• No results found

2.  Praktisk arbeidsform i litteraturen

2.6  Forutsetninger for elevenes faglige læring

pe sa à ueà àaàpessoaà eal à Wi i ott,à [ ]/ ,àp.à .àáà is oàe t eà oà verdadeiro e o falso si-mesmo é extrema e o indivíduo perde, praticamente, o contato com a sua espontaneidade, vive reativamente, não constitui uma maneira de ser própria na qual possa se pautar e com a qual possa contar, pouco ou nada sabe a respeito de si e necessita sempre ter um parâmetro externo para se orientar. Esse é o extremo mencionado no capítulo anterior, que corresponde aos casos em que o indivíduo fica aderido à realidade externa, em prejuízo severo da realidade subjetiva.

Nestes casos, em que o falso si-mesmo cindido opera como a pessoa total, o indivíduo pode conseguir uma adaptação social que esconde a precariedade da personalidade aos olhos do mundo, mas a pessoa, ela mesma, está na corda bamba, amedrontada e insegura porque não tem elementos para lidar com o imprevisível, com aquilo que sai dos padrões, com a complexidade da vida, dos próprios sentimentos, dos relacionamentos, etc.. O risco do colapso se torna mais presente principalmente nas ocasiões em que um script não pode ser seguido ou não existe – quando, por exemplo, enfrenta situações nas quais escolhas e direcionamentos pessoais se fazem necessários.

Trata-se, aqui, da patologia do falso si-mesmo em sua maior gravidade e, possivelmente, em seu início mais precoce, no período da dependência absoluta. Ao tratar do relacionamento inicial entre a mãe e seu bebê e, mais especificamente, se referindo à criança recém-nascida, Winnicott afirma:

O problema é tão delicado e tão complexo que não podemos esperar obter quaisquer resultados de nossas reflexões se não pressupusermos que a criança em questão esteja sendo cuidada por uma mãe suficientemente boa. Só na presença dessa mãe suficientemente boa pode a criança iniciar um processo de desenvolvimento pessoal e real. Se a maternagem não for boa o suficiente a criança torna-se um acumulado de reações à violação; o si-mesmo verdadeiro da criança não consegue formar-se, ou permanece oculto por trás de um falso si-mesmo que a um só tempo quer evitar e compactuar com as bofetadas do mundo. (1965vf [1960]/2001, p. 24)

Quando o padrão de falhas maternas se estabelece tão precocemente, a vida do lactente não se constitui de experiências pessoais, a artificialidade que permeia as vivências dificulta que elas sejam incorporadas, que façam parte da pessoa, que enriqueçam a personalidade mantendo um sentido de continuidade no tempo. A

defesa que mantém o verdadeiro si-mesmo inalcançável impede que o indivíduo se modifique com a experiência e que uma história pessoal se construa. As pessoas, impedidas de viver experiências, afirma Dias (2003),

ao invés de estarem ali, no acontecimento presente, elas estão fora de si, ocupadas em defender-se de alguma invasão, de algum tipo de aprisionamento, prevenindo algum mal-estar que possa advir; tudo o que ocorre, então, é externo a elas, de modo que nada permanece. (p.124)

Ao falhar em se identificar com o lactente e complementar o seu movimento em direção a algo, a mãe deixa de dar realidade ao gesto espontâneo do bebê – o próprio si-mesmo em ação –, portanto não oferece as condições para que o si-mesmo se torne real. Se o que o bebê encontra não se originou de sua busca, dele mesmo, então o que o bebê encontra é algo que não é ele e, desse modo, ao invés de iniciar a vida a partir de si mesmo, ele inicia pelo o que é de fora dele, por aquilo que lhe foi i pla tado:àoà e à ola à isso,àseàad ua.

Quando a adaptação da mãe não é suficientemente boa de início, se pode esperar que o lactente morra fisicamente [...]. Mas na prática o lactente sobrevive, mas sobrevive falsamente. O protesto contra ser forçado a uma falsa existência pode ser discernido desde os estágios iniciais. O quadro clínico é o de irritabilidade generalizada, e de distúrbios da alimentação e outras funções que podem, contudo, desaparecer clinicamente, mas apenas para aparecer de forma severa em estágio posterior. (Winnicott, 1965m[1960]/1983, p. 134)

Por exemplo, cada bebê necessita de um tempo variável de sono, sendo que alguns podem dormir muitas horas seguidas sem serem acordados pela fome e outros acordam frequentemente, em intervalos de tempo menores. A repetição do ciclo dormir-acordar contribui para a temporalização do bebê e a configuração de um ritmo próprio. Se, antes que ele estabeleça um ritmo pessoal, a mãe determina, por um tempo arbitrário e/ou teoricamente adequado, o intervalo de sono do bebê, ele não pode chegar a conhecer pela experiência, entre outras coisas, a sua necessidade de descanso. O bebê passa a precisar de um estímulo externo ao qual reagir. A criança vai crescendo buscando um padrão que possa seguir, alguém que possa lhe dizer quem é e o que sente. Não desenvolve um padrão pessoal e não pode contar consigo em meio aos imprevistos e modificações que a vida impõe.

Uma paciente jovem, com uma agitada vida social, já tendo terminado a faculdade e envolvida em um relacionamento amoroso estável, dizia frequentemente asà sess es:à Euà oà seià oà ueà si to,à oà à t isteza,à oà à ueà te haà a o te idoà algu aà oisa,à à ueàeuà oàsi toà ada,à adaàfazàse tido .àEssaà oçaà i iaàe ol idaà nos afazeres cotidianos e, diante de alguma dificuldade, saía às compras. Tinha, em seu guarda-roupa, inúmeras peças que nunca usara e das quais não conseguia se desfaze .àCasoàse tisseàalgoà dife e te ,à po àe e plo,àu à a saçoà i o u àe àu à determinado dia, ou falta de vontade de ir à academia como fazia sempre, assustava- se e pensava imediatamente em ir ao psiquiatra para ajustar a dose do antidepressivo que tomava. Ou seja, tudo que era pessoal, próprio ou fora do padrão conhecido, causava uma confusão, lhe parecia estrangeiro e irreconhecível como parte de sua história, de seu jeito de ser, de suas vivências. Não conseguia estabelecer uma continuidade dela mesma no tempo, de modo que pudesse perceber que tivera uma semana especialmente atribulada, que dormira pouco vários dias seguidos e que, por isso, estava cansada e não queria ir à academia. Assustava-se e precisa recorrer a uma explicação e a uma solução externa.

Esse é um caso típico do empobrecimento que assola a personalidade quando, muito precocemente, o si-mesmo verdadeiro sofre ameaça de invasão e necessita permanecer escondido.

Nos casos em que meu trabalho encontra sua base houve o que chamei de verdadeiro si-mesmo oculto, protegido por um falso si-mesmo. [...] Deste modo o si-mesmo verdadeiro não toma parte nas reações, preservando assim a continuidade do ser. No entanto, esse si-mesmo verdadeiro escondido sofre o empobrecimento devido à falta de experiências. (Winnicott, 1956a [1955]/2000, p. 395)