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I NTERNASJONALISERING – MOT H ORISONT 2020

Amaral, Recuero e Montardo (2009) nos mostraram que, em 1997, o termo “We- blog” era usado por Jorn Barger para referir-se a sites na internet que divulgavam links relevantes das redes. O termo é um neologismo criado da junção das pala- vras web + log.

O Blogger foi lançado em 1999 pela empresa Pyra e descrito pelas autoras como um dos pioneiros em amparar blogs nas redes. Diferenciava-se de outros suportes digitais por ser um dos poucos que não exigia conhecimento em linguagem HTML do usuário para fazer publicações de conteúdo na internet, as ferramentas de co- mentários também são importantes para a popularização do Blogger. Em 2004, o Blogger foi comprado pelo Google tornando-se um dos principais serviços ofereci- dos pela empresa.

As autoras descreveram que entre as primeiras manifestações que destacaram o uso dos “weblogs” ou blogs estão os diários pessoais em que pessoas “co- muns” podem registrar suas experiências em forma de uma autoexpressão social, prática comum nas redes até os dias de hoje. O blog pode ser entendido como uma ampla ferramenta de comunicação e/ou uma mídia social que se diferencia de outras por conta da especificidade de sua aplicação, reconhecida nos vários gêneros de produções de conteúdo publicados pelos “blogueiros”, célebres ape- nas até onde sua penetração de leitores alcança. Esses leitores são arrebanhados em um processo subjetivo, atraídos pelo interesse nas especificidades referidas nesse determinado blog.

As autoras nos mostram que outro entendimento a respeito do blog é o compre- endermos como “artefatos culturais”.

Um artefato cultural é um símbolo de comunhão (no sentido não violento, não religioso da palavra). Um artefato cultural se torna infinitamente mutável e gera

muitas autorreferências e narrativas mutuamente definidoras, mais do que cria uma narrativa mestra linear. (…) [sua legitimação se dá pelas práticas vividas das pessoas que os criaram (SHAH apud AMARAL; RECUERO; MONTARDO, 2005, p. 31-32).

As autoras descreveram o blog como um meio de comunicação por conta de sua função comunicativa exercida na publicação de conteúdo absorvida por al- gum público, um espaço de socialização contido pelas redes, portanto marcações das atividades que ocorrem no ciberespaço, mas, além de tudo, é uma maneira de construir a identidade virtual de um indivíduo. Contudo, o blog é uma forma dife- renciada de publicação na web, pois apesar de contar com uma estrutura comum, padrão, cada pessoa atribui suas características ao seu espaço, conferindo a ele uma representação de suas particularidades ou da maneira como essas pessoas se expressam. Algo como a personificação midiática de determinado indivíduo, entretanto, esse meio não se limita a um diário de experiências desse indivíduo. Essa condição é perceptível até mesmo nos primeiros blogs que não passavam de listas de links compartilhados em páginas. As autoras descreveram que essa disposição de certa forma, representava em alguma instância esse usuário/autor, pois, esse elenco de links, em tese, mapeia uma série de interesses desse indiví- duo e o sequenciamento desses links é algo distinto de cada autor de blog.

Elas classificam, então, os blogs como uma crescente tendência de uma repre- sentação virtual desse indivíduo, o autor, perante o coletivo, em sua maior parte desprovidos de formalidades em essência produzindo materiais autorais, de narra- tivas autorreferenciadas exprimindo seu olhar particular a respeito de algum tema, submetendo-se ao feedback dos leitores.

As autoras também abordam a questão da audiência como um efeito da expo- sição desse blogueiro, algo semelhante ao que ocorre com artistas que ganham notoriedade. Ao fornecer conteúdo, com sucesso, a pessoa acaba gerando ex- pectativa a respeito da sua produção. Essa audiência munida do feedback por meio de comentários acaba por influenciar a postura desse indivíduo com respeito a sua atuação.

Os comentários dos leitores são essencialmente relevantes para a manutenção dos blogs, além de servirem de motivação para a continuidade da produção do autor. As autoras justificam que essa interação qualifica esse diálogo como um importante mecanismo de interação social.

Rodrigues (2006) narrou que, em 2003, ocorreu a grande explosão da blo- gosfera, embora os números de autores multipliquem-se ininterruptamente. A autora decretou que o blog segue o curso da inovação, deixando para trás os meios de massa ao convidar o leitor a ocupar mais que o papel de espectador no processo de comunicação, conferindo a qualquer indivíduo o poder de man- ter um blog e interagir com seus leitores sobre os mais diversos assuntos sem depender do suporte de uma grande agência de notícias ou editora. Rodrigues (2006) relatou que esse fenômeno abriu caminho para uma ordem de conte- údos e autores que provavelmente não encontrariam seu espaço nas mídias tradicionais, por conta de não se enquadrarem em modelos econômicos. Esse acesso à autoria e a interação com a informação obviamente não garantem a relevância dos conteúdos compartilhados e nem a mesma pulverização das mí- dias tradicionais, até mesmo por que um número representativo da população mundial ainda não tem acesso a blogosfera, tornando a audiência dos blogs segmentada e descentralizada.

Outro elemento destacado pela autora é a maneira instantânea como as infor- mações e a criatividade fluem pela blogosfera, a agilidade com que podem ser publicadas informações nos blogs permite manter diversos boletins simultâneos a acontecimentos por meio dessa mídia sem grandes investimentos logísticos, ne- cessitando apenas de um computador (ou outro dispositivo) conectado a internet. A autora mostrou que o blogueiro subverteu o papel do autor tradicional ao implementar por meio da sua produção o debate a respeito da opinião referida, ultrapassando a função de apenas informar imparcialmente a respeito do tema, ou até mesmo tomar partido de uma situação e ser ouvido como a única voz em torno do tema.

Esse autor nomeado como blogueiro permite ao seu leitor a participação na com- posição do discurso que apresentou, por meio dos comentários. A dinâmica que opera com essas discussões se estabelece a cada participação individual, de que se forma o tecido de uma opinião coletiva entre os variados pontos de vista em meio a comentários vagos e, em alguns casos, ofensivos. A autora assegura que essa atuação de fomentação crítica não se aplica a todos os usuários de blogs, existem, também, aqueles que se restringem a se retratar no blog como em uma espécie de diário, embora esse indivíduo não esteja livre da vigilância crítica dos leitores.

Rodrigues (2006) levantou a hipótese de que a ideia desses meios forma, em alguns momentos, algo com as características de um “espaço público”

apropriado de um discurso livre, aberto a todos no emergir de uma sociedade crítica que episodicamente poderia despertar por meio de discursos de legí- tima ordem ideológica, entretanto, associada a elementos interessantes que podem inscrever uma nova forma de composição dessa discussão. As discus- sões ocorrem por conta dos comentários de leitores em torno do conteúdo proposto por algum autor. Essas opiniões não são trocadas necessariamente em tempo real, como numa conversação convencional, tornando a discussão um plano aberto em suma. Contudo, os comentários não são definitivos, pois aparecem ao longo do tempo sempre aberto a novas colocações do autor ou dos leitores.

A autora destacou como outro elemento inovador com relação à dinâ- mica da comunicação experimentada por meio dos blogs as ligações hi- pertextuais. Essas ligações podem ser sugeridas pelo autor, ao dispor jun- to ao conteúdo compartilhado informações relacionadas ao assunto. O blog normalmente suporta uma grande possibilidade de interações, por exemplo, o au- tor pode dispor no corpo de um texto links que remetem a outros conteúdos simi- lares, com ligação para textos de sua autoria e de outros autores, vídeos, imagens etc. Esses podem ser postados pelo autor como mostramos ou até mesmo pelos leitores por meio dos seus comentários.

A autora descreveu que a promessa da web de manter-se aberta e permitir a troca de informações entre as pessoas de forma instantânea independente de sua localização geográfica se mantém nos blogs. Notamos que se trata de um concei- to que, acima de tudo, confere espaço a todos independentemente do potencial comercial da produção do indivíduo, e por meio do exercício da autoria acaba formando uma sociedade de maior coesão crítica.