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Sendo uma amostra por conveniência, os 52 indivíduos que a constituíram não necessariamente refletem os parâmetros da população na mesma faixa etária e nível de escolaridade. Apesar de todos terem sido extraídos de uma pesquisa anterior (2007), probabilística, esta seguirá sendo caracterizada como de conveniência, porque foram possíveis para o estabelecimento de contato, a partir de números de telefone registrados na pesquisa de 2007 e no banco de dados da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo.

Assim, os 272 indivíduos da pesquisa de 2007 foram reduzidos a 243, cujos dados documentais e histórico escolar se mostraram disponíveis até o terceiro e último ano do Ensino Médio.

Esse número voltou a decrescer porque apenas 181 deles possuíam dados individuais do exame Saresp, da rede estadual de São Paulo, entre as edições de 2007 a 2009. Uma vez que se tinha em perspectiva contrastar as notas de Língua Portuguesa e Matemática atribuídas aos alunos pelas escolas com as notas obtidas por eles no exame Saresp, aplicado externamente e padronizado para toda a rede, os 181 casos foram reduzidos a 120.

Os 120 indivíduos restantes foram buscados em pelo menos duas tentativas por telefone para os números disponíveis a partir dos questionários da pesquisa anterior e da SEE/SP. Desses, 53 foram alcançados e aceitaram responder ao survey.

Um total de 39 indivíduos atendeu respondendo por telefone em contato estabelecido por entrevistadores. Outros catorze indivíduos, também após contato telefônico bem-sucedido, aceitaram responder ao survey via internet, por meio do autopreenchimento do

mesmo questionário. O survey foi respondido entre o dia 20 de dezembro de 2010 e 19 de janeiro de 2011. Como informado, um dos 53 casos foi depois excluído quando se constatou que o indivíduo havia abandonado o Ensino Médio.

Em todos os casos foi assegurada a privacidade dos dados e o sigilo de todas as informações que pudessem identificar pessoalmente os respondentes.

Eis as características básicas dos 52 casos:

Tabela 15. Gênero

Frequência Percentual Percentual Válido Percentual Cumulativo

Feminino 20 38,5 38,5 38,5

Masculino 32 61,5 61,5 100,0

Total 52 100,0 100,0

Não representativa do universo de matriculados no Ensino Superior em geral no Brasil, uma vez que o sexo feminino detém 54,6% das matrículas no país, a amostra apresentou 32 jovens do sexo masculino (61,5% do total). No entanto, sem que se pretendesse tal coincidência, a proporção dos indivíduos do sexo masculino e feminino que manifestaram ter participado de ao menos um vestibular foi a mesma: metade (50%) de cada grupo.

Tabela 16. Gênero – Participação em vestibular até dez/2010 (crosstabulation)

Gênero Nunca Ao menos uma vez Total

Feminino Contagem 10 10 20

% dentro do gênero 50,0% 50,0% 100,0%

% dentro dos participantes vestibular 38,5% 38,5% 38,5%

Masculino Contagem 16 16 32

% dentro do gênero 50,0% 50,0% 100,0%

% dentro dos participantes vestibular 61,5% 61,5% 61,5%

Total Contagem 26 26 52

% dentro do Gênero 50,0% 50,0% 100,0%

dentro dos Participantes vestibular 100,0% 100,0% 100,0% Diferente do gênero, a amostra refletiu parcialmente a diferença percebida em termos nacionais entre os ocupantes das vagas no Ensino Superior por raça/cor. Os indivíduos entrevistados autodeclarados brancos representaram 54% do total da amostra, mas detiveram 58% do total das iniciativas para a entrada no Ensino Superior por meio de exames vestibulares.

A Síntese dos Indicadores Sociais (SIS) do IBGE (2010) mostrou que a parcela da população jovem branca no Ensino Superior é o dobro da de negros e pardos.

Tabela 17. Cor da pele: branco (0) não brancos* (1) – participação em vestibular até dez/2010 (crosstabulation)

Nunca Ao menos 1 Total

Brancos Contagem 13 15 28

% dentre brancos e não brancos 46,4% 53,6% 100,0% %dentro de participação no vestibular 50,0% 57,7% 53,8%

Não Brancos Contagem 13 11 24

% dentre brancos e não brancos 54,2% 45,8% 100,0% % dentro de participação no vestibular 50,0% 42,3% 46,2%

Total Contagem 26 26 52

% dentre brancos e não brancos 50,0% 50,0% 100,0% % dentro de participação no vestibular 100,0% 100,0% 100,0%

* Por simplificação o valor dessa variável foi tornada binária, entre brancos, valor 0 (zero) e não

brancos valor 1 (um). Não ocorreu caso algum de indígenas ou asiáticos sendo, portanto, o conjunto de indivíduos com o valor 1 constituído por negros e pardos.

Com 77% dos egressos entrevistados trabalhando, foi possível especular por que, dentre os oito dos 52 indivíduos da amostra que estão matriculados no Ensino Superior, apenas dois não estudam no período noturno: entre os quarenta jovens trabalhadores da amostra, 22 trabalham até quarenta horas por semana.

Tabela 18. Número de horas trabalhadas por semana, em faixas, e total dos que trabalham e não

Trabalham Frequência Percentual Percentual Válido Percentual Cumulativo

Até 40 22 42,3 55,0 55,0

De 40 a 60 17 32,7 42,5 97,5

Acima de 60 h 1 1,9 2,5 100,0

Total 40 76,9 100,0

Não trabalham System 12 23,1

Total 52 100,0

Determinado em valor/hora, os salários dos egressos entrevistados se concentraram na faixa dos 10,00 aos 20,00 reais.

Tabela 19. Renda média estimada por hora em dez/2010, em faixas

Trabalham Frequência Percentual Percentual Válido Percentual Cumulativo

Até $10 2 3,8 5,0 5,0 Acima de $10 até $20 24 46,2 60,0 65,0 Acima de $20 até $30 8 15,4 20,0 85,0 Acima de $30 até $40 1 1,9 2,5 87,5 Acima de $40 até $50 1 1,9 2,5 90,0 Acima de $50 até $60 1 1,9 2,5 92,5 Acima de $60 até $70 1 1,9 2,5 95,0 Acima de $70 2 3,8 5,0 100,0 Total 40 76,9 100,0 Não trabalham System 12 23,1 Total 52 100,0

Tabela 20. Proporção média da renda do egresso em relação à renda total domiciliar

Frequência Percentual Percentual Válido Percentual Cumulativo

Valid Até 25%

(inclui os que não trabalham) 19 36,5 36,5 36,5

De 25,01% a 50,00% 24 46,2 46,2 82,7

De 50,01% a 75,00% 8 15,4 15,4 98,1

De 75,01% a 100,00% 1 1,9 1,9 100,0

Total 52 100,0 100,0

Em termos de proporção do total das disponibilidades de renda no domicílio, na maior parte das vezes os rendimentos do trabalho dos egressos se situaram entre 25% e 50% do conjunto da renda da família.

Tabela 21. Frequência de idade

Frequência Percentual Percentual Válido Percentual Cumulativo

Valid 17 anos 27 51,9 51,9 51,9

18 anos 20 38,5 38,5 90,4

19 anos 5 9,6 9,6 100,0

Total 52 100,0 100,0

Em parte refletindo um não balanceamento da amostra46 uma vez que concluintes mais recentes do Ensino Médio foram mais fáceis de localizar para esta pesquisa, mas também revelando um efeito de prazo mais longo da adoção da progressão continuada no Ensino Fundamental da rede Estado de São Paulo durante a década de 1990, a diferença de idade entre os concluintes foi relativamente pequena.

Tabela 22. Participação Vestibular – Sim: 1; Não: 0 (2008-2010)

Frequência Percentual Percentual Válido Percentual Cumulativo

Valid Não 26 50,0 50,0 50,0

Sim 26 50,0 50,0 100,0

Total 52 100,0 100,0

Como já dito, a amostra apresentou indivíduos na exata proporção entre os que participaram e os que nunca participaram de um exame vestibular por mera casualidade. Este acaso facilitará a compreensão das tabelas cruzadas para os perfis e grupos, conforme será apresentado no próximo capítulo.

46 Na amostra, catorze indivíduos (26,9%) concluíram o Ensino Médio em 2007; dezoito (34,6%) concluíram em

Tabela 23. Número de vestibulares prestados em IES Públicas

Frequência Percentual Percentual Válido Percentual Cumulativo

Valid 0 44 84,6 84,6 84,6 1 3 5,8 5,8 90,4 2 3 5,8 5,8 96,2 3 1 1,9 1,9 98,1 4 1 1,9 1,9 100,0 Total 52 100,0 100,0

Apenas um dos indivíduos prestou vestibular para as grandes universidades públicas estaduais. O caso, bastante peculiar, será detalhado entre os seis estudos de caso, ao final deste capítulo. Entre os oito indivíduos que tentaram vaga via vestibular para IES públicas, um tentou em três ocasiões distintas; três tentaram duas vezes; e outros três tentaram uma única vez. Em geral os vestibulares foram para os cursos de três anos das Fatecs, que forma tecnólogos.

Tabela 24. Número de Vestibulares prestados em IES Particulares

Frequência Percentual Percentual Válido Percentual Cumulativo

Valid 0 27 51,9 51,9 51,9

1 19 36,5 36,5 88,5

2 6 11,5 11,5 100,0

Total 52 100,0 100,0

Refletindo em parte a baixa concorrência pelas vagas para as IES privadas, a maioria (dezenove indivíduos) fez apenas um exame vestibular. Seis indivíduos tentaram em mais de um exame.

Tabela 25. Relação com curso técnico em 2010 (dez. 2010 e jan. 2011)

Frequência Percentual Percentual Válido Percentual Cumulativo

Valid Concluiu 9 17,3 17,3 17,3

Fazendo 7 13,5 13,5 30,8

NA 18 34,6 34,6 65,4

Planeja fazer 18 34,6 34,6 100,0

Total 52 100,0 100,0

NA (Nenhuma das alternativas)

Considerando como cursos técnicos todos aqueles oferecidos pelas Etecs ou escolas técnicas que oferecem cursos práticos profissionais, complementares aos concluintes do Ensino Médio ou realizados em paralelo com o Ensino Médio, foi observado uma proporção importante (9, ou 17% do total) de indivíduos concluintes de cursos técnicos. Um número menor (7, 13%), estão atualmente fazendo um desses cursos e um terço (18) dos

indivíduos revelou planejar fazer curso técnico, mesmo número dos que não manifestaram nenhuma das opções anteriores. A demanda por cursos técnicos não surpreendeu uma vez que na fase das entrevistas não estruturadas e nos encontros em grupos de com alunos terceiranistas no Ensino Médio, foram frequentes os casos de jovens dizendo que ter um diploma técnico depois do Ensino Médio facilitaria seu acesso ao mercado de trabalho e este permitiria tornar viável uma faculdade.47