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Hvordan arbeider ledelsen for å fremme tverrfaglig samarbeid?

4. PRESENTASJON AV FUNN

4.2 Funn fra intervjuene

4.2.1 Hvordan arbeider ledelsen for å fremme tverrfaglig samarbeid?

Na década de 1920, foi publicada “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” de Max Weber, constituindo-se em uma das primeiras reflexões sobre a motivação para a ação de empreender. Nesta obra, Weber destaca a diferença entre católicos e calvinistas, sob a ótica da vida profissional, e os motivos que levaram a presença destes últimos em lugar de destaque na economia, buscando compreender as raízes desta diferença, tendo fundamentado sua análise do ponto de vista ascético, com origem na Idade Média.

Para Weber (2004), o (então) novo capitalismo estava centrado no aproveitamento das oportunidades de crescimento e de lucro, e o perfil do empresário se caracterizava pela sobriedade, constância e sagacidade, inteiramente devotado às causas profissionais: Um homem com visão e princípios burgueses. Esta concepção do ser humano de ganhar dinheiro por vocação repugnava a sensibilidade moral da época. Sendo assim, surge a questão de que círculo de ideias originou-se, pois, a inclusão de uma atividade voltada puramente para o ganho, a qual o indivíduo se sentia vinculado pelo dever? A resposta a esta concepção está na vocação do ser humano que, segundo a ideia de profissão do protestantismo ascético, o homem abençoado por Deus é aquele quem tem sucesso no trabalho.

Portanto, segundo a ótica protestante, uma vida profissional bem sucedida é uma vocação divina. Para alcançá-la, é necessária uma busca por resultados santificados pelas obras, obtidos por uma racionalização da vida profissional e suportados por uma disciplina rígida para cumprir este programa. Há necessidade de uma constante reflexão para se acompanhar o que está acontecendo: Eu possuo uma conduta de vida ética metodicamente racionalizada?. Daí a necessidade permanente da prova para se evitar o risco de retorno ao estado natural pecaminoso – e, esta prova, é o sucesso. Nesta concepção, o sucesso representa o acúmulo de capital, rendimento do capital, re-investimento do capital e crescimento da riqueza.

Diferente, portanto, da concepção católica, na origem ascética do protestantismo, o indivíduo possui no dever a sua vocação e, a prova de estar cumprindo este dever estaria representada na sua capacidade de realização. Nisto está a sua motivação para empreender.

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- Teorias Clássicas de Motivação

Além destes fatores ascéticos, uma rápida visão sobre as teorias da motivação será útil para a reflexão sobre o que motiva à ação do empreendedor, para, a seguir, utilizá-la como referência na elaboração da perspectiva da motivação empreendedora.

Para Robbins (2002), a motivação é o processo responsável pela intensidade, direção e persistência dos esforços de uma pessoa para o alcance de determinada meta. Segundo a concepção de Robbins, as teorias, selecionadas para esta análise, abordam o comportamento do indivíduo frente a uma necessidade relacionada como meta a ser atingida. Conforme estas teorias, denominadas de teorias da motivação baseadas na necessidade, a motivação ocorre em função da satisfação das necessidades internas do indivíduo. Neste grupo, enquadram-se a Hierarquia de Necessidades de Maslow, a Teoria das Necessidades de McClelland e Teoria dos Fatores Motivadores de Herzberg.

Maslow (1963) propôs a Teoria da Hierarquia de Necessidades que, com foco em aspectos psicológicos, postula um dinamismo pelo qual surge um impulso motivacional ascendente. Ou seja, o indivíduo somente está motivado a subir na escala de necessidades, após ter satisfeito seus níveis inferiores. O mesmo ocorre no sentido inverso, caso uma necessidade primária deixe de ser satisfeita.

- Necessidades Fisiológicas: necessidade de alimentação, descanso e proteção contra os elementos agressivos da natureza;

- Necessidade de Segurança: proteção contra possíveis privações do que já foi obtido com o primeiro grupo e frente aos perigos do meio natural e social em que vive; - Necessidades Sociais: dar e receber afeto, e sentir-se aceito pelos outros;

- Necessidade de Autoestima: estima pessoal pela confiança em si mesmo, no conhecimento que possui e na sua competência profissional, e estima por parte dos outros, pelo reconhecimento de suas qualidades pessoais;

- Necessidade de Autorealização: realização pessoal pela utilização de toda sua potencialidade.

A teoria de Maslow deu origem a um novo conceito importante – estabelece uma dinâmica motivacional para o estudo da motivação nas empresas.

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Frederick Herzberg (1959) desenvolveu a Teoria dos Fatores Motivadores, fazendo distinção entre fatores desmotivadores e motivadores do indivíduo no trabalho.

- Fatores Higiênicos: fatores extrínsecos que provocam a desmotivação pela falta de atendimento às necessidades primárias do trabalhador (salário, condições de trabalho, relações interpessoais com a chefia etc.);

- Fatores Motivadores: fatores intrínsecos que promovem a motivação, pela ação destes fatores na satisfação das necessidades superiores do trabalhador (realização pessoal, reconhecimento, possibilidade de promoção etc.).

Para o autor, a inexistência de fatores de higiene não leva à motivação, mas remove as causas de insatisfação. Só com a presença de fatores motivadores, desde que existam os primeiros, é que se pode gerar a motivação no trabalho.

David McClelland (1961) desenvolveu a Teoria da Necessidade de Realização, pela qual, assume uma representação social do indivíduo como um agente autônomo e único responsável pelo seu sucesso ou seu fracasso. Portanto, sua motivação está ligada ao impulso de obter sucesso nas atividades desenvolvidas, mais pela sua realização pessoal (intrínseca), do que pelo recebimento de recompensas externas (extrínseca). Neste sentido, fixa ele suas próprias metas de desempenho, progressivamente, como um estímulo, e se realiza ao atingi- las.

Para comprovar esta teoria, McClelland desenvolveu um método que media a intensidade da preocupação de uma pessoa com sua realização, denominado de „n Realização‟ (necessidade de realização). Posteriormente, essa medida foi reconhecida e generalizada para outros motivos, não apenas de necessidade de realização, como a concretização de algo, mas também como a necessidade de afiliação e necessidade de poder.

Estas considerações são resumidas na Figura 3, que leva em conta em um contínuo, uma combinação possível das teorias descritas anteriormente. Procura associar as necessidades fisiológicas e de segurança da Teoria das Necessidades de Maslow, com os fatores higiênicos de Herzberg, e ainda com os estímulos para alcançar o poder de McLelland. No outro lado, são associados as necessidades de autoestima e realização de Maslow, com os fatores motivadores de Herzberg e os impulsos para realização de McLelland. Esta relação será utilizada para construir uma teoria para motivação empreendedora descrita na sequência.

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Figura 3: Teorias clássicas da motivação Fonte: O Autor

- Fatores de Motivação Empreendedora

A motivação empreendedora é a motivação para realizar uma oportunidade de negócio associada a uma recompensa. Na visão dos Autores de Empreendedorismo Selecionados (BERNARDI, 2003; DEGAN, 2009, DOLABELA, 1999; FARAH, 2008; LONGENECKER, 2007; SALIN, 2004)V esta motivação pode se dar por duas causas primárias:

- Empreendedores por oportunidade: são pessoas que perderam o emprego, ou não possuíam emprego, e tiveram que abrir um negócio, como alternativa de ocupação e renda para a sobrevivência;

- Empreendedores por oportunidade: são pessoas atentas a novas oportunidades de negócio, que querem ser independentes na sua forma de sobreviver e existir.

Além das causas primárias, outros fatores são comumente descritos por estes autores como razões para se criar uma empresa:

– Para ter o que comer;

– Para ganhar dinheiro e ficar rico;

– Para se livrar do “chefe” e ser independente; – Para criar algo exclusivamente seu;

– Para escrever a sua própria história.

Outro fator a ser considerado como motivador é a percepção do empreendedor com relação ao sucesso.

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Os empreendedores possuem o seu próprio critério de sucesso. Pode-se afirmar que os empreendedores dividem-se igualmente em dois grupos:

Aqueles para os quais o sucesso é definido pela sociedade (objetivo) e aqueles que têm uma noção interna do sucesso (subjetivo). Não há nenhum estudo que diga que uma ou outra categoria tenha maior sucesso. Mas aqueles que têm uma noção interna do sucesso possuem mais facilidade de alcançar a autorealização. Quanto mais alto for o nível cultural, mais frequente se torna estabelecimento de padrões internos de sucesso. (DOLABELA, 1999, p.46).

Esta concepção pode ser observada em estudo realizado por Gomes e Balestra (2005) sobre a motivação de empreender na atividade de fabricação de bolos artesanais e por encomenda33. Este estudo concluiu que os fabricantes de bolos artesanais definem o sucesso com o alcance das seguintes metas: a preocupação em satisfazer às necessidades individuais e o reconhecimento de seus clientes, bem como a busca de sua própria realização pessoal. Para as doceiras que fabricavam bolos por encomenda, o sucesso estava relacionado diretamente com o retorno financeiro satisfatório para sua sobrevivência. As empreendedoras de bolos artesanais desfrutavam de uma percepção de sucesso maior do que as empreendedoras de bolos por encomenda. Obtinham, ainda, um retorno financeiro maior, muito embora este não fosse o primeiro alvo destas empreendedoras.

Para Degan (2009), há ainda duas outras condições que irão determinar a disposição para empreender: uma associada ao grau de conhecimento adquirido ao longo da experiência profissional, e outra, relativa ao grau de responsabilidade que este acumula em sua vida.

Pela primeira (grau de conhecimento), existem fatores que atuam como motivadores para se iniciar um empreendimento como um desafio: “A autoconfiança do potencial empreendedor é função direta de seu conhecimento no domínio sobre as tarefas necessárias para desenvolver o negócio e sua experiência gerencial” (DEGAN, 2009, p.19).

Pela segunda, (grau de responsabilidade) o progresso na carreira, o aumento das responsabilidades familiares, as obrigações financeiras que se sucedem representam um fator desmotivador para esta iniciativa: “Torna-se aterrorizante para estas pessoas ter que abrir mão da estabilidade de um emprego para submeterem-se a um revés num negócio próprio” (DEGAN, 2009, p.20).

33 Conforme apurado neste estudo, as fabricantes de bolos artesanais faziam os bolos de acordo com a situação

idealizada pelo cliente. Através de treinamento e material de cobertura próprio, conseguiam refletir no bolo a situação criada pelo cliente - cada bolo era uma história e uma produção independente. As fabricantes de bolo por encomenda possuíam uma relação de bolos, doces e salgados padrão, que eram produzidos por lote, de acordo com os pedidos recebidos, em um sistema que envolvia a família inteira

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Degan (1989) considera que há um período de „livre escolha‟ nele o indivíduo se sente seguro diante da competência profissional adquirida e ainda não possui a responsabilidade pelo envolvimento com outras atividades e responsabilidades que o impediriam de recomeçar. Situa este período de „livre escolha‟ em uma faixa de idade que varia de 28 a 35 anos, em consonância com a pesquisa GEM (2010), apresentada anteriormente, que aponta esta faixa etária com a maior participação de indivíduos (31,7%) na iniciativa de empreender.

A Figura 4 fornece uma análise destes Fatores de Motivação Empreendedora aplicados ao quadro resumo das Teorias de Motivação Clássica apresentado anteriormente, cuja comparação é descrita na sequência.

Figura 4: Fatores de Motivação Empreendedora aplicados às Teorias de Motivação Clássicas Fonte: O Autor

Numa primeira aproximação, ambas as situações apresentadas nesta figura, ao invés de excludentes, estão dispostas em um contínuo. Neste contínuo, de um lado, são apresentados os fatores motivadores extrínsecos de Herzberg, associados à motivação de se empreender pela necessidade. No outro lado, estão os fatores motivadores intrínsecos de Herzberg, nesta vez associados com a motivação de se empreender pela oportunidade. A hierarquia de necessidades de Maslow está representada sob a perspectiva da motivação empreendedora, renomeada com as razões para se criar uma empresa segundo a ótica do empreendedor (ter o que comer, ficar rico, ser independente, criar algo exclusivo seu e para escrever a sua própria história). Finalmente, a motivação pela Necessidade de Realização de McClelland, relacionada com o comportamento do empreendedor, como impulso para realizar meios para sobrevivência, ou estímulo para realização pessoal.

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O enfoque contínuo e progressivo apresentado anteriormente é pertinente ao relato realizado por Marcovitch (2005; 2006). Trata da trajetória de dezesseis pioneiros empreendedores do Brasil, que marcaram a história do desenvolvimento empresarial no país. No relato destes empreendedores, a ação de empreender foi iniciada pelo impulso do indivíduo para realizar a sua própria sobrevivência, até tornar-se objeto de sua realização pessoal. Nota-se a maleabilidade deste processo, com relação ao objeto de realização por parte destes indivíduos que se transforma de simples obtenção de meios para sobrevivência, até se alcançar a necessidade de associação e aumento do poder e influência.

A maleabilidade suposta neste contínuo de aspirações é plenamente comprovada com a experiência do autor, que teve oportunidade de acompanhar o desenvolvimento de vários empreendedores, ao longo de doze anos como diretor de entidade patronal ligada à FIESP. Interessante observar que, neste convívio (talvez no de maior intimidade), a grande maioria destes empreendedores se orgulhava do trajeto percorrido entre a subsistência e a auto- realização e se preocupavam em transmitir as experiências que tiveram nos tempos difíceis desde o início de sua trajetória, e como estas experiências serviram de referência para seu padrão de conduta como empresário. Outra constatação foi a elevada participação destes empreendedores bem sucedidos nos cargos de direção dos sindicatos, associações e da própria federação, empenhados na construção de uma nova realidade econômica para o país (na Figura 4 a sequência ascendente: reconhecimento social, autoestima e autorealização).

A recíproca também era verdadeira nesta maleabilidade. O empreendedor que, por desventura, se encontrasse em dificuldade, costumava se afastar do convívio público dos demais. Interioriza-se em seus problemas, mesmo que pudesse contar com a compreensão e ajuda dos colegas, percorrendo o sentido inverso daqueles que ascenderam na vida empresarial (na figura a seqüência descendente: afastamento social, busca pela segurança e sobrevivência).

Sendo assim, a mobilidade descrita anteriormente é aspiração circunstancial na vida do empreendedor. Isto pode explicar a dificuldade em se estabelecer um padrão de referências único para as características e comportamentos que definam empreendedores de sucesso, exatamente porque esta medida é de caráter mutável e situacional na vida de cada indivíduo. Estes momentos díspares estão refletidos na conceituação da competência empreendedora, relatados com os dois enfoques: competência para sobreviver e competência para ser, conforme descrito na sequência.

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