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5.1 Informantenes erfaringer med informasjon

5.1.3 Hvilken informasjon savnet informantene?

No contexto da sociedade e economia preparada para aprendizagem torna-se imprescindível aumentar e actualizar o nível de qualificação da população, tendo em conta, nomeadamente, a necessidade de modernização da economia numa perspectiva de aumento da produtividade e da competitividade.

A empregabilidade71 da população portuguesa adulta depende em larga medida do aumento do seu nível médio de qualificação. Paralelamente, a adaptabilidade do sistema produtivo depende da reciclagem profissional e da actualização contínua das competências da população empregada. Portanto, é possível e altamente desejável melhorar a empregabilidade e a adaptabilidade dos cidadãos, à luz dos níveis de desemprego estrutural, efectivo e potencial, que afectam com maior gravidade os trabalhadores menos qualificados – uma grande percentagem da população activa portuguesa – através dum processo inclusivo de adaptação permanente ao conceito de ALV, com vista a elevação do nível médio de qualificações.

Verificou-se, a partir de dados secundários, que a análise cruzada das qualificações com os níveis de habilitação continua a evidenciar um baixo nível de instrução em todos os níveis de qualificação, o que indicia que as competências foram adquiridas através de outros canais de aprendizagem, que não o formal. Esta situação pôde ser explicada à luz das deficiências do sistema formal de ensino e formação profissionais, o que fez com que a aprendizagem não formal (em especial a experiência profissional – learning by

doing) se tenha tornado no modo dominante de reprodução e renovação de

competências. Este baixo nível médio de qualificações pode ser visto como um dos

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Empregabilidade, designa a necessidade de desenvolver e conservar as competências dos trabalhadores, dotando- -os de conhecimentos e capacidades que lhes permitam conservar um emprego durante toda a sua vida activa (Descy e Tessaring, 2001:11).

principais entraves ao desenvolvimento de processos de ALV, na medida em que tem associados ou implica baixos níveis de reconhecimento da necessidade de aprendizagem. No limite, esta situação pode conduzir a uma exclusão da partilha dos benefícios decorrentes da lógica de funcionamento da sociedade em rede. Por outro lado, o sucesso destas iniciativas resulta da motivação individual para aprender, da disponibilização de várias oportunidades de aprendizagem e, principalmente, da garantia do reconhecimento dos diferentes tipos de aprendizagem. Este reconhecimento é essencial na medida em que tradicionalmente nos percursos de aprendizagem e qualificação da população activa verifica-se uma inversão do peso relativo de cada um destes canais (formal informal), isto é, na “aprendizagem de início de vida” – onde predomina o canal formal – e na “aprendizagem ao longo da vida” – onde predomina o canal informal. Porque é da qualificação da população adulta que este trabalho trata, qualquer política de ALV ou de qualificação da população adulta terá de ter em conta e explorar as potencialidades dos canais informais. Isto é, para se poder tirar partido dos benefícios decorrentes dos processo de ALV na qualificação da população activa é necessário garantir que os diferentes tipos de aprendizagem são reconhecidos e correctamente sinalizados pela e na sociedade, com os mais diversos retornos. Por um lado, a motivação das pessoas para aprender também é proporcional ao retorno evidente e efectivo que dela se obtém. Por outro, verifica-se que os retornos não monetários da aprendizagem, sob a forma da melhoria do bem-estar pessoal e de maior coesão social podem ser tão importantes como o impacto ao nível das remunerações no mercado de trabalho e no crescimento.

Quando comparado com as restantes economias e considerando as suas insuficiências ao nível das condições de partida, Portugal vê-se assim obrigado a uma lógica de catch-

-up face aos restantes países. Desta forma, a realidade portuguesa demonstra uma necessidade acrescida de reconhecimento destas diferentes formas de aprendizagem. Para tal pode tirar partido da particularidade de a população adulta reconhecer a importância dos canais informais nos processos de aprendizagem. Está em causa tanto a aquisição de saberes e competências como a criação de condições para o reconhecimento social, validação, certificação, aquisição ou desenvolvimento de competências básicas por uma parte significativa da população que não teve oportunidade de acesso à escola e cujas qualificações foram adquiridas em ambientes não formais e/ou informais. Por outro lado, a população com níveis de qualificação mais elevados também reconhece e valoriza a importância destes canais informais, tal como indicaram os dados primários e secundários.

Ou seja, para o caso português o reconhecimento da aprendizagem informal pode desempenhar um papel crucial para apoiar a população activa (adultos) na decisão de integrar processos de aprendizagem contínua através de abordagens de educação informal que respondam aos seus interesses e preocupações, podendo frequentemente representar um primeiro passo para processos de ALV tanto por parte daqueles que se sentiam inteiramente fora deste processo, como por parte daqueles que, entretanto concluíram a componente de aprendizagem mais formal deste mesmo processo.

Retomando as questões de investigação, como pode a utilização quotidiana das TIC, principalmente o computador e a Internet, em casa e no emprego, contribuir para a qualificação da população activa? Podem as TIC criar gosto e reconhecimento pela aprendizagem numa população cujos baixos níveis médios de qualificação condicionam o reconhecimento da necessidade de aprender?

Dada a exigência de constante actualização de conteúdos e por as TIC serem cada vez mais user friendly, as competências em TIC tendem a desenvolver-se muito em ambientes informais. Os dados primários permitiram atestar o reconhecimento da importância dos canais informais nos processos de aprendizagem em TIC. Ou seja, podemos assumir que as TIC contribuem para o reconhecimento e valorização destes

mesmos canais. Também o reconhecimento unânime da importância destas

competências explica a preocupação na sua actualização por parte dos indivíduos. É partindo destas premissas que se equaciona uma relação entre o desenvolvimento das TIC e as políticas de ALV, na medida em que desencadeiam e desenvolvem processos inclusivos de ALV que permitem fazer face ao acelerado ritmo de obsolescência de competências num contexto de rápida mudança tecnológica que, por sua vez, podem contribuir para o reconhecimento da importância de processos de aprendizagem contínua de âmbito mais alargado

Assim, e em resposta à questão de investigação, é precisamente através do potencial de sinalização que as TIC podem assumir um papel de destaque. Isto é, considerando as suas particularidades, as TIC são, ao mesmo tempo, objecto de aprendizagem (algo por aprender), sujeito de auxílio à aprendizagem e, não menos importante, meio de promoção e sustentação do próprio processo de aprendizagem. Desta forma, e enquanto meio, numa sociedade preparada para a aprendizagem, independentemente do contexto onde sejam utilizadas (em casa, no trabalho, na escola/universidade, entre outros), as TIC conduzem sempre à criação de necessidades de aprendizagem. E porquê? Porque são ubíquas e porque alteraram as concepções tradicionais de tempo e os padrões e ritmo de comunicação tanto na esfera social como económica. Porque foram e são responsáveis pela necessidade que cada pessoa tem de explorar e beneficiar dos efeitos

de rede, reflectidos numa intensificação do “stock de interactividade” da sociedade. Por outro lado, se as TIC criam necessidades de aprendizagem é porque os processos de aprendizagem que lhes estão associados são reconhecidos, valorizados e permitem alcançar um determinado benefício que, por sua vez, alavanca e sustenta a continuação do próprio processo de aprendizagem.

É por esta via, de criação de necessidades de aprendizagem, que as TIC se apresentam como um elemento fundamental e determinante na sustentação de processos mais alargados de ALV. Concomitantemente, o facto de as TIC se terem afirmado primeiramente nos ambientes informais (em casa) e só depois nas escolas realça a sua importância no potencial da aprendizagem informal. Aproveitando este reconhecimento, é possível entender o processo de aquisição das competências em TIC como um meio e oportunidade de demonstração ou prova do potencial dos canais informais de aprendizagem, que são tão importantes nos processos de ALV da população adulta. Considera-se que uma das principais sinergias existentes entre o desenvolvimento das TIC e a qualificação da população activa portuguesa reside na exploração e aproveitamento do seu potencial de sinalização da importância dos retornos dos processos de ALV, dado que tornaram o processo de desenvolvimento de competências e de qualificação cada vez mais vital para o sucesso individual e colectivo.

A generalização da utilização das TIC e das respectivas competências pode não só contribuir para aumentos de produtividade – por via de uma melhor resposta em ambientes dinâmicos decorrente da oportunidade de melhoria das competências da população activa – como também pode contribuir para um reconhecimento efectivo da importância dos processos de ALV na qualificação da população activa, tornando-os mais interessantes e compreensíveis e os respectivos retornos mais visíveis.

Porque os baixos níveis de qualificação da população portuguesa não podem constituir um obstáculo, uma falta de meio, para se poder tirar partido dos benefícios dum mundo onde o conhecimento e informação assumem-se como um dos principais factores produtivos e moeda de troca, o esforço de reconversão profissional conduz a alguns desafios:

a) Inclusão, para este efeito é necessário tornar os indivíduos responsáveis pela sua formação e dotá-los de meios que lhes permitam assegurar a sua própria empregabilidade, tornando-se formandos autónomos (self-directed learners) ao longo de toda a sua vida. Na perspectiva da empregabilidade, e em especial ao nível das

entidades do sistema de formação, certificar e qualificar é condição necessária mas

não suficiente para a reconversão profissional desta população activa. É imperativo garantir que as experiências que são reconhecidas, validadas e certificadas se reflictam e sejam integrados em iniciativas e esquemas inclusivos de ALV, que garantam a esta população a flexibilidade e adaptabilidade necessárias para responderem activamente às exigências decorrentes do ritmo a que se faz sentir a mudança. Esta inclusão também tem de se reflectir em programas de ALV que estejam articulados com as próprias motivações e aspirações individuais, facilitando a integração e o desenvolvimento pessoal, social e profissional. Estes esquemas inclusivos não só contribuem para sustentar este esforço constante de reconversão, como também para reduzir os próprios custos marginais (objectivos e subjectivos) associados a este esforço.

b) Sinalização, para este efeito é necessário o reconhecimento e promoção institucional por parte do Estado – contrariando a sua tradicional postura paternalista, através de políticas públicas de qualificação da população que reflictam um claro interesse e intenção de desenvolvimento descentralizado de programas de ALV (envolvendo e

responsabilizando o mercado de trabalho e o resto da sociedade, numa lógica de efeito gatilho) que contemplem a exploração das potencialidades dos canais informais –, do

mercado de trabalho – através da garantia dos devidos retornos monetários e

incentivos, que reconheçam a importância e validem o desenvolvimento da aprendizagem experiencial – e da sociedade civil – promovendo uma maior valorização e preponderância do capital humano face ao capital cultural, de modo a sinalizar para o Estado, mercado de trabalho e as outras instituições responsáveis pela educação e formação a importância de fornecer as condições e as estruturas de aprendizagem apropriadas, com vista à criação de um verdadeiro ambiente de aprendizagem que encoraja, reconhece e recompensa a aprendizagem, independentemente da sua natureza formal ou experiencial, abrindo caminhos para novas oportunidades de educação.

Em síntese, porque a constante renovação e reconversão de competências e conhecimentos no contexto de sistemas integradores de programas de ALV é uma condição necessária para o desenvolvimento sustentado da economia preparada para a aprendizagem – onde o reconhecimento e validação de competências é sempre insuficiente –, é possível admitir que o desenvolvimento de competências em TIC pode, efectivamente, ter efeitos benéficos na qualificação da população activa, por via da sinalização e consequente desencadeamento de processos inclusivos e sustentados de ALV, de âmbito mais alargado, que pressupõem a valorização e exploração dos canais informais de aprendizagem. Deste modo, as TIC, através das suas características72, podem desempenhar um importante papel ao contribuírem para elevar a motivação e o nível de envolvimento necessários nestes processos de aprendizagem contínua.

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Características identificadas e analisadas ao longo deste trabalho: ubiquidade, universalidade, portatibilidade, amigabilidade e ser uma tecnologia de rede.

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