Nesta tese entendemos que os comentários de leitores se encontram num momento de formação da sua funcionalidade, o que nos afiança dizer que vivemos uma crise: uma
crise sobre as condições de participação, sobre os tipos de uso que eles podem assumir, sobre sua efetiva contribuição para um modelo mais democrático de imprensa e sobre a sociedade e sua prática de civilidade no uso do dispositivo como ferramenta de aproximação com a mídia e com outros usuários. Diante desse cenário, pretendemos, mais adiante, justificar porque, a partir deste estudo, acreditamos que a plataforma e sua configuração social não representam uma colaboração efetiva no sentido de trazer um resultado pragmático e agregador na sua adoção, mas sim um simulacro interativo, ou seja, uma sensação de contribuir para a construção de uma mídia mais democrática, embora pensemos que, sim, a plataforma é uma forma de participação. Para alcançar esse posicionamento e a partir disso arriscar uma resposta concreta sobre a funcionalidade ou possível aplicação de funcionalidade dos comentários de leitores na contemporaneidade, cabe aqui um exame minucioso sobre os conceitos que perpassam essa discussão – interatividade, interação, participação e colaboração. A proposta é buscar compreender as noções abstratas contidas nessas palavras em uso, desde a sua origem lexical até a aplicação direta no ramo da comunicação e na rotina da imprensa, afim de embasar a tese de que são uma representação de um simulacro interativo. Assim, inicialmente, recorremos aos estudos de Primo (2008, p. 13), que recupera um primeiro aparecimento do termo interação.
[...] o verbete interaction apareceu pela primeira vez no Oxford English
Dictionary, em 1832, descrito como um neologismo. O verbo to interact vai
figurar no volume apenas em 1839, definido como agir reciprocamente. Na França, interaction tem origem na ideia de interdependência (um neologismo da mesma época) e atinge os dicionários apenas em 1867. De posse destes dados, a linguística histórica (Staroginksi, 2002) mostra que o termo "interação" não é de origem latina, mesmo que o termo medieval interagere (servir de mediador) tivesse existido no latim (PRIMO, 2008, p.13).
Santaella (2004, p. 152) vai buscar a procedência conceitual do termo e lembra que este se avizinha de “ação, agenciamento, correlação e cooperação” e que a associação entre eles agregou novos e possíveis sentidos. Ao citar estudos de Silva (2000), a autora recorda, ainda, que “o termo interatividade surgiu na França no final dos anos 1970 em meio a discussões que buscavam diferenciar, no âmbito da telemática, os serviços interativos dos serviços difundidos” (SANTAELLA, 2004, p. 151). Ela cita, igualmente, uma pesquisa de Rabaté e Lauraire (1985), que, ao buscar a ascendência do verbete
interatividade identificou três fontes que parecem apontar para o seu nascimento: estudo do arrolamento entre usuário e máquinas de maneira conversacional; conhecimento e pesquisas relacionados às interfaces; e por fim noção de comunicação em dois sentidos, “sob forma interindividual e intergrupal” (SANTAELLA, 2004, p. 151).
Com uma genealogia tão dilatada, não é de estranhar que ainda hoje os sentidos de interatividade e interação abarquem concepções tão amplas que, como diz Lemos (1998), cheguem a abranger desde uma intervenção simples como o feedback até uma ação complexa como a escolha de conteúdos, ou, ainda mais, como nos propomos a estudar nesta tese, o uso da plataforma de comentários e as intervenções que essa utilização prevê na rotina dos veículos e na conexão entre usuários.
Para afunilar e aprofundar também a discussão sobre as designações, recorremos mais uma vez a Santaella (2004), cujo trabalho recobra o semantismo da palavra interatividade nas diferentes áreas do conhecimento e em distintos períodos de tempo. Segundo escreve, a definição de interatividade começou sendo tomada como sinônimo de interação nas pesquisas da Física até ser incorporada pelas Ciências Sociais, primeiro pela Sociologia e depois pela Psicologia.
Primo (2008), também, enfatiza o papel pioneiro da Sociologia na construção do sentido que hoje entendemos de interação. Segundo ele, “a ideia de reciprocidade, presente na raiz do termo „interação‟, é fundamental na discussão de Weber sobre relação social” (PRIMO, 2008, p. 14) e, a partir dela, ganha destaque em outras pesquisas da área até chegar à Comunicação.
Para Santaella (2004), a base do aparecimento da ideia de interação e interatividade começou a tomar forma até se tornar hoje patrimônio da Comunicação, quando sua representação passa a ser “aplicada a sistemas nos quais o feedback do receptor é utilizado pela fonte – seja humana ou computacional – para modificar continuamente a mensagem no ato de ser transmitida ao receptor” (SANTAELLA, 2004, p. 154). Ao traçar um panorama da evolução do conceito de interação nos estudos de Comunicação, a autora lembra que Machado (1997) já havia encontrado, em 1930, referências ao assunto em Bertolt Brecht, que incorporou a palavra ao retratar o potencial democrático e participativo do cidadão com o rádio; e que em 1970 Hans M. Enzensberg “pregava a superação dos meios de comunicação unidirecionais (rádio, jornal e televisão) em favor de um sistema de trocas, de conversação e feedback” (SANTAELLA, 2004, p. 152).
Para muitos estudiosos, como bem pontua Santaella (2004, p. 154), “o limiar da interatividade citado acima é muito baixo”. Talvez por isso já no início de 1970, segundo Primo (2000), os estudos de Darnell levaram a novas ramificações no entendimento de interatividade e interação e agregaram a comunicação interpessoal como um fator preponderante a ser considerado nas pesquisas da área. Conforme explica, para Darnell os estudiosos de interação deveriam, substancialmente, “dedicar-se aos modos em que as pessoas se afetam e às interações nesses sistemas de influência” (PRIMO, 2000, p.83).
Em outra obra, também Primo (2008) pontua que a partir dessa perspectiva outros padrões de enxergar a interação e a interatividade foram ganhando espaço. Com um ponto de vista semelhante ao de Darnell, o autor cita um movimento que considera caro para os estudos mais amplos da interação: a pesquisa de Watzlawick, Beavin e Jackson, sintetizada na obra Pragmática da Comunicação Humana. Conforme resenha Primo (2008), nesse volume os pensadores centram-se sua investigação nas interrelações mediadas pela comunicação e mais uma vez larguearam os conceitos. “Para esses autores, a interação é uma série complexa de mensagens trocadas entre as pessoas. Porém, o entendimento de comunicação vai além das trocas verbais” (PRIMO, 2000, p.83).
Nessa linha de orientação da pesquisa com enfoque interacional, não se pode deixar de lembrar das contribuições dos pesquisadores da Escola de Chicago, que é uma das bases teóricas que norteia os estudos desta tese. “O interacionismo simbólico vê o significado como produtos sociais [...]. Logo, os processos interpretativos dos participantes e seus comportamentos dependem de como a interação se desenvolve” (PRIMO, 2008, p. 15). O modelo, como dito anteriormente, foi uma das primeiras tentativas de ruptura com o padrão popular na época, a influente corrente de Shannon& Weaver, cujo paradigma “era compreendido como um fluxo linear, de mão única” (PRIMO, 2000, p.82).
Depois desse alargamento semântico que a Comunicação foi dando à ideia de interação, Santaella (2004) argumenta que durante os anos de 1980 a expressão ficou banalizada ao ser aplicada à exaustão em diversos ramos. “Machado dizia que o termo se prestava às utilizações mais desconcentradas e estapafúrdias, abrangendo um campo semântico dos mais vastos que compreende desde as salas de cinema em que as cadeiras se movem
até novelas de televisão em que os espectadores escolhem (por telefone) o final da história” (SANTAELLA, 2004, p. 153).
Na era digital, não foi muito diferente. Tanto que chegou ao ponto de Manovich (2001) afirmar que de tão comum o conceito de interatividade tornar-se desnecessário. Verdade ou não, o fato é que as concepções de interação, interatividade, participação e até mesmo colaboração, ora desgastadas, ora mal interpretadas ou, ainda, eficientemente aplicadas, têm servido de inspiração para diversos estudos na atualidade. Estudos esses que abarcam os mais distintos olhares, como, por exemplo, as pesquisas sobre os tipos de interatividade propostos por Santaella (2004), que diferencia formatos de processos interativos; ou os levantamentos assinados por Kretz (1985), que estabeleceu seis graus de interatividade; por Holtz-Bonneau (1985), com três modalidades de forma de interação; ou, ainda, Primo (2000), cujo argumento se direciona para descrever as distinções entre modelos interativos mútuos e reativos.
Há ainda pesquisas que focam seu olhar no jornalismo, suas mudanças e repaginações, como nas pesquisas de Palácios (2012); ou buscam analisar a interação e suas particularidades nas redes sociais, como faz Recuero (2012). Não poderia deixar de citar, também os estudos de Jenkins (2009) sobre o novo modo de consumir a mídia e os processos interativos. Enfim, além desses, há muitas possibilidades e pesquisadores que têm contribuído para ampliar essa discussão. O fato é que por serem tão usados e tão familiares, cada vez parece mais necessário esclarecer suas contendas.
Nesse sentido, ao tentar traçar um panorama de particularidades entre interatividade, colaboração e participação, Matheus (2000, p. 46) faz a seguinte distinção: associa interatividade à “dimensão da possibilidade técnica de interferência no conteúdo das mídias”, ou seja, uma probabilidade ligada diretamente ao canal; colaboração a uma interferência direta do público na produção noticiosa; e participação, por sua vez, seria “a dimensão política da colaboração”, ou seja, um nível ativo e simbólico do usuário. Das três percepções apresentadas pela autora, a participação seria a que efetivamente traria uma mudança significativa no âmbito social uma vez que, como defende
[...] essas iniciativas podem ou não significar índices de maior participação. Por isso, não se deve associar de modo linear que uma crescente interatividade venha a se tornar uma crescente participação cívica, pois o grau de proatividade e a intenção na atividade podem ser muito diversos (MATHEUS, 2000, p. 47).
Opinião bem parecida com a de Jenkins (2009, p. 189) que também propõe uma separação dos termos interatividade e o duo interação/participação. Para ele, a primeira expressão remete ao “modo como as tecnologias foram criadas para responder ao feedback do consumidor” e, portanto, diferentes graus de interatividade dependeriam diretamente dos distintos suportes; já interação/participação teriam uma qualidade mais social uma vez que “moldadas por protocolos culturais”. Trazendo essa discussão para o âmbito dos comentários na rede, a participação/interação estaria intrinsecamente próxima ao modo de uso de leitores e veículos; já a interatividade seria o próprio dispositivo e seus recursos que intercambiam essa relação.
Para Jenkins (2009) cada vez mais na web a interação assumida pelo público com relação aos produtos midiáticos que consome tem acontecido de forma não prevista pela interatividade. “Afinal, permitir que interajam dentro de um controle é uma coisa, deixar que participem da produção e distribuição de bens com regras próprias é outra totalmente diferente” (JENKINS, 2009, p. 189). Os comentários de leitores exemplificam bem essa ideia, uma vez que a postura e a forma como têm sido usados pelos internautas estão na contramão daquilo para que foram pensados inicialmente. Ou seja, representam uma interatividade de ponto de vista tecnológico, mas ainda criam ruídos no âmbito da participação/interação.
Vittadini (1995) também propõe essa distinção entre interatividade e interação, sendo que na sua classificação a interatividade é um modelo que prevê, de alguma forma, o contato interpessoal; já a segunda seria, substancialmente, uma relação mediada. Conforme escreve, a interação é “um tipo de comunicação possível graças às potencialidades específicas de configurações tecnológicas particulares” (VITTADINI, 1995, p. 154 – tradução livre)22.
Vale retomar aqui o diálogo com Primo (2000), que propõe distinguir dois modelos de comunicação interativa: um modelo interativo mútuo e o outro reativo, sendo que o primeiro prevê a autonomia do receptor e o segundo é marcado pelas limitadas possibilidades de escolha deste.
E, ao pensarmos em níveis distintos e modelos peculiares de interação do receptor com a mídia e com outros receptores, cabe dialogar, também, com pressupostos de
22
“un tipo de comunicación posible gracias a las potencialidades específicas de unas particulares
Thompson (2010). De tudo o que escreveu talvez o mais interessante para a discussão levantada neste estudo seja a noção de “interação quase mediada”, conceito este apresentado em contraposição aos outros dois tipos de interação possíveis do seu ponto de vista: a interação face a face, marcada pela presença física dos integrantes em espaço e tempo e pelo dialogo; e a interação mediada, abalizada pela necessidade patente de um meio que a mantenha, como um papel ou a fibra óptica. O terceiro formato de interação, a “quase mediada”, é aquela cuja mediação é feita pela mídia de massa, sem que haja como interferir diretamente no conteúdo no momento em que está passando.
Thompson (2010) não chega a tratar de computador como mediador de interações no seu livro. O modelo de comentários de leitores não poderia efetivamente ocupar nenhuma das classificações propostas por ele. Não caberia, por exemplo, com exatidão no modelo face a face, embora tenha uma flexibilidade no tempo e simule um diálogo em sua forma de uso; nem no mediado, porque promove uma interação direta de interlocutores. Também não poderia representar com precisão o modelo quase mediado, porque não é uma relação de imprensa de massa. Por essa lacuna uma quarta camada de interação parece pertinente e complementaria a proposta pelo autor. Essa seria a que outros autores chamaram de Comunicação Mediada pelo Computador (CMC).
Ao descrever essa modalidade em específico, Recuero (2012) explica que ela é entendida na literatura especializada como uma “perspectiva de estudos que abarca todo um conjunto de práticas sociais decorrentes das apropriações comunicativas das ferramentas digitais” (RECUERO, 2012, p. 22). Conforme a autora, uma referência no entendimento desse modelo de interação é Baron (2002), para quem a CMC seria marcada por mensagens usadas numa linguagem coloquial e transmitidas e/ou recebidas através da máquina. Ainda fazendo um levantamento de autores que se dedicam em definir esse modelo de interação, ela recomenda estudar Herring (1996), para quem a CMC é uma modo de comunicação de seres humanos instrumentalizada pelos computadores.
Primo (2007) destaca, nesse sentido, que a interação mediada pelo computador não pode se restringir a um aspecto técnico, mas ser abarcada pelo aspecto social. Recuero (2012) complementa o raciocínio ao sugerir que a proposição de que “a CMC não é influenciada somente pelas suas ferramentas. Ela é, também, um produto da apropriação
social, gerada pela ressignificações que são construídas pelas atores sociais quando dão sentido a essas ferramentas em seu cotidiano” (RECUERO, 2012, p.24).
Ao tratar do assunto, Santaella (2004) ressalta que o surgimento da CMC, particularmente pelas "configurações informacionais” que acontecem na rede, acarreta profundas mudanças no formato clássico de interatividade e no desenho habitual de comunicação. A autora pontua, por exemplo, transformação diretamente no juízo do que é hoje a figura do receptor, na natureza da mensagem e no papel que ocupa o emissor.
A comunicação interativa pressupõe que haja necessariamente intercâmbio e mútua influência do emissor e receptor na produção das mensagens transmitidas. Isso quer dizer que as mensagens se produzem numa região intersticial em que emissor e receptor trocam continuamente de papéis (SANTAELLA, 2004, p. 160).
Essa noção de que a comunicação mediada pelo computador borrou verdadeiramente os papéis tradicionais dos envolvidos na relação parece não causar mais estranhamento. “A participação é vista como uma parte normal da operação da mídia, e os debates atuais giram em torno das condições dessa participação”, já alertava Jenkins (2009, p. 329).
Para o autor norte- americano (2009, p. 47), a nova postura do consumidor com relação a essa possibilidade de se aproximar da mídia que utiliza é justificável, uma vez que o seu perfil diante do produto oferecido mudou:
Se os antigos consumidores eram tidos como passivos, os novos consumidores são ativos. Se os antigos consumidores eram previsíveis e ficavam onde mandavam que ficassem, os novos consumidores são migratórios, demonstrando uma declinante lealdade a redes ou a meios de comunicação. Se os antigos consumidores eram indivíduos isolados, os novos consumidores são mais conectados socialmente. Se o trabalho de consumidores de mídia já foi silencioso e invisível, os novos consumidores são agora barulhentos e públicos.
Por outro lado, as empresas de mídia também enxergam a proximidade como uma estratégia de valor comercial:
Teoricamente, a interatividade sempre se revelou como um caminho de longevidade e credibilidade dos meios de informação. Nos dias atuais, ela é cada vez mais sinalizada como um fenômeno cheio de potencialidades para a
qualificação de interação construída entre utilizadores e a mídia, e assim, igualmente para a qualificação do jornalismo e suas notícias, em seus valores de noticiabilidade: veracidade, atualidade, abrangência, profundidade, interesse público e garantia de feedback (PAIVA, 2013, p. 02).
Mas é patente, também, ao pensar em interação/interatividade não esquecer de pontuar, como Raymond Williams (1979) antecipava em seus estudos anteriores à Era Digital – e que muito contribuem para o estudos de comentários de leitores –, que muitas tecnologias ventiladas de interativas são, na verdade, uma sombra de interação, um modelo de natureza reativa. Ou, conforme se defende nesta tese, um simulacro interativo.
Mais recentemente, Schultz (2006) e Newhagn, Cordes e Levy (1995) são apenas alguns exemplos de autores que retomam essa questão cara para os estudos de comunicação atual ao tratar da “interatividade ilusória”. Em seu estudo com 100 webjornais americanos que disponibilizam canais de interação com o público, Schultz (2006) conclui que para a maioria dos veículos a comunicação interativa não passava de uma representação, de uma “ilusão de interatividade”. Já Neshagen, Corde e Levy (1995) revelam em suas análises que os editores nem sequer liam os e-mails de seu público, apesar de incentivarem explicitamente que este enviasse comentários, por exemplo.“É óbvio que a mera disponibilidade de ferramentas que permitem a comunicação interativa diz pouco sobre como os jornalistas e seus públicos devem usá-las.Ainda assim, é uma condição necessária para o início do discurso interativo” (SCHULTZ, 2006, p. 04 – tradução livre)23 .
Ao levantar pesquisas sobre a interatividade na comunicação Paiva (2013) também retoma o debate sobre a mera sensação de participação. Segundo apreendeu, diversos autores, entre eles Steuer (1992), Zack (1993), Rafaeli (1997) e Jensen (1998) defendem a linha segundo a qual a interação, como antecipava Sfez (1994), é, sobretudo, “um argumento de venda”. “A ideia de „envolvimento‟, „engajamento‟, „fazer parte de‟ está presente na trajetória e evolução das pesquisas desses estudiosos sobre o tema.” (PAIVA, 2013, p. 04). Sobre esse assunto, Matheus (2013, p.47) já havia alertado para essa mera sensação de interatividade, que não se materializa na prática.
23 “It is obvious that the mere availability of tools that allow for interactive communication tells little
Isso nos leva a crer que da interatividade técnica da internet não decorre necessariamente um diálogo real, podendo significar um simulacro de diálogo, traduzindo ainda uma cidadania passiva, regida pela lógica do consumo. Isto é, a posição dos cidadãos no mercado simbólico pode permanecer a mesma.
Todos esses apontamentos ratificam a ponderação de Rafaeli (1997, p. 04), para quem “a interatividade é um continuum, uma variável, não apenas uma condição”. Esse entendimento se encaixa com esmero nas reflexões desta tese e contribui para pensar seu modelo e suas limitações no uso dos comentários de leitores pelos veículos e pelos seus usuários.
3.2 DOS PRIMÓRDIOS DA INTERAÇÃO AOS COMENTÁRIOS DE