10. HVA INNEHOLDER URDULÆREBØKENE?
10.4 I NNHOLDET I LESESTYKKENE – PROSENTER OG ANTALL
Com vistas à consecução dos objetivos do PAF, o MOBRAL elegeu uma metodologia própria “que se caracteriza em dar ao adulto consciência de sua condição de Homem e de suas possibilidades para se realizar como Pessoa, orientando, portanto, numa perspectiva existencial.” (MOBRAL, 1973a, p.14).
Conforme o Documento Básico do MOBRAL:
O MOBRAL não elegeu, por antecipação, nenhum método específico de alfabetização. Foram adotados métodos conhecidos para, em função dos resultados iniciais obtidos, selecionar-se o que melhor pudesse atender às necessidades de um programa de massa, sendo flexível o suficiente para atender as particularidades de cada região e de cada grupo populacional envolvido. O método, portanto, é o ECLÉTICO, baseado na decomposição das PALAVRAS GERADORAS.
Estas se apoiam nas necessidades básicas do HOMEM, estando ligadas aos temas de sobrevivência, segurança, necessidades sociais, e auto-realização, o que garante um alto grau de interesse e de envolvimento dos alunos. (MOBRAL, 1795a, p. 43).
Tratou-se de um método silábico fonético sistematizado a partir da decomposição das palavras geradoras ilustradas no cartaz gerador: “a palavra geradora é a que dá base ao estudo dos fonemas e a descoberta de novas palavras, devendo estar sempre relacionada ao cartaz gerador.” (MOBRAL, 1973b, p.56).
O método silábico fonético partia da decomposição das partes (sílabas e fonemas) para o todo (palavra), ou seja, da síntese para a análise (ARAÚJO, 2006). Após reunir as letras em
sílabas, passava-se ao conhecimento das “famílias silábicas”, em seguida ensinava-se a ler a palavra formada, com a combinação de sílabas formavam-se novas palavras e por fim ensinava-se frases isoladas.
O quadro a seguir apresenta alguns exemplos de palavras geradoras:
Quadro 1 – Palavras geradoras NECESSIDADES BÁSICAS
(campos semânticos: exploração do cartaz e do significado da palavra)
PALAVRAS GERADORAS
(forma significante: aprendizagem da leitura e escrita) EDUCAÇÃO SAÚDE ALIMENTAÇÃO HABITAÇÃO LAZER TRABALHO PREVIDÊNCIA SOCIAL VESTUÁRIO LIBERDADES HUMANAS ESCOLA/ PROFESSORA REMÉDIO/VACINA COMIDA/PANELA/COZINHA TIJOLO/CASA RÁDIO/FUTEBOL/VIAGEM TRABALHO/ MÁQUINA
HOSPITAL/ TRABALHO/ UNIÃO SAPATO/ PLÁSTICO
VIDA /FAMÍLIA/ FÉ/ AMOR Fonte: CORRÊA, 1979, p. 154.
Para o estudo das palavras geradoras, o MOBRAL Central recomendou uma série de procedimentos ordenados de forma a conduzir o processo de alfabetização:
1) apresentação e exploração do cartaz gerador; 2) estudo da palavra geradora, depreendida do cartaz; 3) decomposição silábica da palavra geradora;
4) estudo das famílias silábicas, com base nas palavras geradoras; 5) formação e estudo de palavras novas;
6) formação e estudo de frases e textos. (KOFF; CAMPELLO, 1979, p.153). Segundo os membros da GEPED, a partir do estudo das palavras geradoras o aluno iria formar frases e textos num progresso gradual, no qual o ensino da escrita seria paralelo ao da leitura e da matemática, “o alfabetizador parte da verificação dos conhecimentos que os alunos já possuem, sistematizando-os e ampliando-os.” (KOFF; CAMPELLO, 1979, p.155).
Para garantir a operacionalização da metodologia estabelecida para o PAF, a GEPED formulou roteiros e manuais de orientação aos alfabetizadores com a explicitação dos procedimentos metodológicos a serem seguidos pelos professores para a alfabetização, a
aplicação das técnicas de trabalho em grupo e o planejamento das aulas. Parte do trabalho metodológico do PAF foi baseado em técnicas de trabalho em grupo delimitadas no Roteiro de Orientações ao Alfabetizador: Tempestade Mental; Debate ou Discussão; Entrevista; Grupo Simples; e Trabalho Diversificado. (MOBRAL, 1978).
Analisando as características metodológicas do PAF observa-se a preocupação com a estruturação de esquemas de planejamento, atividades e técnicas de ensino padronizados, com vistas à eficiência e produtividade do programa, numa ação pedagógica pré-determinada a ser executada por voluntários que, em sua maioria, não possuíam formação para o magistério. Sobre este aspecto Gramsci (198-, p. 122) adverte que, o aluno somente participará de forma ativa na escola, se esta for ligada à vida: “Os novos programas, quanto mais afirmam e teorizam sobre a atividade do discente e sobre sua operosa colaboração com o trabalho do docente, tanto mais são elaborados como se o discente fosse uma mera passividade.”
Contrapondo-se a alfabetização com técnicas previamente padronizadas, puramente mecânicas e centradas na palavra, Freire (1978, p. 104), defende uma alfabetização ligada à democratização da cultura, “que fosse em si um ato de criação”. Ainda de acordo com o autor. “a alfabetização não pode ser feita de cima para baixo, como uma doação ou uma imposição, mas de dentro para fora, pelo próprio analfabeto, apenas com a colaboração do educador.” (FREIRE, 1978, p.111).
Em sua obra, Confronto pedagógico: Paulo Freire e MOBRAL, Jannuzzi (1967) salienta que, apesar de, tanto o método Paulo Freire quanto o MOBRAL usarem técnicas consideradas analítico-sintéticas, baseadas na decomposição das palavras geradoras, estes dois segmentos foram fundamentados em concepções e finalidades pedagógicas diferentes. Segundo a autora, o MOBRAL “utiliza método que é basicamente antidialógico, isto é, parte de objetivos previamente definidos pelo MOBRAL/Central, discutindo nas comunidades apenas os melhores meios de concretizá-los.” (JANNUZZI, 1967, p.82).
A ênfase dada à organização racional dos procedimentos a serem seguidos pelo alfabetizador corrobora a metodologia tecnicista de ensino praticada pelo PAF. Sobre a concepção pedagógica tecnicista, Saviani (2013, p. 381) esclarece que, baseada no “pressuposto da neutralidade científica e inspirada nos princípios de racionalidade, eficiência e produtividade, a pedagogia tecnicista advoga a reordenação do processo educativo de maneira que o torne objetivo e operacional.”
Ainda de acordo com Saviani (2013, p. 382), enquanto na pedagogia tradicional o professor era ao mesmo tempo sujeito do processo e o elemento decisivo, na pedagogia tecnicista,
[...] o elemento principal passa a ser a organização racional dos meios, ocupando o professor e o aluno posição secundária, relegados que são à condição de executores de um processo cuja concepção, planejamento, coordenação e controle ficam a cargo de especialistas supostamente habilitados, neutros, objetivos, imparciais. A organização do processo converte-se na garantia da eficiência, compensando e corrigindo as deficiências do professor e maximizando os efeitos de sua intervenção. Para complementar a análise dos aspectos metodológicos do PAF, trataremos no item a seguir do material didático adotado pelo programa.