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Hvordan presenteres partiene som de kulturpolitiske tekstene representerer? 51

9. Adressivitet

9.1 Hvordan presenteres partiene som de kulturpolitiske tekstene representerer? 51

Ao todo, foram realizados oito encontros em cada instituição, que aconteciam uma vez por semana com duração aproximada de duas horas. As oficinas no primeiro grupo aconteceram de abril a julho de 2014. Dez mulheres iniciaram o processo e sete participaram até o fim. O segundo grupo aconteceu de março a maio de 2015. Inicialmente, outras dez mulheres participaram. Dessas, oito permaneceram até o último encontro.

Cada ciclo da ação foi precedido por visitas ao local com o intuito de apresentar o projeto aos coordenadores das instituições, conhecer o ambiente onde seriam realizadas as oficinas e estabelecer contatos iniciais com os responsáveis e com as mulheres que comporiam o grupo.

Primeiramente, buscou-se criar um vínculo do grupo de mulheres com as pesquisadoras e entre elas, conhecer suas percepções sobre a alimentação, identificar necessidades e prioridades e as primeiras impressões sobre a identidade e cultura local. É importante que, nesse momento, ocorra entre os educadores e educandos uma empatia, para que o diálogo entre eles encoraje o sujeito a referenciar suas questões, contar sua história de vida, seus desejos e seus objetivos perante o processo. (45)

Conhecer os saberes e práticas de determinados grupos sociais e compreender os modos de pensar e agir que lhes sustentam faz parte de um processo de “escuta” que orienta e dá sentido às dimensões sensoriais, cognitivas e simbólicas da alimentação. Além disso, possibilita o “encontro” e o “diálogo” entre os saberes e práticas alimentares da população e as políticas públicas e ações sobre o tema. Tais políticas e ações devem ser pensadas a partir de uma perspectiva participativa e inclusiva, capaz de respeitar e valorizar a diversidade de expressões da identidade e da cultura alimentar, reconhecendo e difundindo a riqueza dos alimentos, das preparações, das combinações e das práticas alimentares locais e regionais. (46)

ser destacados. O primeiro diz respeito ao patrimônio cultural intangível8, com destaque para a proteção dos conhecimentos e formas de expressão tradicionais, assim como dos direitos culturais e intelectuais a eles associados. O outro, presente no princípio III do MREAN, é a proteção e valorização da diversidade cultural e alimentar, tanto associada a questões socioambientais, quanto aos bens e serviços produzidos no contexto da economia local e regional. (16)

Essa conjuntura traz à tona uma série de questões teóricas e práticas, que dizem respeito ao reconhecimento da identidade, da diferença e dos valores localmente atribuídos à alimentação, suas repercussões na saúde e consequente geração de demandas para as políticas públicas de alimentação e nutrição.

A partir desse contato inicial, para conhecimento dos saberes e práticas e identificação de impressões sobre a identidade e cultura local, foi possível iniciar um diálogo sobre as expectativas com relação às atividades que seriam realizadas. Dessa forma, temáticas e abordagens condizentes com as características e necessidades locais foram pensadas entre a equipe de pesquisadoras e as mulheres. O que acontecia em uma oficina era subsídio para o planejamento da próxima e, no fim de cada encontro, realizava-se uma avaliação, quando novas demandas eram detectadas para serem trabalhadas no encontro seguinte.

Vale ressaltar que esse processo de planejamento participativo e abrangente não é um "tudo é possível". De acordo com Santos (2013) seu objetivo é:

“aprofundar uma discussão epistemológica de maneira a promover um rigor de ciência na qual os critérios de cientificidade e de verdade vigentes, de fundamento positivista, possam ser profunda e responsavelmente repensados.” (47)

8

Segundo a Unesco, o Patrimônio Cultural Imaterial refere-se "as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas - junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados - que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural." Esse Patrimônio é transmitido de geração em geração e constantemente recriado pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história. (96)

O roteiro de cada oficina era montado pelas pesquisadoras, também de forma participativa, a partir das demandas levantadas. Nele, eram definidas as atividades que seriam desenvolvidas, quem as realizaria, os materiais necessários e os objetivos a serem atingidos. Ressalta-se que os objetivos gerais de ambos os grupos eram similares, contudo, as atividades eram desenvolvidas de acordo com as especificidades e necessidades de cada um.

O Quadro 02, a seguir, apresenta de forma sucinta os objetivos e as atividades desenvolvidas em cada uma das oficinas do grupo 1 e 2.

Quadro 2 - Objetivos e atividades desenvolvidas nas oficinas de cada grupo - Recanto das Emas/DF - 2014/15 Nº da oficina Objetivos Atividades desenvolvidas - grupo 1 - Atividades desenvolvidas - grupo 2 - 1

- Iniciar o vínculo do grupo com as pesquisadoras e entre as participantes - Resgatar memórias em relação à alimentação - Mapear inquietações e interesses sobre alimentação

- Acordar o corpo - dinâmica de alongamento

- Dinâmica de crachás (como gosto de ser chamada e se eu fosse uma comida eu

seria...)

- Conhecendo inquietações relacionadas à alimentação - o que lhe faz feliz/satisfeita e o que a preocupa/desgosta em relação à

alimentação

- Conhecendo as expectativas do grupo - por que se interessaram pelas oficinas, o que querem aprender, o que gostariam de

conversar sobre alimentação? - Elaboração do caderno de receitas e

conversa sobre receitas de família - Dança circular

- Lanche coletivo

- Acordar o corpo - dinâmica de alongamento e automassagem - Dinâmica de crachás (como gosto de ser chamada e se eu fosse uma comida

eu seria...)

- Conhecendo as expectativas do grupo - por que se interessaram pelas oficinas, o que querem aprender, o que gostariam

de conversar sobre alimentação? - Elaboração do caderno de receitas e

conversa sobre receitas de família - Dança circular

- Lanche coletivo

2

- Retomar encontro anterior - Aprofundar a identificação

dos interesses sobre alimentação - Identificar de forma geral

os padrões de consumo - Identificar o perfil social e de saúde das participantes

- Acordar o corpo - estória - Roda de conversa: impressões e

memórias do encontro anterior - Identificação do perfil social e de saúde

(questionário)

- Identificação dos padrões de consumo (como são as minhas refeições -

quantidades e combinações) - Montagem de cardápio saudável

- Troca de receitas - Dança circular - Lanche coletivo

- Acordar o corpo - alongamento - Roda de conversa - impressões e

memórias do encontro anterior - Conhecendo inquietações relacionadas

à alimentação - o que lhe faz feliz/satisfeita e o que a preocupa/desgosta em relação à

alimentação

- Identificação dos padrões de consumo (como são as minhas refeições -

quantidades e combinações) - Montagem de cardápio saudável

- Troca de receitas - Lanche coletivo

3

- Abordar a cultura alimentar de diferentes grupos e povos como resultados da integração com o ambiente

(grupo 1) - Conhecer os desejos relacionados à alimentação

(grupo 2)

- Acordar o corpo - Roda de conversa: impressões e

memórias do encontro anterior - Cerimônia do chá - Vídeo sobre a influência de outras

culturas na culinária brasileira; - Roda de conversa: quais são minhas

origens e lembranças relacionadas à minha cultura / por que é importante

resgatar essas memórias? - Troca de receitas

- Dança circular - Lanche coletivo

- Boas vindas;

- Impressões e memórias do encontro anterior;

- Identificação dos desejos individuais relacionados à alimentação - se estivessem sozinhas em casa por uma

semana e pudessem decidir sobre as refeições - como elas seriam? - Reflexão sobre o papel de cuidadora; - Identificação do perfil social e de saúde

(questionário) Troca de receitas

4

- Refletir sobre o desafio da alimentação diante da rotina

das mulheres

- Acordar o corpo - alongamento; - Roda de conversa: impressões e memórias do encontro anterior - Montando o nosso dia - diário coletivo

(atividades, compromissos, responsabilidades do acordar ao dormir) - Conversa sobre caminhos, possibilidades

e alternativas para dificuldades apontadas - Vídeo do ponto (tudo começa e termina

em mim) e conversa: diante de tantas demandas e deveres qual o espaço para

mim, minhas vontades e meus sonhos? - Troca de receitas

- Lanche coletivo

- Acordar o corpo - alongamento; - Roda de conversa: impressões e memórias do encontro anterior - Montando o nosso dia - diário coletivo

(atividades, compromissos, responsabilidades do acordar ao dormir)

- Conversa sobre caminhos, possibilidades e alternativas para

dificuldades apontadas

- Vídeo do ponto (tudo começa e termina em mim) e conversa: diante de tantas demandas e deveres qual o espaço para

mim, minhas vontades e meus sonhos? - Troca de receitas - Lanche coletivo 5 - Compartilhar práticas e conhecimentos sobre aspectos de interesse relacionados à alimentação adequada e saudável

- Acordar o corpo – alongamento; - Roda de conversa: impressões e memórias do encontro anterior; - Dinâmica sobre alimentação adequada e saudável – o que eu faço, o que eu posso compartilhar, o que eu posso fazer (grupo destacou as seguintes questões para serem trabalhadas: como enriquecer as

preparações, como preservar o valor nutritivo das preparações, como equilibrar

refeições, como variar cardápios) - Troca de receitas

- Lanche coletivo

- Acordar o corpo - alongamento; - Roda de conversa: impressões e memórias do encontro anterior; - Dinâmica sobre alimentação adequada

e saudável – o que eu faço, o que eu posso compartilhar, o que eu posso fazer (grupo destacou as seguintes questões para serem trabalhadas: como reduzir o consumo de óleo, como reduzir o consumo de açúcar, como variar a preparação de saladas utilizando frutas)

- Apresentação da quantidade de açúcar, gordura e sal nos alimentos

industrializados;

- Dinâmica sobre os rótulos de alimentos - Troca de receitas - Lanche coletivo 6 - Identificar os territórios e roteiros relacionados à alimentação e compartilhar roteiros e conhecimentos entre as participantes (grupo

1)

- Conversar sobre as recomendações do Guia Alimentar para a População

Brasileira, colher impressões, entendimento, viabilidade e desafios (grupo

2)

- Acordar o corpo - Roda de conversa: impressões e

memórias do encontro anterior - Cartografia afetiva – identificando e mapeando o território: Onde moro, Quem

compra os alimentos? Onde compra? O que há perto de mim? Como compra

(transporte/periodicidade)? O que é possível adquirir? Como organizar compras com orçamento? Há produtores

por perto? O que gostam, o que não gostam e como gostariam que fosse?

Sugestões sobre produção, comercialização e acesso aos alimentos e

refeições no Recanto das Emas - Criando oportunidades para comer frutas

- Lanche coletivo

- Boas vindas

- Roda de conversa: impressões e memórias do encontro anterior - Apresentação e e problematização das recomendações do Guia Alimentar

para População Brasileira - possibilidades e desafios

- Troca de receitas - Lanche coletivo

7

- Rever a trajetória até aqui e estabelecer compromissos individuais e com o ambiente (grupo 1) - Identificar o territórios e roteiros relacionados à alimentação e compartilhar roteiros e conhecimentos entre as participantes (grupo

2)

- Dança circular

- Relembrando cada um dos encontros - o que ficou de mais importante (registro em

cartolinas)?

- Balanço das expectativas e atividades realizadas

- Definição de compromissos individuais com relação à alimentação e rotina. - Definição de compromissos do grupo com a instituição – intenção de ampliar resultados e compartilhar benefícios. - Roda de conversa: quais podem ser os

primeiros passos para organização e cumprimento dos compromissos?

- Troca de receitas - Lanche coletivo

- Acordar o corpo - Roda de conversa: impressões e

memórias do encontro anterior - Cartografia afetiva – identificando e

mapeando o território: Onde moro, Quem compra os alimentos? Onde compra? O que há perto de mim? Como

compra (transporte/periodicidade)? O que é possível adquirir? Como organizar compras com orçamento? Há produtores por perto? O que gostam, o que não gostam e como gostariam que fosse?

Sugestões sobre produção, comercialização e acesso aos alimentos

e refeições no Recanto das Emas - Elaboração coletiva do sal de ervas

- Lanche coletivo

8

- Retomar compromissos - compartilhamento de experiências (grupo 1) - Rever a trajetória até aqui

- Acordar o corpo - dança - Revisitando compromissos - foi possível

realizá-los / como foi? / quais as dificuldades encontradas?

- Boas vindas

- Relembrando cada um dos encontros - o que ficou de mais importante? (registro

e estabelecer compromissos individuais e com o ambiente (grupo 2) - Fazer balanço e fechamento do processo

- Os bordados e suas dimensões - os significados e dimensões do que fazemos,

nós é que damos - Leitura de poesia - Agradecimento e celebração

- Lanche coletivo

- Balanço das expectativas e atividades realizadas

- Roda de conversa: quais compromissos quero fazer comigo / quais podem ser os primeiros passos para organização e cumprimento dos

compromissos? Troca de receitas Agradecimento e celebração

- Lanche coletivo

As oficinas tinham como fio condutor a identificação constante das prioridades e interesses do grupo e a utilização de diferentes técnicas de ensino-aprendizagem (ativas, lúdicas e problematizadoras) para proporcionar o diálogo e a reflexão junto às participantes e mobilizar, não apenas a expressão falada, mas também escrita, imagética e simbólica, fomentando, assim, o envolvimento e a participação das interlocutoras. Também foram elaborados, durantes as oficinas, esquemas gráficos e mapas para registrar as trocas que aconteciam.

Os encontros eram finalizados com um lanche coletivo relacionado ao tema trabalhado no dia. As receitas eram previamente preparadas pela equipe de pesquisadoras e impressas para serem anexadas a um caderno de receitas personalizado, confeccionado no primeiro encontro. Esse caderno constituiu a memória das temáticas trabalhadas e do processo. Durante as oficinas, as mulheres também eram incentivadas a trazer suas próprias receitas para trocar com o grupo e registrar no caderno sentimentos, pensamentos e aprendizados.

Foram trabalhadas ao longo do processo as seguintes questões: o que gostam e o que não gostam em relação à alimentação e à comida; o que as deixam satisfeitas ou preocupadas; o que gostariam de aprender e conversar; o que gostariam de mudar; como é realizada a alimentação dentro e fora de casa; como é a cultura alimentar de diferentes grupos e povos e como a cultura influencia a alimentação; quais são suas memórias e lembranças relacionadas à alimentação e por que resgatar essas memórias é importante; como a alimentação se encaixa na rotina do dia a dia; onde e como são adquiridos, preparados e consumidos os alimentos; o que é e não é possível adquirir; por que escolhem ou não determinados tipos de alimentos; quais são

seus sonhos, vontades, anseios, dentre outros questionamentos.

Para Amatuzzi (1989) a educação dialógica, em vez de incentivar que o educador coloque as suas próprias palavras na boca do educando, produzindo nele um falar alienado, visa o emergir da palavra do próprio educando, produzindo uma fala autentica e transformadora. (48)

Essa educação problematizadora, baseada na proposta de Paulo Freire (1981), possibilitou o reconhecimento da identidade e dos valores localmente atribuídos e gerados pela comunidade, assim como, viabilizou a identificação da realidade e dos desafios locais relacionados à SAN. Dessa forma, foi possível desenvolver uma ação educativa que considerasse todas essas questões. (49)

O campo da EAN necessita de métodos e estratégias que deem visibilidade e considerem essa subjetividade que perpassa o processo educativo e os fatores que o cercam. Para tanto, cabe considerar a contribuição do campo da educação popular e participativa e da socioantropologia da alimentação e nutrição que podem trazer possibilidades teórico-metodológicas na construção de estudos mais consistentes no campo da saúde, alimentação e nutrição. (50)

Ao longo das oficinas, como desdobramento do projeto, surgiu a iniciativa de desenvolver uma pesquisa qualitativa para investigar a percepção das educandas e educadoras sobre o processo de ensino-aprendizagem, assim como as repercussões da ação desenvolvida. Dessa forma, seria possível realizar uma avaliação também participativa das oficinas com o intuito de identificar subsídios que poderiam contribuir para o desenvolvimento de ações futuras de EAN à luz do MREAN.