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5. PRESENTASJON OG DRØFTING AV FUNNENE I UNDERSØKELSEN

5.1 I GANGSETTING AV BEHANDLING MED LIDCOMBE PROGRAMMET

Inicialmente, segundo Circe Bittencourt (apud BATISTA, 2002, p.550), o manual didático (MD) era destinado a orientar o professor. A partir do século XIX, isso começa a mudar. O MD passa a ser destinado ao aluno. Na escola atual, o professor se vale, além do MD – de uso coletivo e obrigatório – adotado pela escola, de vários tipos de material que o auxiliam no processo de ensino-aprendizagem. Logo, é interessante verificar o que o Dictionnaire de didactique du français langue étrangère et seconde, (2006, p.69) considera ser didático: ―Por sua origem (grega didaskein: ensinar), o termo didático designa de maneira geral o que visa a ensinar, o que é próprio a instruir‖10. Percebe-se nesta definição que o professor pode ter a sua disposição uma grande gama de material produzido especialmente para a escola ou materiais cujo destino inicial era outro, principalmente os professores de LE que, em princípio, podem utilizar em sala de aula: periódicos em geral, DVDs, CDs, revistas, Internet, dentre outros.

Na sua origem, muitos dos MD eram elaborados por professores, reproduzidos e copiados por outros e alguns eram posteriormente publicados por editoras. Hoje, existe um grande mercado interessado nesse produto apesar de ele ainda ser alvo de grande desprestígio social talvez devido a algumas de suas características: sofre rápida desatualização, raramente é relido ou reutilizado e raramente é arquivado em bibliotecas.

Por ser raramente lido de ponta a ponta, o MD envolve práticas diversificadas e, segundo Kazumi Munakata, (2002, p.578), o termo que melhor definiria a relação com tal material seria ―uso‖, e não ―leitura‖. Consequentemente, não haveria leitores de MD, e sim

10 Didactique: par son origine grecque (didaskein: enseigner), le terme de didactique désigne de façon générale ce qui vise à enseigner, ce qui est propre à instruire. (Dictionnaire de didactique du français langue étrangère et seconde, 2006, p.69)

usuários. Porém, existe uma relação de poder entre os dois tipos de usuários permanentes do MD, pois mesmo que o usuário final seja o aluno, não cabe a ele a tarefa de escolher o livro.

Ainda segundo este autor, a leitura ou a utilização do MD acontece de duas maneiras. A primeira delas é uma leitura/utilização pelos alunos mediada pelo professor que, normalmente, pede que estes façam uma leitura silenciosa de algum texto para, posteriormente, fazerem uma leitura em voz alta ou vice-versa. Em seguida, o aluno faz os exercícios propostos. É uma prática antiga e individualizada na qual o aluno é ativo. A segunda maneira é a leitura realizada pelo professor. Nesta, o aluno se mantém passivo e atento ao que escuta para, muito provavelmente, responder a questões propostas pelo professor. Como afirma Marisa Lajolo (LAJOLO apud MUNAKATA, 1996) em Livro didático: um (quase) manual de usuário: ―o livro didático caracteriza-se ainda por ser passível de uso na situação específica da escola, isto é, de aprendizado coletivo e orientado por um professor.‖

Como dito anteriormente, didático é aquilo que é próprio para instruir. Se o professor de LE utiliza outros materiais que não o MD, deve-se considerá-los também como parte integrante do desenvolvimento de um processo de ensino ou de formação constituindo, assim, um material variável graças a suas variadas origens. Apesar disso, ainda hoje, em muitas escolas do Brasil, o MD continua a ser o único instrumento de contato que o aluno possui com a leitura, ou seja, o único ponto de referência para o ensino-aprendizagem de muitos.

A leitura é um assunto muito importante para o letramento de um país e falar sobre ela nos remete desde os primórdios da impressão vindo até os dias de hoje, em que a leitura virtual ―invade‖ não somente escritórios ou empresas, mas também o âmbito escolar, mais precisamente a sala de aula. Porém, a morte do livro impresso não foi decretada e, muito provavelmente, não o será. Vale ressaltar que a história do MD está diretamente vinculada à história do ensino escolar e das revoluções que geraram um aperfeiçoamento tecnológico.

O termo ―livro didático‖ ou ―manual didático‖ é usado para indicar uma gama muito variada de materiais utilizados na escola. Realmente, o livro é apenas um dos muitos suportes de textos presentes na sala de aula e várias coleções didáticas assumem formas outras que não as de um livro. O MD é considerado por profissionais de vários setores como produção menor enquanto produto cultural, apesar de atrair a atenção de muitos pesquisadores que veem nele o alicerce fundamental na formação do indivíduo, assumindo papel educativo na escola contemporânea e sendo, por vezes, o único contato do indivíduo com a ―verdade‖ mediada pelo professor orientador da aprendizagem. Ele se tornou um instrumento pedagógico que colabora para a formação social e política do indivíduo, ou seja, é instrumento fundamental que faz parte da tradição escolar no processo de escolarização.

É importante lembrar que os PCN e os projetos pedagógicos das escolas estabelecem documentos oficiais que direcionam a transmissão efetiva dos conteúdos e dos objetivos do ensino. Nos dias atuais, os autores dos manuais de FLE, elaboram os materiais didáticos respeitando as diretrizes do QECRL e, consequentemente, além de designar a ordem de aparição dos conteúdos no curso de determinada série, também acabam por fixar o modo de ensinar os conteúdos gramaticais. Digamos, então, que os autores dos manuais didáticos fazem o papel de mediadores entre o oficial e a colocação em prática das atividades na sala de aula.