IV. Innholdsfortegnelse
6. Analyse og resultater
6.3.1. Hva motiverer forskere?
Antes de uma discussão a respeito do termo “cadeia”, é pertinente um breve entendimento a respeito de como as empresas se organizam, se de forma isolada, integrada ou de outra forma, visando colocar em prática suas respectivas estratégias de crescimento.
De forma predominante, desde a Revolução Industrial até meados do século XX, as empresas eram integradas verticalmente, ou seja, executavam internamente boa parte das atividades e processos necessários para o atendimento dos seus objetivos; desde os insumos básicos, beneficiamento e transformação deles em produtos acabados, armazenagem, comercialização, distribuição e entrega ao consumidor final.
Porter (1991, p.278) define integração vertical como “combinação de processos de produção, distribuição, vendas e/ou outros processos econômicos tecnologicamente distintos dentro das fronteiras de uma mesma empresa”. De acordo com Carlton e Perloff (1994, p. 499; citados por ROCHA, 2002, p.4), “uma firma que participa em mais de um sucessivo estágio de produção ou serviços é verticalmente integrada”, ou seja, diz-se que uma determinada organização é integrada verticalmente quando é responsável por duas ou mais etapas interligadas do processo de fabricação de um produto ou serviço (Ibid.).
De forma genérica, há duas possibilidades de integração vertical: para frente (à jusante da cadeia, no sentido dos clientes) ou para trás (à montante da cadeia, no sentido dos fornecedores).
Um exemplo clássico de empresa verticalmente integrada era a Ford da primeira metade do século XX. Atualmente, neste início de século XXI, um contraexemplo daquela empresa, ou
seja, uma empresa que é predominantemente desverticalizada, que se ocupa basicamente da montagem dos seus carros, trabalhando com diversas camadas de fornecedores que executam demais atividades e processos, também é a Ford.
Em outras palavras, boa parte das grandes empresas do século XX, funciona como uma cadeia de suprimentos. Atualmente, cada empresa participa em uma ou mais etapa (ou elos) da cadeia, mas dificilmente participa em todas as etapas, como era comum na primeira metade do século passado.
O entendimento a respeito das cadeias de suprimentos tem se tornado crucial para a compreensão a mudança de paradigma na competitividade organizacional. Lambert e Cooper (2000, p. 65) afirmam que “as organizações não competem mais como entidades individuais, mas sim como cadeias de suprimentos”. Os mesmos autores elucidam a questão ainda mais afirmando que, neste novo ambiente competitivo, o sucesso do negócio irá depender da habilidade organizacional em integrar a complexa rede de relacionamentos, ou seja, gerenciar a cadeia de suprimentos. A gestão de todos os relacionamentos da cadeia de suprimentos tem sido chamada de GSM, Gestão da Cadeia de Suprimentos, ou, de forma mais comum, SCM3.
O termo anterior foi originalmente cunhado por Houlihan (1985, citado por COOPER et al, 1997) em meados da década de 1980. Ao longo dessas três décadas de existência, as definições foram relativamente amplas, mas convergindo em alguns aspectos (vide quadro 11).
Dada a complexidade em termos de número e papel desempenhado pelos diversos atores da cadeia, pressupõe-se que ela reflita um fluxo constante de informações, produtos, serviços e dinheiro entre os diferentes estágios da cadeia, atestando assim o dinamismo da mesma.
De forma complementar aos vários conceitos listados, algumas considerações relevantes merecem destaque. Por exemplo, Chopra e Meindl (2003. p.3) ressaltam que, além de fornecedores, fábricas, etc. a cadeia engloba transportadoras, depósitos, varejistas e os clientes, no sentido de usuário final, da cadeia.
3
Quadro 11 - Resumo dos conceitos de cadeia de suprimentos
Autores (Ano) Definição
Stevens (1989)* Uma série conectada de atividades que estão relacionadas com o planejamento, coordenação e controle de materiais, peças e produtos acabados, desde o fornecedor até o cliente, preocupando-se com dois fluxos distintos: materiais e informações através da organização.
Christopher
(1992)** Rede de organizações envolvidas, por ligações a montante e a jusante, nos diferentes processos e atividades que produzem valor na forma de produtos e serviços entregues ao consumidor final.
GSCF (1994,
apud COOPER et al, 1997)
Integração dos processos-chave de negócios, desde o usuário final até os diferentes fornecedores que suprem produtos, serviços e informações que adicionam valor aos clientes e outros stakeholders.
Lee et al,
(1995)*** A cadeia de suprimentos é uma rede de instalações que buscam matérias primas, transformando-as em bens intermediários e então em produto final, entregando o mesmo aos clientes por meio de um sistema de distribuição.
Gattorna;
Walters (1996) A cadeia começa e termina com o cliente, em ciclos por onde fluem todos os materiais, todos os produtos acabados, todas as informações e todas as transações. Acabaram-se os silos funcionais, os departamentos são estruturados como dutos desde os fornecedores até os clientes da empresa.
Mentzer et al. (2001)
Conjunto de três ou mais entidades (organizações ou indivíduos) diretamente envolvidas nos fluxos a montante e a jusante dos produtos, serviços, finanças e/ou informações desde a fonte de até o cliente.
Chopra; Meindl (2003)
Uma cadeia de suprimentos engloba todos os estágios envolvidos, direta ou indiretamente, no atendimento de um pedido de um cliente, englobando transportadoras, depósitos, varejistas e os clientes, no sentido do usuário final, da cadeia.
Simchi-Levi et
al, 2003
Conjunto de abordagens utilizadas para integrar de forma eficiente fornecedores, manufaturas, depósitos e lojas de uma forma tal que o bem seja produzido e distribuído na quantidade certa, para as localidades certas e no tempo certo, a fim de minimizar custos sistêmicos da cadeia e satisfazer níveis de serviços desejados. Taylor, 2005 Conjunto de instalações conectadas por rotas de transporte, englobando desde a
atividade inicial de extração de matérias primas realizadas em minas e fazendas, até a chegada do produto acabado aos clientes, que efetivamente o usam para o fim ao qual se destinam.
Di Serio;
Santos, 2006 Rede de organizações que se relacionam com os fornecedores e clientes, bem como dos diferentes processos e atividades que produzem valor na forma de produtos, serviços e informações, conciliando níveis adequados de serviço para o mercado que, por sua vez, se encontra em constante evolução, influenciando a lucratividade da cadeia como um todo.
Fonte: Adaptado diretamente das fontes citadas, exceto *GANESHAN et al, 1999; **MENTZER et al, 2001 e *** CUTTING-DECELLE et al, 2007
Outro aspecto relevante a ser destacado é o fato de o cliente ser um elemento absolutamente essencial à existência da cadeia. “O motivo principal para a existência de qualquer cadeia é satisfazer as necessidades do cliente, em um processo gerador de lucros” (Ibid., p.4). Sendo assim, as atividades da cadeia começam e terminam com o cliente final. Quanto ao objetivo, em consonância com o pensamento anterior, a cadeia deve procurar maximizar o valor global gerado pelo produto ou serviço entregue ao cliente. Por “valor”, entenda-se “a diferença entre o valor do produto final para o cliente e o esforço realizado pela cadeia de suprimentos para atender ao seu pedido” (Ibid.). Na maior parte das cadeias, o valor se encontra fortemente
associado à lucratividade da cadeia de suprimentos, que nada mais é do que o lucro total a ser dividido pelos estágios da cadeia (Ibid.).
Na definição detalhada pelo GSCF4, Forum Global das Cadeias de Suprimentos, um grupo criado em 1994 na Universidade de Ohio, formado por empresas não concorrentes e pesquisadores acadêmicos, é mencionado o termo “processos-chave de negócios”. Cumpre esclarecer que “processo” é um conjunto estruturado e mensurável de atividades destinadas à produção de um resultado específico para um determinado cliente ou mercado (DAVENPORT s.d., apud COOPER; LAMBERT, 2000). Os “processos-chave”, conforme identificados pelos membros do GSCF, são os seguintes:
a) Gestão do relacionamento com o cliente; b) Gestão do serviço ao cliente;
c) Gestão da demanda; d) Atendimento do pedido;
e) Gestão do fluxo de manufatura; f) Compras;
g) Comercialização e desenvolvimento de produto; h) Retornos e devoluções.
Mentzer et al (2001) mencionam “um conjunto de três ou mais entidades” relacionadas a cadeia. Os autores apresentam uma tipologia que varia de acordo com a complexidade da mesma, representada pelo número e diversidade de atores envolvidos. Assim, existem três tipos de cadeia: a cadeia de suprimentos direta, basicamente composta por fornecedor- empresa-cliente; a cadeia de suprimentos estendida, composta por fornecedores dos fornecedores e clientes dos clientes e, o terceiro tipo, a cadeia de suprimentos definitiva ou final, que é composta pelos atores anteriormente citados, mais outras empresas envolvidas nos fluxos de produtos, serviços, informação e finanças a montante e a jusante, desde o último fornecedor, até o último cliente.
Apesar da linearidade e relações biunívocas que o termo “cadeia” evoca, Lambert et al (1998) esclarecem que a cadeia é, de fato, uma rede de suprimentos – termo utilizado em algumas
4
das definições no quadro 11 - com múltiplas relações, ou seja, os atores da cadeia interagem entre si, mas também podem interagir com atores de outras cadeias de suprimento.
Neste sentido mais complexo, o termo “rede” significa o que ele representa do ponto de vista etimológico: “entrelaçamento de fios, cordas, cordéis, arames, com aberturas regulares fixadas por malhas, formando uma espécie de tecido” (KWASNICKA, 2006). Fazendo uma analogia com uma rede, as empresas são os nós ou malhas e os fios, cordas, etc. representam o relacionamento entre eles.
Assim, de acordo com a última autora (p.31), redes organizacionais seriam “estruturas dinâmicas, virtuais e flexíveis de vendas de produção e venda de bens e serviços e de geração de novas tecnologias. Baseiam-se na interdependência de parceiros, que constroem conjuntos sinérgicos[...]”.
Grandori e Soda (1995, citados por PAULA; SILVA, 2006, p.46) definem a palavra “rede” como “um conjunto de nodos e relações que os conectam, e essa noção é utilizada na teoria das organizações significando um modo de organização das atividades econômicas que se realiza por meio da coordenação e cooperação interorganizacional”.
Ressalta-se que uma conceituação precisa depende da tipologia de redes. Por exemplo, Ernest (1994, apud KWASNICKA, 2006), tipifica cinco tipos de rede: rede de fornecedores, produtos, clientes, rede coalizão-padrão (parceria entre os formadores de um padrão global de produtos de qualidade, envolvendo o maior número de empresas possível) e redes de cooperação tecnológica. Neste último caso, trata-se de uma parceria visando facilitar a aquisição tecnológica, capacitar o desenvolvimento conjunto de processos produtivos e permitir o acesso a conhecimentos científicos e de P&D futuros. Sendo assim, uma determinada cadeia pode ter diferentes tipos de rede. Por exemplo, uma rede de fornecedores de equipamentos eletroeletrônicos tanto pode fazer parte da cadeia de suprimentos automobilística quanto de eletrodomésticos. Isso ocorre porque as redes tem um grau de abertura que, via de regra, é maior do que o grau de abertura das cadeias de suprimentos.
Dittricht et al (2007) mencionam o termo “rede de alianças”, referindo-se a um determinado tipo de aliança, explicitando que diferentes estratégias de redes são necessárias, dependendo do foco das alianças, se exploração ou prospecção tecnológica.
Uma associação recorrente ao termo “cadeia de suprimentos” é o termo “cadeia de valor”, preconizado por Porter (1985). Originalmente, a “cadeia de valor” tem por foco as atividades primárias (logística de entrada, operações, marketing e logística de saída) e as atividades secundárias (compras, RH, TI, infraestrutura, etc.) de uma determinada empresa e como elas podem ser combinadas visando atingir uma determinada vantagem competitiva. Sendo assim, é possível, por exemplo, falar de cadeia de valor das empresas que fazem parte de uma cadeia de suprimentos.
Importante também salientar que o termo “cadeia de suprimentos” é muitas vezes confundido com “logística”. Não obstante o fato de o termo “logística integrada” se assemelhar ao termo cadeia de suprimentos, na medida em que vincula uma determinada empresa a seus clientes e fornecedores (BOWERSOX; CLOSS, 2001), a logística se aplica ao planejamento, implementação e controle dos fluxos diretos e reversos dos produtos, serviços e informações ao longo da cadeia; enquanto o termo “cadeia de suprimentos” está associado a um conjunto de empresas que se relacionam entre si para prover um determinado bem ou serviço a um cliente final (GATTORNA; WALTERS, 1996; SIMCHI-LEVI et al, 2003; TAYLOR, 2005). Consequentemente, também é possível falar de logística da cadeia de suprimentos.
Outro termo correlato, que vem sendo utilizado recentemente, com particular ênfase no mercado de agronegócios (BURRESS; COOK, 2009), é o termo netchain, que em tradução livre seria uma “rede de cadeias”. Conforme os autores que cunharam tal termo, trata-se de “camadas de fornecedores horizontalmente ligados entre si e associados aos compradores por meio de laços verticais colaborativos” (LAZZARINI et al, 2001).
Para efeito dessa pesquisa, o termo “cadeia” deve ser interpretado como “cadeia de suprimentos”, basicamente porque indica uma sucessão de estágios no processo de transformação de insumos básicos em um produto final. Ainda que, conforme informado anteriormente, o recorte dessa pesquisa, tendo por foco os estágios industrial e comercial da cadeia de sucroenergética.