Prosjekter i Akershus
Rv 4 i Nittedal, Kjul – Åneby (Omlegging Rotnes)
Os valores humanos por serem inerentes à condição humana estão presentes em todos os contextos, independente da raça, sexo ou cultura (Martinelli, 1999). Dessa forma, são considerados centrais para o conhecimento dos fenômenos das ciências sociais, assumindo uma posição de destaque no cenário dos temas psicossociais (Estramiana, Pereira, Monter, & Zlobina, 2013).
Contudo, os valores humanos, igualmente como outros conceitos propostos nas ciências humanas e sociais, também foram alvo de muitas polêmicas e divergências entre os estudiosos. As lacunas na literatura referentes às definições, às perspectivas teóricas e aos métodos empíricos contribuíram para que os valores não fossem um tema central da psicologia social durante algum tempo (Milfont, 2001).
Existem divergências entre os estudiosos quanto à definição dos valores. É compreendida como normas sociais (Sherif, 1936), concepções de ação motivada por algo (Parsons & Shils, 1951), algo desejável que influencia, de forma explícita ou implícita, na seleção dos modos, meios e fins de ações (Kluckhohn, 1951) ou ainda como representação das necessidades (Maslow, 1954).
Quanto à classificação, os valores possuem três características centrais: (1)
funcional, quando se refere à origem e à funcionalidade, sendo então representações
cognitivas das necessidades humanas; (2) estrutural, quando correspondem a aspectos cognitivos dos valores e são consideradas como crenças centrais que exercem forte influência sobre outras crenças específicas e menos estáveis e; (3) fenomenológica, a qual analisa a percepção subjetiva que os indivíduos têm acerca dos valores, compreendidos como normas que guiam a conduta para satisfazer determinadas exigências de competência e moralidade (Molpeceres, 1994; Rokeach, 1973).
Desde o início do último século, o reconhecimento e a consolidação de tornar a temática dos valores humanos central nas ciências humanas e sociais possibilitou avanços teóricos e metodológicos nesta área (Soares, Freire, Rezende, & Ribeiro, 2016). Especificamente, a partir do ano 1973 as pesquisas sobre os valores humanos adentraram em um novo cenário, principalmente em função das contribuições de Milton Rokeach (Cavalcanti, 2016). Todavia, os nomes Thomas e Znanieck, Talcott Parsons, Clyde Kluckhohn e Abraham Maslow foram fundamentais ao longo do tempo para a expansão dos estudos teóricos e empíricos dos valores humanos e por isso a seguir serão descritas algumas das suas contribuições.
3.1.1. Thomas e Znaniecki
Na psicologia, a obra O campesino polonês (Thomas & Znaniecki, 1918) trouxe à tona pela primeira vez a temática dos valores humanos. Nesta obra, Thomas e Znaniecki buscaram estudar os processos de adaptação dos imigrantes poloneses aos Estados Unidos no início do século XX e, a partir disto introduziram e diferenciaram os conceitos valores e atitudes. Desse modo, os valores seriam elementos culturais objetivos, uma vez que possuíssem “(...) qualquer dado que tenha um conteúdo empírico acessível aos
membros de um grupo social e um significado que possa ser objeto atitudinal” (Thomas & Znaniecki, 1918, p. 21) e atitudes corresponderiam ao “(...) processo da consciência individual que determina a atividade real ou possível do indivíduo no mundo social” (p. 22).
Neste sentido, estes autores contribuíram enormemente, tanto a nível conceitual quanto analítico, ao considerar os valores e as atitudes como construtos diferentes, sendo aqueles de natureza intersubjetiva e esses intrasubjetiva, mas que se relacionam entre si. Apesar de não terem se aprofundado mais em termos de pesquisas empíricas ou teorias específicas, tais esclarecimentos impulsionaram expressivamente os estudos da área, que até então eram tratados de forma confusa.
3.1.2. Talcott Parsons
O sociólogo Talcott Parsons, com base no conceito de ação social desenvolvido por Weber, elaborou uma teoria geral do comportamento humano e foi responsável por influenciar as teorias atuais acerca dos valores. Nas obras como The Social System (Parsons, 1951) e Working Papers in the Theory of Action (1953), o autor e colaboradores introduziram o conceito de ação motivada (o comportamento ganha sentido quando tem a intencionalidade de atingir uma meta; Schwartz, 1992).
Os estudos de Parsons proporcionaram contribuições relevantes para a psicologia social, principalmente na área dos valores humanos, entre as quais se podem destacar: (1) elaboração de uma definição; (2) introdução da noção de orientação dos valores; e, por último, (3) a ideia de que a institucionalização dos valores em um grupo social produz um efeito de perfeição, à medida em que todos os indivíduos de um grupo possuam a mesma orientação valorativa, cria-se um caráter harmonioso e escapa-se de problemáticas (Parsons & Shils, 1951).
A temática dos valores recebeu destaque dentro da sociologia de Parsons, pois acreditava que sem os valores comuns a vida social possivelmente não existiria. Assim, apesar de algumas de suas ideias terem recebido críticas como o desprovimento de embasamento empírico, em detrimento da imposição dedutiva (Gouveia, 1998; Ros, 2006; Spates 1983), a importância de Parsons para esta área é indiscutível, considerando que favoreceu o desenvolvimento das teorias e concepções atuais acerca dos valores humanos.
3.1.3. Clyde Kluckhohn
Apesar de não ser tema central nas suas investigações, abordou o assunto dos valores especificamente no capítulo Values and Value-Orientations in the Theory of
Action: An Exploration in Definition and Classification, tornando-se sua principal obra
na temática (Cavalcanti, 2016). Kluckhohn compreendia os valores como concepções, explícita ou implícita, próprias de um indivíduo ou característica de um grupo, sobre algo desejável, que influência a escolha dos modos, meios e fins existentes da ação (Athayde, 2015; Kluckhohn, 1951). Para Araújo (2013), as ideias desse antropólogo influenciaram de certa forma tanto os tipos motivacionais de Schwartz (Schwartz, 1992), quanto às subfunções valorativas (Gouveia, 2003; 1998).
3.1.4 Abraham Maslow
Abraham Maslow enfatizou o estudo dos valores humanos por meio da sua obra clássica Personality and Motivation (Maslow, 1954), relacionando-os com as necessidades humanas. A Teoria da Hierarquia das Necessidades Humanas teve influência na psicologia social, em especial para os modelos de valores (Inglehart, 1977;
Hofstede, 1984; Levy, 1990; Rodrigues, Assmar, & Jablonski, 2012; Rokeach, 1973; Schwartz, 1992) e na psicologia da personalidade (Pervin, 1978).
De acordo com a Teoria da Hierarquia das Necessidades Humanas, o termo necessidades é elemento central e a categorização sua principal hipótese. Assim classificou as necessidades de acordo com categorias: fisiológicas, segurança,
pertencimento, estima e autorrealização. Na sua concepção, essas necessidades se
desenvolviam nessa ordem, sendo iniciadas no nascimento até a idade adulta. Assim, somente quando as necessidades mais básicas (e.g. necessidades fisiológicas) fossem supridas, surgiriam as mais elevadas (e.g. autorrealização), sendo que este processo acontece de forma gradual (Cavalcanti, 2016; Maslow, 1954).
Dessa forma, Araújo (2013) resume as ideias defendidas por Maslow da seguinte forma: (1) a natureza humana é essencialmente benévola, logo os valores são todos positivos e conduzem a autorrealização; (2) os valores representam as necessidades deficitárias, a exemplo das fisiológicas; e, (3) distinção entre os conceitos: necessidades e valores.
A partir disso, nota-se que as contribuições apresentadas até o momento desempenharam um papel essencial para o desenvolvimento dos modelos teóricos posteriores. Tornando assim, cada vez mais, o estudo dos valores humanos central no âmbito da psicologia, especialmente da psicologia social (Rokeach, 1973). Diante disso, a seguir serão apresentadas as principais teorias acerca dos valores humanos, as quais se dividem em perspectiva sociológica (foco na cultura) e a perspectiva psicológica (foco no indivíduo).