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4 Arealbruk i endring – landskap i endring?

4.5 Arealendringer

Apresentaremos, nesta seção, o processo de construção da ferramenta de análise – a elaboração das categorias e os seus subgrupos, fundamentados em três aspectos importantes dos conteúdos de aprendizagem propostos por Zabala (1998) – A aprendizagem atitudinal, conceitual e procedimental.

Para a análise e interpretação dos resultados adotou-se a Metodologia de Análise Textual Discursiva, amparada nos pressupostos defendidos por Moraes e Galiazzi (2007). Para os autores o ciclo de análise é constituído por três elementos fundamentais:

1. Desmontagem dos textos – Também denominado processo de unitarização;

2. Estabelecimento de relações – Consiste no processo de elaboração das categorias de análise;

3. Construção do Metatexto – Texto resultante da compreensão e interpretação do corpus18 obtido. Esse texto se estrutura como um produto de uma nova combinação dos elementos construídos a partir do processo unitarização e categorização das unidades.

Durante o processo de desconstrução dos textos ocorre uma espécie de desintegração desse corpus em seus elementos constituintes. Esse processo tem como objetivo central tentar perceber os diversos sentidos que esses textos possuem por unidade de análise.

Para Moraes e Galiazzi (2007), quem determina a extensão das unidades de análise é o próprio pesquisador. Para facilitar os estudos, a compreensão dessas unidades de análise e até mesmo as suas associações, os autores propõem a atribuição de códigos por documentos.

Já o processo de estabelecimento de relações entre as unidades de análise consiste na comparação das unidades e o seu agrupamento, levando-se em consideração os elementos de significação nos termos em que se assemelham. A definição e classificação das categorias a priori e a posteriori consiste no fato de analisar quais foram as categorias que emergiram do problema de pesquisa – categorias a priori - e aquelas que podem ser suscitadas a partir de uma análise aprofundada do corpus por parte do pesquisador, no caso, as categorias classificadas como “ a posteriori”.

Essa explicitação será possível por meio de um movimento recorrente em torno dos elementos iniciais, durante o processo de construção progressiva de cada categoria (MORAES e GALIAZZI, 2007).

Desse modo, com o objetivo de responder às questões propostas por essa pesquisa, buscou-se construir um processo de análise pautado na sistematização dos dados por meio da proposição de categorias de análise, objetivando extrair do mesmo seu teor mais significativo, por meio de um processo de desmontagens e reconstruções textuais do corpus de pesquisa. Corroborando com as mesmas ideias, Yin (2004, p. 137) afirma que “a análise de dados consiste em examinar, categorizar, classificar em tabelas, testar ou, do contrário, recombinar evidências quantitativas e qualitativas para tratar as proposições iniciais de um estudo”.

O processo de conferir respostas ao problema de pesquisa pressupõe, de certo modo, a avaliação do que foi construído pelos estudantes a partir da aplicação da atividade. Dessa

18 Corpus – Conjunto de textos que constitui a documentação de uma pesquisa e que foram obtidos a partir da

transcrição na íntegra e que serão interpretados e compreendidos com base em referenciais pré determinados através da análise textual discursiva.

maneira, investigar o potencial pedagógico que uma gruta calcária pode oferecer como estratégia de ensino - numa abordagem investigativa, para a construção de diferentes conteúdos de aprendizagem - pressupõe a identificação de elementos na base de dados da pesquisa que respondam à questão proposta pela pesquisa: Quais as contribuições de uma atividade investigativa, realizada em uma gruta calcária, para o aprendizado de conceitos, procedimentos e atitudes no ensino de ciências?

Retomando o problema de pesquisa e tendo como referência a elaboração das categorias de análise com base nos pressupostos dos conteúdos de aprendizagem conceituais, procedimentais e atitudinais propostos por Zabala (1998), o processo de identificação e reconhecimento dos elementos necessários à classificação dos dados obtidos nessas categorias se resume na identificação de elementos que respondam às questões:

“O que se deve saber?” – Alguns conceitos de ciências voltados para o tópico transformação dos materiais e os processos envolvidos nessa construção bem como a identificação de elementos que evidenciem tais transformações.

“Como pode ser?”– Por meio da problematização e da formulação de hipóteses, observação do objeto, adoção de procedimentos adequados, discussão e organização das ideias a partir das observações que foram realizadas.

“Como se deve ser?” – Conjunto de conteúdos que englobam valores, atitudes e normas adquiridas ou construídas no processo.

Para Pozo e Crespo (2009) o ensino de ciências deve envolver aspectos que vão além da construção conceitual. Deve ser considerado também, em igual relevância, o próprio processo de construção da ciência. Por esse motivo, para identificação dos conteúdos de aprendizagem desenvolvidos na aplicação da sequência, foram estabelecidas categorias de análise tomando como base o problema proposto pela pesquisa e os conteúdos de aprendizagem propostos por Zabala (1998).

A avaliação da manifestação de cada conteúdo de aprendizagem aconteceu a partir da identificação das seguintes categorias propostas para essa pesquisa:

Categoria 1: Aprendizagem Conceitual

Compreendem os aspectos relativos à construção das capacidades de atuar com símbolos, imagens e representações que atribuem sentido a uma dada realidade. Compreende a base teórica do saber conhecer e que permite que o aprendiz desenvolva a sua compreensão do mundo, estimulando a sua curiosidade e possibilitando novas descobertas (ZABALA, 1998).

Subcategorias de análise

 Determinar diferenças nos tipos de rochas;

 Identificar propriedades características das rochas presentes nas grutas;  Reconhecer indícios de reações químicas.

Categoria 2: Aprendizagem Atitudinal

Entre as várias finalidades da educação científica, está a aprendizagem atitudinal, que compreende as ações perante a ciência, a aprendizagem propriamente dita da ciência e as suas implicações nas atividades sociais. Segundo Zabala (1998), os conteúdos atitudinais são definidos por aspectos que envolvem a ética, a predisposição de uma pessoa em relação ao seu modo de agir com o outro ou em relação a suas ações coletivas. Como exemplo, o autor cita o respeito às pessoas e ao meio ambiente, a responsabilidade, a cooperação em grupo, dentre outros. Campos e Nigro (1999) afirmam que há conteúdos atitudinais que se relacionam mais intensamente com a atividade científica e os classificam como: “atitudes dos alunos para com a ciência e atitudes científicas” (CAMPOS e NIGRO, 1999, p. 51). Apresentamos aqui, como categorias de análise

Subcategorias de análise  Trabalhar em grupo;

 Respeitar os sujeitos participantes da atividade;  Respeitar o espaço visitado;

 Propor ações que minimizem impactos no espaço visitado;  Desempenhar uma postura ativa e questionadora.

Categoria 3: Aprendizagem Procedimental

Abrangem as ações que levam os estudantes a “aprender a fazer”. Compreendem exemplos de conteúdo procedimentais a observação, a leitura, a capacidade de classificar e inferir dados dentre outros. Segundo Pozo e Crespo (2009), para que os alunos se apropriem dos conteúdos procedimentais eles precisam dominar estratégias próprias da atividade científica, como exemplo, as etapas envolvidas na resolução de problemas e que são contempladas pelas atividades propostas nessa pesquisa:

i. A elaboração das hipóteses; ii. A observação;

iii. O registro das informações obtidas no processo de observação;

iv. Interpretação dos dados buscando informações que fundamentem a linha de raciocínio definida.

Subcategorias de análise

 Observar as estruturas presentes na gruta;  Registrar as observações;

 Formular hipóteses;  Propor explicações;

 Interpretar as observações registradas.

Dentro das categorias de análise propostas para esse trabalho, no caso: conteúdos de aprendizagem atitudinais, conceituais e procedimentais, foram propostas subcategorias de acordo com os referenciais que abordam o ensino por investigação, como o fato de refutar hipóteses, fazer observações, anotar dados, dentre outras atividades importantes da atividade científica.

As subcategorias identificadas ao longo da análise dos dados foram descritas em negrito no metatexto elaborado. Para análise, foram consideradas as gravações das aulas correspondentes à aplicação da sequência didática e as cópias das atividades realizadas pelos alunos.

Para a transcrição dos vídeos produzidos durante as aulas, adotou-se a seguinte legenda utilizada por Almeida (2011) em sua tese de doutorado:

/ (barra) = interrupção

(...) (parênteses com reticências) = pausa breve [...] (colchetes com reticências) = fala simultânea Palavras escritas com letra maiúscula = ênfase T = turnos de fala

Esclarecemos ainda que, nas falas transcritas, mantivemos o anonimato de todos os participantes. Para isso, utilizamos a terminologia ALUNO seguido de um número, como exemplo, citamos: ALUNO 01, ALUNO 02. A professora foi designada por PROFESSORA e a monitora que nos recebeu na gruta foi designada pela terminologia MONITORA.

Vale lembrar que as transcrições referentes às falas dos alunos no interior da gruta foi designada apenas pela terminologia ALUNO ou ALUNA, uma vez que não foi possível atribuir um número específico para cada aluno, pelo fato de o interior da gruta ser muito escuro e a proibição do uso de iluminação especial para filmagens tornarem impossível a identificação dos estudantes.