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Hvordan skal man kunne måle folks oppfatninger av 5.2

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A arqueologia amazónica foi sendo progressivamente constituída ao longo dos séculos XVIII e XIX. A evocação deste período embrionário da arqueologia é particularmente importante, pois não rararamente algumas das ideias assumidas nessa época inspiraram investigações mais modernas. Evocamos, por exemplo, a formação da dita "Arqueologia Nobiliárquica" durante a Época Imperial, cujas hipóteses foram elaboradas pelos cientistas Ladislau Netto (1838-1894) e João Barbosa Rodrigues (1842-1909) (FERREIRA, 2009).

O objectivo desta corrente era essencialmente a definição de uma identidade nacional brasileira, materializando-se através da construção de teorias que procurava, atribuir uma origem "nobre" aos indígenas, suportadas pela hipótese de um povoamento mediterrânico do Brasil. Poderia ser descrita desta forma:

Seu papel foi o de elaborar discursos históricos de origem onde as elites e as classes dominantes do país - os nobres - pudessem se reconhecer. O passado do indígena, ou a Pré- história do país, serviu como espelho da "cultura branca", da sociedade de corte. Discursos que objectivaram mostrar que os antepassados eram de outra natureza que não a dos homens contemporâneos: estas ruínas de povos foram antes criadores, membros de uma civilização que estaria sendo reconstituída pela nobreza do Império, pelos representantes da cultura ilustrada do Brasil (FERREIRA, 1999: 28).

      

47   Objectos da Amazónia presentes neste Museu figuram in BARRY, Iris e CORRÊA, Conceição G. (2002)- Amazonie précolombienne: Musée Barbier-Mueller, Genève, 23 avril au 23 septembre, Milan: 5 continents éditions. E também in BARRY, Iris e CORRÊA, Conceição G. (2007)- Amazonia. Brasil prehistórico, Barcelona: Museu Barbier-Mueller art precolombí.

Ao longo do século XIX, os cientistas Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868) e Francisco Adolfo de Varnhagen (1816-1878) constituíram a teoria da "degeneração indígena" qualificando os ameríndios seus contemporâneos de "ruínas de povos"48. Esta ideia estava associada à hipótese de uma origem asiática, fenícia, nórdica ou incaica das populações da Amazónia as quais, tendo chegado a um elevado "grau civilizacional", teriam acabado por degenerar, sendo os ameríndios da época vistos como verdadeiros fósseis de uma civilização antiga e desaparecida.

Das várias ideias então desenvolvidas sobre a origem dos ameríndios, valerá a pena destacar as hipóteses de João Barbosa Rodrigues. Os seus trabalhos sobre os muiraquitãs de pedra associadas às míticas guerreiras amazonas levaram-no a atribuir uma origem asiática às populações da Amazónia (1899). Noutro sentido, trabalhos realizados sobre machados líticos fizeram-no pensar na hipótese de uma migração de populações vikings que se teriam deslocado da Gronelândia para o território onde viriam a formar-se os Estados Unidos da América, e teriam chegado ao Norte da América do Sul durante o século X, assumindo-se a ilha do Marajó o seu último destino. No entanto, lembramos que essas ideias serão revistas após a descoberta na cidade de Amargosa (Bahia) de artefactos líticos e blocos de nefrite em estado bruto, testemunhos de fabricos locais da autoria dos próprios ameríndios.

Ladislau Netto, por seu lado, atribuiu uma origem asiática às populações sul- americanas, destacando as do Marajó como sendo de origem incaica. Numerosos investigadores desta época realizaram colheitas nos sítios arqueológicos do Marajó e assumiram conclusões que seriam exploradas posteriormente.

O já mencionado director do Museu Nacional no Rio de Janeiro, Ladislau Netto, efectuou numerosas recolhas na ilha do Marajó que foram levadas a público na Exposição Antropológica de 188249. Dos seus estudos sobressaem algumas ideias interessantes, como

      

48   Aconselha-se um artigo que propõe uma reflexão sobre a persistência desta teoria, redigido por NOELLI, Francisco Silva e FERREIRA, Lúcio Menezes (2007) - “A persistência da teoria da degeneração indígena e do colonialismo nos fundamentos da arqueologia brasileira”, in História, Ciência, Saúde-

Manguinhos, vol.14, n.4, pp.1239-1264.

49   Para uma breve descrição da exposição, aconselhamos a consulta de LANGER, Johnnie e RANKEL, Luiz Fernando (2004)- “A Exposição Antropológica de 1882”, in Revista Museu. Encontram-se muitas informações sobre as teorias elaboradas a cerca dos ameríndios brasileiros durante a Época Imérial na tese de doutoramento do mesmo autor (2001).

sejam a ligação de machados líticos encontrados na ilha a possíveis trocas comerciais ou a interpretação da decoração das peças enquanto escrita simbólica, nelas reconhecendo formas animalistas disfarçadas. Outra ideia que encontrará alguma continuidade será evocada por Domingos Soares Ferreira Penna (1818-1888), fundador do Museu Paraense Emílio Goeldi, que nas suas escavações no Marajó pensava estar diante de uma civilização decadente, constatando uma variação na qualidade dos artefactos em função da estratigrafia encontrada.

As primeiras escavações na ilha do Marajó foram realizadas por investigadores que participaram na constituição de algumas das maiores colecções museológicas hoje existentes. Muitos deles visitaram ou escavaram o famoso teso de Camutins, lugar onde, como já referimos, ocorreu a recolha de Victor Bandeira e Françoise Carel-Bandeira. Orville Derby (1851-1915) organizou uma colecção da qual grande parte se encontra no Peabody Museum of Ethnology em Cambridge. Em 1876 visitou o lago Arari e o grupo de tesos d’ "Os Camutins", formando uma outra colecção que se acha actualmente no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Numa descrição que faz do teso de Camutins, menciona o carácter artificial do teso e cita como elemento de prova o reconhecimento do lugar de onde teria sido retirada a terra para a sua construção. Também indica que as tangas encontradas eram maioritariamente recobertas de engobo vermelho. As peças recolhidas por Ladislau Netto entre 1925 e 1928

foram repartidas entre o Volkerkunde Museum em Berlin, o Museo Nazionale d´Antropologia

e Etnologia em Firenze, o British Museum e o Statens Etnografiska Museet in Stockholm. William Curtis Farabee (1865-1925) também realizou escavações no Marajó, na Fortaleza da região do lago Arari e no teso de Camutins, entre Novembro e Dezembro de 1915, tendo levado as suas recolhas para a University Museum in northern South America. Assumiu algumas hipóteses importantes na sua investigação, como fosse a possibilidade de as urnas funerárias grandes terem tido a função de armanazenar água antes de serem utilizadas para os enterramentos – hipótese que nunca foi desacreditada -, ou a ideia de que as urnas podiam ser recobertas de uma tigela pintada ou um prato em posição invertida. Relativamente aos enterramentos, afirmou que os corpos foram enterrados em posição sentada dentro das urnas.

1.3.2.3.2. Investigações arqueológicas sobre as culturas da ilha do Marajó nos séculos

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