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Hvordan løser vi internasjonale utfordringer sammen?

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A cidade constitui um feito civilizacional que a torna uma das maiores criações do homem e talvez aquela que, como reserva social e cultural, assume o carácter integrador das dimensões tempo e espaço no seu sentido mais abrangente (Paiva, 2009). Esta convicção vista à luz da realidade contemporânea, impele-nos a acentuar particularmente a dimensão tempo, já que

“A cidade é no tempo, está no tempo, está em permanente devir. Mas o tempo não existe, apenas insiste ou persiste. O tempo é uma realidade imaterial, uma intensidade, dependente de um substrato material para se expressar (…)” (Schulz, 2008, p. 206).

Assim, a reverência que nos merece o tempo da cidade do passado face à cidade do presente, revela-nos que a sua cronologia é lenta e justifica a delonga para que lhe possamos perceber o tempo e as razões da existência, que nos primórdios não tinha no tempo razão para a inexistência.

Essa cidade mais próxima dos códigos culturais fundados na possibilidade de não ser ultra- passada por uma temporalidade sem rosto, permitiu a inscrição do tempo sobre o seu espólio, representando hoje um património inestimável face às novas cronologias da vida urbana. São códigos cerzidos pelo natural pulsar de um quotidiano social com tempo – ritmos humanizados que o deambular dos mundos converteu em sinais perenes sobre a superfície implícita do visível. Um gozo supostamente irrepetível face a um tempo novo, incógnito, anónimo que se abeira de nós sem relógio e nos obriga a que sem tempo realizemos objec- tos que reproduzam os limites da temporalidade – já que, como afirmam Gehl & Gemzoe (2000), “O mundo está em mudança feita de descontinuidades entre as escalas e os fenó- menos, uma estranha fluidez onde actuam em silêncio, comprometendo o tempo.” (p. 15). Deste nosso tempo sem tempo ficam os gestos de uma cidade actual feita de passos sonoros e olhares fugazes – a artificialização da vida que coloca em crise a humanização da urbe do tempo do olhar, do tempo de ver, do tempo de observar – do tempo que valida a substância da paisagem física e humana.

A cidade que assim se impõe, altera o modo e o sentido da vida – não somos mais nós, somos outros gestos, outras atitudes, outros fazeres – formas obrigadas de comportamento cujo fim resulta em morte antecipada do prazer de viver e fruir a cidade.

Máquinas velozes, semáforos imediatos, reclamos obsessivos, objectos que nos concedem um tempo erróneo denunciado pela natureza que ciclicamente nos visita – uma cidade sujeita a pressões que uma dada ‘sociedade’ reclama e nos impõe como essência de um progresso hipotético. Assim, “Sem capacidade para ordenar quer o tempo quer o espaço, a socieda- de perdeu os seus guiões e desafia-nos a desaprender a História e a Geografia para que as aprendamos de novo, de modo diferente.” (Fortuna, 2001, p. 27).

A consequência deste novo paradigma inferencial do tempo imposto pelo novo mundo e pela nova engrenagem global remete para uma cidade alternativa, fugaz, qual imagem em dissipação que gera espaços e objectos que se assumem como novos, e simultaneamente capazes de despertar reacções alternativas – a sua apropriação no quadro do novo tempo, ou a sua rejeição face à incapacidade da natureza humana em aceitar a vertigem desse tempo risível. São espaços e objectos desprovidos de alma perante a diversidade de mortais, que

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conscientes da sua finitude, renunciam o que, sem tempo, reivindica o estatuto utópico de eternidade finita.

A usurpação da condição temporal da cidade, entendida como espaço antropológico de apropriação, atenta ainda contra as formas de ser e de estar dos cidadãos, confisca-lhe a dignidade da sua identidade vivencial e a expressão do seu interesse pela sua cidade que está agora “(…) sempre se diferenciando de si mesma, sempre se transformando em uma outra cidade, as formas e funções entram em colapso e as paisagens urbanas revelam, então, reflexos mutáveis no fluxo do tempo.” (Schulz, 2008, p. 14).

As perspectivas enunciadas levantam com pertinência o âmbito e as repercussões sociais que esta adulteração do tempo tem sobre a qualidade das cidades e da vida dos cidadãos, havendo necessidade de se reequacionar, cívica e democraticamente, o papel que o Estado e as organizações cívicas devem assumir em favor de uma nova regulação do tempo das ci- dades e nas cidades. Regulação a favor da qualificação das condições existentes nos espaços destinados ao trabalho, à cultura, à mobilidade e a outras funções em que a marca do tempo é condição primária para o exercício da vida.

Esta alusão acentua a importância do espaço e do tempo na construção do lugar, contrária ao carácter anónimo do seu oposto, que Augé (2005) traduz por não-lugar, e que Ferrara (2002) define como espaço sem nome, genérico e ambíguo, e que ao mesmo tempo o reporta criticamente ao espaço supermoderno, como origem de uma etnologia da solidão.

No quadro da formulação conceptual que chama o tempo e integra os conceitos de espaço e lugar, a oposição destes “(...) só se concretiza quando percebemos que o primeiro é uma abstracção, em confronto com a capacidade que o segundo tem para produzir significados, acções e comportamentos (...)” (Ferrara, 2002, p. 22), possibilidade que justifica a adição do pensamento de Hall (1986), quando refere que “(…) espaço e tempo são instrumentos através dos quais todos os seres humanos podem transmitir mensagens.” (p. 186).

É na confluência destas asserções que merece referência Sá-Chaves (2005c) quando de- fende que a “(...) determinação topológica dos lugares constitui-se como um conjunto de referentes que, quando correspondentes com as determinações temporais, se conjugam na construção de um referencial comum aos sujeitos, assim, dupla e concomitantemente determinados.” (p.26).

Da abordagem genérica aos meandros para-conceptuais do tempo, transitemos para as sub- jectividades da memória, a qual nos deixa perante a dificuldade de uma definição situada e concreta – ou seja, capaz de a converter num conceito mensurável e generalizável a todas as culturas urbanas.

A memória funda-se na génese das realidades sensíveis e é validada pela história que re- gista no tempo os actos e os objectos que permitem invocá-la enquanto recurso revelador da mais profunda razão de ser das gentes e das coisas, já que “(...) a memória histórica é baseada no isolamento de um momento ou período, na busca do que o diferencia do anterior e do posterior, para compreender a transformação, enquanto a memória colectiva trata da permanência e continuidade.” (Brandão, 2008, p. 14).

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A memória legitima o tempo e as acções, num apelo ao respeito pelos testemunhos do pas- sado, como referência e fundamento para, racionalmente, se reequacionar em constância o futuro, tendo por referentes os contributos que, de forma indelével, mas marcadamente assumidos, povoam os espaços de sociabilidade, em que a fusão entre espaço físico e acção humana se vêm processando ao longo do tempo, convertendo-os em lugares de cidadania – subtil certeza que Ferrara (2002) sintetiza assim: “O lugar detém a memória da cidade e demonstra como o tempo é a medida do espaço.” (p. 129).

Ensaiando uma outra perspectiva e de acordo com (Brandão, 2008), “(…) a memória co- lectiva é contínua, definida por adição de referências e por enlaces entre várias memórias:

– Ligadas ao passado: antepassados (história pessoal, local, familiar); – Ligadas a pessoas e acontecimentos especiais (desastres, guerras);

– Ligadas a alterações técnico-económicas (a fabrica, a energia, o transporte); – Ligadas a hábitos culturais ligados ao espaço (festa, religião, desporto, gastrono-

mia).” (p. 14).

Perspectiva que vem confirmar que a memória é uma marca que não se confina ao registo material sobre as coisas num qualquer lugar e tempo, a memória sobrevive para lá das di- mensões explícitas e implícitas – ela está presente e é cúmplice na formação da sociedade que não rejeita a sua história, enquanto texto e contexto que reconta o seu passado e o (re) conduz ao futuro.

Constitui um recurso essencial às dinâmicas de evolução das cidades, conferindo-lhes alma e viabilizando processos de humanização, já que “(…) a memória e o património são um elemento do metabolismo das cidades, não um entrave ao progresso. (…) é por isso que não há cidade histórica sem cidade imaginária. A cidade imaginária é dinâmica porque reflecte, é reflexiva, não é puro reflexo.” (Serra, 2003, p. 87).

Atentemos, contudo, aos factores de risco a que a memória está sujeita actualmente por via da promoção dos novos paradigmas da virtualidade, que Pezzi (1998) refere:

“La destrucción de la memoria es una parte inseparable del proceso de creación del espacio virtual, ya que al desaparecer el lugar de recuerdo, en el subconsciente colec- tivo de los ciudadanos se pierde el continente de los hechos urbanos. Los elementos primários de la ciudad desaparecen en la epidermis, la memoria se refleja en el ima- ginario colectivo mediante un maquillaje escenográfico visual.” (p. 100) – assunto já antes evocado aquando da abordagem à tríade, tempo, espaço e cidade.

Fundados nesta miríade de possibilidades (in)finitas, ricas de (e)feitos e de uma insondável natureza, porque apropriado e designado por cada um de forma desigual, reconhecemos no tempo essa virtude difícil de cada um se tornar eterno enquanto autor e actor nos cenários que, parados no tempo, constituem a imagem instantânea de um tempo legitimador da dimensão (in)temporal do património colectivo – porque, “(…) ser com tempo é condição essencial para ser sem tempo” (Sá-Chaves, 2005a, p.113).

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1.2.3 (Re)Valorização contemporânea do património cultural O património das cidades interage num diálogo feito de diferentes léxicos28, enriquecendo o seu espaço cultural e vivencial, prosseguindo a história e abrindo a possibilidade de promoção de linguagens alternativas, num processo de renovação da arte, da arquitectura e do design. A aceitação de linguagens contemporâneas situadas em espaços de diferentes registos tem- porais, designadamente em centros históricos classificados, tem sido alvo de discussão, questionando-se a legitimidade de as novas correntes da arquitectura, da arte ou do design se imiscuírem em espaços tidos como sagrados, pela sua antiguidade e riqueza patrimonial, e fundamentalmente, pela marca e reconhecimento do seu valor patenteado junto dos seus fruidores directos.

É uma problemática de difícil clarificação, já que contrapõe registos e visões de um passa- do entendível, realista, à propensa divergência do discurso contemporâneo, para o qual a generalidade da sociedade não está devidamente (in)formada.

Aceitamos, contudo, a ideia que o património resulta tendencialmente de dinâmicas sociais em que as artes interpretam o presente e antevêem um futuro influenciador da forma como os objectos e os espaços se reelaboram, determinados pelas alterações sociais e materiais em diferentes momentos da história.

Essas reinterpretações por reacção, provocação ou aceitação, foram tendo ao longo do tempo um reflexo que, embora nem sempre compreendido, transferiu para o espólio patrimonial da cidade atmosferas de crise, incitação ou progresso, como representação e resposta a fe- nómenos da vida das sociedades.

Julgamos, assim, que compete à sociedade assumir e respeitar o seu espólio de acções, mas sobretudo, desenvolver competências para novas formas de olhar, interpretar e participar na realização culta das cidades, numa atitude que remete para a possibilidade plural de considerar outros campos de influência temporal, social e cultural29.

Assumido e entendido nesta perspectiva, e tendo em conta a abertura que os cidadãos parecem hoje evidenciar relativamente a diferentes formas de expressão, antigas e contem- porâneas, considera-se que a cidade e a sociedade devem estar mais aptas a promover novas formas de diálogo e interacção patrimoniais, que, resultantes de diferentes perspectivas, podem coexistir nos actuais espaços contemporâneos.

Consiste numa noção ampla de aceitação do património que deve remeter-nos também para a admissão de novas e alternativas formas de legitimação social situadas no campo do efémero, como a música, o teatro ou outras formas de expressão artística, que assumem o espaço púbico como palco das suas actuações – estabelecendo diálogos e entendimentos

28 Em sentido lato, pretende-se enfatizar o carácter semântico do discurso sobre as cidades, propiciado pelas mudanças operadas no seu espaço e no seu tempo, e que em Fortuna & Leite (2009) são remetidas para a presença e percepção da vida urbana ou para a sua (in)visibilidade – o que obriga a novas abordagens e recursos para cumprir a sua sempre complexa (re)interpretação.

29 O que colocará o património urbano “(…) sujeito a um processo de invenção social e cultural, que decorre, precisamente, de própria divergência civilizacional, dando assim “continuidade” ao que, a cada momento, identifi- camos como contemporâneo.” (Ferreira, 2004, pp. 115-116).

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em lugares de aceitação e de mútua implicação das novas concepções de valorização e di- namização das cidades.

Como tal, a relevância do património no quadro do reconhecimento das culturas que o protagonizaram, reconfigura a necessidade não só de o preservar e revalorizar, mas (re) considerá-lo também no âmbito da acção humana, tendo em conta a sua reinvenção, já que a “(…) a cultura fez-se sempre particular e localmente, em função do isolamento e da distinção dos grupos. Em oposição, ela incorpora-se em função do entrelaçamento das comunidades locais e das suas composições.” (Warnier, 2002, p. 24).

No quadro actual de proliferação dos media e de instauração das redes sociais na Internet, instrumentos e desafios colocados à sociedade e à cultura, julga-se essencial um contraponto que conduza à reconciliação com um passado mais humano e próximo do ritmo do homem, sem contudo se rejeitarem os contributos geradores de equilíbrios trazidos pelas novas éticas e pelas novas estéticas, que as novas linguagens artísticas e tecnológicas têm vindo a incorporar. Pois como refere Borja (2003), “La dimensión cultural del espacio público no se limita a la monumentalidad y a los espacios no construídos, sino al conjunto de los edifícios, equipamientos e intraestructuras de la ciudad. Las formas siempre transmiten valores, y, por lo tanto, como ya hemos dicho, la estética es también una ética.” (p. 178), contudo, deverá ser tido em conta que “O aspecto visual, a estética e a ence- nação da cidade progrediram certamente, mas a qualidade urbana reduz-se muitas vezes à imagem (…)” (Ascher, 1998, p.178) – ou seja, é importante que se questione a promoção da visualidade em detrimento da visibilidade.

Caberá às entidades gestoras das cidades, aos investigadores e aos autores dos novos espaços urbanos, reflectir sobre estratégias que (re)conduzam a diálogos e discursos consentâneos com os diferentes registos patrimoniais em presença, potenciando a cidade comunicativa e integradora do passado e do presente, promotora de novas realidades urbanas que cor- respondam às necessidades do presente e se afirmem como referência para os vindouros. Estaremos perante uma discussão pertinente em face dos novos argumentos e perspectivas de mudança accionadas por um desenvolvimento global e tecnológico que toma o tempo e a história como reféns e os transfigura noutras entidades, em nosso entender substantivamente diferentes daquelas que ditaram a concepção e o regular desenvolvimento do património antigo, e que poderão condicionar as abordagens qualificadoras e legítimas do presente. São preocupações e reconfigurações paradigmáticas que sendo recursivas, como se depreende dos múltiplos eventos críticos ocorridos ao longo da história neste domínio, reivindicam novos momentos de discussão e reflexão sobre a integração, conservação e valorização dos patrimónios urbanos.

Será por isso que, entre outras razões, a preservação e reanimação da paisagem patrimonial é um assunto em debate, desejavelmente numa atitude de distanciamento ideológico e de respeito pela história, permitindo-nos desse modo uma consciencialização mais apurada das razões que deram lugar ao património antigo, e aceder a novos entendimentos que favoreçam o diálogo sobre a (re)valorização do património na contemporaneidade.

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1.3 CULTURA – espaço público e cidadania

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