Depois de muitos anos a apoiar a mujahideen afegã, a 11 de agosto de 1988, Osama Bin Laden, um homem de negócios da Arábia Saudita, Zawahiri, um experiente militar egípcio, e Fadl, um intelectual do Cairo, encontraram-se em Peshawar, uma cidade no Paquistão, e deste encontro nasceu a Al Qaeda. A Al Qaeda baseia-se nas ideias de Sayyd Qutb, islamista egípcio, e representa apenas uma parte do movimento jihadista global. Este grupo terrorista rapidamente se transformou num movimento social com a Al Qaeda central a operar essencialmente no Paquistão e no Afeganistão e suas filiais a operar no resto do mundo de forma autónoma, mas sempre inspirando-se na Al Qaeda central (Vidino, 2009; The Guardian, 2008; Mccormick, 2014; Wilkinson, 2006).
Tal como anteriormente referido, a ideologia da Al Qaeda baseia-se nos pensamentos de Sayyd Qutb, que acreditava que o mundo se encontrava dividido entre os que acreditam na sharia (lei islâmica) e vivem de acordo com os princípios nela inscritos e aqueles que não acreditam e que não baseiam o seu modo de vida na lei islâmica. Desta forma, o mundo estaria dividido entre fiéis e os infiéis que vivem no mundo da escuridão. Acreditava que todos os defensores da sharia deviam lutar e juntos estabelecer globalmente a lei islâmica. Definiu como alvos da jihad global todos os governos infiéis, que vão desde os EUA e seus aliados, a regimes árabes apoiantes dos EUA, englobando ainda todos os países muçulmanos que não fazem uma correta interpretação e aplicação da lei islâmica. Numa viagem aos EUA, Qutb ficou admirado e repugnando com o estilo de vida americano tendo regressado ao Médio Oriente convencido de que a sua missão era declarar aos EUA e a todos os seus aliados a jihad. E assim foi, declarou a
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jihad total aos americanos e seus apoiantes asseverando ser o dever de todos os muçulmanos matar os americanos e os seus aliados sendo que, para tal, era seu dever estarem preparados para confrontos físicos contra todos os infiéis (Wilkinson, 2009; Wilkinson, 2006; Gunaratna, 2004).
Bin Laden conheceu os ensinamentos de Qutb através de Abdallah Azzam, um admirador das ideias de Qutb e seu professor na universidade de King Abdul-Aziz (Wilkinson, 2009; Gunaratna, 2004).
Um dos principais objetivos da AQ passava pelo uso de armas menos convencionais, o que foi confirmado quando se verificou que um manual da AQ, encontrado pela polícia em Manchester, continha uma parte dedicada a venenos. Também a Encyclopaedia of the Jihad, um guia para a organização, incluía um capítulo dedicado a armas químicas, biológicas, radioativas e nucleares. No Afeganistão, foram ainda descobertos pela força Aliada documentos e vídeos que provavam o uso de químicos em animais como forma de testar as reações à sua utilização. Relatos indicam que durante a realização da “Operação Anaconda” no Afeganistão, tropas americanas encontraram um laboratório onde a AQ testava armas biológicas. Quanto às táticas mais recorrentes é frequente a AQ armadilhar carros com explosivos, planear tiroteios, ataques suicidas, envenenar redes de distribuição de água, usar explosivos, entre outros. Os ataques são realizados essencialmente por bombistas suicidas ou piratas, que apesar de fazerem várias ameaças, não efetuam qualquer aviso relativamente ao ataque de forma a potencializar as suas consequências (Wilkinson, 2007a).
Defensores de uma interpretação política do Islão estão presentes no continente europeu desde o início da década de 50 do século XX. Desde o fim da segunda Guerra Mundial que um pequeno número de membros e simpatizantes da Irmandade Muçulmana abandonaram o Médio Oriente com o intuito de fugir à repressão do Estado onde viviam e se mudaram para os países europeus. Durante a sua estadia no mundo ocidental foram recebendo bastante apoio dos países do Golfo Árabe e, com as suas generosas doações, estabeleceram mosteiros, centros islâmicos e organizações de caridade através das quais propagavam a sua politizada interpretação do islão. As políticas de asilo europeias bem como as de imigração fizeram com que estes indivíduos preferissem mudar-se para os países europeus em vez dos EUA. Tirando proveito da riqueza e da liberdade europeia, usaram os países europeus para propagandear a sua religião, recrutar militantes e angariar fundos para poderem lutar contra os regimes
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seculares nos seus países de origem (Vidino, 2009a). Os seus esforços de propaganda rapidamente começaram a surtir efeito com bastantes muçulmanos residentes na Europa, bem como muçulmanos nascidos na Europa a apoiar as suas ideias e iniciativas. Muitos esperavam encontrar na religião uma resposta para os seus problemas (Vidino, 2009a).
Inicialmente nenhum dos movimentos mostrou qualquer intenção de atentar contra os países que os receberam, já que viam estes como uma morada temporária e como o local ideal para planearem as suas operações. Vários grupos foram surgindo um pouco por toda a Europa e apesar de se guiarem pela mesma ideologia, na realidade estes mantinham bastante autonomia uns dos outros. Cada um destes grupos se focava em estabelecer um estado islâmico no seu país (Vidino, 2009a).
Tanto Bin Laden como outros líderes da Al Qaeda afirmavam frequentemente que a melhor forma de derrubar regimes seculares no mundo muçulmano era bloqueando o apoio económico e militar que estes países recebiam dos países ocidentais. Para tal, o movimento jihadista devia focar-se em atacar os EUA e fazer com que a sua presença no Médio Oriente fosse demasiado difícil de suportar (Vidino, 2009a).
Na década de 80 o líder da Líbia, Muammar Gaddafi, era um declarado crítico da política externa americana e um apoiante do terrorismo internacional, incluindo a Irish Republican Army que pretendia a independência da Irlanda do Norte. Depois de uma polícia britânica ter sido morta enquanto monitorizava uma manifestação contra o governo líbio, vítima de uma rajada de tiros provenientes da embaixada líbia, o Reino Unido cortou relações diplomáticas com a Líbia (Hewitt, 2008).
Em 1986, após se provar o envolvimento líbio no bombardeamento de uma discoteca na parte oriental da cidade de Berlim, frequentada por militares americanos, os EUA realizaram um bombardeamento aéreo contra a Líbia desde as bases britânicas. A retaliação líbia não tardou, tendo-se esta traduzido nos piores ataques terroristas sofridos pelo Reino Unido até então. A 21 de dezembro de 1989 uma bomba colocada no interior de uma mala por um indivíduo líbio ditou a queda de um Boeing 747, o voo Pan Am 103, em cima da torre escocesa Lockerbie. Neste ataque quase 300 pessoas perderam a vida (Hewitt, 2008).
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Posteriormente a estes ataques, na década de 90, foram raros e pouco significativos os atos de terrorismo internacional registados no Reino Unido. Apesar de os casos de terrorismo terem sido poucos, o Reino Unido continuou a estar associado ao terrorismo, mas ao terrorismo interno, relacionado com a Irlanda do Norte. A década de 90 foi também importante por a cidade de Londres se ter tornado um safe heaven para o terrorismo internacional, tendo a cidade sido apelida de Londonistan. Abu Hamza’s acreditava que o Reino Unido, ao providenciar aos terroristas um safe heaven, estaria livre de ataques, pois esta seria a melhor forma de os terroristas recompensarem. Na realidade, também a polícia e os serviços de intelligence viam vantagens na existência do Londonistan já que a presença dos grupos terroristas na cidade de Londres facilitava a sua monitorização (Hewitt, 2008).
No final da década de 90, a ameaça colocada pela Al Qaeda começou a inquietar o governo britânico, especialmente depois de em agosto as embaixadas americanas no Quénia e na Tanzânia terem sido atacadas, o que resultou na morte de 225 pessoas (Hewitt, 2008). Três indivíduos residentes no Reino Unido foram a posteriori detidos pela polícia britânica que suspeitava do seu envolvimento nos ataques (Hewitt, 2008).
Apesar de só no final da década de 90 a Al Qaeda se ter revelado uma preocupante ameaça à segurança do Reino Unido e dos seus cidadãos, o Reino Unido tinha já uma longa experiência contra terrorista adquirida ao longo de vários anos como resultado da questão irlandesa. No entanto a ameaça da Al Qaeda era bastante diferente daquela que o terrorismo da Irlanda do Norte representava, colocando assim um novo desafio ao Reino Unido e à sua segurança e interesses além-fronteiras. Uma das mais destacáveis diferenças está no facto de a Al Qaeda praticar ataques suicidas. O terrorismo relacionado com a Irlanda do Norte não envolvia bombistas suicidas nem os ataques eram feitos com o intuito de causar elevado número de mortes ou destruição indiscriminada, já que tal era considerado contraproducente com as suas causas (Hewitt, 2008). Se na década de 70 e de 80 os grupos terroristas queriam muitas pessoas a assistir aos seus ataques e poucas pessoas mortas, a Al Qaeda veio mudar esta ideia defendida por Brian Jerkins (Wilkinson, 2009), ao praticar ataques com repercussão mundial e com elevado número de mortes. O 11 de setembro, que recebeu o título de ataque mais letal na história do terrorismo moderno, constitui um claro exemplo desta mudança. Comparações entre a Al Qaeda e a IRA são inevitáveis, no entanto a diferença entre os dois grupos terroristas é
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bastante evidente17. Essencialmente, os objetivos do IRA eram limitados já que passavam apenas
por fazer algumas mudanças18 na Irlanda do Norte, enquanto que a Al Qaeda tenciona a
mudança do sistema internacional (Wilkinson, 2009). Apesar das notórias diferenças algumas lições importantes sobre como combater o terrorismo foram aprendidas pelo Reino Unido na questão da Irlanda do Norte (Hewitt, 2008).
A primeira evidência da presença da Al Qaeda em território britânico foi registada em 2000, com a detenção de Moinul Abedin e com a apreensão de explosivos (Hewitt, 2008). Abedin foi detido depois de a polícia ter encontrado enormes quantidades de materiais utilizados na realização de bombas numa propriedade por si alugada na cidade de Birmingham. Para além de ter elaborado vários explosivos e detonadores procedeu também à colocação de alguns deles num parque local com o intuito de os testar. Aquando da sua detenção em novembro de 2000, a polícia apreendeu vários quilos de químicos usados na confeção de explosivos. Mais tarde, com o desenvolvimento da investigação a polícia confirmou que este tinha constituído o primeiro caso em que um ataque terrorista inspirado pela Al Qaeda tinha sido descoberto em território britânico (Mackie, 2012; Cole, 2015).
Eram 13h46m no Reino Unido, no dia 11 de setembro de 2001, quando um avião da American Airlines embateu na torre norte do World Trade Centre. Dezasseis minutos e dezanove segundos depois, um outro avião embateu na torre sul do mesmo edifício com transmissão em direto para televisões de todo o mundo. Menos de uma hora depois de o primeiro avião ter embatido na torre norte do World Trade Center, outro avião colidiu com o Pentágono. Um quarto avião não colidiu com qualquer outro edifício porque os passageiros a bordo do avião se aperceberam das intenções do piloto e conseguiram fazer com que este se despenhasse num campo da Pensilvânia (Hewitt, 2008).
17 A principal diferença entre a AQ e o IRA reside no facto de o primeiro ser um grupo terrorista que representa uma ameaça à segurança internacional colocando assim em risco a integridade territorial do Reino Unido, a segurança da sua população bem como os seus interesses além-fronteiras, enquanto o IRA, lutando pela independência da Irlanda do Reino Unido, agia apenas a nível nacional. Tanto a AQ como o IRA apostavam na realização de ataques surpresa de forma a causar o maior impacto possível, apesar de com a AQ os ataques serem muitas vezes realizados por bombistas suicidas, no caso do IRA era frequente os homens bomba serem escolhidos e obrigados a realizar os ataques sob ameaça ou chantagem. Devido ao facto de ter várias filiais pelo mundo, a AQ continha mais membros do que o IRA estando também presente em várias partes do mundo procurando uma atividade global. Por fim, outra diferença substancial relaciona-se com a possibilidade de negociar com o IRA, já que o grupo se revelava disposto a negociar com o governo britânico bem como em fazer concessões, o que culminou na celebração do Acordo de Paz de 1998. Por outro lado, negociar ou celebrar um acordo de paz com a AQ não emerge sequer como um a possibilidade para o governo britânico.
18 O principal objetivo do IRA era a unificação da Irlanda sob a lei irlandesa, ao invés da britânica. Este conflito opôs durante muitos anos unionistas, que defendiam que a Irlanda do Norte devia continuar a pertencer ao Reino Unido, e nacionalistas que defendiam a independência da Irlanda do Norte. Este conflito envolveu ainda uma componente religiosa opondo protestantes e católicos.
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Depois dos ataques de 11 de setembro, governos por todo o mundo apressaram-se a melhorar as suas políticas de combate ao terrorismo, tendo muitos países optado por desenvolver legislação de combate a esta ameaça. Se inicialmente as políticas se focaram em métodos militares (como a invasão do Afeganistão e a guerra no Iraque são exemplo), nos últimos anos os governos começaram a analisar a introdução de medidas mais amplas e de longo termo, após concluírem que tentar desmantelar ou combater redes terroristas é um longo processo, sendo também importante prevenir a radicalização, tendência seguida pelo Reino Unido (Vidino, 2009b).
O 11 de setembro mostrou aquilo de que a Al Qaeda era capaz, revelou de forma clara as suas pretensões para o mundo. A brutalidade dos ataques evidenciaram que para os terroristas a vida humana não tinha qualquer valor e que quanto maior fosse a destruição causada e quanto mais projeção os ataques tivessem, mais satisfeitos ficavam os terroristas. Face à enorme destruição causada pelos ataques bem como ao elevado número de mortes, este ataque foi considerado o pior da história. Os ataques de 11 de setembro mataram pessoas de 83 países, incluindo 67 cidadãos britânicos (Hewitt, 2008).
A brutalidade e as pesadas consequências dos ataques de 11 de setembro revelaram a grande capacidade da Al Qaeda em planear e realizar ataques terroristas, tendo também contribuído para a consciencialização do países europeus relativamente a um possível ataque, já que evidenciou que os EUA não eram o único alvo do grupo terrorista. Reconhecendo o terrorismo transnacional como uma das maiores ameaças à sua segurança interna, os países europeus apostaram na cooperação como forma de garantir a sua segurança. Foram também criadas pelos Estados novas estratégias e instituídas novas medidas de combate ao terrorismo (Eder e Senn, 2009). No Reino Unido foi introduzida uma base de dados com ADN, o sistema CCTV foi expandido, foram introduzidos cartões de identidade e as autoridades viram-se providas de mais poderes para poderem aceder a registos privados dos cidadãos (Moran, 2008).
O pós 11 de setembro fez com que os Estados repensassem as noções tradicionais de poder estatal (Moran, 2008) com a Al Qaeda a colocar uma ameaça à segurança até à data desconhecida. O terrorismo internacional era já uma ameaça antiga e apesar de mais evidente nuns Estados do que em outros, esta era já considerada como uma perigosa ameaça à segurança dos mesmos. No entanto, o 11 de setembro revelou a existência de um grupo terrorista forte, determinado e capaz de tudo para atingir os objetivos a que se tinha proposto.
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Acresce o facto de o alvo dos ataques ter sido os EUA, uma superpotência e um dos países mais desenvolvidos na área da segurança. Assim, ainda em choque, vários Estados apostaram na adoção de medidas a fim de combater a ameaça que a Al Qaeda colocava à sua segurança. Face a uma tão capacitada e mutante ameaça, os Estados, até então vistos como os principais atores do sistema internacional, como a entidade que em si concentrava todo o poder, perceberam que agora outras entidades emergiam e desafiavam o seu poder.
No discurso que proferiu posteriormente aos ataques, Tony Blair afirmou:
Este terrorismo massivo é o novo demónio no nosso mundo atual. Este é praticado por fanáticos para quem a vida humana não tem qualquer valor e nós as democracias deste mundo, vamos ter de nos unir para juntos lutarmos e erradicarmos completamente este demónio do nosso mundo19 (Blair, 2001 apud Hewitt, 2008:30).
Após os ataques, Blair viajou para Londres para uma reunião de emergência do Comité Civil de Contingências (COBRA)20. Prontamente foram adotadas medidas pelo governo britânico,
que estabeleceu medidas especiais de segurança nos aeroportos do país e nos edifícios públicos e que criou uma no fly zone sobre a cidade de Londres (Hewitt, 2008).
A resposta de Tony Blair ao 11 de setembro colocou o Reino Unido na frente da “War on Terror”21. Prontamente Blair revelou todo o seu apoio aos seus aliados americanos tendo até
adotado o mesmo vocabulário do presidente norte-americano e afirmado que estava em guerra contra o terrorismo. O seu apoio estendeu-se à invasão do Afeganistão22 e à guerra no Iraque23
tendo ainda as tropas britânicas assumido um importante papel na campanha da NATO no
19 Tradução livre de: “This mass terrorism is the new evil in our world today. It is perpetrated by fanatics who are utterly indifferent to the sanctity of life and we, the democracies of this world, are going to have to come together and fight it together and eradicate this evil completely from our world”.
20 Abreviatura de Cabinet Office briefing room A. Pode também ser denominado como COBR.
21 Depois dos ataques de 11 de setembro, a administração Bush declarou a “Guerra contra o Terror” (War on Terror), uma guerra à escala mundial contra o terrorismo e onde todos os recursos para combater a ameaça terrorista eram válidos. No discurso em que anunciou o início da guerra contra o terrorismo, Bush convidou todos os Estados a juntarem-se à sua luta, fazendo questão de referir que quem não o apoiasse estaria a apoiar os terroristas (Global Policy Forum, s.d.).Bush falou da “Guerra contra o Terror” como a guerra que opõe todos os que condenam o terrorismo aos terroristas, e como uma guerra que começava com a Al Qaeda, mas que não terminava aí, já que só teria fim quando todos os grupos terroristas internacionais fossem derrotados. Os EUA afirmaram que os Estados tinham uma decisão a tomar, ou os apoiavam, ou apoiavam os terroristas, sendo que todos aqueles que decidissem não apoiar a “Guerra contra o Terror” passariam a ser entendidos como regimes hostis (White House, 2001).
22 A invasão do Afeganistão teve início a 7 de outubro de 2001 quando as tropas americanas, apoiadas pela força armada britânica, invadiram o território Afegão onde acreditavam encontrar-se Bin Laden, bem como outros líderes da AQ. O objetivo da investida militar passava por encontrar Bin Laden bem como destituir o regime talibã. O Afeganistão era considerado a base da AQ por ser o país onde o grupo terrorista tinha a base da sua organização, detinha campos de treino e onde contava com o apoio do regime talibã (Oliveira, 2011).
23 Em março de 2003, os EUA lideraram uma coligação para derrotar o regime de Saddam Hussain. A guerra no Iraque foi justificada por Bush como a única forma de prevenir o uso de armas de destruição maciça pelo regime iraquiano. Face às informações que revelavam uma notável proximidade entre o regime de Saddam e redes terroristas, um Iraque estável era tido como uma peça fundamental para a segurança internacional (Correia, 2008).
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Afeganistão24. O seu papel de liderança na guerra contra o terror resultou no crescimento de um
elevado número de desafios para os serviços de segurança e de intelligence (Phythian, 2008). No entanto os ataques de 11 de setembro não tiveram apenas pesadas consequências para os EUA e os Estados europeus, tiveram também duros efeitos para a Al Qaeda e para o movimento jihadista europeu. Como consequência dos ataques e da invasão do Afeganistão, vários líderes do grupo terrorista foram detidos, outros foram mortos e muitos deles viram-se na necessidade de se esconderem para não terem o mesmo destino. A invasão do Afeganistão ditou a completa destruição dos vários campos de treino que a Al Qaeda tinha no país, o que para o grupo terrorista representou uma enorme perda, já que mais do que campos onde instruíam os seus apoiantes sobre como planear e realizar ataques, estes campos eram como santuários. Nos meses que se seguiram aos ataques, tanto os serviços de intelligence como a polícia desmantelaram várias redes terroristas. Todos estes acontecimentos dificultaram a comunicação entre as várias células terroristas, tendo feito com a Al Qaeda central perdesse alguma capacidade para controlar as suas filiais (Vidino, 2009). No entanto, apesar de Bin Laden se encontrar escondido, vídeos e mensagens por si protagonizados continuaram a ser divulgados e a servir de inspiração aos seus apoiantes (Phythian, 2008).