3 Metode
6.4 Hvem er den "enhetlige" sjefen? Sentralisering av makt?
A corrente de pensamento dos interacionistas mostra um primeiro movimento da sociologia em direção ao estudo das relações sociais através das interações cotidianas, acima de tudo como comunicativas, entendidas como um processo de troca de informações, podendo ser chamado também de “psicologia social” da sociologia. Seus principais expoentes foram Goffman, Garfinkel e Cicourel.
Diferente da sociologia tradicional, o interacionismo constata que a organização da estrutura social se desenvolve a partir das interações dos sujeitos, ou melhor, de um comportamento coletivo, no qual a interpretação de cada ação se dá a partir de uma reciprocidade simbólica. Esta que acontece no momento da interação, afastando-se de vez das análises macro sociais. Em seus estudos Goffman partiu da concepção de “pessoa” / persona, para compreender a relação psicológica entre a ação das “máscaras” / papéis sociais, sobre a definição da alteridade e a partir dela a definição do próprio “eu”.
Além das noções de pessoa e máscaras que ajudam a definir uma análise psicológica, Goffman trabalha com outras noções: cenário, ator e audiência, para definir a esfera formadora da situação social. A partir da metáfora da situação social midiática, as interações sociais acontecem como num processo comunicativo, e envolvem o imaginário coletivo audiovisual criado pelo cinema e pela TV, a interpretações de papéis e a necessidade de interatividade para estabelecer o fluxo de informação.
Página | 60 Partindo do pressuposto que os significados sociais (conteúdo da interação) são criados a partir da interação entre os indivíduos em determinadas situações, Goffman se preocupa em pensar a incorporação das regras, “a comunicação, a manifestação visual, a postura e o movimento do corpo, o interesse espontâneo e a cooperação que acontecem na interação face-a-face” (TEDESCO, 1999, p. 70), deixando de lado a origem ou a estrutura dessas regras.
A situação social concebida pela ótica interacionista foi constituída pelas pessoas, seus corpos, pela relação entre o corpo e a psique. A fonte de informação capaz de fornecer dados era basicamente o corpo. Por isso os interacionistas deram tanta importância ao contato face-a-face e definiram que a interação era dependente do contato presencial e da localização física. É como se Goffman unisse o pensamento de Maffesoli sobre a importância da afetividade como ponto de motivação para a interação, às teorias da psicanálise Lacaniana, que interpretaram os significados da alteridade na constituição do eu e certo institucionalismo durkheiminiano por reconhecer o papel das regras em suas análises.
Assim como Simmel, pensou as relações a partir das formas / interfaces (sociabilidade) disponíveis para a troca social, responsável por manter a coesão e a reprodução social, Goffman e o grupo de interacionistas pressupõem que só existe social a partir da interação, considerada também como “ato de socialização. Toda a socialização depende da significação que por sua vez é definida diante da circunstância social na qual ocorre a troca, bem como da percepção situacional dos indivíduos, as quais podem chamar, de percepção da realidade social. Interessante notar que os interacionistas passam a conceber o momento da interação como um momento comunicativo, dependente do fluxo de informação entre as pessoas envolvidas. E por esse motivo o ambiente se torna importante para limitar o espaço da interação e facilitar o fluxo de informações que um indivíduo precisa. Com Goffman a informação passa a ser agente central das interações sociais.
[...] As informações sobre o indivíduo ajudam a definir a situação, permitindo aos outros saberem de antemão o que espera o indivíduo deles e o que poderão eles esperar do indivíduo. Se dispuserem das informações adequadas, os outros saberão melhor como devem atuar a fim de obterem do indivíduo a resposta que desejam. (GOFFMAN, 1993, p. 11)
Para que o processo social ocorra é necessário que exista certo tipo de código que comande a interação garantindo a eficiência e a continuidade da vida cotidiana. Esse código existe devido às incertezas do cotidiano. Como garantir que o outro compreenda
Página | 61 uma atitude subjetiva que diz respeito apenas a uma das partes? Para garantir a funcionalidade da relação, os atores sociais criam estratégias para a comunicação, gerando padrões de comportamentos e os hábitos do cotidiano. Ou seja, a comunicação das informações passa a ser o objetivo da interação e a partir dessa troca de informações acontece o processo de socialização. O estabelecimento de rituais, cerimônias, regras, contribui para que se estabeleça dentro da sociedade em geral alguns códigos de “cognoscibilidade compartilhada” (TEDESCO, 1999, p. 73) que vão auxiliar na interpretação da interação na qual o ator está envolvido.
A individualidade de cada sujeito é determinada por meio das escolhas que são feitas no ato da interação. Os efeitos da realidade circunstancial determinam a identidade subjetiva e a interação, assim como a percepção do sujeito em relação à situação e fazem este ter um conhecimento mais profundo da realidade social, que é constituída pelas relações de interdependência entre os atores sociais.
Este indivíduo pode ser chamado de ator por incorporar certas regras / papéis / roteiros, antes do momento da interação prevendo como é o outro e se defendendo da mesma maneira. Goffman está convencido que o “cinismo” faz parte desse processo e o nomeia como “comercialização de si mesmo” (TEDESCO, 1999, p. 76). Para Goffman existe uma “moral” reguladora das interações sociais, não no sentido ético, mas no sentido de incorporar papéis e estratégias para se esconder, para convencer e manipular o outro garantindo o resultado da interação. Nas palavras de Tedesco: “a sociologia de Goffman coloca a nu as estratégias implementadas pelos homens no sentido de aparentar, persuadir, convencer, impressionar, proteger e não descuidar para que determinada definição da interação/situação possa estar a contento e ser aceita”. (TEDESCO, 1999, p. 77).
Pensando pela perspectiva do cinismo imanente às interações, Goffman coloca em questão a existência de uma “realidade individual” completamente diferente do desempenho ou até mesmo omitida do momento da interação. Ou seja, aquilo que circula no território social nem sempre, ou quase nunca representa a essência do indivíduo. Quem age socialmente é a pessoa, a máscara, os interesses práticos e imediatos. O “verdadeiro” conteúdo só é acessível indiretamente ou involuntariamente por um descuido (GOFFMAN, 1993, p. 12). Pela primeira vez ao conceber as interações sociais, aparecem dois níveis de realidade individual entre o fluxo da atividade expressiva, a transmissão e a emissão, como no fluxo comunicativo característico das teorias funcionalistas e críticas sobre os meios de comunicação de massa, onde um emissor
Página | 62 transmite a mensagem para o receptor, estando os dois em níveis diferentes de conhecimento, consciência e acesso à realidade. O ator ora simula, ora dissimula seus interesses e sua essência. Mais adiante será visto que essa concepção de realidade juntamente com a concepção dos meios de comunicação de massa foram pressupostos importantes para Baudrillard considerar a época contemporânea como a época da “desaparição do real”.
O interacionismo simbólico assume uma perspectiva fenomenológica, com métodos que privilegiam a intersubjetividade, sem levar em consideração processos macro sociais e generalizantes, além de considerar elementos físicos e espaciais para a composição do ambiente da interação. Essa teoria possui uma “visão interativa de internalização e externalização”. As “determinações circunstanciais são sempre contingentes, casuais e fatalistas” (TEDESCO, 1999, p. 74).
Então a metodologia interacionista de análise se baseia na pesquisa de campo, na observação presente e no conhecimento prático, interpretando sempre a realidade social através dos “olhos do ator”. A existência social está diretamente ligada ao saber comum e as tipificações. Goffman se preocupa com a estruturação das experiências individuais da vida social e não com a estrutura social em si.
Resumindo em linhas gerais, para os interacionistas o macrossocial é produzido pelos sistemas microssociais. O processo de socialização, apreensão dos hábitos simbólicos de um grupo, é além de tudo um teatro, marcado pelo espaço da cena, pela tentativa do personagem se fazer parecer aquilo que ele precisa que o outro acredite. Acreditando que os indivíduos são formados independentemente das estruturas macrossociais que estabelecem sua vida cotidiana, essa corrente não tem como foco a função da história e privilegia sempre o momento presente, no qual existe uma memória coletiva recente, ou melhor, a existência de estratégias comportamentais pré- estabelecidas, contendo as significações das ações dentro de determinada interação.
Página | 63 4.2 Meyrowitz e a situação social midiática
Apesar de o interacionismo vislumbrar de certa forma a esfera comunicativa, ainda o faz numa perspectiva de comunicação interpessoal e por isso trabalha com o pressuposto da presença, do contato face-a-face como os componentes de uma situação social.
Por outro lado, os estudos de Meyrowitz (1985) afirmam o aspecto naturalmente midiático da vida cotidiana, inserindo os meios de comunicação eletrônicos no debate sobre o entendimento da situação social. Sua obra “No Sense of Place”, escrita nos anos 80 tenta trazer ao debate do cotidiano a presença dos meios de comunicação eletrônicos, principalmente a televisão. Dessa forma ele, busca entender os meios como propulsores de ambientes culturais.
A partir da revisão das obras de McLuhan (1996) e Goffman (1993), que em sua ótica eram insuficientes para explicar as mudanças que as mídias eletrônicas traziam à dinâmica social, propõe uma reconfiguração na definição da situação social, tendo em vista que a interação se dá num ambiente que ao mesmo tempo proporcionava a interação entre homens e entre homens e mídia eletrônica, ou seja, num espaço social híbrido. A partir dessa idéia se esforçou para pensar a situação social como um sistema informativo (não só quanto ao fluxo entre pessoas), no qual as diversas audiências e as mídias eletrônicas transformam-se em dados constituintes dessa situação, dessa interação.
Provavelmente uns dos motivos pelo quais os teóricos da situação e dos papéis optaram por considerar estáveis as situações sociais, é a raríssima eventualidade de uma improvisação, mudança de posição de portas e paredes, na configuração de uma cidade ou de outra estrutura arquitetônica e geográfica. Mas as mudanças que acontecem nas situações e nos comportamentos quando se abrem e se fecham as portas e quando se constroem e se deslocam paredes, hoje correspondem ao leve golpe de um microfone que se liga ou a um televisor que se põe em função, ou ao toque do telefone ao qual se levanta o recebedor para atender a uma chamada. (MEYROWITZ, 1985, p. 65)
Ou seja, Meyrowitz se propõe olhar a relação entre mídia, o comportamento e a situação. Pretende expandir o olhar sobre a situação definida em relação à posição. “Enquanto sociólogos como Goffman tendem a pensar os padrões sociais em termos de lugares que determinam as performances, eu acredito que a mídia eletrônica tem enfraquecido a forma tradicional de relação entre configuração física e situação social” (MEYROWITZ, 1985, p. 7, tradução nossa).
Página | 64 Envolvido pelo pensamento de McLuhan e pelas teorias dos meios (mídias são capazes de criar ambientes culturais), Meyrowitz questiona como as mudanças na mídia podem mudar os ambientes sociais. Influenciado pelos situacionistas (o comportamento social é formado por e nas situações sociais) reflete “qual efeito uma mudança no ambiente social pode ter sobre o comportamento das pessoas” (MEYROWITZ, 1985, p. 15, tradução nossa).
Em “No sense of place”, introduz a questão do impacto da presença da mídia na composição da situação social (ambiente), falando sobre o assassinato de Lee Oswald na TV e conclui que as pessoas se referiam ao fato como se tivessem visto em primeira mão, como se estivessem presentes, ou seja, a TV funcionou como a “representante legal” da pessoa numa situação coletiva / pública / social, o que o leva a pensar que a mídia eletrônica altera o significado da presença física na experiência de viver um evento social. Dessa forma ele questiona Goffman e a importância do face-a-face. Não que esta relação não seja importante, mas não é só esse tipo de relação que compõe a situação social.
Até pouco tempo, a presença física era pré-requisito para se ter uma experiência de “primeira mão” (first hand experience). O ato de ler ou ouvir outra pessoa contar um fato, define uma experiência de segunda mão. Havia uma distância entre viver a experiência e a mediação de outra pessoa ou do livro, mas com as mídias eletrônicas essa distância deixa de ser representativamente negativa (no sentido de ausência e de relação isenta de compromisso). Essa percepção diferenciada sobre o impacto dos meios eletrônicos na vida cotidiana tem muita influência do pensamento de Marshall McLuhan. O pensador que refletiu de forma geral sobre o impacto da eletricidade na percepção humana. As formas de expressão movidas pela luz, pela eletricidade criaram outra forma de habitar no mundo, outra forma de perceber a vida e com isso múltiplas possibilidades de circulação e acesso à informação, manipulação do espaço e a própria concepção de tempo se alteram.
Hoje é possível haver comunicação sem presença. A estrutura física sempre separou a sociedade em diferentes espaços de interação, por exemplo, as paredes das casas das famílias delimitavam o que era espaço privado e o que era público. Estar dentro de sua própria casa implica que você poderá ter uma série de comportamentos que na rua ou na casa de desconhecidos, não teria. Meyrowitz percebe que com a TV, a casa familiar não é o único limite ou meio ambiente do eu, porque os membros da família conseguem acessar através de rádio, TV e telefone outras pessoas em outros lugares.
Página | 65 Mais uma vez o ambiente “privado / íntimo” se torna público e não é mais uma referência fechada ou única.
“Mesmo dentro de casa, a mídia reformou o significado social do quarto individual. Antes quando os pais queriam repreender um comportamento do filho isolando do contato social, o mandavam para seu quarto, hoje no quarto da criança existem telefones, TVs, rádios e computadores” (MEYROWITZ, 1985, p. 2, tradução nossa). Ou seja, o contato social não ganha significado apenas pela presença física e pela definição física do lugar da interação, mas também ganha significado a partir da mídia que se utiliza. A mídia eletrônica alterou o tempo e o espaço da interação social.
A presença física e o contato sensório direto continuam sendo formas primárias de experiência. Mas a esfera social definida por paredes e pontes são hoje apenas um dos tipos dos ambientes de interação. Se uma câmera, um microfone, um telefone estão presentes num espaço suas barreiras deixam de existir e de impedir a interação.(MEYROWITZ, 1985, p.2, tradução nossa)
Goffman sempre viu a situação definida em relação à posições/cenários físicos estáticos. Porque para ele as leis, instituições, regras fazem parte da esfera macro social e, portanto não sofrem alterações a não ser pela ação simbólica dos homens em interação face-a-face.
Meyrowitz por outro lado, acredita que a mídia eletrônica afeta o comportamento social não por causa da mística sensorial (referindo-se aqui ao trabalho de McLuhan), mas sim porque ela causa um rearranjo dos estágios sociais nos quais jogamos / representamos com nossos padrões. Como resultado, o senso de comportamento apropriado muda, ao mudar a audiência, e assim mudam as performances sociais. Na interação face-a-face raramente ocorre o encontro de audiências distintas, tanto é que a mídia eletrônica extrapolou o know-how que homens e mulheres têm para interagem com o sexo oposto. Seu pensamento quer sugerir que a reestruturação das arenas sociais e das performances, representa pelo menos uma parte importante responsável pelas tendências sociais.
Ao fazer uma comparação entre a mídia impressa e a mídia eletrônica percebe, que a primeira coloca as pessoas em diferentes níveis e a segunda diminui as diferenças entre os espaços de circulação de informação mudando a situação geográfica. Os meios de comunicação eletrônicos cada vez mais nos colocam na presença de audiências não presentes fisicamente.
Página | 66 Meyrowitz acredita profundamente que uma nova ordem social se constitui quando várias audiências, distintas entre si, têm a possibilidade de olharem (também pela tele-presença) umas as outras. O comportamento de cada um passa a ser influenciado pela presença de alguém diferente, com outros pontos de vistas, outros objetivos sociais. A mídia eletrônica faz sumir as paredes, mistura os espaços e conseqüentemente as performances e a percepção das pessoas. Não que a distância suma, mas ela certamente muda.
A relação entre homem e mídia foi pensada nos anos de 1920 majoritariamente a partir da teoria da bala mágica. Depois nos anos de 1930 e de 1940 a maioria das pesquisas americanas estudou as variações entre estímulos e repostas. De modo geral, o foco do estudo sempre foi a mensagem e não o como os diferentes componentes da informação fluem pelas mídias.
Assim como McLuhan, Meyrowitz não concorda em pensar a mídia como sistema de entrega neutro, no qual, a mensagem o define. Os estudos se preocuparam mais com o conteúdo da mensagem que a TV leva para as casas, do que com o fato de a TV ter transformado a casa e as outras esferas sociais num novo ambiente social com novas parceiras de ação social, sentimentos e crenças.
A mídia eletrônica afeta o comportamento social não pelo poder de suas mensagens, mas porque esses meios reorganizam o cenário da interação social no qual as pessoas atuam. A estrutura do cenário social se mostra como um elemento chave para a identificação de cada grupo. (MEYROWITZ, 1985, p. 15, tradução nossa)
A mídia eletrônica mudou as variáveis envolvidas na comunicação. Nós podemos experienciar um evento à distância e Meyrowitz considera a tele-presença como variável da experiência e não como a perda da experiência, como por exemplo, num jogo de futebol.
Contrariamente à Goffman, Meyrowitz (1985) sugere que a interação social não está dependente de um cenário físico e estático, responsável pela ambientação da percepção, mas à simples realidade de uma tele presença capaz de modificar a natureza dos comportamentos e interações. Com a tele-presença, as mídias eletrônicas trazem um novo tipo de relação entre espaço social e pessoas. As diversas audiências são chamadas a interagir num mesmo espaço, híbrido, formado por múltiplas interfaces de interação. “A natureza da interação não é determinada pelo meio ambiente físico enquanto tal. Mas pelos modelos de fluxos informativos.” (MEYROWITZ, 1985, p. 75, tradução nossa).
Página | 67 CAPÍTULO II - DA SITUAÇÃO SOCIAL MIDIÁTICA PARA A VIRTUALIDADE
A partir da exposição sobre a consolidação da sociedade midiática, espera-se fornecer elementos para a compreensão das principais características que modificaram os tradicionais processos de comunicação, especialmente com a internet, as novas interfaces de comunicação e a nova forma de compartilhar informação. Nesse contexto evidencia-se também o cenário no qual se desenvolve a sociedade em rede, culminando nas diversas concepções sobre a virtualidade e sua relação com a realidade. Essa exposição apóia-se em textos que tratam das teorias de comunicação, da sociedade em rede e da virtualidade (WIENER, 1954; VIRILIO, 1993; LÉVY, 1996, 2000, 2007; KERCKHOVE 1997; PÉRNIOLA, 2000; SANTAELLA, 2004; BAURDILLARD, 2005; CASTELL, 2005; DI FELICE, 2005, 2007, 2008).