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Iceberg Model Description

6.1 Simulation Setup in Abaqus

6.1.2 Iceberg Model Description

Mediante a ampla revisão da literatura existente sobre este tema, constata-se que o conceito de Engenharia e Integração de Empresas é, de uma forma geral, muito abrangente e complexo. Por esta razão, realizou-se um recorte dos assuntos, abordando apenas os conteúdos considerados mais viáveis para a elaboração da proposta final.

As Arquiteturas de Empresas apresentadas possuem, cada uma, particularidades não apenas na forma como abordam as empresas, mas também na finalidade para a qual foram concebidas.

O Framework Zachman, por exemplo, relaciona como devem ser categorizados os objetos arquiteturais de uma empresa, enquanto a TOGAF provê um processo para a criação desses objetos arquiteturais. Por sua vez, a FEA pode ser vista tanto como uma metodologia para se criar objetos arquiteturais, como a TOGAF, ou como o resultado da execução desse processo arquitetônico em uma dada empresa em particular (como o Framework Zachman).

A arquitetura CIMOSA define o suporte à integração de máquinas, computadores e pessoas por meio da troca de informações eficientes dentro da empresa, enquanto a PERA divide a empresa em múltiplas camadas e estágios de um ciclo de vida arquitetural. Por outro lado o DoDAF desenvolve e representa as descrições para comparação e integração de arquiteturas através das fronteiras organizacionais e multinacionais.

Como mencionado, as arquiteturas são concebidas para auxiliar as empresas no contexto no qual estão inseridas. Entretanto, as empresas são sistemas complexos, em constante adaptação tanto para atender as necessidades mercadológicas como para garantir a continuidade de seus negócios. Neste sentido, a GERAM, devido a sua generalidade e componentes abrangentes, surge como opção para as empresas que buscam adequar seus

processos e produtos às suas novas necessidades.

A GERAM pode suportar, por conta de sua generalidade, alterações e sistematizações coerentes com seus componentes, permitindo assim as empresas flexibilidade o desenvolvimento e manutenção de seus negócios. Como exemplo desta flexibilidade pode-se citar a necessidade crescente das empresas na busca pelo Desenvolvimento Sustentável.

Existem, no meio acadêmico e empresarial, debates sobre como o Desenvolvimento Sustentável pode ser alcançado e gerenciado pelas empresas, haja visto que nenhuma das AE clássicas na área da EIE encontradas na literatura tratam do assunto.

Neste sentido, o próximo capítulo aborda os principais conceitos do que é o Desenvolvimento Sustentável, bem como alguns dos recursos mais utilizados pelas empresas que buscam alcançar o Desenvolvimento Sustentável em suas operações.

3 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

A sustentabilidade não é um conceito recente, mas sim, o desenvolvimento de um debate de alcance mundial, que se iniciou no final da década de 1970, com a criação de Comissões Internacionais para tratar de assuntos como paz, liberdade, desenvolvimento e meio ambiente que, embora reinterpretados com o decorrer do tempo, permaneceram como questões importantes (KATES; PARRIS; LEISEROWITZ, 2005; MEDINI; DA CUNHA; BERNARD, 2011).

Em 1982 foi criada a Comissão para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (World Commission on Environment and Development) pela Assembleia Geral das Nações Unidas, vindo a ser conhecida como Comissão Brundtland (MEDINI; DA CUNHA; BERNARD, 2011). Seus trabalhos concentraram-se nos temas desenvolvimento e meio ambiente,

resultando em 1987 na publicação do relatório “Nosso Futuro Comum” (Our Common

Future), que definiu Desenvolvimento Sustentável (DS) como o “desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações de

satisfazerem as suas próprias necessidades”. As três dimensões da sustentabilidade, nomeadas

como: social, econômica e ambiental; foram mencionadas neste relatório (WORLD COMMISSION ON ENVIRONMENT AND DEVELOPMENT, 1987).

Embora a definição de DS apresentada seja muito utilizada, ela não menciona expressamente os assuntos meio ambiente ou desenvolvimento. As definições a seguir, quando raramente usadas, trazem de forma mais clara definições utilização desses termos. Sobre desenvolvimento, o relatório afirma que: (1) as necessidades humanas são básicas e essenciais; (2) que o crescimento econômico, mas também a igualdade em compartilhar recursos com os pobres, é necessário para sustentá-los; e (3) que a igualdade é incentivada através da participação efetiva do cidadão. No meio ambiente, o conceito de DS implica em limites, não limites absolutos, mas sim em: (1) limitações impostas pelo estado atual da tecnologia e da organização social sobre os recursos ambientais; e (2) pela capacidade da biosfera em absorver os efeitos das atividades humanas (KATES; PARRIS; LEISEROWITZ, 2005).

Dando continuidade às discussões, foi realizada no Rio de Janeiro, em 1992, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, intitulada “Cúpula da Terra”, que resultou na emissão de uma declaração de princípios denominada “Agenda 21”, contendo acordos internacionais sobre mudanças climáticas e biodiversidade e uma declaração de princípios sobre florestas (PARSON; HAAS; LEVY, 1992; KATES; PARRIS;

LEISEROWITZ, 2005).

Dez anos mais tarde, Durante a Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, realizada em 2002 em Johanesburgo na África do Sul, os compromissos com o DS foram reafirmados por organizações internacionais, instituições nacionais, empresas e cidades (WORLD SUMMIT ON SUSTAINABLE DEVELOPMENT, 2002).

Em sua última conferência, conhecida como “RIO+20”, realizada em 2012 no Rio de

Janeiro, o relatório final “O Futuro que Queremos” (The Future We Want) renovou o

comprometimento com o DS para com as gerações atuais e futuras, citando o problema da erradicação da fome como sendo um requisito indispensável e, de forma explícita, reconhece a necessidade de integrar os aspectos econômicos, sociais e ambientais, reconhecendo as suas interligações de modo a alcançar o DS em todas as suas dimensões (UNITED NATIONS CONFERENCE ON SUSTAINABLE DEVELOPMENT, 2012).

Buscando ilustrar como os aspectos econômico, social e ambiental estavam inter- relacionados, muitos modelos e diagramas foram criados. A partir de 1995, Clift e muitos outros propuseram uma ilustração de intersecção utilizando o diagrama de Venn, porém, foi em 1998 que Elkington definiu o conceito de Triple Bottom Line – TBL (Figura 15), que ficou conhecido como a intersecção do desempenho das dimensões econômica, ambiental e social (CAREW; MITCHELL, 2008; IRITANI et al., 2012).

Paralelamente às conferências conduzidas pelas Nações Unidas e governos locais em todo o mundo sobre DS, frameworks para avaliar a sustentabilidade foram desenvolvidos, em sua maioria focando nos níveis nacional, regional ou de comunidade. Esses frameworks abordam os pilares econômico, social e ambiental da sustentabilidade, enquanto alguns incluem um quarto pilar denominado “institucional”, introduzido pelas Nações Unidas.

Figura 15 – Triple Bottom Line de Elkington

Fonte: Adaptado de Carew e Mitchell (2008). Econômico

Social Ambiental

Contudo, pouco se tem desenvolvido para incorporar as práticas de DS nas empresas (LABUSCHAGNE; BRENT; VAN ERCK, 2005). Alguns frameworks desenvolvidos no decorrer do tempo firmaram-se entre empresas, governos e stakeholders como eficientes na adoção de práticas e avaliação para o desenvolvimento sustentável, tais como a ISO 9001, ISO 14001, ISO 26000 e GRI. A seguir, apresenta-se uma síntese dos principais frameworks e trabalhos desenvolvidos para avaliação e aplicação da sustentabilidade.