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Del 4. Konklusjoner og avsluttende drøfting

11.3 Hvilke mekanismer styrer utvikling av pedagogisk kompetanse?

“O mar, que em três séculos e meio tinha o povo passando longe e ao largo, agora se transforma no grande centro de interesses e de lazer. O rio, que foi rota de sagas, de riquezas e até do rei, desce hoje solitário, o desprezo assoreando mais que a lama e o mangue”432.

Fundada às margens do rio Sanhauá em 1585, durante muito tempo a capital paraibana tem esse rio como seu meio de comunicação com outras terras. “Tudo dependia do rio. Dele se esperava desde o aviso da

carga à bombarda inimiga” 433. Para ele converge parte da dinâmica urbana e dele vem o nome da terra. Nele “navegaram o índio, o colonizador fidalgo ou degredado, as armas, os mantimentos, os materiais de construção, inclusive as pedras trazidas do Rio de Janeiro para calçar a rua Direita, além de outros menos grosseiros. Suas águas mansas coalhadas de lama foram portadoras do açúcar, do fumo, de todas as cabotagens [pra lá] atraídas”434.

Ainda no início do século XX, a cidade mantém uma relação muito estreita com o rio, característica de sua fundação e que perdura por séculos, mesmo com o aumento da área urbana, como verifica o viajante do estado vizinho do Rio Grande do Norte, Joaquim Inácio que ao chegar à capital paraibana, em 1924, logo de manhã, flagra nas proximidades da estação de trem, a movimentação da área portuária e seu entorno.

A forte relação entre o rio e a cidade permanece até meados do século XX, período em que essa capital tem seu crescimento urbano lento e contido nas proximidades do Varadouro. Essa configuração geográfica contida é incentivada pela presença da Lagoa dos Irerês nos arredores da cidade, que, apesar de se situar na região mais favorável à expansão, constitui-se em obstáculo nesse sentido. Assim, sob pressão do pensamento higienista que lhe atribui a responsabilidade pela disseminação de miasmas e epidemias, a Lagoa é um dos colaboradores para o retardo da expansão do tecido urbano da cidade de João Pessoa em direção ao mar.

431 COM A INAUGURAÇÃO de importantes obras e serviços públicos, a Parahyba comemora hoje o 5o aniversário do Govêrno

Argemiro de Figueiredo. A União, n º 19, 25 jan. 1940, p.3.

432 RODRIGUES, Gonzaga. A cidade o Rio e o Mar. In Melo, José Octávio de A., e Rodrigues, Gonzaga. Paraíba, Conquista,

Patrimônio e Povo. João Pessoa: Grafset, 1993, p.191.

433 Ibid., p. 188 434 Ibid.

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Capítulo 5 - O Parque Solon de Lucena Esta passa “350 anos comprimida entre a colina e o rio, apertando a largura das ruas e das casas” 435, esquivando-se da aproximação desse espaço.

O intenso empenho administrativo ao longo dos anos 20 e 30 em transformar a área de Lagoa em um ambiente agradável e inseri-la na dinâmica urbana, faz com que esse espaço seja urbanizado e transformado em parque urbano. Nesse processo, ela deixa de ser retentora do crescimento urbano para assumir o papel de canal distribuidor e propulsor da expansão da cidade. Assim, a Lagoa dos Irerês passa de área rejeitada a motivo de orgulho tanto por parte da administração como da população, reflexo da sua conversão em parque urbano saneado e ‘moderno’, “um dos mais aprazíveis logradouros da cidade”436.

Se até os anos 30 é o discurso higienista que guia as intervenções da cidade, sobretudo as relativas a esse logradouro, a partir de então é a questão expansionista que entra em pauta, abordando inclusive esse espaço de forma específica. Nesse período, a Lagoa assume o papel de vetor do processo de expansão urbana, impulsionando e direcionando o crescimento da cidade. Isso se dá a partir da sua inserção estratégica no plano viário, além do caráter monumental a ela atribuído, visível nas perspectivas formadas juntamente com as novas edificações que acentuam sua aparência “moderna”, onde áreas “antigamente inhabitadas cobrem-se de prédios residenciais

por força dos melhoramentos de iniciativa do poder público”437.

Vista aérea do Parque Solon de Lucena, apresentando a área entre o rio Sanhauá e o Parque, cujo processo de ocupação se consolidada apenas nos anos 30. FONTE: Acervo Humberto Nóbrega

435 RODRIGUES, Gonzaga. A cidade o Rio e o Mar. In: MELO, José Octávio de A., e RODRIGUES, Gonzaga. Paraíba, Conquista,

Patrimônio e Povo. João Pessoa: Grafset, 1993, p.191.

436 IGNÁCIO, Joaquim. Notícia de uma viagem à Paraíba, em 1924. Mossoró, 1987, p. 9.

437 COM A INAUGURAÇÃO de importantes obras e serviços públicos, a Parahyba comemora hoje o 5o aniversário do Govêrno

Se até então a Lagoa está sempre em evidência, devido à sua imagem negativa, nesse momento ela passa a ser enaltecida pela sua imponência. No entanto, pouco dura seu papel como espaço de permanência ou parque urbano. Após vencê-la como barreira, a cidade a ultrapassa numa fração mínima do tempo necessário para atingi-la, pouco permanecendo o uso de seus arredores que perdem público para as áreas próximas ao mar. A partir da expansão por ela impulsionada, são formados bairros litorâneos e, “à consolidação do nosso

extenso e não pouco deslumbrante litoral como local preferencial para o lazer, atraindo uma população que acorre em massa a seu espaço, somou-se em anos mais recentes os shoppings centers que têm constituído outro forte pólo de atração”438.

Com a consolidação da estrutura que possibilita o alcance às áreas praieiras, que são por si atrativos naturais, e a transposição do porto da capital para Cabedelo devido às suas características naturais para esse fim, a relação da cidade com o rio é modificada. Atividades urbanas passam a se deslocar para a região litorânea e a área central da cidade, sobretudo nas proximidades do rio Sanhauá, perde funções e prestígio.

438 TRAJANO FILHO, Francisco Sales. “A Lagoa no centro das atenções” Revista do I.A.B/PB, n.3, set 2002, p. 5.

Vista aérea do Parque Solon de Lucena apresentando a área de concentração de edifícios altos e ‘modernos’ (em amarelo). Depois do parque até a linha do mar (em azul) é a área de expansão rapidamente ocupada após a consolidação desse espaço público como parte constituinte do tecido urbano. FONTE: Acervo Humberto Nóbrega.

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Capítulo 5 - O Parque Solon de Lucena Apesar da transformação do tipo de atividade na área central, o Parque Solon de Lucena, que não se consolida enquanto parque, firma-se de fato como ponto principal do sistema viário da cidade, articulando as diversas regiões do tecido urbano. Ele assume a função de ponto de convergência das principais artérias do sistema viário, recolhendo diariamente a população que se desloca ao centro da cidade e atuando, ainda hoje, como vetor de distribuição do transporte coletivo da cidade, que em sua maioria tem essa área como rota obrigatória.

Quanto à sua utilização, ele concentra as atividades relacionadas à dinâmica comercial característica de seus arredores. Configurado como lugar de passagem e não de permanência, a área do parque abriga atualmente as atividades de comércio informal, estacionamentos, comercialização de veículos e prostituição noturna.

Desta forma, após o longo processo para que a cidade absorvesse a Lagoa como parte do seu tecido urbano, ela é rapidamente ultrapassada e deixada para trás, o que transforma as características e atividades para ela planejadas. Nesse processo, a dinâmica urbana dá as costas para o rio, até então seu referencial, expandindo-se para a área praieira e conquistando áreas muitas vezes mais extensas que o núcleo original. Como muitas cidades brasileiras hoje litorâneas, a cidade de João Pessoa exemplifica as de implantação portuguesa, que se abrigam em braços de rios, regiões de certa forma “escondidas”. Com o tempo, os centros urbanos assim implantados encaminham-se para o mar, alterando na sua configuração em relação à natureza de sua implantação. Apesar desse ser um processo comum a muitas de nossas cidades hoje praieiras, é importante ressaltar o papel da Lagoa dos Irerês nesse trajeto percorrido pela capital paraibana, mostrando suas peculiaridades.