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LØPENDE PROTOKOLL

5.  Praktisk arbeidsform i samfunnet

5.4  Hvordan bruke praktiske arbeidsformer?

O primeiro princípio a ser destacado, já mencionado anteriormente, se refere a que o indivíduo não nasce pronto e constituído. Winnicott aponta para uma tendência inata em direção à integração, porém só é possível que esse desenvolvimento ocorra diante de um ambiente facilitador. Para Winnicott, não são as forças pulsionais que direcionam o desenvolvimento do ser humano. O amadurecimento se dá porque existe uma tendência inata nesse sentido e porque há alguém que facilita a realização dessa tendência.

Luz (2000) destaca como uma característica significativa no desenvolvimento, visto sob a perspectiva do pensamento winnicottiano, a dualidade originária do sujeito psíquico presente desde o início da vida, identificada entre o corpo do bebê e a mãe- ambiente, entre os estados de excitabilidade e os estados de relaxamento, as relações masculina e feminina com o objeto, a experiência de ser e a experiência instintiva, entre os impulsos eróticos e os impulsos agressivos, entre aquilo que é percebido e aquilo que é concebido; sendo que, segundo esse autor, Winnicott não procura conciliar essas dicotomias, ao contrário, mantém a relação dinâmica entre cada um dos princípios: “Winnicott defende o paradoxo como a mais adequada forma do pensamento para exprimir essa experiência de ser – ser um sujeito psíquico”. (Luz, 2000, p.313).

Loparic (2006) afirma que, para Winnicott, o processo fundamental para se compreender os distúrbios psíquicos é o de amadurecimento emocional e não o desenvolvimento sexual e que o ambiente tem uma importância decisiva no surgimento de possíveis distúrbios. É através do holding materno que a criança pode começar a experimentar uma sensação de existência no tempo e integração de si mesma. Segundo Mello Filho (2001), o bebê funciona, logo após o nascimento, como se fosse um

somatório de partes, necessitando do auxílio de uma maternagem adequada para, gradualmente, adquirir a noção de ser um todo coeso.

É necessário tomar como princípio básico a tendência herdada de cada novo indivíduo no sentido do crescimento e do desenvolvimento. Sob condições ambientais suficientemente boas, o indivíduo conduz, entre outras coisas, uma tendência no sentido da integração da personalidade. (Winnicott, 1969g, p.430)

Dias (1999) coloca que todo ser humano é dotado de uma tendência à integração em uma unidade e que o bebê depende da presença de um ambiente facilitador que forneça cuidados suficientemente bons, sendo que isto é mais fundamental quanto mais precoce é o estágio que for considerado. Araújo (2005) acrescenta que a palavra ambiente, em Winnicott, pode ser considerada um conceito que se refere a um “conjunto de condições para”, que engloba as condições físicas e psicológicas necessárias ao amadurecimento emocional do indivíduo, e que tem a característica de ser dinâmico, adaptando-se de acordo com cada momento do amadurecimento.

O desenvolvimento emocional primitivo se dá a partir de um estado de não- integração rumo à integração, personalização e separação eu – não eu. A integração, que se inicia pela elaboração imaginativa das funções do corpo, vai se ampliando de acordo com os momentos do amadurecimento do bebê, abarcando também o seu relacionamento com o mundo externo. Sempre necessitando de uma mãe que se identifique com ele e o ajude a perceber-se no tempo e no espaço, em seu próprio corpo e na realidade externa.

O bebê depende da disponibilidade de um adulto genuinamente preocupado com os seus cuidados, isto é, que possa contribuir para uma adaptação ativa e sensível às necessidades da criança, que a princípio são absolutas. Portanto, a psique só pode ter origem dentro de um determinado enquadre, dentro do qual a criança pode

gradualmente vir a criar um meio ambiente pessoal, que a capacitará, mais tarde, a se desembaraçar do mesmo. Para superar esse estado inicial de dependência e atingir a independência, o meio ambiente criado e subjetivado pela criança transforma-se em algo suficientemente semelhante ao ambiente percebido. (Santos, 1999)

O amadurecimento consiste na passagem desse estado de dependência absoluta para a dependência relativa e, finalmente alcançar o estágio da independência relativa, no qual o efeito do ambiente sobre o indivíduo não tem o mesmo impacto que nas fases anteriores. Porém, sempre existirá algo da ordem da dependência, uma vez que o ser humano se constitui e existe em relação com um outro. Isto aponta para uma das vertentes importantes na análise dos indivíduos que passaram a ter uma deficiência física (amputação): a forma de lidar com a dependência, que se torna explícita em termos de necessidade de cuidados físicos e auxílio na vida diária.

Esse processo de amadurecimento pressupõe, também e ao mesmo tempo, a transição do mundo subjetivo, para o mundo objetivamente percebido, no qual se está diante do princípio da realidade e pronto para relacionar-se como pessoa total, com outras pessoas totais.

Num primeiro momento, a dependência do bebê com relação ao ambiente é absoluta; do ponto de vista do bebê não há dois, ele e o ambiente formam uma unidade; de forma que o ambiente só é externo do ponto de vista do observador.

Apercepção, para Winnicott, significa a relação do bebê com um objeto subjetivamente concebido, experiência que decorre no estágio de dependência absoluta. Com o movimento rumo à integração e ao desenvolvimento, na presença de um ambiente facilitador, acontece uma passagem da apercepção para a percepção. Percepção compreendida como uma relação com um objeto objetivamente percebido, resultante da capacidade crescente em estabelecer uma diferença entre o eu e o não eu. (Outeiral, 2001, p.86)

À medida que a dependência vai se tornando relativa, o objeto subjetivo adquire as características de um objeto transicional, situado em uma área intermediária entre a realidade subjetivamente concebida e a objetivamente percebida; até que a criança, por uma conquista do amadurecimento, pode percebê-lo objetivamente e fazer uso dele.

Winnicott descreveu o percurso que leva ao amadurecimento por meio de etapas pelas quais o indivíduo passa e das conquistas relativas a cada período, porém não se trata de considerar que o desenvolvimento seja composto por categorias estanques que se sucedem umas às outras de forma rígida e pré-determinada. Segundo Winnicott, “a criança está o tempo todo em todos os estágios, apesar de que um determinado estágio pode ser considerado dominante. As tarefas primitivas jamais são completadas, e pela infância afora sua não-conclusão confronta os pais e educadores com desafios”. (1988, p.52).

4.3 As primeiras tarefas: Integração, Personalização, Início das Relações Objetais