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2.3 Atferd og utagerende atferd:

2.3.1 Hva menes med aggresjon?

Nos parágrafos anteriores não procuramos apresentar uma análise minuciosa das biografias dos agentes envolvidos com a criação do IA, mas sim, traçar, a partir de momentos específicos de suas trajetórias, suas atividades como membros de um campo científico em construção.

Percebemos, então, uma divisão de ideais entre os fundadores do IA. De um lado, temos Cascudo e Dom Nivaldo, que representavam uma geração que ainda se mostrava

145 SILVA, Yuno. A cultura pós-guerra na terra do sol. Tribuna do Norte, Natal, 16 junho 2011. Disponível em: <http://tribunadonorte.com.br/print.php?not_id=185471>. Acesso em: 04 de abril de 2014.

146 A coleção de conchas do IA é a única que possui um livro de registros detalhado, guardado no Arquivo Histórico do Museu Câmara Cascudo/UFRN. Apesar de encontrarmos citações sobre a existência de livros de registros das outras coleções, estes não se encontram no Arquivo e não há informações de onde eles possam estar.

distante em suas práticas do formato de cientista inserido em um instituto de pesquisa. A figura do pesquisador solitário de ambos se sobressai à identidade do pesquisador trabalhando em um espaço coletivo. O IA, talvez, fosse visto mais como um espaço de vínculo institucional e de sociabilidade, aos quais ambos estavam acostumados a pertencer. E não como um espaço para a prática e desenvolvimento de atividades científicas coletivas, o que caracteriza a formação do IA como um espaço científico. E ao pesquisador, dentro de um espaço científico, não mais bastaria ser um livre pensador. De um cientista naquele período se exigia dedicação exclusiva147.

Essa divisão é visível, principalmente, quando entendemos a presença e obstinação de Cabral, reconhecido tanto como um cientista, quanto um administrador científico. Cabral representava fortemente outra tradição de pensamento e seus anseios para o IA iam muito além do que almejam os outros três fundadores. Sua maneira, descrita por muitos, como rigorosa, não somente no exercício de pesquisador, mas, sobretudo, como administrador, pode ser vista como uma extensão da sua experiência e contato com outras instituições de pesquisa, como o Instituto Anatômico de Niterói e o Museu Nacional no Rio de Janeiro. Cabral tentou levar para o IA a associação entre a formação intelectual e a atividade profissional de seus estudantes. E a sua força de vontade culminou no afastamento do membro de maior capital científico envolvido na criação do IA, Cascudo, que não concordava com os planos que ele tinha para aquele espaço.

Com o apoio de Veríssimo de Melo, que demonstrava, ainda de forma tímida, visão semelhante, e, sobretudo, do Reitor Onofre Lopes, Cabral, ao assumir a direção do IA, deu início a uma série de ações que fez dessa instituição o principal espaço de produção científica do Rio Grande do Norte durante pouco mais de uma década, sendo reconhecido nacionalmente, ao lado de instituições científicas como o Museu Nacional e o Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém.

O Instituto de Antropologia, como espaço social ou o microcosmo social, onde se produziu um campo científico, como explica Bourdieu, foi antes de tudo um espaço de relações entre os seus fundadores, agentes daquele campo científico. Sendo que, para compreendermos incialmente como se deu esse espaço, buscamos nas linhas acima situar cada agente no momento de criação do IA, visto que

é no horizonte particular dessas relações de força específicas, e de lutas que têm por objetivo conserva-las ou transforma-las, que se engendram as

147 SÁ, op. cit., p. 137.

estratégias dos produtores, [...] as alianças que estabelecem, e isso por meio dos interesses específicos que são aí determinados148.

Sendo assim, conseguimos agrupar alguns pontos que nos revelam elementos favoráveis à criação do Instituto de Antropologia. Em primeiro lugar, temos quatro agentes de um campo científico ainda em construção, que desenvolviam suas pesquisas individualmente, na ausência de uma instituição adequada para receber a prática científica. Sendo que cada um possuía capital científico suficiente para interferir no campo naquele momento. Por outro lado, a identidade do cientista ainda estava em construção, justamente pela falta de uma organização social que reconhecesse oficialmente seu exercício.

Esses agentes, como professores e intelectuais, pertenciam aos espaços de ensino superior, onde, naquela época, borbulhavam os ideais da ciência e da especialização profissional. Pela própria dinâmica de seus trabalhos e do meio social, mantinham, de certa forma, uma relação próxima entre si. É relevante ressaltar que dois deles, Cabral e Veríssimo, já haviam tentado criar em Natal outros espaços científicos. E, por último, a visão, não apenas de um pesquisador, mas de administrador científico de Cabral, que se mostra como peça fundamental para o desenvolvimento do Instituto de Antropologia como um espaço destinado à prática científica e a formação de pesquisadores.

Como agentes detentores de capital científico, estes ansiavam por um espaço, uma instituição científica, que abrigasse, estimulasse e reconhecesse suas pesquisas em seus campos definidos.

Contudo, procuramos demostrar, nesses dois primeiros capítulos que o Instituto de Antropologia foi criado não somente pelas escolhas e posições dos agentes envolvidos no campo daquele determinado espaço e tempo. Embora estas tenham sido fundamentais para a definição de sua área de atuação.

Entendemos que a pesquisa científica é guiada por estratégias que são muito mais complexas que uma simples busca indiferente pelo conhecimento. Embora muitos cientistas afirmem que suas decisões de pesquisa se baseiam somente no interesse pessoal pelo tema escolhido, sabe-se que suas decisões são fortemente influenciadas pela combinação de questões práticas e incentivos materiais e institucionais149.

148 BOURDIEU, Razões práticas, p. 61. 149 SCHWARTZMAN, op. cit. p. 25-26.

CAPÍTULO 3

UM ESPAÇO PARA VÁRIAS CIÊNCIAS:

estratégias e desafios de uma instituição científica no Rio Grande do Norte

Nos capítulos anteriores, procuramos compreender as posições dos fundadores do Instituto de Antropologia em um ambiente intelectual que ainda buscava construir um espaço de ciência para suas práticas. Elementos que consideramos fundamentais para o entendimento dos condicionantes que levaram à criação e ao desenvolvimento desse espaço dedicado à prática científica no Rio Grande do Norte. Mostramos, também, como a criação de um espaço para a ciência no Estado encontrou-se relacionada não somente com as escolhas individuais e posições dos agentes daquele campo, mas, sobretudo, com as questões políticas que estavam em pauta nacionalmente e que tiveram início a partir da década de 1930.

Desse modo, nesse terceiro capítulo, mostramos como o Instituto de Antropologia se organizou como um espaço de ciência por meio da análise das suas estratégias, a partir do momento de sua criação. Para tanto, são apresentados os espaços físicos onde funcionou, as viagens de campo e cursos de formação que empreendeu, a formação de suas coleções científicas e seu museu, assim como a publicação de sua revista científica. Não é nossa proposta apresentar uma história cronológica do Instituto, mas situar os principais elementos que o caracterizaram como um espaço científico.