KAPITTEL 5: INTERAKTIVE FORTELLINGER
5.5 I NFORMASJONSARKITEKTUR
Albert Mohler é o presidente do maior seminário teológico da maior denominação evangélica americana (A Convenção Batista do Sul) e é o mais conservador dos três nomes citados por Biema. Mohler foi o mais jovem pastor a assumir a presidência do Southern.
Tinha apenas 33 anos em 1993. Mohler foi o responsável pelo crescimento do Seminário que já formou mais de 4300 alunos, fazendo-o a maior instituição teológica dos Estados Unidos.
Mohler não anda pelo caminho do hedonismo de Piper ou do pragmatismo cultural de Driscoll, entretanto, tem demonstrado grande preocupação em interagir o Calvinismo com a atualidade, especialmente em relação ao desafio da pós-modernidade. Vários livros do autor enfocam esse tema da pós-modernidade. E a exemplo dos anteriores, trabalha firmemente no sentido de rechaçar aquilo que considera inaceitável na cultura. Dos três, Mohler certamente é o mais abertamente combativo pelo Calvinismo tradicional. É quem demonstra mais zelo pela doutrina saudável.
Os assuntos tratados pelo autor em seu blog e em seu programa de rádio procuram trazer respostas cristãs reformadas para os dilemas da modernidade, como aborto, células tronco, homossexualismo, o lugar da mulher, divórcio, etc., quase sempre reverberando colunas e reportagens de grandes revistas e jornais norte-americanos e oferecendo um ponto de vista cristão reformado, em tom de denúncia, geralmente contraditório àquilo que foi exposto na mídia. Ele diz: ―nós precisamos entender o pós-modernismo, ler seus teóricos e aprender sua linguagem. Isso é tanto um desafio missiológico quanto um exercício intelectual. Nós não podemos nos dirigir à cultura pós-moderna sem entender sua mente‖ (Mohler, 2009a). O site de Mohler define sua missão como ―se dirigir às questões contemporâneas de uma consistente e explícita cosmovisão Cristã‖ (2009b).
Entretanto, a posição de Mohler é de total repúdio aos ideais da pós-modernidade. Num artigo intitulado ―Lutar pela verdade numa era de antiverdade‖, Mohler dá sua avaliação da pós-modernidade com as seguintes palavras: ―A modernidade deu lugar à pós- modernidade, que é simplesmente a modernidade em seu aspecto mais recente‖ (1999, p. 58). Nesse sentido, Mohler não vê a pós-modernidade como um rompimento ou algo diferente em essência da modernidade, mas apenas como a última forma que a modernidade assumiu. Isso certamente vai de encontro a ideia mais popularizada de que a pós-modernidade é um rompimento com a modernidade e, por isso mesmo, um movimento com potencial de corrigir os problemas da modernidade.
A avaliação de Mohler é que a pós-modernidade corrompeu a igreja. Após descrever toda a confusão criada pela pós-modernidade no âmbito secular, ele diz: ―Tudo isso já seria suficientemente trágico se tais tendências configurassem a consciência do mundo, mas não da igreja‖ (1999, p. 59). Porém, segundo Mohler, essas tendências invadiram a igreja, pois a verdade tem sido rejeitada dentro da própria igreja. Em muitas denominações, segundo Mohler, o conceito de ser ortodoxo ou herege não existe mais. A doutrina é continuamente
posta de lado para que todos possam se encaixar. Ele alerta para o fato de que é a ausência da pregação bíblica que caracteriza a época evangélica atual, pois o que se ouve na maioria dos púlpitos não é a exposição da Palavra de Deus, mas ―mensagens de motivação, suavizantes terapias para o eu e fórmulas para a saúde, a prosperidade, a integração pessoal, a harmonia celeste, etc.‖ (1999, p. 66). Resta, portanto, aos cristãos autênticos lutarem contra isso. Ele alerta para o modo correto como isso deve ser feito: ―crentes confessionais amam a verdade e refutam o erro, não com o espírito soberbo e vingativo, mas num espírito de humildade e fidelidade‖ (1999, p. 59).
Mohler ataca a aversão por doutrinas entre os evangélicos não liberais (1999, p. 60), bem como o consumismo que produz um Cristianismo de entretenimento, e o intelectualismo que procura estar de bem com a academia (1999, p. 60). Mohler dispara contra teólogos de tendência pós-moderna como Grenz que estariam abdicando da verdade proposicional para se comunicarem com o homem pós-moderno (1999, p. 61-65). Ele entende que a pós- modernidade é algo que não tem futuro, pois diz: ―embora seja nosso dever identificar e nos opor aos relativismos que marcam nossa época, também devemos reconhecer que posições relativistas nunca se mantêm‖ (1999, p. 65). Isso é uma forma de apontar para a inconsistência interna da proclamação pós-moderna que, ao mesmo tempo em que diz que não há uma verdade absoluta, apresenta isso como a verdade absoluta. Diante da situação atual, Mohler pergunta: qual é a resposta apropriada que o cristão deve dar? A resposta de Mohler é: se manter firme na verdade, defendendo-a e entendendo que o mundo na verdade crê na verdade, pois os próprios relativistas defendem sua posição como ―a verdade‖ (1999, p. 67).
O conceito de verdade para Mohler é sinônimo de Escritura, a qual deve ser estudada com uma hermenêutica de fiel submissão e não a hermenêutica da suspeita da pós- modernidade (1999, p. 69). Para finalizar ele chama os evangélicos a colocarem a própria casa em ordem. Ele diz: ―precisamos medir nossa própria fidelidade doutrinária e reconhecer até onde temos deixado de aplicar a verdade da palavra de Deus e de incorporar essa palavra na doutrina, no culto e na vida (1999, p. 72). O padrão para essa reestruturação está na Reforma do século 16. Por isso conclama a re-confessar os slogans centrais da Reforma, como o Sola Scriptura, o Solus Christus, o Sola Gratia, o Sola Fide, e o Soli Deo Gloria (1999, p. 73). Ele finaliza citando Calvino no texto de uma carta ao Imperador Carlos V onde o Reformador falava de seu desejo de ver a obra prosperando, mas que não estava disposto a fazer isso as custas de sacrificar a verdade. (1999, p. 74).
Uma simples leitura nos textos de Mohler é suficiente para ver como são inflamados por um espírito de Reforma igual aquele dos puritanos, além de uma busca por pureza
doutrinária e vida piedosa. Se destaca um apelo franco para a Bíblia e uma rejeição categórica do erro. Uma forte rejeição de uma posição de comodismo diante daquilo que Mohler chama de heresia. Certamente, esse espírito inflamado e conservador é responsável pela atração que ele produz sobre muitos jovens que atualmente estão cansados de respostas evasivas dos mestres que apresentam um Cristianismo de ―solução de problemas‖ sem compromisso bíblico e histórico. A posição de Mohler na presidência de um seminário tão importante quanto o Southern Baptist Theological Seminary certamente colabora para divulgação de suas ideias por todo o país.
A pregação de Mohler, entretanto, não parece oferecer uma proposta clara de Calvinismo para a cultura atual. É muito mais uma atitude de combate e desmascaramento, do que uma proposta viável e socialmente integrada.