MASINI, 2001). No rio Uberabinha (MG), em todas frações extraídas pelo método BCR, as concentrações de cádmio ficaram abaixo do limite de quantificação (SILVA, 2009).
Gráfico 48 – % Frações extraídas de cádmio
5.6.2 Cromo
O cromo possui um comportamento químico complexo, podendo sofrer várias reações biológicas em sis- temas naturais, que incluem oxidação, redução, precipitação, adsorção e dessorção. Possui mobilidade muito baixa em todos os ambientes, incluindo em condição oxidante sob pH ácido, e em locais com abun- dância de partícula de Fe sob pH de 5 (SMITH; HUYCK, 1999). Como o pH dos pontos amostrais está na faixa entre 5 e 9, as formas predominantes do Cr reduzidas são CrOH2+ e Cr (OH)
2
+, (HEM, 1985).
Os resultados demonstrados no Gráfico 49 indicam que o cromo se encontra preferencialmente ligado a fração residual com mais de 90% da fração, em todos os pontos seguindo pela etapa oxidável. Isso indica que esse metal é transportado em associação a partículas cristalinas, refletindo uma contribuição geoquímica proveniente principalmente das rochas e dos solos locais e que estão indisponíveis no meio (BEVILACQUA, 2009).
Embora a fração residual não tenha extrema importância ambiental direta, por se tratar de contribui- ções litogênicas, baixos valores registrados dessa fração podem indicar influência de fontes poluidoras alóctones que se acumulam nos sedimentos (CORINGA, 2016). Situação semelhante foi descrita por Abreu (2005), no ribeirão Cachoeira, no Quadrilátero Ferrífero, onde, apesar de terem sido encontradas altas quantidades de cromo em suas amostragens, as maiores quantidades foram extraídas na etapa residual, com cerca de 91% a 93% da concentração e pequenas quantidades em outras etapas.
Gráfico 49 – % Frações extraídas de cromo
5.6.3 Cobre
O cobre pode existir de diferentes formas nos ecossistemas aquáticos. A maior parte se encontra na forma de ácidos inorgânicos e complexos orgânicos, tais como hidróxido de cobre e cobre livre (Cu2+), respecti-
vamente. A variação da sua toxicidade depende de fatores como temperatura, compostos orgânicos dis- solvidos, partículas em suspensão, pH, além da presença de cátions e ânions inorgânicos. Em sedimentos, o cobre normalmente é incorporado em minerais de argila e pode ser precipitado na forma de sulfetos. Apresenta mobilidade moderada sob condições de oxidação, baixa em ambiente neutro, alcalino e redutor, e elevada em meio ácido (SMITH; HUYCK, 1999).
A frações extraídas nas amostragens demostram que o ponto P3 apresentou a maior quantidade extra- ída na fase trocável da extração, com 49,9%, seguida pelo ponto P4, com 22,5%, ponto P15, com 10,09%, e ponto P7, com 8,24% (GRÁFICO 50). Essa etapa é a mais importante do ponto de vista ambiental, uma vez que equivale à fração mais biodisponível do elemento, sendo a mais tóxica, podendo provocar bioa- cumulação e biomagnificação nos organismos aquáticos. No ponto P6 houve uma predominância da fase residual, com 39% de quantidade extraída, seguindo com proporções semelhantes às frações oxidáveis, com 25,06%, e redutível, com 22,5%. No ponto P7 houve um comportamento similar ao ponto P6, onde a maior fração também é a residual, com 63,52%, seguida pela fração oxidável, com 21,43%, assim como o ponto P15, com 70% de etapa residual e 13,5% da etapa trocável.
Gráfico 50 – % Frações extraídas de cobre
Fonte: Elaborado pela autora.
A quantidade elevada da fração extraída na fase trocável no ponto P3 ocorre em função da adsorção do metal ao material de partículas finas, abundantes no meio, que são expostas pelo revolvimento do
solo, influência direta das atividades minerárias e lixiviadas para os corpos d’água, coprecipitadas princi- palmente com carbonatos presentes no local. Partículas finas, como argilominerais, apresentam capaci- dade sortiva ou de troca iônica causada pelas cargas elétricas presentes em sua estrutura cristalográfica (RODRIGUES et al., 2015). A afinidade do CU2+ com esses minerais favorece o processo de adsorção sob a
superfície de minerais carbonáceos (FERREIRA, 2012).
Os altos teores de Cu na fração residual nos demais pontos indicam sua mineralogia original e sua mobilidade reduzida na interface água-sedimentos (SAENZ; BLASCO; GOMEZ-PARRA, 2003).
Cabe ressaltar que nos pontos P6 e P7 quantidades relevantes de Cu foram extraídas na fase redutível, metais associados a óxidos de ferro e manganês, que juntamente com a matéria orgânica são considera- dos adsorventes e conhecidos por serem facilmente lixiviados (TESSIER; CAMPBELL, BISSON, 1979), além de poderem ser biodisponíveis em ambientes altamente redutores (PENG et al., 2009).
5.6.4 Níquel
Nos sedimentos o níquel pode ser encontrado sob a forma de precipitados, complexos, adsorvidos sobre a argila, e apresenta elevada mobilidade sob condições oxidantes, com pH abaixo de 3, e baixa mobilida- de sob condições oxidantes em ambientes com abundância de partículas de ferro, com o pH do meio aci- ma de 5 (SMITH; HUYCK, 1999).
A distribuição padrão das frações de níquel está ilustrada no Gráfico 51. O níquel está distribuído em to- das as frações de extração nos sedimentos, porém a fase dominante é a fração residual, sendo a única fase identificada no ponto P15, compondo mais de 75% da extração nos pontos P6 e P7 e mais de 45% de fra- ção extraída no ponto P3. O ponto P3 apresentou maior percentagem da fase trocável, com 25,68%, assim como a fase redutível, com 16,02%. No ponto P7 a fase oxidável ficou abaixo do limite de quantificação.
A dominância da proporção do níquel na fase residual é portanto relativamente imóvel e está em concordância com diferentes literaturas (MARTIN; SANCHEZ; GUTIERREZ, 1998; YUAN et al., 2004).
As fases trocáveis e redutíveis identificadas principalmente no ponto P3 indicam potencial poluição por contaminação recente (RAURET, 1999) e estão relacionadas à associação com metais ligados a óxidos de ferro e manganês, que são liberados devido à instabilidade do Ni sob condições redutoras (YACOUB; PÉREZ-FOGUET; MIRALLES, 2012), respectivamente. O contexto se deve provavelmente à contaminação pelos efluentes provenientes dos processos de mineração. Ni foi encontrado na fase oxidável (associado a matéria orgânica), em menores proporções em todos os pontos, podendo ser mobilizado somente em condições oxidantes (SOUZA et al., 2015).
Yang et al. (2012) verificaram concentrações de Ni predominantemente na fase residual, entre 50% e
60% de extração em todos os pontos amostrais, concluindo que o elemento apresenta baixa biodisponi- bilidade no meio, em função da sua ligação principal com as redes cristalinas de silicatos. As proporções encontradas por Gao et al. (2010) apresentaram uma média de 78% dos teores totais extraídos na fração residual, indicando baixo risco de contaminação antrópica no sedimento.
Gráfico 51 – % Frações extraídas de níquel
Fonte: Elaborado pela autora.
5.6.5 Chumbo
O chumbo é um elemento que apresenta sua solubilidade e mobilidade controlada por vários fatores. Esse metal possui baixa solubilidade sob condições de pH em meios ácidos e em ambientes oxidantes e é com- plexado com minerais de argila, ácido húmico e óxidos de ferro e manganês (EISLER, 1987). Sua solubili- dade aumenta em ambientes contaminados com fontes pontuais de descargas orgânicas oriundas de processos antropogênicos (ATSDR, 2007). Concentrações de fosfato e carbonato também influenciam na sua especiação.
As concentrações de chumbo foram quantificadas apenas na fração redutível, ligadas a óxidos de ferro e manganês, que são potencialmente biodisponíveis aos organismos (GRÁFICO 52). A ordem encontrada foi P15>P3>P6>P7. Em todos os pontos a extração das frações trocáveis, oxidáveis e residuais ficaram abaixo do limite de quantificação.
Os maiores teores encontrados podem ser oriundos tanto de fontes antropogênicas como de fontes litogênicas. O ponto P15 recebe contribuições de esgotos domésticos, possivelmente lixiviados de aterro sanitário, e insumos agrícolas, relacionados à atividade de agricultura, de toda a bacia após a barragem
de Peti, fatores responsáveis pela introdução de Pb em ambientes aquáticos (OLIVEIRA; MARINSA, 2011). O ponto P3 é extremamente influenciado por processos minerários que evidenciam grandes quantidades de óxidos de Fe e Mn, que dominam a litologia local.
Esse metal é conhecido por ser preferencialmente associado com óxidos de ferro e manganês (HEM,
1985), o que explicaria a alta proporção encontrada na fração redutível, sugerindo a importância desses íons no transporte de Pb. Pb forma complexos estáveis com óxidos de Fe e Mn, podendo ser liberado para o meio se o sedimento for submetido a condições redutoras (YUAN et al., 2004).
Basílio et al. (2005), investigando a adsorção na avaliação da capacidade de fixação de metais por resí- duos de mineradoras de ferro no Quadrilátero Ferrífero, encontraram baixos teores de chumbo na maioria das frações, próximos ao limite de detecção do método analítico utilizado, o que indica processo de rea- dsorção. Assim como na bacia do rio Santa Bárbara, Basílio et al. (2005) reportaram concentrações de PB preferencialmente ligadas a óxidos. As concentrações encontradas por Turki (2007) também prevaleceram na fração redutível, sugerindo que Pb é derivado principalmente de fontes antropogênicas.
Gráfico 52 – % Frações extraídas de chumbo
Fonte: Elaborado pela autora.
5.6.6 Zinco
As reações químicas do zinco em sedimentos envolvem precipitação/dissolução, complexação/dissociação e adsorção/dessorção. Esses processos são controlados por fatores como potencial redox, pH e ligantes orgânicos capazes de formar complexos. Zn apresenta mobilidade elevada em ambientes oxidantes, baixa em condições redutoras e imóvel em condições redutoras, com presença de sulfetos de hidrogênio no meio (SMITH; HUYCK, 1999).
Analisando os resultados, observa-se que o zinco foi extraído predominantemente na fração residual, com aproximadamente 70% do total em todos os pontos (GRÁFICO 53). A fração trocável apresentou concentrações de 17% no ponto P3. e os prontos P6, P7 e P15 obtiveram em torno de 10% do total ex- traído. As fases redutível e oxidável se evidenciaram com as menores frações, com média de 7% e 6%, respectivamente, para todos os pontos analisados.
As concentrações elevadas de Zn na fração residual são consistentes com o observado por Liu et al. (2000, 2001) e Gao et al. (2010). De acordo com os resultados, Zn apresenta baixa mobilidade no ambiente, não estando disponível para processos biológicos. Metais extraídos predominantemente nessa fase não são esperados para ser lançados em solução num breve período de tempo sob condições normalmente encontradas na natureza (TESSIER; CAMPBELL; BISSON, 1979). Zn na fração residual normalmente está associado a alguns minerais como a magnetita Fe3O4 (RODRIGUES, 2015).
Frações consideráveis de Zn na fase trocável foram identificadas no ponto P3, indicando alta porcenta- gem de substâncias orgânicas nos sedimentos atuando como adsorventes através de processos de trocas iônicas (SINGH et al., 2005).
Gráfico 53 – % Frações extraídas de zinco
Fonte: Elaborado pela autora.
5.6.7 Ferro
O Fe é um elemento cuja mobilidade depende do seu estado de oxidação, influenciado por fatores como pH, potencial redox, quantidade e natureza da matéria orgânica dissolvida (VUORI, 1995). Ambientes oxi- dantes e alcalinos promovem a precipitação de Fe, enquanto ambientes redutores induzem a formação de compostos. Fe (III) é relativamente imóvel na maioria das condições ambientais, principalmente devido
a sua baixa solubilidade, enquanto Fe (II) é mais solúvel em condições redutoras (RAISWELL; CANFIELD,
2012), normalmente encontradas em águas subterrâneas.
As fases residuais dominaram as contrações extraídas de Fe, com mais de 95% do total (GRÁFICO 54). As demais fases obtiveram concentrações muito baixas, constituindo-se não significativas. Os resultados apontam que o Fe é em grande parte controlado por sua mineralogia e seu grau de intemperismo (SHAR- MIN; ZAKIR; SHIKAZONO, 2010), em ambientes aquáticos da região.
As concentrações obtidas estão em consonância com os trabalhos de Zakir e Shikazono (2011), que relataram concentrações de Fe predominantemente na fração residual, indicando que o elemento está quimicamente estável e biologicamente inativo. Morillo, Usero e Gracia (2004) encontraram índices acima de 90% nos pontos amostrais estudados, demostrando que o Fe é fundamentalmente de origem natural, sendo um dos elementos mais comuns da crosta da terrestre.
Gráfico 54 – % Frações extraídas de ferro
Fonte: Elaborado pela autora.
5.6.8 Manganês
O manganês foi encontrado em frações extraídas em todas as fases em percentagens diferenciadas (GRÁ- FICO 55). O ponto P3 obteve a maior percentagem do metal extraído na fração trocável, com cerca de
42%, seguida pela fase redutível, com 32%, 23% da fase residual e a menor fase encontrada foi a oxidá- vel, com menos de 2%. No ponto P6 houve predominância da fase redutível, com 36%, a fase residual equivaleu a 34%, a fase trocável se estabeleceu com 26%, e, seguindo a tendência do ponto P3, a menor fração encontrada foi a oxidável, com 2%. O ponto P7 apresentou o mesmo padrão encontrado no ponto P6, com maiores índices na fração redutível: 59%, fração residual: 27%, fração trocável: 10% e fração oxi- dável: 2%. O ponto P15, diferentemente dos outros pontos amostrais, indicou dominância da fase residual,
com 41%, e sucessivamente 29% na fase trocável, 26% na fase redutível e fração oxidável também com aproximadamente 2%.
Percentagens mais elevadas de metais nas frações não residuais indicam entrada de contaminantes antropogênicos recentes, oriundos do processo de desenvolvimento industrial e urbano na área de coleta (KRUPADAM; SMITA; WATE, 2006). Essas percentagens mais elevadas podem sem observadas princi- palmente nos pontos P3 e P15. Apesar de a toxicidade do manganês ser ainda pouco conhecida em ambientes aquáticos (HOWE; MALCOLM; DOBSON, 2004), ele pode indisponibilizar no meio (ARENZON; RAYA-RODRIGUEZ, 2006) metais considerados nutrientes essenciais, como zinco, cobre, cobalto e níquel (DRISCOLL; OTTON; IVERFELDT, 1994), uma vez que Mn pode formar coprecipitados estáveis de óxidos, através da sua oxidação por bactérias e algas. O processo permite ao Mn se aderir à membrana celular de algas, por exemplo, adsorvendo os metais e impedindo a absorção pelas células (ARENZON; RAYA- -RODRIGUEZ, 2006).
Metais contidos na fase trocável podem ser liberados com variação de pH, sendo considerados bas- tante biodisponíveis. A mobilidade em pH alto é limitada, em função da precipitação de formas insolúveis, como hidróxidos e carbonatos (SOUZA, 2015); em pH neutro é reduzida, pois restringe os processos de adsorção de cátions bivalentes; e em condições de baixo pH essa mobilidade é aumentada. Levando em consideração os valores de pH no período de amostragem, observa-se que o meio é levemente ácido em todos os pontos analisados, indicando uma maior possibilidade de mobilidade de Mn, e consequente- mente de biodisponibilidade para os organismos.
As frações redutíveis apresentaram concentrações consideráveis em todos os pontos, sendo a fração dominante nos pontos P6 (36%) e P7 (59%). A mobilidade do Mn adsorvido por óxidos nessa fração irá depender dos valores de pH e do potencial redox do meio, além da presença de matéria orgânica. Tessier, Campbell e Bisson (1979) apontam que óxidos de Fe e Mn, característicos dessa fração, são termodinami- camente instáveis sob condições anóxicas, ou seja, em meios com baixo potencial redox. A granulometria das partículas é um fator determinante no processo de mobilidade dos metais. Os processos de adsorção, precipitação e formação de complexos característicos da etapa redutível acontecem pela interação entre os óxidos presentes no meio e a superfície de partículas finas (RODGERS; HURSTHOUSE; CUTHBERT, 2015), como argilominerais. Os pontos P7 e P6, respectivamente, possuem as maiores frações de argila dos pontos amostrados, favorecendo a ocorrência dos processos citados, o que explicaria maiores concentrações dessa fração, isso somado às alterações que podem ter ocorrido no meio ligadas a pH e potencial redox.
A fração residual foi predominante no ponto P15, representando baixo risco direto ao ambiente, uma vez que o metal apresenta associações mais fortes com a estrutura cristalina dos minerais. Morillo, Use- ro e Gracia (2004), bem como Zakir Shikazono (2011), relataram concentrações de Mn dominantes na
fração residual, indicando que esse metal apresenta menor toxidade no meio. Tokalioglu, Kartal e Elci (2000) encontraram cerca de 52% das frações extraídas ligadas a óxidos e carbonatos, fato decorrente da abundância de Mn na crosta terrestre e nos solos. Coringa (2014) verificou Mn com maior mobilidade nos sedimentos analisados, com cerca de 59% do total extraído, provavelmente em decorrência da sua maior solubilidade em ambiente redutor.
Gráfico 55 – % Frações extraídas de manganês
|| 6 Conclusões
A interpretação e avaliação dos parâmetros físicos, químicos e microbiológicos da água e de metais pesados em sedimentos fluviais na bacia do rio Santa Bárbara (MG) contribuiu para o entendimento dos fatores que influenciam diretamente a qualidade de água dessa bacia hidrográfica. A sazonalidade é um fator impor- tante a ser considerado, em função das variações de concentrações dos elementos ou parâmetros analisados. Os resultados demostram que em relação aos parâmetros físicos, químicos e microbiológicos da água, as concentrações de E. coli e coliformes termotolerantes foram as mais significativas. E. coli apresentou