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Hvordan gir vi alle friheten til å delta i samfunnet?

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rio às metrópoles instaladas, a cidade, independentemente das suas crises existenciais, tem evidenciado sinais de uma emergência suportada pela sua capacidade estratégica de gerar condições e protagonizar apelos a que o homem migrante não tem resistido.

Desde logo, o homem prenunciou a sua vocação para operar selectivamente sobre o terri- tório, revelando aparente facilidade na forma como dele se apropriou preferencialmente e o transformou, para inaugurar um dos seus intentos primários – a vida em comunidade, pelo que “(…) a cidade representa o esforço mais notável da actividade humana, para uma transformação completa do ambiente natural, a passagem mais radical do estado de natureza ao estado de cultura.” (Nunes, 2003, p. 4).

Tal desígnio, parece desde logo evidenciar uma preocupação em salvaguardar as melhores condições de sustentabilidade para si e para as comunidades em perspectiva, tendo por re- ferente primeiro a própria natureza enquanto recurso e condicionante – entidade material e divina à qual tantas vezes se rendeu perante a aparente subjectividade dos seus actos. Dos intentos primários à condição social das urbes actuais processaram-se evoluções ace- leradas pelo crescimento populacional, pela evolução tecnológica e pelos problemas que, decorrentes das grandes conglomerações urbanas, redundaram em crise da cidade que retrata a crise da própria sociedade. Dessa demanda evolutiva, predomina actualmente a cidade de variabilidades múltiplas geradoras de tensões que (re)produziram organismos que, não invariavelmente, se nos afiguram destituídos da coesão que caracterizou a cidade durante largos períodos da história, e que de acordo com Borja (2003) se devem a três ordens de razões: fragmentação espacial, desconstrução social e debilidade do papel do Estado. As mudanças a que assistimos, com origem na pretensão grega em produzir a cidade de- mocrática para a democracia das vivências, pretensamente coesa e interessada no bem dos cidadãos, transitou gradualmente para um espaço heterogéneo e difuso que vem conciliando positiva e negativamente a diversidade da condição de cidade dentro de si própria, numa atitude de sujeição a outras culturas, face à cidade que persegue os desígnios da urbanidade. Assim o “(...) crescimento das cidades modificou progressivamente a natureza e a escala das segregações, combinando sob diversas formas as especializações espaciais/funcionais e espa-

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ciais/sociais (...)” (Ascher, 1998, p. 54) - daí o empenho do homem em estabelecer relações de equilíbrio com o território, como resposta aos problemas das cidades e às necessidades das populações, encontrando na ambição humana a principal inimiga.

A sua propensão para a conquista e ocupação fortuita do território tem contribuído para uma desqualificação das cidades, através de processos de instalação de equipamentos, serviços e indústrias que embora garantindo a produção de riqueza, de acordo com as teorias e objec- tivos da economia vigente, originaram a proliferação da cidade sem regras, comprometedora de uma cultura de gestão e organização territoriais.

Por sua vez, e na linha de tentativas múltiplas de requalificar a imagem e sobretudo o funcionamento da cidade, tem-se assistido a projectos conotados com as manifestações do poder, comprometendo uma estratégia que olhe a cidade como organismo integrador que visa o funcionamento equilibrado dos sistemas urbanos. Diremos que da cidade idealizada à cidade realizada ficam testemunhos e marcas desses poderes, correspondendo por vezes a intervenções de qualidade reconhecida, mas descontextualizadas do efectivo e global inte- resse da sociedade.

Constituem paradoxos tantas vezes questionados ao longo da história da cidade, numa tentativa de recuperação de urbanidades perdidas, decorrentes da formulação de projectos de recontinuação da cidade, os quais têm vindo a encontrar a oposição de fenómenos di- versos, entre os quais a crescente migração para os centros urbanos, conforme comprovam as estatísticas e previsões das organizações nacionais e internacionais.

“En 1950 había ochenta y tres ciudades en el mundo com más de un millón de habitantes, y de ellas cincuenta se encontraban en los países industrializados. En la actualidad, hay trescientas ciudades com más de un millón de habitantes y en su mayor parte se encontran en los países pobres. En 2015 habrá treinta y tres ciudades com una población superior a los veinte millones de habitantes y veintisiete de ellas se encontrarán en los países pobres.” (Cacciari, 2010, p. 34).

É uma realidade que nos impele a retomar a reflexão sobre a actualidade da emergência e importância das cidades no quadro dos níveis de fixação das populações, e da política ten- dencial do Estado central em reunir nas principais cidades os mais importantes centros de decisão, com repercussão nos níveis de empregabilidade, migração dos cidadãos, e ainda, de factores influenciadores do comportamento e da qualidade de vida dos seus habitantes. Mas, se a importância dos factores de organização do Estado e do comportamento das co- munidades urbanas tem influência determinante na evolução das cidades, isso não pode ser separado da realidade física gerada pelo e para o Homem, na linha da história e morfologia evolutivas dos contextos, que aponta para uma cidade física e social que se foi recriando em acções enquadradas no seu contexto histórico de desenvolvimento, crescentemente influenciadas pelas tendências de um desenvolvimento que vem cruzando os interesses dos cidadãos e a evolução dos espaços construídos.

Fica contudo a percepção de uma cidade que, antes reflexiva, sustentada na participação assertiva dos seus autores, se viu transformada numa tessitura cujas linhas são reveladoras de afinidades contraditórias, pela ausência de auto-regulação, sustentabilidade e cultura

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ecológica. Afinal, a ausência de compromisso entre os sítios, a cidade das existências, as redes, a cidade dos fluxos, e o espírito cosmopolita que sustenta a cidade cognitiva, que pensa, intui e sente proporcionando-lhe a alma que lhe garante sentido interno e, ao mesmo tempo, distinção face às restantes aglomerações urbanas, como se de organismo vivo, sensível e dotado de inteligência se tratasse (Portas et al, 2007).

Será, entre outras, uma razão pela qual a cidade se vê confrontada consigo própria na re- solução dos seus problemas – no anseio em tornar os seus espaços mais amigáveis para os cidadãos, e sobretudo, mais próximos de um ideal condicionado por uma globalização que parece adiar essa pretensão, ao promover metrópoles nas quais é difícil a coexistência positiva de cidades e culturas várias no seio dessas grandes conglomerações urbanas.

É esta a cidade que vem confrontando o espaço público como desejo, com o espaço urbano como margem e vazio, que caracteriza a realidade da maioria das cidades contemporâneas. Cidades que são o reflexo da ambição humana em prefigurar a cidade como representação inteira do mundo, contrariando uma autenticidade cultural, fundada na natureza que lhe determinou o adn e logo mais a sua forma e a sua imagem.

Representa um processo longo, tantas vezes abreviado pela capacidade técnica que tudo submeteu ao efeito multiplicador de acções fantasiosas que a realidade parece atestar como adversa e desumana – geradora de espaços de nada nem de ninguém, tomados por centros de consumo que pouco ou nada acrescentam à urbanidade das cidades (Borja, 2003). A cidade que assim nasceu, cresceu e chega até hoje, é produto de muitas sobreposições que resultaram na densa estratificação material e imaterial que caracteriza as nossas urbes – eco- logias complexas cuja matriz resulta dos estratos que, sobrepostos, nos deixam sem braços para levantar as camadas da história que ao longo do tempo a transformou, como resposta aos apelos dos seus cidadãos, e de outros que, afastados dos desígnios cívicos, inventaram a cidade ausente.

A cidade contemporânea surge-nos assim feita dessa atitude difusa, testemunhada pelos contextos – o confronto entre a cidade humanizada e a cidade incógnita que não qualifica a possibilidade de a adoptarmos como espaço integrador e que Borja (2003) atribui a três hipóteses principais:

“a) No existe un modelo formal dominante de ciudad del siglo XXI (…);

b) Coexistem por lo tanto la integración o cohesión ciudadanas con la fragmentación del tejido urbano y social (…);

c) Los fenómenos de privatización de la vida social urbana se multiplican (…).” (pp. 72-73). As possibilidades que sustentam as ideias anteriores revelam-nos uma alteração substancial do panorama físico e social da cidade, alternativo à vida rural. A forma como se organizou ou desorganizou, as alterações profundas que se operaram nos territórios natural e humani- zado, ou ainda como se modificou a caminho de uma qualificação ou desqualificação que os destroços, deixados por um tempo indeterminado, não suportaram.

Dessa condição, resta-nos aquilo que hoje entendemos como sendo a cidade dispersa, feita de policentrismos e zonas de tensão múltiplas, sejam elas sociais ou de risco ecológico, colo- cando as grandes urbes sob a dificuldade de se equilibrarem, com consequências complexas sobre a condição e a relação humanas.

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