7 Kulturarv og verdiskaping på Vega og i Valdres:
7.4 Hvilken generell innsikt og lærdom har studiene
Historicamente, foi a partir da miscigenação da antiga Língua de Sinais Brasileira com a Língua de Sinais Francesa que nasceu a Língua Brasileira de Sinais - Libras (MOURA, 2000). Nesse sentido, no caso da Libras, o:
(...) canal perceptual é diferente, por ser uma língua de modalidade gestual visual, a mesma não teve sua origem da língua portuguesa; que é constituída pela oralidade, portanto considerada oral-auditiva; mas em uma outra língua de modalidade gestual visual, a Língua de Sinais Francesa, apesar de a Língua Portuguesa ter influenciado diretamente a construção lexical da Língua de Brasileira de Sinais, mas apenas por meio de adaptações por serem línguas em contato (ALBRES, 2005, p.1).
Em 1875, foi publicado o livro intitulado Iconographia dos Signaes dos Surdos- Mudos, de autoria de Flausino José da Costa Gama, que é considerado como a primeira obra de língua de sinais produzida no Brasil. Esse livro foi escrito com litogravuras para facilitar a comunicação entre os alunos surdos e os professores ouvintes do INES, sendo que contém 382 sinais, excetuando-se o alfabeto manual (SOFIATO; REILY, 2011).
Porém, em 1880, no Congresso Internacional de Educação de Surdo, que foi realizado em Milão, na Itália, foi rejeitada a utilização da Língua de Sinais nas escolas de surdos, proibindo que os alunos se expressassem e se comunicassem nessa língua. A partir desse congresso, houve a valorização do método oral que foi considerado superior à língua de sinais.
Posteriormente, seguindo uma tendência mundial, em 1911, o INES estabeleceu o oralismo puro como filosofia educacional no processo de ensino e aprendizagem, ignorando
quase três décadas da utilização da língua de sinais nessa escola. Dessa maneira, a língua de sinais começou a ser desvalorizada e desprezada nos meios educacionais e também pela sociedade (DINIZ, 2010). Contudo, a Língua de Sinais continuou a ser utilizada em sala de aula até o final da década de 1950, bem como nos pátios e corredores da escola a partir do ano de 1957, quando a sua utilização foi proibida nessa escola (ALBRES, 2005).
Nesse contexto, os alunos Surdos se escondiam nos refeitórios e dormitórios do INES para se comunicarem. No entanto, em anos posteriores, a língua de sinais que utilizavam de uma maneira oculta estava formada como um sistema linguístico. Então, essa língua foi difundida pelo Brasil, pois os alunos do INES eram oriundos de outros estados brasileiros, além do Rio de Janeiro, e, quando regressavam para os seus lares, ensinavam a língua de sinais que adquiriram nessa escola (DINIZ, 2010).
Na década de 1980, as pesquisas linguísticas e pedagógicas focalizaram a importância da utilização da Língua de Sinais no processo de aprendizagem. Na década seguinte, em função da necessidade de melhorar a qualidade do ensino nas salas de aula do INES, os monitores surdos atuavam como mediadores na transmissão e no processo de ensino e aprendizagem entre os professores ouvintes e os alunos Surdos (DINIZ, 2010).
No início da década de 2000, a comunidade surda do Brasil, as associações de surdos e a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (FENEIS) se consagram vitoriosos em sua luta pela valorização da língua de sinais e pela sua importância na área educacional (DINIZ, 2010). Então, em 2002, a Libras foi reconhecida como meio legal de comunicação e expressão utilizada pelas comunidades surdas no Brasil (BRASIL, 2002).
Assim, a Lei nº 10.436 promulgada em 24 de abril de 2002, estabeleceu em seu Parágrafo único que a Língua Brasileira de Sinais é a “forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constitui um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil” (BRASIL, 2002, n.p.).
Nesse contexto, a partir do momento que a Libras é “reconhecida como língua, como todas as outras línguas orais, com estruturas gramaticais próprias, perde o status de mímica e gesto, passando a não ser considerada como linguagem. Por isso, não se diz Linguagem Brasileira de Sinais, e sim Língua Brasileira de sinais” (ALMEIDA, 2013, p. 23).
Em 2005, com o Decreto nº 5.626, a Língua Brasileira de Sinais se tornou uma disciplina obrigatória nos cursos de licenciatura e fonoaudiologia (BRASIL, 2005). Nesse direcionamento, a Libras assumiu um papel linguístico em destaque na educação brasileira,
gerando oportunidade de socialização, interação e participação das pessoas Surdas em qualquer espaço social (ALMEIDA, 2013).
Na Libras, “os sinais são os itens lexicais da língua de sinais, dotados de significado, arbitrários na relação entre o significado e o significante, de modo visual. Os sinais expressam sentimentos, emoções, inclusive ideias abstratas” (ALMEIDA, 2013, p.24). Então, a Libras é uma língua independente da língua oral, que dispõe dos mesmos níveis linguísticos de análise, sendo, assim, tão complexa quanto as línguas faladas.
O alfabeto manual de Libras ou datilologia é um sistema simbólico e icônico que representa as letras do alfabeto das línguas orais em sua forma escrita por meio das mãos. Esse alfabeto é utilizado “quando não existe ou se desconhece um [sinal] equivalente (...) à palavra ou conceito na língua de sinais; para nomes próprios; para títulos de trabalhos; para explicar o significado de um sinal para um ouvinte que conheça o alfabeto manual” (BISOL; VALENTINI, 2011b, p.1). A figura 01 mostra o alfabeto manual de Libras ou datilologia.
Figura 01: Alfabeto manual de Libras
Fonte: Almeida (2013, p.31).
O alfabeto manual de Libras consiste na soletração de letras e numerais com as mãos. Assim como o alfabeto, os números também são representados manualmente na Libras. A figura 02 mostra a representação dos números em Libras.
Figura 02: A representação dos números em Libras
Fonte: Almeida (2013, p.31).
É importante enfatizar que a principal característica da Língua Brasileira de Sinais é a sua modalidade gestual-visual-espacial. Contudo, ainda persiste a percepção equivocada de que os sinais realizados para comunicação são somente desenhos no ar ou mímica (QUADROS; KARNOPP, 2004).Porém, devido à natureza linguística da Libras, a:
(...) realização de um sinal pode ser motivada pelas características do dado da realidade a que se refere, mas isso não é uma regra. A grande maioria dos sinais da LIBRAS são arbitrários, não mantendo relação de semelhança alguma com seu referente (STROBEL; FERNANDES, 1998, p. 4).
Assim, um sinal icônico tem a característica de representar um determinado objeto de maneira semelhante à realidade, pois lembra o seu significado. Por exemplo, uma foto é icônica, pois reproduz e representa a imagem do referente, ou seja, da pessoa ou do objeto que foi fotografado. Similarmente, vários sinais da Libras correspondem aos gestos que aludem à imagem de seu significado na realidade.
Nesse sentido, o gesto da mão fechada como se estivesse pegando a escova de dente realizando movimentos repetidos em frente à boca lembra exatamente os movimentos ao escovar os dentes (Figura 03).
Figura 03: Sinal icônico de escovar os dentes
Porém, ressalta-se que os sinais icônicos não são iguais em todas as línguas, pois cada sociedade pode captar facetas ou características diferentes do mesmo referente, representando convencionalmente os seus próprios sinais (STROBEL; FERNANDES, 1998). Por outro lado, o sinal que não mantém uma determinada semelhança ou característica com uma dada representação da realidade é denominado de sinal arbitrário, como, por exemplo, os gestos para pessoa e perdoar. A figura 04 mostra o sinal arbitrário para pessoa e perdoar.
Figura 04: Sinal arbitrário para Pessoa e Perdoar
Fonte: Strobel e Fernandes (1998).
Por muito tempo as línguas de sinais não eram consideradas como línguas por serem icônicas, então, não poderiam representar conceitos complexos e abstratos. Porém, estudos mostram que, atualmente, as línguas de sinais podem representar qualquer conceito complexo e abstrato (STROBEL; FERNANDES, 1998).
A Libras, como qualquer outra língua, também apresenta variações e dialetos regionais. Dessa maneira, as variações na representação dos sinais nas regiões de um mesmo país são denominadas de Variação Regional. As variações que existem na configuração das mãos e/ou nos movimentos sem que haja modificações no sentido do sinal são denominadas de Variação Social. Por outro lado, com o passar do tempo, um sinal pode sofrer alterações, denominadas de Mudanças Históricas, que são provenientes dos costumes e hábitos da geração que o utiliza (STROBEL; FERNANDES, 1998).
Essas variações e características fortalecem a existência da Libras como uma língua e, assim como as línguas orais, tem a capacidade para transmitir ideias, conceitos e costumes dos membros de um grupo cultural denominado de Comunidade Surda (STROBEL; FERNANDES, 1998). A figura 05 mostra algumas variações e mudanças na Libras.
Figura 05: Variações e mudanças de alguns sinais em Libras
Fonte: Adaptado de Strobel e Fernandes (1998).
Na Libras, os sinais são formados por meio das articulações com as mãos e com o corpo, que dependem da combinação de três aspectos importantes: a) um formato específico feito com as mãos, b) um determinado lugar do corpo ou em frente ao corpo que o sinal é feito e c) o movimento das mãos.
Essas articulações com as mãos e com o corpo que compõem a estrutura da Libras são denominadas de parâmetros, que podem ser comparados aos fonemas25 e, às vezes, aos morfemas26 (ALMEIDA, 2013). Os parâmetros são: configuração de mão (CM), movimento (M), ponto de articulação (PA), orientação (O) e expressão facial e/ou corporal. O quadro 07 mostra os cinco parâmetros da Libras com as suas respectivas definições.
25No nível fonológico, as línguas são formadas por fonemas, que somente têm valor contrastivo, pois não
possuem significado. Porém, a partir das regras de cada língua, os fonemas se combinam para formar os morfemas que se combinam para formar as palavras. Por exemplo, na língua portuguesa, os fonemas {M} {N} {E} {I} {A} {S} podem se combinar e formar a palavra {MENINAS} (ALMEIDA, 2013).
26No nível morfológico, a palavra MENINAS é formada pelos morfemas {MENIN} {A} {S}. Diferentemente
dos fonemas, cada um destes morfemas tem um significado, pois {MENIN} é o radical desta palavra que significa criança, o morfema {A} significa o gênero feminino e o morfema {S} significa o plural (ALMEIDA, 2013).
Quadro 07: Os cinco parâmetros da Libras
Parâmetros Definição
Configuração das mãos
Essa configuração está relacionada com os formatos realizados com as mãos, que podem ser obtidos por meio da datilologia (alfabeto manual) ou de outras formas realizadas pela mão predominante (mão direita para os destros e mão esquerda para os canhotos), ou pelas duas mãos (ambidestro) dos emissores ou dos sinalizadores, ou seja, da pessoa que realiza o sinal. Por exemplo, os sinais para aprender, laranja e amar têm a mesma configuração de mão (ALMEIDA, 2013). A figura 06 mostra a configuração de mãos para esses sinais.
Ponto de articulação
É o lugar onde incide a mão predominante configurada pode toca alguma parte do corpo ou estar em um espaço neutro vertical (do meio do corpo até à cabeça) e horizontal (à frente do emissor). Os sinais Trabalhar e Brincar são realizados no espaço neutro enquanto os sinais Aprender e Pensar são realizados na testa (ALMEIDA, 2013, p. 79). A figura 07 mostra o ponto de articulação dos sinais trabalhar, brincar, aprender e pensar.
Movimento
Os sinais podem ter um movimento ou não, que é definido como um parâmetro complexo que pode envolver uma vasta rede de formas e direções, desde os movimentos internos da mão, os movimentos do pulso e os movimentos direcionais no espaço (ALMEIDA; ALMEIDA, 2012, p. 11). A figura 08 mostra os possíveis movimentos para a realização dos sinais de Libras enquanto a figura 09 mostra o movimento em espiral do sinal para barco.
Orientação
É a direção da palma da mão durante a execução de um determinado sinal da Libras, como, por exemplo, para cima, para baixo, para o lado e para a frente. Também pode ocorrer a mudança de orientação da mão durante a execução de um sinal [que pode significar ideia de oposição, contrário ou concordância] (STROBEL; FERNANDES, 1998). A figura 10 mostra a orientação de diversos sinais da Libras enquanto a figura 11mostra a orientação dos sinais gostar e não gostar.
Expressão facial/corporal
As expressões facial e corporal podem traduzir alegria, tristeza, raiva, amor e encantamento, fornecendo mais sentido à Libras e, em alguns casos, determinando o significado de um sinal (STROBEL; FERNANDES, 1998). A figura 12 mostra a expressão facial/corporal para os sinais triste e cansando.
Fonte: Elaborado pelo professor-pesquisador.
Figura 06: Configuração das mãos para os sinais Aprender, Laranja e Amar
Figura 07: Ponto de articulação dos sinais trabalhar, brincar, aprender e pensar
Fonte: Adaptado de Almeida, 2013.
Figura 08: Movimentos necessários para realizar os sinais de Libras
Fonte: Almeida e Almeida (2012, p. 11).
Figura 09: Movimentação em espiral do sinal de barco
Figura 10: Orientação de diversos sinais da Libras
Fonte: Itiro (2013, p. 24).
Figura 11: Orientação dos sinais gostar e não gostar
Figura 12: Expressão facial/corporal para os sinais triste e cansando
Fonte: Almeida (2013, p. 81).
Na língua de sinais a exploração do espaço físico e a utilização do próprio corpo são importantes elementos para uma boa comunicação, pois o “uso do espaço favorece a iconicidade, uma vez que ele é mais palpável do que o tempo, que é a dimensão utilizada pelas línguas orais-auditivas” (BERNADINHO, 2012, p. 251). A iconicidade presente em vários sinais possibilita uma confusão errônea da língua de sinais com as mímicas ou os gestos.
Contudo, o espaço no qual os sinais são realizados ou o espaço neutro nas línguas de sinais são utilizados para:
(...) marcação e identificação dos referentes, sendo esses identificados em pontos específicos no espaço de referenciação. Além desse uso, o espaço neutro ou a localização física à frente do sinalizador é utilizado para a realização das construções gramaticais com verbos espaciais e de concordância, e também para a realização de construções usando classificadores (CLs) (BERNADINHO, 2012, p. 251).
Na Libras, os classificadores são as formas representadas pelas configurações das mãos, dos braços, dos dedos e de todo o corpo para transmitir conceitos, ideias, ações, formatos de objetos e situações que possibilitam a representação da realidade para complementar o sentido de uma frase, de uma situação ou de um sinal. Os classificadores auxiliam na construção da estrutura sintática da língua de sinais por meio de recursos corporais que possibilitam as relações gramaticais complexas e abstratas (BOMFIM, 2011).
Por exemplo, uma pessoa pode estar andando devagar, correndo, subindo, descendo, andando distraído ou cambaleando. Nesses casos, não existem sinais padronizados para representar cada situação, mas sabe-se que há um único verbo relacionado com a ação de andar. Porém, existe a necessidade de que os classificadores sejam utilizados para indicar cada representação, sendo que o movimento realizado com as mãos se modificará para cada
uma dessas situações, pois quem estiver sinalizando deve utilizar os classificadores para representar pessoas andando (BRASIL, 1997a).
A figura 13 mostra alguns classificadores para representar uma pessoa andando em diferentes contextos, sendo que na gravura 1 as duas imagens representam uma pessoa andando rápido ou correndo, na gravura 2 as quatro imagens representam uma pessoa andando ou passando em frente outra enquanto na gravura em 3 as cinco imagens representam uma pessoa subindo.
Figura 13: Classificadores para representar o verbo andar em diferentes contextos
Fonte: Arquivo pessoal do professor-pesquisador.
Nesse sentido, o “classificador em ANDAR (para pessoa) pode ser utilizado também com outros significados como ‘duas pessoas passeando’ ou ‘um casal de namorados’ (no caso das pontas dos dedos estarem voltadas para cima), ‘uma pessoa em pé’ (pontas dos dedos para baixo)” (BRASIL, 1997, p. 28).
A figura 14 mostra a representação desse classificador pela configuração de mãos em V para uma pessoa andando enquanto a figura 15 mostra a representação desse classificador para duas pessoas passeando ou namorando.
Figura 14: Classificador para representar uma pessoa andando
Fonte: Arquivo pessoal do professor-pesquisador.
Figura 15: Classificador para representar duas pessoas passeando ou namorando
Fonte: Arquivo pessoal do professor-pesquisador.
A utilização dos classificadores está relacionada com as experiências de cada indivíduo com a sua cultura, pois “ao nos referirmos a esse tipo de sistema, desencadeamos outras análises que abarcam os aspectos sociais, culturais, semânticos e morfológicos” (MENDONÇA, 2012, p. 2). É importante ressaltar também que a “função dos classificadores ultrapassa os aspectos morfossintáticos e vai ao encontro de fatores sociais e culturais que fazem parte do sistema de classificação nominal das línguas” (MENDONÇA, 2012, p. 46).
Em concordância com esse contexto, as pessoas ouvintes que não sabem Libras podem se comunicar com os Surdos por meio do Intérprete de Língua de Sinais27. Quando a comunicação acontece, a Libras pode ressignificar as relações sociais entre os Surdos e os ouvintes, pois essa língua agrega valores para essas relações ao estabelecer o diálogo e a interação transcultural28 sob a perspectiva da diversidade. Dessa maneira, Almeida (2013)
27O Intérprete da Língua de Sinais é a “pessoa que interpreta de uma dada língua de sinais para outra língua [oral
ou de sinais], ou desta outra língua para uma determinada língua de sinais” (QUADROS, 2004, p. 7).
28Na interação transcultural, a comunicação efetiva ocorre quando o resultado do processo satisfaz às
necessidades das partes envolvidas no diálogo. A interação transcultural [que ocorre] por meio da comunicação está sujeita a uma série de distorções que podem ser causadas pela semântica das palavras ou por outros fatores como o tipo de comunicação interpessoal que varia em diferentes estilos, como, por exemplo, do passivo para o assertivo (LIMONGI-FRANÇA, 2007).
argumenta que a Libras é um instrumento importante que possibilita a evolução das relações entre os Surdos e os ouvintes.