4. Resultater
5.1 Hvordan skårer ungdomsskolelærere på en kunnskapsprøve om dysleksi?
Os valores defendidos pela tradição judaico-cristã foram e ainda o são de grande auxílio para que os homens alcancem maior consciência moral de sua conduta. Eles agem no sentido de um “despertar de consciências” que capacita o homem a abandonar ideologias e culturas de crueldade e de “coisificação” do ser humano.
O passado é testemunha da crueldade com que o homem pode tratar seu semelhante, basta lembrarmos dos campos de concentração e câmaras de gás do nazismo ou mesmo a escravidão que arrancou milhões de negros de sua terra natal para uma situação de absoluta indignidade.
É Fábio Konder Comparato quem expressa o contributo das duas grandes religiões monoteístas cristãs para o mundo:
[...] as prescrições dadas por Deus a Moisés não eram apenas cultuais, mas também morais: o povo de Israel assumiu o dever não apenas de prestar um culto a Iahweh, de acordo com o ritual prescrito, mas também de viver de modo justo e digno351.
350 HABERMAS, Jürgen. Entre naturalismo e religião: estudos filosóficos. Tradução Flávio Beno Siebeneichler, Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2007, p. 125.
351
COMPARATO, Fábio Konder. Ética: direito, moral e religião no mundo moderno. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
Neste ponto, toma-se a liberdade de citar alguns textos bíblicos, a fim de fundamentar a colocação acima.
No judaísmo, Isaías indicava que Deus quer a prática do bem antes de uma religião meramente de rituais e sacrifícios afirma:
Que me importam os vossos inúmeros sacrifícios? [...] Basta de trazer-me oferendas vãs:
Elas são para mim um incenso abominável.[...] Tirai da minha vista as vossas más ações! Cessai de praticar o mal,
Aprendei a fazer o bem!
Buscai o direito, corrigi o opressor!
Fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva!352
Jesus Cristo veio acentuar que de nada adianta uma vida de perfeição ritual na obediência aos preceitos, se se pratica a injustiça e a opressão. Recorde-se o quanto o farisaísmo irritava o Rabi Nazareno:
Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, que pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas omitis as coisas mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Importava praticar estas coisas, mas sem omitir aquelas. Condutores cegos, que coais o mosquito e tragais o camelo! [...]
[...] Sois semelhantes a sepulcros caiados, que por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e toda a podridão. Assim também vós: por fora pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e iniquidades.353”
A respeito do apego excessivo ao dinheiro foi enfático ao dizer: “Ninguém pode servir a dois senhores. Com efeito, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará ao primeiro e desprezará o segundo. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro”354
O Cristo veio revelar que o mandamento mais importante é o Amor, pois Deus é Amor e nos amou primeiro e porque Ele nos ama somos também capazes de amar a Deus e ao próximo, ainda que se trate de um inimigo.
O modelo da ética cristã, segundo Fábio Konder Comparato é renunciar ao egoísmo e dar a vida pelo outro. É um modelo católico, isto é, universal e, portanto:
352 Bíblia de Jerusalém, Edições Paulinas, 6ª. Impressão, São Paulo, 1993, p. 1359.
353 Bíblia de Jerusalém, Edições Paulinas, 6ª. Impressão, São Paulo, 1993, Mateus 23, 23-27. 354 Bíblia de Jerusalém, Edições Paulinas, 6ª. Impressão, São Paulo, 1993, Mateus 6, 24.
Sob o aspecto ético, em suma, a pessoa histórica de Jesus Cristo, independentemente da fé em sua divindade, representou, pela sua vida e o seu ensinamento, um modelo excepcional de perfeição humana, que serviu de exemplo a um número incontável de homens e mulheres de todas as culturas, através dos séculos355.
Muito mais significativa do que a ideia de igualdade é a ideia de fraternidade, em que se deseja fazer o bem ao outro, reconhecido como irmão:
A razão, por si só, é capaz de ver a igualdade entre os homens e estabelecer uma convivência cívica entre eles, mas não consegue fundar a fraternidade. Esta tem origem numa vocação transcendente de Deus Pai, que nos amor primeiro, ensinando-nos por meio do Filho o que é a caridade fraterna. 356
Mesmo no islamismo Deus é Bom e Misericordioso, é Ele o modelo da perfeição a ser seguido357.
Pois bem, as três grandes religiões monoteístas tem como base o Deus único que é Amor e que fez os homens à sua imagem e semelhança, bem como destinatário de sua Graça Divina. Não é mero acidente da natureza:
O homem não é um átomo perdido num universo casual, mas é uma criatura de Deus, à qual quis dar uma alma imortal e que desde sempre amou. Se o homem fosse fruto apenas do acaso ou da necessidade, se as suas aspirações tivessem de reduzir-se ao horizonte restrito das situações em que vive, se tudo fosse somente história e cultura e o homem não tivesse uma natureza destinada a transcender-se numa vida sobrenatural, então poder-se-ia falar de incremento ou de evolução, mas não de desenvolvimento.358
Este é o fundamento universal da dignidade humana, pois Deus é o Criador do homem, a quem concedeu uma alma imortal, capaz de conhecê-Lo. A dignidade humana está indissoluvelmente ligada à origem do homem em Deus.
Neste sentido:
[...] nas três grandes religiões monoteístas, a pessoa do Deus Único é apresentada como modelo de vida para o ser humano, cuja
355
COMPARATO, Fábio Konder. Ética: direito, moral e religião no mundo moderno. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p 453.
356 BENTO XVI, Papa Emérito Emérito. Caritas in veritate. 2a. ed., São Paulo: Paulinas, 2009, p. 29. 357 COMPARATO, Fábio Konder. Ética: direito, moral e religião no mundo moderno. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 452.
dignidade situa-se em sua dupla condição de criatura moldada segundo a imagem e semelhança do Criador, e de criatura benficiária do especial favor divino.
Essa concepção foi decisiva para a elaboração histórica do conceito de pessoa humana e para o seu reconhecimento como padrão ético, mesmo fora da relação religiosa359.
Propõe Jacques Maritain uma obra comum: uma comunidade fraternal a realizar, como uma obra humana a realizar na terra pela passagem de algo divino, que é o amor, nos meios humanos e no próprio trabalho humano. Ele propõe sair de uma religiosidade meramente cultual para a prática da Justiça e do Amor.360
Neste sentido se desenvolveu na Igreja Católica sua Doutrina Social, com objetivo de anunciar a verdade que liberta, a favor de uma sociedade à medida do
homem, da sua dignidade, da sua vocação.361
A preocupação da Igreja Católica com a miséria e a injustiça social se expressa nessa mensagem em que preceitua o desenvolvimento humano integral, que não se realizará prescindindo de Deus:
[...] tal desenvolvimento requer uma visão transcendente da pessoa, tem necessidade de Deus: sem Ele, o desenvolvimento ou é negado ou acaba confiado unicamente às mãos do homem, que cai na presunção da autossalvação e acaba por fomentar um desenvolvimento desumanizado.362
E, portanto, por entender que o homem tem uma vocação ao desenvolvimento, cuja referência é o desígnio de Deus para ele, a Igreja Católica se vê como legitimada a intervir nas questões sociais, iluminando-as com a luz do Evangelho:
È precisamente este fato que legitima a intervenção da Igreja nas problemáticas do desenvolvimento. Se este tocasse apenas aspectos técnicos da vida do homem, e não o sentido do seu caminhar na história juntamente com seus irmãos, nem a individuação da meta de tal caminho, a Igreja não teria título para falar. [...] Dizer que o desenvolvimento é vocação equivale a reconhecer, por um lado, que
359 COMPARATO, Fábio Konder. Ética: direito, moral e religião no mundo moderno. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p 452.
360 MARITAIN, Jacques. Humanismo integral: uma visão nova da ordem cristã. Tradução de Afranio Coutinho, São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1942, passim.
361 BENTO XVI, Papa Emérito. Caritas in veritate. 2a. ed., São Paulo: Paulinas, 2009, p. 14. 362 BENTO XVI, Papa Emérito. Caritas in veritate. 2a. ed., São Paulo: Paulinas, 2009, p. 18.
o mesmo nasce de um apelo transcendente e por outro, que é incapaz, por si mesmo de atribuir-se o próprio significado último.363
Segundo o entendimento dos papas, qualquer proposta de desenvolvimento que se funde em si mesmo, acaba por tornar o ser humano um meio para obtenção desse desenvolvimento, enquanto “quem acolhe uma vocação se transforma em verdadeira autonomia, porque torna a pessoa livre”.364
Isto porque o desenvolvimento deve ser integral, isto é, “de todos os
homens e do homem todo”.365
Vale trazer, a citação do Papa Emérito Bento XVI que recorda outro pontífice Paulo VI, autor da Encíclica Populorum Progressio, sobre as causas do subdesenvolvimento:
[...] as causas do subdesenvolvimento não são primariamente de ordem material, convidando-nos a procurá-las noutras dimensões do homem. Em primeiro lugar, na vontade, que muitas vezes descuida os deveres da solidariedade. Em segundo, no pensamento, que nem sempre saber orientar convenientemente o querer; por isso, para a prossecução do desenvolvimento servem “pensadores capazes de reflexão profunda, em busca de um humanismo novo, que permita ao homem moderno o encontro de si mesmo”. E não é tudo; o subdesenvolvimento tem uma causa anda mais importante do que a carência de pensamento: é “a falta de fraternidade entre os homens e entre os povos”.366
Pois bem, a fraternidade que exige o saudável desenvolvimento integral não é possível de se alcançar somente por meio de forças humanas, mas “tem origem numa vocação transcendente de Deus Pai, que nos amou primeiro, ensinando-nos por meio do Filho o que é a caridade fraterna”.
Para alguns este discurso poderia ser contestado como sendo apenas argumento de cunho religioso, não devendo ser utilizado para fundamentar qualquer tipo de norma ou decisão judicial ou administrativa. Não deveria nem mesmo ser citado num trabalho acadêmico.
Mas o fato é que essa proposta cristã é universal, isto é, cabe a todos, admite o pluralismo e não exige a profissão de fé nos dogmas religiosos.
363 BENTO XVI, Papa Emérito. Caritas in veritate. 2a. ed., São Paulo: Paulinas, 2009, p. 24. 364 BENTO XVI, Papa Emérito. Caritas in veritate. 2a. ed., São Paulo: Paulinas, 2009, p. 26. 365 BENTO XVI, Papa Emérito. Caritas in veritate. 2a. ed., São Paulo: Paulinas, 2009, p. 27. 366 BENTO XVI, Papa Emérito. Caritas in veritate. 2a. ed., São Paulo: Paulinas, 2009, p. 29.
A Igreja Católica, assim como outras religiões, podem trazer à tona valores esquecidos ou preteridos pela sociedade moderna e que acabam gerando tantas injustiças e enganos.
Tais valores interessam não apenas à religião, mas à filosofia, à política e à sociedade como um todo, que deseja construir um mundo melhor.
Outra grande preocupação demonstrada pelos papas é o plano cultural, que, se de um lado padece de um relativismo que não ajuda num verdadeiro diálogo intercultural, onde cada qual deve assumir sua própria identidade; de outro corre o risco do nivelamento cultural com a homogeneização dos comportamentos e estilos de vida:
Ecletismo e nivelamento cultural convergem no fato de separar a cultura da natureza humana. Assim, as culturas deixam de saber encontrar a sua medida numa natureza que as transcende, acabando por reduzir o homem a simples dado cultural. Quando isto acontece, a humanidade corre novos perigos de servidão e manipulação. 367
Habermas nos socorre na defesa desses argumentos. Não porque seja um filósofo religioso como Maritain, mas por ter já compreendido a necessidade de que os racionalistas se abram a um diálogo pluralista procurando “decifrar” a racionalidade existente nos argumentos provenientes das tradições religiosas.
O filósofo afirma:
[...] defendo a tese hegeliana, segundo a qual, as grandes religiões constituem parte integrante da própria história da razão. Já que o pensamento pós-metafísico não poderia chegar a uma compreensão adequada de si mesmo caso não incluísse na própria genealogia as tradições metafísicas e religiosas [...]368.
Ele considera um “desleixo” entender as grandes tradições religiosas apenas um resíduo arcaico da história:
[...] as tradições religiosas conseguiram articular a consciência daquilo que falta. Elas mantém viva a sensibilidade para o que falhou. Elas preservam na memória dimensões de nosso convívio
367 BENTO XVI, Papa Emérito. Caritas in veritate. 2a. ed., São Paulo: Paulinas, 2009, p. 41.
368 HABERMAS, Jürgen. Entre naturalismo e religião: estudos filosóficos. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2007, p. 13.
pessoal e social, nas quais os progressos da racionalização social e cultural provocaram danos irreparáveis.369
O mesmo autor reconhece que, pelo menos da parte da Igreja Católica, não há oposição ao fundamento do direito e da moral na razão.370
A razão não pode se arrogar a coroa da superioridade, pois sozinha pode ser muito perigosa, é capaz de destruir e construir, colocando o ser humano sob sua égide, submetendo alguns em prol de outros, de acordo com a conveniência do momento e de quem está no poder. De outro lado, uma religião não pode exigir que o mundo se submeta a suas crenças, modo de ver o mundo, utilizando-se de extremismos e terrorismo.
Neste sentido, de um lado, os cidadãos religiosos devem aprender a compatibilizar sua fé com o fato de viverem num Estado laico e pluralista, e de outro, os cidadãos não religiosos devem aprender a avaliar os argumentos religiosos na perspectiva de descobrir neles um conteúdo racional.371
Significa dizer, em suma, que, nem o religioso pode refutar um argumento não religioso, desde que racional, nem é possível aos cidadãos não crentes afastarem, a priori, um argumento somente por ter sido apresentado por uma visão religiosa, que, por si só já implicaria sua irracionalidade.
Isto é, o fato de o Estado ser laico e a sociedade secularizada não pressupõe o descarte imediato de motivações religiosas, por serem o que são, ou seja:
Um são pluralismo, que respeite verdadeiramente aqueles que pensam diferente e os valorizem como tais, não implica uma privatização das religiões, com a pretensão de as reduzir ao silêncio e à obscuridade da consciência de cada um ou à sua marginalização no recinto fechado das igrejas, sinagogas ou mesquitas. Tratar-se-ia, em definitivo, de uma nova forma de discriminação e autoritarismo.372
369 HABERMAS, Jürgen. Entre naturalismo e religião: estudos filosóficos. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2007, p. 14.
370 HABERMAS, Jürgen. Entre naturalismo e religião: estudos filosóficos. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2007, p. 117.
371 HABERMAS, Jürgen. Entre naturalismo e religião: estudos filosóficos. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2007, p. 12.
Pelo contrário, a neutralidade necessária a um Estado laico não permite qualquer tipo de preferência, seja por uma determinada religião, seja pela não religião.
É necessário que as partes interessdas falem e se ouçam, sem que uma descarte a outra simplesmente por ser ou não religiosa:
Cidadãos secularizados não podem, à proporção que se apresentam no seu papel de cidadãos do estado, negar que haja, em princípio, um potencial de racionalidade embutido nas cosmovisões religiosas, nem contestar o direito dos concidadãos religiosos a dar, em uma linguagem religiosa, contribuições para discussões públicas. Uma cultura política liberal pode, inclusive, manter a expectativa de que os cidadãos secularizados participarão dos esforços destinados à tradução – para uma linguagem publicamente acessível – das contribuições relevantes contidas na linguagem religiosa.373
Isto porque “a formação da opinião e da vontade não pode ser canalizada por meio de censuras à linguagem nem isolada das possíveis fontes geradoras de sentido” 374.
Repita-se, que Habermas compreende isto do ponto de vista filosófico de uma crítica fundamental à autocompreensão pós-metafísica da modernidade ocidental, que não se alinha nem com a cosmovisão secular científica, nem com a religiosa. Parte, por esta razão, de uma posição neutra em relação aos dois lados: “pois desconfia tanto das sínteses das ciências naturais como das verdades reveladas”375, e pretende a substituição de concepções religiosas do mundo por
sistemas de normas e valores consensualmente elaborados pelos atores do sistema em situações dialógicas livres de repressão.
Mas não nega que religião e crenças de um lado, e, de outro, razão e ciência, devem reconhecer a importância uma da outra, bem como seus próprios limites, pautando-se pelo bem comum e pelo respeito à pessoa humana e seu modo de vida.
Portanto, só é possível a legitimação do direito por meio de um processo democrático que se alimente de dois fatores, quais sejam:
373 HABERMAS, Jürgen. Entre naturalismo e religião: estudos filosóficos. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2007, p. 128.
374 HABERMAS, Jürgen. Entre naturalismo e religião: estudos filosóficos. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2007, p. 12.
375 HABERMAS, Jürgen. Entre naturalismo e religião: estudos filosóficos. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2007, p. 13.
a participação política simétrica dos cidadãos, a qual garante aos destinatários das leis a possibilidade de se entenderem, ao mesmo tempo, como seus autores; e da dimensão epistemológica de certas formas de uma disputa guiada discursivamente, as quais fundamentam a suposição de que os resultados são aceitáveis em termos racionais.376
Implica afirmar que os cidadãos devem respeito uns aos outros, independentemente de suas cosmovisões ou crenças, como membros de uma comunidade política, dotados de direitos iguais. Devem procurar o consenso motivado racionalmente, o que os obriga a apresentar argumentos convincentes.
É somente com a apresentação de argumentos de parte a parte, com ampla participação de todos os setores da sociedade que o Estado perde seu caráter eminentemente repressivo, fato que ocorre quando apenas uma visão de mundo domina o cenário político.377
Ressalte-se, para evitar compreensões equivocadas, que, Habermas não abre mão da justificativa secular para as decisões no âmbito político.
Com efeito, ele apenas não concorda com a posição laicista, de acordo com a qual deve haver a completa exclusão da religião do debate político, relegando-as às suas esferas privadas. Ele aceita, inclusive, que deve haver uma abertura dos cidadãos não crentes para reconhecer que a fé pode dar reais contribuições para a construção de uma sociedade pautada por valores éticos.
O que importa é não excluir qual opinião seja (desde que razoável) do processo democrático, sob pena de deslegitimá-lo. O diálogo é o melhor caminho para manter a solidariedade necessária ao Estado liberal e neutro, sem desmotivar cidadãos crentes à participação política.