3. R ESULTS
3.1 Geomechanical modeling
3.1.3 Model 3 (with salt, and syn-sedimentation)
Entre o lançamento do Proálcool e do Probiodiesel não foi formulada nenhuma outra política pública voltada à produção de biocombustíveis no Brasil com a mesma envergadura e apoio institucional verificado nestas duas políticas. O que houve nesse intervalo de tempo foi a adoção de algumas medidas visando aprimorar e dar maior dinamismo ao Proálcool , e a estruturação de políticas pontuais e de curta duração voltadas à pesquisa do biodiesel.
Podem‐se identificar fases que caracterizaram o Proálcool. As duas primeiras fases foram marcadas por políticas de incentivo ao Programa, a terceira pela ausência de atuação do poder público e uma quarta fase em que as ações governamentais são retomadas. A primeira, que se refere ao período da mistura carburante, inicia‐se em com o lançamento do Programa e se estende até , quando se inicia a segunda fase, na qual, por conta do segundo choque do petróleo, incentiva‐se a fabricação de carros movidos exclusivamente a álcool hidratado segundo dados da ANP, em a frota de carros movidos a álcool representava % do total de vendas . Esta segunda fase encerra‐se em , quando se inicia o período de estagnação do Programa. Esse período é marcado pela escassez de políticas públicas para incentivá‐lo, motivada pela redução dos preços internacionais do petróleo, que levou à queda do valor do álcool no mercado nacional. Essa situação levou a crises de abastecimento do álcool seu ápice foi a crise da entressafra ‐ , fazendo com que o Programa caísse em descrédito. Assim, ao final da década de apenas % dos automóveis eram movidos à álcool. A recuperação do Programa ocorre já no início da década de , quando políticas públicas de incentivo ao consumo do álcool são retomadas: em a Lei Federal nº . / definiu a obrigatoriedade da mistura do etanol anidro na gasolina, em proporção variável entre a %; em foram liberadas as fases de produção, distribuição e revenda do álcool, com isso seus preços passaram a ser determinados pelas condições de oferta e procura. E em , com o lançamento dos carros bicombustíveis cujo consumo é estimulado pelo governo, pois seu IPI – imposto sobre produtos industrializados – é o mesmo do adotado aos carros movidos exclusivamente a álcool o programa entra em uma fase de ascensão. Em , o consumo de álcool iguala‐se ao da gasolina. Fontes: ANP: http://www.anp.gov.br <acessos em de agosto de e de dezembro de >; BiodieselBr: http://www.biodieselbr.com/proalcool/pro‐alcool.htm <acesso em de dezembro de >.
As pesquisas de incentivo à produção do biodiesel iniciaram‐se no Brasil na década de , mas passaram a ganhar maior destaque e apoio institucional quando, em , um brasileiro, Expedito Parente, obteve a primeira patente de biodiesel do mundo. Os testes e estudos de aplicação foram iniciados no Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Ceará em PARENTE, , p. . A partir desse conhecimento, em , o Governo Federal lançou o Programa Nacional de Produção de Óleos Vegetais para Fins Energéticos Proóleo , para substituir o óleo diesel por óleos vegetais mistura de até % e incentivar a pesquisa tecnológica para promover a produção de óleos vegetais em diferentes regiões do Brasil NAE, , p. . E para agilizar a produção do novo combustível, com o apoio do Ministério da Aeronáutica, foi criada a PROERG Empresa Cearense Produtora de Sistemas Energéticos , empresa estabelecida em Fortaleza, que implantou uma unidade industrial com capacidade de produzir litros/hora de biodiesel PARENTE, , p. . Em , a PROERG desenvolveu o Prosene, substituto do querosene para avião MATTEI, , p.
A Secretaria Tecnológica do então Ministério de Indústria e Comércio lançou, também no início dos anos , o Programa Nacional de Alternativas Energéticas Renováveis de Origem Vegetal, outro programa federal de estímulo à pesquisa e produção de óleos vegetais substitutos ao óleo diesel. Deste programa participaram institutos de pesquisa, órgãos técnicos do governo federal, fabricantes de motores, de óleos vegetais e transportadoras. Foram realizados testes com a mistura de % de óleo de soja NAE,
, p. .
No entanto, nos anos seguintes, com a diminuição dos preços do petróleo no mercado internacional, desativou‐se o Programa Nacional de Alternativas Energéticas Renováveis de Origem Vegetal e extinguiu‐se a PROERG MATTEI, , p. .
Após uma lacuna de quase vinte anos de políticas públicas federais de fomento ao biodiesel, os estímulos à pesquisa do biodiesel são retomados apenas em , quando a ANP, no mesmo ano de sua criação, autoriza a realização de testes e comercialização de combustíveis não especificados, como é o caso do biodiesel resolução nº. .
A primeira instituição que solicitou a autorização para a realização de testes foi a Universidade Federal do Rio de Janeiro, por meio do COPPE Coordenação de Programas de Pós‐Graduação de Engenharia . Segundo nos relata Mattei , com base nos resultados de seus estudos e com o intuito de incentivar a adoção de uma política voltada à mistura do biodiesel, a UFRJ/COPPE promoveu em o seminário Potencial do Biodiesel no Brasil , que contou com a participação da Petrobrás, do Instituto Nacional de Tecnologia, da ANP e de representantes empresariais da área de energia e transporte.
Outros estudos e pesquisas foram realizados por institutos universitários e centros privados de pesquisa tecnológica, desde a resolução da ANP. Por exemplo, em , realizou‐se em Curitiba uma experiência do uso monitorado da mistura de % de biodiesel em uma frota de vinte ônibus, sob coordenação do Instituto de Tecnologia do Paraná TECPAR e, em , foi instalada uma planta piloto de produção de biodiesel, em Ilhéus, no campus da Universidade Estadual de Santa Cruz MCT, , p. .
Assim, a partir das resoluções da ANP são realizados testes pontuais e experiências conduzidas por institutos de pesquisa em diferentes partes do Brasil visando ao desenvolvimento tecnológico do combustível, porém de maneira desarticulada e fragmentada.
Diante, portanto, deste cenário permeado por pesquisas promovidas por diferentes centros de estudo e pela divulgação de seus resultados favoráveis pela comunidade de especialistas, o Ministério da Ciência e Tecnologia, ciente das potencialidades do combustível, decidiu incentivar a sua pesquisa e criar uma rede que pudesse articular os atores e agregar os conhecimentos. É com esse objetivo em mente que ascende à agenda setorial de governo, em , a ideia de se formular uma política pública federal destinada à promoção do desenvolvimento científico e tecnológico do biodiesel, a partir de óleos vegetais. Formalmente, o tema ascende à agenda de governo em de outubro de , quando é publicada a Portaria do Ministério de Ciência e Tecnologia nº com o propósito de:
Instituir o Programa Brasileiro de Desenvolvimento Tecnológico de Biodiesel ‐ PROBIODIESEL, com o intuito de promover o desenvolvimento científico e tecnológico de biodiesel, a partir de ésteres etílicos de óleos vegetais puros e/ou residuais Artigo º .
Portanto, podemos observar que o legado institucional construído a partir das diferentes experiências tecnológicas de produção do biodiesel contribuiu diretamente para a formulação desta política pública.