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HVA LÆRTE VI OM AKSJONSLÆRING?

O capítulo 2, com destaque para o subcapítulo 2.1, discutiu o papel da bacia hidrográfica como unidade territorial de planejamento e gestão dos recursos hídricos. Dessa forma, parte-se da premissa de que esta é a unidade espacial eleita para fins de gestão das águas, incluindo a elaboração de políticas públicas concernentes a recursos hídricos. Embora existam diversos métodos de codificação e hierarquização de bacias e redes hidrográficas, um entre eles foi eleito como padrão pelo setor público com competência para fazer tal seleção. Esta pesquisa discorre sobre a metodologia escolhida pelo poder público através de norma a ser aplicada na gestão das águas, independentemente das críticas que tal método possa incitar.

Portanto o foco deste subcapítulo restringe-se a apresentar, e não a discutir, os recortes espaciais institucionais adotados pelos órgãos responsáveis pela normatização que embasa a gestão descentralizada das águas, com destaque para o CNRH, instância nacional máxima do SINGREH.

A Resolução CNRH n. 30/2002 adotou a metodologia de Otto Pfafstetter, visando atender à necessidade de se adotar método de referência, para a gestão de recursos hídricos

em âmbito nacional, que permitisse a adoção de procedimentos padronizados de subdivisões e agrupamentos de bacias e regiões hidrográficas e de codificação de redes e bacias de drenagem. No Anexo I da citada Resolução, relata-se o trabalho desenvolvido pela Secretaria de Recursos Hídricos/MMA na codificação das bacias hidrográficas brasileiras com o apoio da metodologia de Pfafstetter, conhecida como Ottocodificação de Ottobacias. Dito de outra forma, Ottobacias são áreas de contribuição dos trechos da rede hidrográfica codificadas segundo o método de Otto Pfafstetter para classificação de bacias.

Em 1989, o engenheiro brasileiro Otto Pfafstetter, funcionário do extinto Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS), desenvolveu um método de codificação numérica de bacias hidrográficas, tendo como base as áreas de contribuição direta de cada trecho da rede hidrográfica. Utilizando essa proposta a SRH/MMA coordenou em 1998 a classificação e codificação das bacias hidrográficas brasileiras em escala 1:1.000.000.

Foi possível então caracterizar com maior consistência as bacias hidrográficas do continente sul-americano, e a metodologia foi aplicada da seguinte forma: aplicação de código às quatro maiores bacias hidrográficas identificadas que drenam diretamente para o mar, sendo-lhes atribuídos os algarismos pares 2, 4, 6 e 8, seguindo o sentido horário em torno do continente. Em seguida, os demais tributários do rio principal são agrupados nas áreas restantes, classificados como regiões hidrográficas, que recebem, adicionalmente ao código aplicado no nível 1 e na ordem em que são encontradas de jusante para montante ao longo do rio principal, os algarismos ímpares 1, 3, 5, 7 e 9 (CNRH, 2002, p. 1, Anexo I).

A Figura 3 ilustra esquematicamente a aplicação da Ottocodificação nos níveis um e dois, respectivamente. As quatro áreas destacadas em cinza são codificadas com algarismos pares de jusante para montante, por serem identificadas como as principais bacias que drenam diretamente para o curso d’água principal. Os demais trechos (sem cor de destaque) recebem algarismos pares, também de jusante para montante e em sentido horário. Estes trechos situados entre as quatro principais bacias são denominados Interbacias. Assim, tem-se, por exemplo a Interbacia 3, situada entre as bacias 2 e 4 (GOMES; BARROS, 2011).

FIGURA 3 OTTOCODIFICAÇÃO

FONTE: IBGE (2003).

Complementando a explicação da metodologia citada na Resolução CNRH n. 3/2002, tem-se o texto de descrição da metodologia de construção das bases da ANA, contida nos metadados das bases de Ottobacias nível 5, para exemplificar como o método foi aplicado ao continente sul-americano (Figura 4).

À maior bacia fechada é atribuído o código 0 (zero). As demais áreas do continente são as regiões hidrográficas restantes, as quais são atribuídas os algarismos ímpares 1, 3, 5, 7, e 9, de tal forma que a interbacia 3 encontra-se entre as bacias 2 e 4, a interbacia 5 encontra-se entre as bacias 4 e 6, e assim sucessivamente. Todas estas áreas podem ser subdivididas até a discretização do último trecho da rede de drenagem, gerando Ottobacias de nível “n” (ANA, 2006, p. 1).

As Figuras 3, 4 e 5 apresentam um esquema que permite ilustrar o processo de Ottocodificação das bacias hidrográficas brasileiras. Observa-se que na Figura. 3, as 4 principais bacias recebem, de norte para sul em sentido horário, os algarismos pares de 2 a 8 e os trechos de interbacias recebem, na mesma ordem, os algarismos de 1 a 9.

FIGURA 4 OTTOBACIAS DE NÍVEL 1 – AMÉRICA DO SUL

FONTE: Adaptado de IBGE (2003).

As Figuras 4 e 5 resultam da aplicação do método para a América do Sul (Ottobacias de nível 1) e Brasil (nível 2), respectivamente.

FIGURA 5 OTTOBACIAS DE NÍVEL 2 – BRASIL

O principal avanço da metodologia de Ottocodificação em relação às demais se refere à economia de dígitos e conseqüente facilitação na hierarquização do sistema hídrico. Além disto, é embasado na topografia do terreno, o que facilita a visualização dos impactos de determinadas ações na área.

É um método perfeitamente adequado à gestão dos recursos hídricos e com aplicabilidade global. A importância desta metodologia é evidente, tendo em vista a sua adoção por diversas instituições e órgãos governamentais (GOMES; BARROS, 2011, p. 1287).

Não obstante a Ottocodificação ser o padrão já adotado em nível nacional pelo CNRH e pela ANA, além de outros países (Gomes e Barros, 2011), diversos órgãos estaduais ainda adotam outros recortes espaciais, que ora não coincidem integralmente com a bacia hidrográfica, ora são definidos por região hidrográfica (conjunto de bacias hidrográficas). Entretanto, todos eles caminham para o uso da delimitação de suas unidades espaciais de gestão das águas, a partir dos limites físicos definidos pelos divisores de água.

Cita-se como exemplo o estado de Minas Gerais, que adota a divisão espacial em Unidades de Planejamento e Gerenciamento dos Recursos Hídricos (UPGRH). As UPGRHs resultaram de uma adequação dos limites físicos aos limites políticos administrativos. Desta forma, elas nem sempre coincidiam com as áreas de drenagem das águas quando foram propostas. Entretanto, em função do fortalecimento das diretrizes nacionais, elas foram modificadas de modo a adequar-se às normativas nacionais. Esta adequação, inclusive, buscou trabalhar com as bases cartográficas geradas pela ANA na aplicação do método da Ottocodificação (MINAS GERAIS, 2003). Nota-se que a partir da Resolução do CNRH, que adota as Ottobacias e a Ottocodificação como padrão de codificação de bacias e cursos- d’água, passa a existir uma demanda de adaptação, por parte dos órgãos estaduais e colegiados regionais e locais, de suas unidades espaciais de gerenciamento. O mesmo ocorreu após 1997, com a redefinição das unidades estaduais de gestão das águas a partir da determinação de adoção da bacia hidrográfica como unidade de gerenciamento definida pela Lei das Águas.

Entretanto, a adoção da bacia hidrográfica ou a adoção de Ottobacias em seus diferentes níveis, como território eleito para a gestão das águas, enfrenta um problema de incompatibilidade de recorte espacial dos dados socioeconômicos disponíveis para esta

unidade de gerenciamento hídrico. Consequentemente, observa-se perda da qualidade e confiabilidade dos dados comumente atribuídos às bacias hidrográficas a partir da transposição dos dados de outros recortes espaciais, com destaque para dados municipais para a bacia que os contêm. Entende-se que esta transposição de dados, ainda que não signifique o fornecimento de dados com elevado grau de certeza, é frequentemente adotada em função da lacuna de dados compatíveis com as bacias hidrográficas.

Conforme mencionado nesse capítulo, as unidades político-administrativas, com destaque para os municípios, são as mais contempladas atualmente com dados socioeconômicos. Essas fronteiras são definidas pela legislação estadual de divisas municipais, o que a torna um tanto quanto rígida e pouco mutável.

Ao verificar a interseção entre os limites municipais e das bacias hidrográficas de Minas Gerais enquanto exemplo (Figura 6), nota-se a incompatibilidade das áreas para mais de quinhentos municípios que se situam em duas ou mais bacias. Todas as bacias analisadas contemplam municípios que não estão totalmente inseridos nas mesmas (municípios assinalados com fundo em vermelho)52. Há ainda a questão da localização das sedes municipais, que concentram grande parte da população municipal e que, embora não se localizem em dada bacia, têm seus dados contabilizados na caracterização destas.

52

Os municípios foram assinalados em vermelho como resultado da consulta espacial “a linha de borda do município cruza a linha de borda da bacia hidrográfica” com uso de Geoprocessamento (software ArcGis). Trata-se, portanto, de dado bruto que contempla tanto as discordâncias de limites municipais e de bacias reais, quanto topológicas. Em estudos mais detalhados de compatibilização destas unidades espaciais, recomenda-se o prévio tratamento topológico dos divisores de água, que são ao mesmo tempo limites de bacias e de alguns municípios.

FIGURA 6 BACIAS HIDROGRÁFICAS E MUNICÍPIOS MINAS GERAIS

FONTE: O autor (2013).

Da mesma forma, mas em menor grau, há incompatibilidade entre os setores censitários e as bacias hidrográficas, tal como observado no exemplo dado da bacia do rio Paraopeba (MG). Os 259 setores53 em vermelho (Figura 7A) estão localizados ao mesmo tempo na bacia do rio Paraopeba e nas bacias adjacentes. A incompatibilidade aumenta para escalas de maior detalhamento da bacia hidrográfica do rio Paraopeba (Ottobacia de nível 4) para suas sub-bacias (Ottobacia de nível 5). Neste caso, há 360 setores que não estão inseridos integralmente nas Ottobacias (Figura 7B). Esses setores representam quase 15% do total de setores da bacia do rio Paraopeba.

53

FIGURA 7A SETORES CENSITÁRIOS DA BACIA DO RIO PARAOPEBA (NÍVEL 4)

FONTE: O Autor (2013).

FIGURA 7B SETORES CENSITÁRIOS DAS OTTOBACIAS NÍVEL 5 – BACIA DO RIO PARAOPEBA

FONTE: O Autor (2013).

Como resultado da investigação do subcapítulo 4.3.2, pode-se concluir que, em comparação com os limites político-administrativos, os setores censitários apresentam delimitações mais flexíveis e mutáveis, pois a cada preparação da malha de setores censitários, estes são redefinidos a partir das novas leis e definições do IBGE, para que se adequem às alterações ou inclusões de áreas de apuração e divulgação.

A mobilidade da fronteira dos setores censitários faz deste recorte o mais adequado para a compatibilização com a bacia hidrográfica, enquanto unidade de análise ambiental e planejamento de recursos hídricos carente em dados socioeconômicos adequados à sua representação espacial.

5 DISCUSSÃO SOBRE DISPONIBILIDADE E DEMANDA DE DADOS