“Ela é uma força da Natureza.” (P2) “É um motor nesta escola.” (P3)
A coordenadora é caracterizada por todos os elementos entrevistados como uma pessoa fundamental na escola, com uma personalidade que lhe permite desempenhar o cargo com sucesso e um carisma reconhecido por todos. Embora a revisão da literatura nos tenha demonstrado que o carisma não permite explicar a totalidade das lideranças de sucesso (Yukl, 1989; Kirkpatrick et al, 1996 e Kets de Vries, 1993), não podemos deixar de reconhecer e salientar a importância de alguns traços da personalidade desta coordenadora que influenciam positivamente o sucesso da sua função. Há um consenso crescente a respeito do conhecimento, das competências e dos comportamentos encontrados geralmente nos líderes eficazes (Leithwood et al, 1994 2004; Fullan, 2001; Day et al, 2002; MacBeath, 1998; Southworth, 2002).
No quadro 14, expomos as características atribuídas pelos diferentes actores educativos à coordenadora.
Características
da coordenadora Evidências
Boa disposição espontaneidade,
simpatia
“É uma pessoa alegre e muito empenhada. É uma pessoa que cria empatia com os outros…” (P5)
“Faz coisas divertidas… (…) É simpática…” (A)
Capacidade de liderança
“…capacidade de liderança, que isso acho que é uma coisa um bocado inata, depende um bocado da personalidade das pessoas. Há pessoas que têm mais capacidade de liderança do que outras, não é? Isso é uma coisa que se pode de alguma forma melhorar, mas acho que, dependendo das personalidades, a pessoa já tem ou menos essa aptidão, se quiser…” (Pa1)
“Tem jeito para gerir a escola, dar opiniões.” (A)
“…mas ela já tem aquele dom dela, acho que já nasce com ela, também, não é, nasceu com ela.” (P2)
Dinamismo, atenção, empenho e
persistência
“É muito dinâmica, é uma pessoa que vive a pensar na escola e no que é que pode fazer mais pela escola. É uma pessoa que vive quase a tempo inteiro para a escola. (…)
Nas que eu estive, acho que não tem nada a ver. E acho que nesta não era qualquer pessoa que podia fazer este papel. Porque é uma pessoa muito dinâmica, é uma pessoa que está sempre a pensar nisto, está sempre a agendar coisas e aquilo que eu conheço de experiências passadas não é esse tipo de coordenação.” (P5)
“Portanto, ela é persistente e... é muito persistente, por exemplo, em lutar pela escola, portanto, quando entrou nesta escola, eu tenho conhecimento disso, embora cá não estivesse, a escola era uma escola vazia, não havia nada, não havia material nenhum, absolutamente nenhum. E toda a gente dizia: “Ah! A Câmara não dá nada. Não é possível, não é possível.”, não é... Portanto, ela: ”Ah... porque é que não é possível? É possível. É possível.” Portanto, bombardeou a Câmara de ofícios, de isto, de aquilo. Quer dizer, e a escola foi enchendo.” (P1)
“E o facto de ter uma direcção, por aquilo que eu conheço, parece-me empenhada e que dinamiza, de alguma forma, um conjunto de actividades, que acho que são interessantes.” (Pa1)
Organização
“Conheço também a coordenadora e o trabalho que ela está a desenvolver dentro desta escola tem sido bom. Aliás, mesmo em termos de acompanhamento de tudo o que é planificações, estratégias e tudo… quando há visitas de estudo, tudo é feito atempadamente, nada é feito em cima do acontecimento. (…)
E o que eu também já disse há um bocado, tudo o que é organização que sai da sala de aula que envolve todos os professores é organizado atempadamente e informado aos encarregados de educação atempadamente também.” (Pa3)
Paixão pelas crianças e pelo
ensino
“Eu penso que ela adora crianças, em primeiro lugar. Adora a profissão, gosta muito de ser professora. Acho que é a paixão dela, a vida dela.” (P1)
“Acho que é gostar muito do que faz. É principalmente isso. Ser uma pessoa muito competente, com muita capacidade que, se calhar, a maioria das pessoas não tem. Porque ela consegue fazer, porque ela dá aulas também, ela tem uma turma ao encargo dela. E ela consegue fazer isso tudo e eu dou por mim a pensar como é que ela consegue dar conta disso tudo e fazê-lo bem. E ter isso na cabeça e controlar as coisas todas e foi isso que me fez achar que esta escola é especial e diferente das outras. É o empenho dela mas também é a capacidade que ela tem. É preciso muito tempo, muitas horas a pensar, com ajudas de muitos lados, ou de família ou de amigos, mas que ela vai dando resposta às coisas. E faz coisas com os alunos que eu digo, que bem que ela fez aquilo. E também aprendo muita coisa.” (P5)
“Eu acho que é o ela gostar mesmo das crianças. É. Essencialmente, a primeira coisa, é isso. Ela vive para as crianças dela. Dela e da escola. Não é só o problema das crianças dela. Está sempre preocupada com todas as turmas. Está tudo bem, não está tudo bem. O que é preciso mudar. Acho que sim.” (P2)
Qualidades enquanto professora
“Acho que ela consegue e os miúdos adoram-na, não é... E ela tanto ralha como lhes está a dar mimo, portanto, ela sabe muito bem dosear aquilo tudo. Acho que é excepcional, não é... acho que ela... não tem palavras mesmo... “ (P2)
“É uma boa professora (...) E quando alguém não sabe qualquer coisa, ela insiste em saber.(…) Faz muitos trabalhos...” (A)
Abertura, cooperação, estimulação
“Influencia, muito, muito. Cumpro mais, não é que até agora não cumprisse, mas há outro espírito, a gente sabe que... tem que se dar resposta, se ela é pedida. E noutros sítios que eu tenho estado, há mais confusão, quer na coordenação, quer em nós próprios. Parece que fazemos um trabalho que não era por nós. Aqui não, aqui as coisas são dirigidas, são orientadas. (…) Acho que sim, comprometem.” (P5)
“Acho que também o facto de, por exemplo, ela permitir que usem as salas, que eu sei que há uns anos atrás era muito complicado, não é? A docente, monodocência, sai da sala e depois fecha a sala e ninguém pode usá-la, isso acontecia.(…)
Para os ATL por exemplo, e para o Inglês… Porque eu acho que há uns anos atrás isso não era muito fácil. (…) Se tivéssemos alguém à frente que desse para trás, se calhar era mais complicado.” (Pa1)
Capacidade para controlar tensões e
dilemas, compreensão,
comunicação
“…respeitar toda a gente...”; “ela tenta esclarecer o que é que se passou.” (A) “E há outra coisa que tem a ver também que é: há uma postura da parte de quem lidera que é de evitar conflitos, portanto, quando tem que se ceder em alguma coisa também cede, portanto, não entra em choque com as outras pessoas, portanto, consegue negociar. Faz uma boa negociação com as pessoas.” (P1)
“Sempre excelente, sempre excelente. E resolver sempre qualquer problema. Portanto, nunca, nunca… se houver qualquer problema, simplificar, não aumentar esses problemas, resolver sempre pelo lado bom, pelo lado positivo.” (P3)
“E quando há qualquer coisa que sai um bocadinho do normal, a coordenadora acaba por estar em cima do acontecimento. Parece-me que numa ou duas situações que terá havido, nestes quatro anos, parece-me que actua imediatamente, atempadamente em relação aos problemas, não problemas mas às situações menos normais que possam surgir.” (Pa3)
“Comunica muito, ela é uma comunicadora nata. Não sei se já a conhece. É uma comunicadora nata mesmo, sabe comunicar e pede muita a ajuda dos pais. (…) Saber comunicar. Ela sabe muito bem comunicar. Não manda, pede que é diferente.” (P4)
Reconhecimento de todos
“Porque reconhecem, reconhecem. Reconhecem-lhe a ela mérito para liderar e reconhecem que as propostas vão ter frutos positivos. (…)
Reconhecem competência pedagógica. (…) Porque ela mostra trabalho. (…) ninguém quer que ela deixe de ser coordenadora e, também, ninguém quer que ela deixe de liderar a escola.” (P1)
“…ela é reconhecida pelos colegas, por toda a gente, portanto, pelo trabalho que se está a efectuar. Ela tem sempre um bom conjunto de professores, que também aderem às propostas que ela faz.” (P3)
“Porque os pais sentem aquela confiança. Qualquer coisa, eles querem falar com a directora. Quer dizer, a primeira coisa é...(…) Sim. Se puderem. E, depois, a gente transmite-lhes confiança: “Veja lá, é mesmo preciso falarem com a directora?” (…). E eles depois lá vão falar com os professores, mas, se puderem, ainda vão falar com a directora também! (risos) Que é para ter aquele sossego, aquela calma, pronto.” (P2)
Quadro 14: Visões dos diferentes actores educativos sobre as características da sua liderança da
Podemos verificar que, a par das características pessoais, são referidas outras características da coordenadora que lhe permitem exercer o cargo com sucesso. Assim, todos os actores educativos concordam que ela é uma pessoa dinâmica, atenta, empenhada e persistente, que procura acompanhar as planificações, as estratégias e todas as actividades, tentando envolver toda a comunidade educativa em projectos que contribuam para a melhoria da escola e sucesso dos alunos.
A sua paixão pelo ensino e pelas crianças é notória. A forma como cumpre o seu trabalho e resolve as tensões e dilemas da comunidade, baseando-se sempre na comunicação aberta e na compreensão, são também essenciais para conseguir desempenhar o seu cargo com resultados positivos.
No fundo, todos reconhecem que a coordenadora é um elemento chave no sucesso desta escola, tal como salienta uma professora “E acho que para haver assim um bom ambiente de trabalho na escola, a coordenadora tem que ser muito boa”. Deste modo, o seu trabalho é reconhecido por todos os elementos da comunidade educativa que confiam nela e nas suas decisões.