Del 2. Analyse av dokumenter om musikk- og kulturskolen
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Dissertação de Mestrado - Maria Cecília Almeida
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Capítulo 3 - A cidade nas décadas de 1910 e 1920: a transformação dos espaçoes públicos segundo o discurso higienista tarde, o governo Castro Pinto também lhe promove
novos melhoramentos, provendo-o de “um novo
e elegante pavilhão de ferro e numerosos bancos de assentos duplos em sua maioria”236, o que atribui ao local, segundo interpretação da época, um caráter “moderno”. Nessa mesma administração, ruas e praças são arborizadas e melhor iluminadas.
Os espaços públicos do século XIX adquirem no século seguinte uma nova ordem, através de elementos embelezadores que também afetam a utilização dessas áreas. As imagens das praças mostram que, além da implantação de bancos e postes de iluminação,
seus jardins seguem, muitas vezes, desenhos semelhantes. A maioria delas apresenta traçado formado por um desenho radial, com um elemento circular no centro – abrigando uma fonte, um coreto ou esculturas – de onde partem passeios radiais pavimentados, como ocorre nas praças Commendador Felizardo, Venâncio Neiva e da Independência.
A presença do coreto é algo típico na Parahyba – e no Brasil - desse período. A maioria das praças criadas ou reformadas nesse momento dispõe desse elemento que, além de marco estético -alguns de ferro e outros de alvenaria-, vincula-se à emergência da prática das retretas. Alguns coretos localizam-se no centro das praças, como ocorre na Commendador Felizardo, outros na esquina, como na praça Venâncio Neiva, que reservou a área central para uma fonte, dispondo ainda de um rink de patinação. A instalação de equipamentos de incentivo ao esporte é reflexo dos novos conceitos de saúde, desenvolvidos no fim do século XIX em países ocidentais.
Até o século anterior é comum procurar esquivar-se da presença do sol, para manter a aparência pálida, “sinal de distinção dos que não precisavam trabalhar sob o sol”237. No novo ritmo de vida proporcionado pelas inovações do século XIX, a intenção é de denotar trabalho e ação. Assim, sombrinhas, chapéus, luvas são substituídos por banhos de mar, banhos de sol, caminhadas, difundindo-se assim a atividade esportiva, que por sua fez influencia a moda, que troca longas vestimentas de várias peças sobrepostas por roupas que permitam maior contato com o sol e liberem os movimentos. Essa nova atitude frente à natureza se evidencia nos elementos das praças.
3.3.2 As praças
Substituindo largos, campos e pátios que formam a capital paraibana oitocentista, as praças podem ser consideradas espaços representativos da paisagem e da vida dessa cidade ao longo do processo de reformas por ela passado nas décadas de 1910 e 1920, constituindo-se ícones urbanos desse momento. Sem vínculos predominantemente religiosos, como ocorre com os largos, as praças sinalizam um novo tempo,
Coreto praça Pedro Américo, construído por Camilo de Holanda. FONTE: Acervo Walfredo Rodriges
236 PARAHYBA DO NORTE. Mensagem apresentada à Assemblea Legislativa do Estado, em 1º de Setembro de 1914, por ocasião da
abertura da 3ª Sessão Ordinaria da 7ª Legislatura, pelo presidente do estado dr. João Pereira de Castro Pinto. Imprensa Official, MCMXIV, p.24-25.
237 SEVCENKO, Nicolau. “A capital irradiante: técnicas, ritmos e ritos do Rio”. In: SEVCENKO, Nicolau. História da Vida Privada no
representado pela consolidação de ideais de cidade saudável.
As praças se tornam pontos focais da cidade, a partir da remodelação formal do espaço público que se dotam de novos equipamentos e jardins, juntamente com os suntuosos edifícios instalados em seu entorno. Algumas praças, cívicas, são símbolos do poder local. Outras são anunciadoras dos novos hábitos, da difusão do lazer e do esporte. A proliferação de praças públicas promove a renovação das áreas urbanas tanto em relação à sua construção formal quanto à sua utilização, num processo vinculado ao ideal de formação de uma nova paisagem segundo os ditames do “embelezar” e do “sanear”.
À nova aparência da cidade, que se apresenta em processo de elaboração, corresponde uma nova postura. A utilização da energia elétrica na cidadeda Parahyba, a partir de 1912, inovando o sistema de iluminação e de transporte urbano, é de grande contribuição para a renovação dos hábitos da população. Porém, são nos bancos, coretos, jardins e passeios das praças públicas que se evidencia uma nova dinâmica urbana, contrapondo-se ao cotidiano citadino de outrora. As praças se tornam uma amostra referencial dos novos espaços públicos criados nesse contexto, palcos de novas vivências e práticas que compõem o cenário dessa nova etapa urbana.
Nesse momento, juntamente com a predominância das praças em meio aos largos, ocorre a gradativa substituição de ruas estreitas e irregulares, becos e travessas por avenidas e ruas largas, retas e arborizadas. Esses novos elementos se distribuem de modo a sinalizar, além de uma nova forma, um outro ritmo de crescimento urbano, a partir do qual a cidade ocupa novas áreas, desencadeando o início de uma expansão do tecido urbano, que em pouco tempo assume áreas muito maiores que as conquistadas ao longo dos quase três séculos e meio de formação da cidade até então. Na nova configuração urbana em construção, as praças tanto podem remodelar a cidade já existente como contribuir para a consolidação do tecido urbano em expansão. O caráter simbólico desses espaços, que nas suas formas e usos traduzem a transformação do posicionamento oficial em relação à cidade, influenciados pelos discursos urbanísticos então difundidos, explicita-se, já de início, nas denominações a eles atribuídas.
As primeiras praças criadas na capital paraibana localizam-se nas áreas mais antigas da cidade. Em conseqüência da natureza regular da malha urbana de implantação inicial dessa cidade, tais espaços apresentam contornos regulares, segundo a trama na qual se inserem. Em sua maioria, não passam de áreas livres, sem equipamentos e com vegetação nativa, apresentando regiões de alagamento no período chuvoso. Essa aparência desordenada, juntamente com as preocupações higienistas que apontam esses locais como uma ameaça à saúde pública, reforçam o interesse sua reformulação.
Esses espaços, já existentes em fins do século XIX, sofrem alterações formais no século seguinte, acompanhadas da criação de novos espaços cravados no tecido urbano, seja em vazios ou em áreas antes edificadas. O ponto de partida desse processo, no sentido de “adequar” o espaço público às novas formas de apropriação urbana, é o Campo do Commendador Felizardo. Apesar de reformado em fins do século XIX, quando é transformado no Jardim Público dessa capital, esse espaço entra no novo século sofrendo críticas
1906 - Pátio do Palácio, depois praça Venâncio Neiva. FONTE: Acervo Laudereida Marques.
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Capítulo 3 - A cidade nas décadas de 1910 e 1920: a transformação dos espaçoes públicos segundo o discurso higienista nas quais é apontado como de aparência não condizente com um jardim público.
Ao longo do século XX, o Jardim Público passa por novas intervenções, recebendo alguns equipamentos, dentre os quais um coreto onde são realizadas retretas e para onde converge a elite local. As edificações em seu entorno também passam por reformas e o velho sobrado colonial dá lugar à arquitetura eclética. Para essa praça convergem edificações monumentais que se destacam no conjunto urbano, também revestidas de um valor simbólico pelas atividades nelas desenvolvidas: Escola Normal, Palácio do Governo, Igreja Nossa
Senhora da Conceição - posteriormente demolida - , Liceu Paraibano e Imprensa Oficial.
Esse conjunto simboliza a criação de espaços de lazer laico, sem a presença da igreja e dos usos religiosos a ela associados. O caráter cívico a ele atribuído pelas edificações que o circundam é realçado pela monumental arborização de palmeiras que percorrem as alamedas que ligam tais edifícios ao centro da praça, contrastando com a vegetação de baixo porte distribuída no resto da área ajardinada. O desenho do jardim é formado por alamedas ortogonais e diagonais associadas, o que se repete nas demais praças constuídas ou reformadas nesse momento, a exemplo da Venâncio Veiva, Independência, Pedro Amérioco e Aristides Lobo. Segundo Rykwert, a associaçado de avenidas diagonais com traçados ortogonais é muito usada pelos planejadores tanto de cidade como de jardins, a exemplo do jardim de Versalhes e “suas imitações por toda
Europa”238. Segundo o autor, esse partido tornou-se modelo após a reforma de Roma (1585-1590), que sobrepôs diagonais ao traçado antigo, marcando seus cruzamentos com monumentos.
1920- Antigo Jardim Público, vendo-se ao fundo a Escola Normal em construção. FONTE: Acervo Walfredo Rodrigues
Praça Venancio Neiva - com a fonte substituída pelo coreto central-, e o antigo Jardim Público. Vista aérea. FONTE: Acervo Walfredo Rodrigues.
Nas proximidades dessa praça se encontra a Venâncio Neiva, que tem como fachadas as laterais do Palácio do Governo, da Escola Normal e a esquina da Academia de Commercio, cuja cúpula constitui-se elemento de destaque na paisagem. Esse espaço é, até 1917, “um desconfortável logradouro, [com] capim e
lama de permeio, a lembrar um campinho de futebol distrital”239, quando é convertido em praça. A disposição de seus jardins e passeios é semelhante à da praça Commendador Felizardo, porém o conjunto muito difere do anterior. A implantação de árvores frondosas, uma parte nos contornos das vias, distribuída alinhadamente, outra dentro dos jardins, organizadas de forma mais aleatória, não direciona ênfase monumental às construções ou a algum elemento de destaque maior, apenas à fonte situada no seu centro. Os equipamentos nela inseridos e suas disposições no conjunto conferem ao espaço um caráter menos rígido, remetendo-se a uma relação de lazer: a fonte recebe a posição central, espaço geralmente reservado aos coretos que nesse caso é deslocado para a esquina. Dispõe ainda de um rink de patinação, reforçando sua tendência para atividades de lazer. Assim, as duas praças vizinhas e de formas semelhantes, inclusive no desenho de seus caminhos e jardins, assumem papéis distintos na configuração do espaço urbano.
Das praças criadas nesse momento, é certamente a Vidal de Negreiros a que melhor reflete os novos ideais urbanos. O caráter simbólico a ela conferido é percebido tanto pelos equipamentos e por sua forma, como pelo processo como se
deu sua implantação, a partir da extinção de espaços antigos.
Construída em 1924 para abrigar a confluência das três linhas de bonde da cidade, função que já a reveste de novos significados, essa praça é implantada a partir da demolição da Igreja do Rosário dos Pretos e de um conjunto de sobrados da rua Direita. Enquanto espaço público, a praça substitui o pequeno largo daquela igreja, diferenciando-se dele não só por suas dimensões, mas também pelos equipamentos inseridos e sua consequente utilização.
Nessa praça é construído um pavilhão de apoio ao serviço de transporte, onde também se instalam uma
bombonière, banheiros públicos e uma tabacaria. A presença de um grande relógio na fachada do pavilhão faz
referência ao novo ritmo de vida. Além da figura do bonde, esse espaço é marcado pela concentração de automóveis, por também abrigar um estacionamento para carros de aluguel, o que imprime uma atmosfera inovadora, concentrando grande número de frequentadores, além dos usuários do transporte público.
A maior parte das alterações do espaço urbano realizada na cidade ocorre de forma concentrada, sobretudo, nas imediações da rua Direita. A criação da praça da Independência, entretanto, foge desse padrão pela sua localização, apesar de manter os demais princípios formais assumidos pelas praças desse período. Ela é implantada numa região pouco edificada, formada por vias que compõem uma traça regular situadas na
1920 - Rua Direita, com a Igreja do Rosário dos Pretos, demolida para a construção da praça Vidal de Negreiros. FONTE: Acervo Laudereida Marques.
239 CAVALCANTI, A cidade da Parahyba na época da independência: aspectos socioeconômicos, culturais e urbanísticos em
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Capítulo 3 - A cidade nas décadas de 1910 e 1920: a transformação dos espaçoes públicos segundo o discurso higienista região de expansão da cidade, de onde partem, posteriormente, as vias de acesso à região praieira. Construída na administração de Guedes Pereira, em comemoração ao centenário da Independência, essa praça surge como marco da expansão nessa direção, posto que sua construção impulsiona a ocupação urbana nessa área, iniciando uma vertente de intervenções expansionistas que se efetiva, de fato, apenas nos anos trinta.
Essa ação viabiliza a formação de bairros residenciais para a elite, que passa a se instalar em ruas no entorno dessa praça, efetivando o crescimento da cidade naquela direção. Essas características ocupacionais – residenciais de alto padrão- dão continuidade à consolidação do tecido urbano ao longo do processo de espraiamento.
A organização formal dessa praça segue a disposição de passeios e jardins da praça Venâncio Neiva e do Jardim Público, porém seu coreto, retangular e de grandes dimensões, implantado em uma de suas laterais, muito difere dos construídos nas outras praças da cidade. No que se refere ao uso desse espaço, há também uma inovação em relação às demais. Sem realização de retretas e de pouco uso cotidiano, a praça da Independência é utilizada para eventos esporádicos, geralmente de natureza política e, usualmente, de grande porte.
A aparência urbana construída a partir desses novos espaços públicos, fruto das intervenções desse período, também guarda forte relação com as edificações do seu entorno, onde as praças se diferem pela forma do espaço livre e pelas fachadas das edificações que as rodeiam. Assim, geralmente, à renovação de
Coreto praça da Independência FONTE:Acvervo Humberto Nóbrega Pavilhão da praça Vidal de Negreiros, construída na administração de Guedes Pereira. FONTE:
Praça Felizardo Leite. FONTE: Acervo Humberto Nóbrega.
Praça Venancio Neiva (fonte substituída pelo coreto central)e o antigo Jardim Público. Vista aérea. FONTE: Acervo Walfredo Rodrigues.
Praça Pedro Américo (seta mostra o Teatro Santa Rosa). FONTE: Acervo Walfredo Rodrigues
Parque Arruda Câmara, criado na administração do prefeito Guedes Pereira. FONTE: Revista Era Nova