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Hvorfor et indre marked?

In document Finnmark Fiskeadferd (sider 29-32)

Entender os princípios básicos norteadores do Projeto Reinventando o Ensino Médio, para nele atuar, seria uma questão fundamental para uma implementação mais fecunda. O professor, sujeito da aplicação da nova metodologia, demonstrou pouco conhecimento do Projeto como um todo.

Nas queixas sobre a falta de formação, dois aspectos eram ressaltados: o primeiro, conhecer o Projeto e seus fundamentos e o segundo, conhecer e preparar-se para os conteúdos a serem aplicados. Portanto, ao primeiro aspecto, denominaremos formação ampla e dele trataremos aqui, com base nas análises dos depoimentos dos professores.

Na EE “Presidente Tancredo Neves”, o primeiro contato com o Projeto foi feito por intermédio de seu diretor em reunião específica para os diretores das dezesse te escolas do Vetor Norte de Belo Horizonte. Essa escola aderiu ao Projeto com mais dez outras, após a ideia ser compartilhada com uma de suas vice-diretoras. As informações das bases do Projeto só foram divulgadas ao grupo de professores em reunião ocorrida posteriormente na Escola Estadual “Hugo Werneck”, com presença das demais escolas e de representantes do Órgão Central.

Nessa reunião, conforme relato da orientadora Ana Beatriz, ela própria levantou a questão sobre a apresentação de um “projeto”, partindo de sua interpretação de que, o que ali estava sendo exposto, já estaria pronto, fechado, determinado, pois já estabelecia um calendário para sua universalização. A metodologia já estava definida.

Nessa apresentação, o professor aparece como um mero técnico com competência apenas para a aplicação de conhecimentos prontos, idealizados por outros que não seus pares, despojando assim, “os atores sociais de seus saberes e, portanto, dos poderes decorrentes do uso de seus saberes, e de sujeitar os professores aos saberes dos peritos” (TARDIF, 2012, p. 230).

Essa situação fica mais nítida a partir da fala da professora Lúcia Helena, que atuou na fase de expansão do REM. Evidencia certa negligência ou desdém em relação ao desenvolvimento de processo formativo para os professores das escolas em que o Projeto seria introduzido:

Você está entendendo? A partir do momento que o professor começou a entender a empregabilidade, a entender onde ele estava atuando. Porque ele não teve uma formação para aquilo, né? O professor formado pra atuar, seria um técnico, um curso técnico. E por que não exigiu professores capacitados, formados, profissionais? Porque o nosso era só pra dar uma base a eles (alunos) do mercado quando eles formassem. Para dar um novo sentido ao Ensino Médio. Para evitar evasão. E aí o que acontece? Se trouxessem professores profissionais, aí seria um técnico, teria que ser um curso técnico, entendeu? Então assim, é por isso que nós não éramos formados. Quando nós começamos a entender a essência do curso... (Depoimento de Lúcia Helena, 2015).

Importante salientar que mesmo na primeira fase, na implantação, houve insegurança e desconhecimento por parte dos professores das escolas quanto à ideia central do Projeto. O que, ao ser resolvido, deveria ter sido alvo de avaliação, para evitar a recorrência nas escolas da fase de expansão.

Num primeiro momento, tanto os professores quanto os alunos, achavam que haveria essa certificação, que teria esse impacto profissional. Só depois, que isso foi esvanecendo, né, que aí viram que não era bem assim. E aí, isso foi gerando certo desânimo nos meninos. E nosso também... (Depoimento de Morgana, 2015).

Nenhuma orientação no sentido de formar o professor dentro dos princípios básicos do Projeto foi proposta na documentação pesquisada. Entre os documentos orientadores publicados estão as Diretrizes da Superintendência de Desenvolvimento do Ensino Médio (Reinventando o Ensino Médio em Onze Escolas Estaduais do Estado de Minas Gerais). Essa publicação apresenta o Projeto já definidas as onze escolas que compuseram a fase piloto, traz os conteúdos programáticos das novas áreas, apresenta referências embasadoras das diretrizes e trata da formação específica e geral nas áreas de empregabilidade para os alunos. Nenhuma referência é feita à formação docente.

Nas diretrizes, as frentes de atuação do REM já vêm definidas em um organograma pronto, com detalhamento das ações. Justificativas e dados sobre a Região Norte, tomado como Território de implementação do Projeto, além de estatísticas referentes a matrículas, distorção idade/série e resultados do PROEB compõem o material informativo para as escolas.

Esse material nos coloca diante do que afirma Arroyo (2003) sobre o tema formação docente:

O movimento docente e inúmeras propostas de renovação pedagógica reinventam novas tarefas, novos saberes e artes para o velho ofício de educar. Nem sempre esse duplo movimento vindo, de outro lado, do movimento de renovação pedagógica nas escolas e do movimento docente tem conseguido dialogar e se fecundar mutuamente. Talvez não haja total coincidência entre os diversos atores que pensam e agem na formação dos profissionais da Educação Básica.(ARROYO, 2003, p. 8)

Ao tratarmos aqui do que chamamos formação ampla, defendemos a ideia de uma formação que tivesse como objetivo a orientação, discussão e preparação de todo o corpo docente das escolas, no compartilhamento das ideias para uma definição mais democrática de seus princípios. Verificamos a divulgação das informações sobre o REM no contexto geral da escola, através de reuniões inicialmente com o Órgão Central e mais adiante, na expansão, através de reuniões no próprio espaço escolar com mediação dos diretores das novas unidades em que já era determinada a sua implementação.

Desse conjunto de fatores, o desencontro entre os currículos foi mais que triste consequência da falta de formação ampla, pois foi tomado como forma de resistência do grupo do currículo regular, provocando animosidade entre os pares e segregação no interior das escolas.

De um modo geral, portanto, ambos os grupos que se formaram viveram o exercício do trabalho solitário que exigiu dos coordenadores e orientadores o empenho da prática, da experiência de trabalho no esforço para cumprir as metas estabelecidas e os currículos da escola, atendendo à comunidade escolar.

In document Finnmark Fiskeadferd (sider 29-32)

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