5.2 Diskusjon: Mangel på menn, for mange kvinner
5.2.2 Hvordan
Passamos a analisar a quarta etapa:Mantém-se no texto dissertativo o posicionamento adotado no Padlet, ou seja, os argumentos usados nos textos corroboram os posicionamentos já tomados no mural eletrônico?
Esse questionamento vem no sentido de refletir em que medida o uso do Padlet pode se tornar um propiciador de reflexões e, consequentemente, um elemento gerador de criticidade por parte dos alunos após terem contato com outros posicionamentos, fatos e opiniões.
Como analisado no tópico anterior, o aluno Breno fez postagens e comentários no
Padlet de sua equipe acerca do tema: “„Bela, recatada e do lar‟: protótipo para a mulher do
século XXI?” apenas para divulgar suas ideias, que já estavam formuladas, e se repetiram desde a confecção do mural eletrônico até a produção do texto dissertativo-argumentativo. Nesse caso, houve apenas uma reprodução das próprias ideias, o aluno não levou em conta os outros lados da questão e não ponderou acerca do que os colegas lhe apresentaram. O Padlet não funcionou como um instrumento que, esperava-se, pudesse ampliar os horizontes do aluno. Nesse caso, constatamos que as atividades desenvolvidas nesse momento não o conduziram ao deenvolvimento de criticidade.
Como vemos criticidade como um processo, ao trabalhar com o último tema: “Cultura do estupro – como acabar com esse crime?”, percebi uma postura diferente por parte desse mesmo aluno, Breno. Em comentários após as postagens feitas no Padlet e antes da produção do texto dissertativo, este aluno contestou posicionamentos partilhados no mural eletrônico que demonstravam uma visão machista sobre a mulher. Esse mesmo aluno ainda ponderou a respeito de letras de funk que denigrem a imagem da mulher e são aceitas na sociedade, sem nenhuma contestação. Fiquei surpresa pela mudança de posicionamento desse aluno e, ao mesmo tempo feliz por perceber a abertura que foi dada a outras abordagens, a partir das indicações do material postado no Padlet pelos colegas integrantes da equipe. O aluno ainda solicitou-me, como professora, que fizesse uma abordagem de letras de músicas que denigrem a imagem da mulher em outra aula. O fato de ter acesso a outras visões de mundo, a outras realidades, de forma mais chocante levou o aluno a repensar seus posicionamentos e colocar- se de forma diferente de como havia se colocado em momentos anteriores.Trecho do texto dissertativo do aluno Breno :
Mas mesmo com a repercussão que esse assunto tem na mídia tem pessoas que apenas ignoram porque não afeta a elas e pessoas como essas sãos as principais responsáveis pelo estupro, todos deveriam começar a julgar qualquer coisa que denigra a imagem da mulher e só assim o estupro terá um fim.
Analisando o tema: “Cultura do estupro...”, foi possível perceber claramente o diálogo entre as postagens (indicações de leitura e comentários) e os textos dissertativo- argumentativos produzidos pelos alunos. O aluno Pedro, da Equipe 4, exemplifica bem essa questão. Em seu comentário no Padlet, o aluno deixou claro que não se deve culpar a vítima pelo estupro e mostra que crimes sexuais são corriqueiros. Já no texto dissertativo argumentativo, o aluno retoma esse posicionamento, e usa dados para conferir-lhe credibilidade. O dado usado consta em um link de reportagem, indicado pela colega Raquel. Nesse caso, o uso do Padlet tornou-se um potencial espaço para exprimir opinião e ampliar a informatividade, que se tornou visível no texto dissertativo do aluno.
Comentário do aluno Pedro (Equipe 4) no Padlet: É inadmissível culpar a vítima, não importa a situação, seria o mesmo que culpar a vítima de um assassinato ou de um assalto.Estamos ainda em uma sociedade arcaica, com valores quase que medievais, na qual crimes sexuais são comuns e corriqueiros. Será necessário muito tempo para eliminar esses valores do nosso meio social, e assim como toda grande mudança em um país, deve começar pelas massas sociais, com protestos e reivindicações.
Trecho do texto dissertativo do aluno Pedro (Equipe 4) : A verdadeira culpa deve recair sobre o estuprador e somente a ele, sendo punido pelo crime que cometeu assim como um ladrão ou assassino. Entretanto, as chances dessa punição ser aplicada são ínfimas, já que menos de 10% dos casos são julgados devidamente, aumentando a impunidade e a segurança dos agressores.
O mesmo aconteceu com a aluna Alice, da Equipe 1: fez um ótimo aproveitamento do recurso oferecido (Padlet), tanto para dialogar com os colegas quanto para ampliar seu conhecimento sobre o tema e, posteriormente, posicionar-se embasando-se nesses diálogos. Em comentário no Padlet, a aluna responde ao questionamento da colega Andreia e posiciona-se, mostrando que está levando em consideração as leituras feitas.No texto dissertativo, o posicionamento é retomado de forma mais elaborada, como vemos a seguir:
Comentário da aluna Alice (Equipe 1) no Padlet: Respondendo ao questionamento da Andreia: Considerando o que já li sobre o assunto, acho inviável culparmos a vítima seja em qual situação o crime ocorrer. Não é a roupa que ela usa, as companhias que ela tem e o que ela faz no dia a dia que faz dela uma pessoa que quer ser estuprada! Nenhuma mulher quer ser estuprada, e TODAS MERECEM RESPEITO! O estupro infelizmente, já é considerado uma cultura, uma vez que a mulher é culpada por qualquer constrangimento sexual que ela venha passar, e por isso penso que para não virar cultura e "normal", os homens devem ser educados devidamente desde sua infância, e a justiça permanecer - ou tornar-se mais - rígida em relação a essa questão. (grifo meu)
Trecho do texto dissertativo da aluna Alice (Equipe 1): (...) observamos a cultura do estupro, que é uma estrutura onde a mulher é culpada por qualquer constrangimento sexual sofrido. Como consequência a isso, as pessoas ainda as julgam pelo o que usam, os lugares que freqüentam e não se informam sobre o estuprador. (...) Esse ciclo da misoginia e da violência contra a mulher é iniciado na infância, onde os homens brincam de luta e as mulheres de donas de casa. Na maioria das vezes, o pensamento infantil fixe e não se desfaz, trazendo consequências.
Mantém-se, portanto, nos textos dissertativo-argumentativos de Pedro e de Alice a mesma orientação argumentativa colocada nos Padlets. Os argumentos usados nos textos corroboram os posicionamentos adotados por eles, dando mais força aos seus argumentos.
3.3 Percepção dos alunos quanto ao uso do Padlet como material de apoio para produção