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Hvor utbredt er ulike former for fysisk kontroll?

In document Kontroll og overvåking i (sider 40-43)

Para permitir um entendimento mais amplo de uma organização sob o ponto de vista da racionalidade substantiva, é necessária uma ampla gama de perspectivas para realizar um estudo de caso de maneira eficaz. Assim, apresenta-se aqui a ótica da psicologia social e da sociologia para o entendimento e estudo de grupos, sejam estes organizações formais e legalmente constituídas ou não.

Silvia Lane (In: LANE; SAWAIA, 1995), estudiosa brasileira da psicologia social sob a perspectiva marxista e sócio-histórica, aponta o caráter histórico do grupo quando afirma que

o significado da existência e da ação grupal só pode ser encontrado dentro de uma perspectiva histórica que considere a sua inserção na sociedade, com suas determinações econômicas, institucionais e ideológicas (LANE In: LANE; SAWAIA, 1995, p.44).

O mesmo aspecto é evidenciado na obra de Ignácio Martín-Baró (in: MARTINS, 2003), psicólogo e sacerdote jesuíta de El Salvador que, em função desta contextualização, ressalta que o grupo tem sempre uma dimensão de realidade referida a seus membros e uma dimensão mais estrutural, referida à sociedade em que se produz. Ambas as dimensões, a pessoal e a estrutural, estão intrinsecamente ligadas entre si e formam uma realidade total, um conjunto que não pode ser reduzido à soma de seus membros.

Bader Sawaia (1999), ligado tanto a Silvia Lane quanto ao russo Lev Vigotski – pioneiro na noção de que o desenvolvimento intelectual do ser humano ocorre em função das interações sociais (e condições de vida) – declara que o contexto atual predominante valoriza a autonomia e a emancipação. Paradoxalmente, este mesmo contexto também promove impulsos anti-sociais e de exclusão, que concebe a ordem social como produto da subjetivação e individuação dos seus membros, mas cria formas sutis de massificação dos homens.

Ágnes Heller (in: ANDALÓ, s/d), filósofa marxista, considera a revolução social um processo lento e celular, que passa pela subjetividade e pela participação. A transformação (revolução) se dá, portanto, na vida cotidiana. Nesta concepção, a constituição de pequenos grupos, que indagam o “porque” e o “como” das situações, se constitui num momento importante. A prática em comunidades e grupos, para Sawaia (In: LANE; SAWAIA, 1995),

atua na convivência e na comunicação, e dá existência social e individual às pessoas, trabalha o sentimento de ser útil a outros e de reconhecer o outro e a si mesmo como pessoas.

Georges Lapassade (1996), filósofo e sociólogo francês, em sua obra Grupos, organizações e instituições, descreve o processo e as fases de formação de um grupo. Numa “gênese ideal”, o grupo deve começar pela dispersão original dos homens para deduzir-se, em seguida, o grupo partindo do que não o constitui, ou seja, do seu contrário: a serialidade. Este conceito designa todo conjunto humano sem unidade interna.

Os homens se agrupam ao sentirem como comum uma necessidade individual, e projetando-se na unificação interna de uma integração comum em direção a objetivos que ela produz como comuns. O grupo é a totalização de totalidades individuais. Lapassade (1996) chama este momento de “fusão”.

A vida do grupo constitui-se de uma tensão permanente entre dois pólos: a serialização e a totalização. Essa tensão é o motor da dialética do grupo, que mantém sua existência graças a uma luta contra a volta, sempre possível, à dispersão inicial.

Na medida em que seus membros vão aprofundando suas relações e descobrindo muitas semelhanças entre si, gerando vínculos afetivos e de complementaridade, fortalecendo a interdependência de seus membros, o grupo passa por uma transformação e faz uma espécie de juramento que garante sua continuidade: “jurar-se-á contra toda força ‘centrífuga’, sobre o próprio risco da liberdade que interessa a cada um na medida em que é atraído para outra parte (...) O juramento será a ditadura do mesmo em cada um” (LAPASSADE, 1996, p. 53). Esse juramento é um estatuto de permanência no grupo, e mesmo que aconteça em termos simbólicos e não expressamente, garante o poder de cada um sobre e todos e de todos sobre cada um. Nasce, então, a chamada terceira pessoa, o indivíduo comum, os mil centros de uma realidade: o grupo. Cada um dos integrantes é em toda parte o mesmo, cada um é, assim, soberano; cada um pode decidir por todos sem tornar-se chefe. Para Martín-Baró (In: MARTINS, 2003), esse marco representa a consciência de pertencer a um grupo: o grupo passa a ser para o indivíduo uma referência para sua própria identidade ou vida, referência essa criada a partir do sentimento de pertença subjetiva a um grupo. Este sentimento é que contribui para que pessoas se sintam e atuem como grupo, possibilitando a sua identificação.

Estando o grupo assim “estabilizado”, a sua organização torna-se seu objetivo imediato. A partir deste momento, o grupo torna-se realmente tal, e não é apenas a fusão da serialidade. O que muda é que agora o grupo se trabalha para estabelecer objetivos claramente comuns, num processo de autocriação contínua. Nesse estágio, o indivíduo comum pertence ao grupo na medida em que efetua uma certa tarefa e apenas essa. Cada um exige dele pelo

grupo. Cada pessoa é necessária, constituindo o grupo uma rede de interdependências. A própria atividade dos grupos vai gerando vínculos afetivos e de complementaridade funcional entre os membros, tornando-os mais interdependentes, até o ponto de modelar as necessidades e ainda a identidade pessoal de cada um. (MARTÍN-BARÓ In: MARTINS, 2003)

O processo grupal estimula, pois então, a reflexão individual e coletiva, no sentido de possibilitar que seus membros se conscientizem de sua identidade psicossocial. É o espaço para a problematização do cotidiano, para o desencadeamento de novas relações e vínculos afetivos, para a expressão de opiniões e sentimentos. A partir do grupo torna-se possível identificar as diferenças e as semelhanças nas experiências individuais. Portanto, formação e informação, possibilitam o confronto de valores, de experiências, de sentimentos e de informações que gera reflexão e a valorização dos indivíduos, e os impulsionam para a ação e organização em estruturas (LAPASSADE, 1996).

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