A opinião da coordenadora sobre as características da sua liderança é apresentada no quadro seguinte.
Características
da coordenadora Evidências
Comprometimento com a escola
“E uma coisa que eu tenho notado ao longo destes anos é que cada vez gosto mais de estar aqui. Chega-se às férias e, ao fim de dois dias de férias, eu já estou cheia de férias e, e, e, por exemplo, nas minhas interrupções lectivas eu venho cá todos os dias organizar trabalho. Porque, lá está, por causa de estar, dedico muitas horas das interrupções lectivas para organizar trabalho que não tive tempo nos outros dias.” (C)
Gosto pela escola
“A escola é “como a minha casa, é uma extensão da minha casa. E eu gosto de estar aqui, gosto de estar aqui e acho que, assim como em casa toda a gente gosta de pôr uma jarra bonita, eu aqui também gosto e gosto que toda a gente se sinta aqui bem.” (C)
Impulsividade, espontaneidade,
persistência e teimosia
“Eu, eu sou muito impulsiva. As ideias, parece que nascem. Às vezes as pessoas perguntam: “De onde é que te nascem as ideias?”. As ideias não nascem do nada, não há geração espontânea, há tantas ideias que, que eu vejo e que penso se quero, se, se, se quero fazer alguma coisa eu não, aquilo não me sai da cabeça! Enquanto eu não arranjar uma solução para fazer aquilo que eu quero fazer, aquilo não me sai da cabeça. E, e, e depois parece que a ideia surgiu de repente! Claro que surgiu de tudo aquilo que eu tenho visto, não é? Mas há um clique qualquer, que eu também não sei explicar, não sei, sei lá como é, sei lá, mas sei que as ideias que nascem (risos), que nascem…Mas, eu não desisto, não desisto facilmente. Sou teimosa por natureza… Eu costumo dizer aos miúdos: “Escusam de estar aí com coisas, que eu sou mais teimosa que vocês!”. E, e eu acho que é a minha persistência, esta teimosia…” (C)
“Eu não sou de, nem de estar a magicar muito nas coisas, nem em dramatizar demais. Se alguma coisa me corre mal eu barafusto logo, “isto está a correr mal”, e daqui a uma hora já nem me lembro porque barafustei às tantas. Se eu tenho que dar um ralhete, entre aspas, a alguém, eu dou-o logo e daqui por uma hora eu já nem sei, já sei lá o que disse. Mas não sou de estar a preparar qualquer artimanha, qualquer ratoeira para, para apanhar alguém, não sou capaz. (…). E acho que, que é o meu, a minha personalidade que é assim sou espontânea sou assim.
Era isso que eu aos poucos, para além de dinamizar a escola, os espaços, pôr a escola mais bonita, tenho vindo a conseguir. De ano para ano, meto na cabeça… que preciso de arranjar as escadas da escola que não estavam direitas… demorou dois anos mas consegui (risos). Arranjar o chão, demorou, mas foi este ano que consegui, a cozinha… Mas eu não desisto! É para a Câmara, constantemente, pedidos para isto ou para aquilo. No material didáctico e os professores que estiveram aqui, e aqui só está um bocadinho, temos ali uma arrecadação com material didáctico muito bom, que eu acho que é fundamental.” (C)
Gosto por desafios
“Geralmente, “Ah, é preciso fazer alguma coisa na escola!”, mesmo sem ser a coordenadora eu avançava e para coordenar, para organizar. Sei lá, mesmo os passeios escolares, visitas de estudo nunca, foi uma coisa que me dava prazer e eu não tinha problemas nenhuns em me oferecer como voluntária para coordenar essas coisas. Talvez seja isso.” (C)
Atenção à inovação e abertura à
mudança
“Eu acho que tem que estar permanentemente atento aos sinais e à evolução da sociedade. Tem que estar muito atento a tudo o que se passa, e, e, e, e não digo ir com os outros, mas acompanhar essas mudanças.” (C)
Compreensão
“Às vezes, estou a fazer um trabalho e estou, constantemente, a ser interrompida não é (risos)? Como… e geralmente eu tenho sempre tempo para parar um bocadinho e deixar aquilo que estava a fazer para atender as pessoas que vêm, quer sejam pais, quer sejam funcionários, pronto e… eu acho que isso tem-me ajudado muito. As pessoas estão à vontade, quando têm algum problema falam e são abertas. São abertas e eu acho que as pessoas não se, não têm medo nem se coíbem de vir expor qualquer problema: “Olhe, eu amanhã precisava de vir mais tarde um bocadinho, porque tenho o meu filho doente!” e, e, ah e explicam qual é a razão mas a razão verdadeira, porque não têm nada a esconder! Porque sabem que eu, que eu, neste momento, já não tenho os filhos pequenos mas já tive e sei, e sei o dilema que é para pais saberem que têm o filho com febre de manhã e têm que pedir a uma tia ou à avó que esteja por perto para ficar com a criança.” (C)
Confiança na equipa de docentes
“E a M. fez um trabalho muito bom nesse nível. E conseguiu, em paralelo com isso a nível de aprendizagem porque os miúdos, eu já há um bocado disse, a nível de desenvolvimento intelectual, classificou o grosso da turma de médio para cima. (…)
Mas, mesmo os professores que entram do quadro de zona, são professores com muita experiência, muitos anos de serviço. E, por aí, isso dá-me uma certa tranquilidade, apesar das metodologias e das estratégias que as pessoas escolhem, eu poder concordar mais ou menos. Mas dá-me alguma tranquilidade ao nível da aprendizagem, das exigências e do trabalho que é feito dentro da sala de aula.” (C)
Disponibilidade para ajudar os outros
“Porque eu não posso impor nada dentro da sala de aula, não é uma das minhas competências. Eu posso… se as pessoas gostarem das minhas estratégias e perguntarem “Olha, como é que fazes?”, “É assim, assim, assim”. Eu não posso impor que façam nada que, pronto, como eu não gostaria que me impusessem: “Olha, agora vais fazer assim, assim, assim!”. Acho que ninguém gosta disso. Eu acho que eu só, só quando as pessoas acreditam naquilo que o outro faz e que aquilo que o outro faz pode ser benéfico, é que então querem saber mais e querem…não digo imitar, mas trabalhar em conjunto, partilhar experiências. Isso, eu acho que este ano, volta e meia, há conversas muito engraçadas, quando as pessoas começam a dizer: “Eu fiz assim!”, depois aquilo, “Como é que tu fizeste aquilo?”.” (C)
Tolerância e respeito
“Eu acho que, com a idade, nós somos mais tolerantes, estamos mais atentos, e acho que o saber ouvir… Eu acho que sei ouvir melhor agora do que dantes. E eu acho que com a idade, à medida que a gente vai crescendo, não pára de crescer, não é (risos)? Que vai, que se vai amadurecendo. Eu acho que é o saber ouvir, esperar os sinais, esperar que as pessoas, dar tempo para que as pessoas também façam a sua caminhada. Não querer que as pessoas façam logo aquilo que eu, aquilo que eu já vivi, “Há tanto tempo que eu já fiz aquilo, aquilo não dá resultado nenhum…”, mas ninguém aprende com os erros dos outros, ninguém, ninguém. Eu acho que é isso, eu tenho aprendido a ser mais paciente e esperar que as pessoas experimentem, acreditem e queiram continuar.” (C)
Quadro 13: Visão da coordenadora sobre as características da sua liderança
A forma como a coordenadora descreve a sua própria liderança demonstra a percepção que ela tem do seu trabalho e das suas capacidades enquanto líder. Os seus comentários ao longo das suas entrevistas testemunham o seu entusiasmo pelo trabalho, a sua paixão pelo ensino e pelas pessoas com quem lida, o que evidencia um “comprometimento duradouro” (Day, 2001) com a escola.
Ao longo da sua carreira, a coordenadora tem desempenhado sempre cargos de liderança, porque, segundo ela, “faz parte da sua personalidade”, gosta de “enfrentar as coisas”, gosta de “desafios”.
A coordenadora descreve-se como uma pessoa “impulsiva”, “persistente” e “teimosa”. Uma das características que mais realça em si é a atenção à evolução da sociedade, a vontade de inovar e a abertura à mudança.
A sua actuação baseia-se na compreensão e disponibilidade para ouvir os outros e resolver os seus problemas, confiando na sua equipa de docentes e nas suas capacidades enquanto
professores. Mesmo quando os professores utilizam estratégias com as quais não se identifica não interfere porque não considera que essa seja uma das suas competências. No entanto, gosta de mostrar o seu trabalho e está sempre disponível para ajudar os outros professores e partilhar as suas estratégias de sucesso. Com o tempo tem aprendido a ser mais tolerante, a respeitar os outros e o caminho que cada um tem que percorrer para aprender e se desenvolver profissionalmente, procurando partilhar as suas experiências, sem impor que as sigam.
As características que a coordenadora vê na sua liderança relacionam-se com as características que outros actores educativos lhe atribuem e com as estratégias de actuação que utiliza na liderança da escola. Estes aspectos são apresentados na secção seguinte.
4.2.3. Características da liderança nesta escola – perspectiva dos