4. Resultater
4.2. Intervju
4.2.1. Hva er gøy på skolen?
O tema – Significado do trabalho: centralidade do trabalho – apresenta conexão com o tema, anteriormente apresentado – Significado do trabalho: seus atributos –, contudo diferencia-se do mesmo ao tratar do trabalho em relação com outras esferas da vida dos participantes, ampliando o construto significado do trabalho para além dos limites do próprio ambiente de trabalho.
A análise de conteúdo realizada permitiu verificar nos discursos dos participantes duas categorias complementares: justificativa da importância do trabalho na própria vida, e relação do trabalho com outras esferas de vida. A primeira categoria expõe as justificativas, explicitadas pelos participantes para a relevância do trabalho, nesta categoria sobressai-se o aspecto econômico do trabalho, enquanto forma de suprir necessidades básicas de subsistência, como expresso por E5: “O trabalho pra mim, é importante porque é dele que eu tiro meu ganha-pão. Pra mim sobreviver é dele”. A presente subcategoria não envolve julgamentos ou questionamentos sobre questões salariais, apresentadas sim no tema significado do trabalho: seus atributos. Os discursos dos participantes expressam de forma objetiva a questão econômica como justificativa do porquê de trabalhar.
A esta segue a segunda subcategoria identificada, denominada: Trabalho como valor genérico, representando as justificativas evasivas ou confusas sobre a importância do trabalho como descrito por E1: “Trabalho é tudo”, ou por E3 e E6:
Significa assim... é... Hoje eu tô aqui né? tô trabalhando, tô ganhando meu dinheiro, que futuramente eu vou, que eu posso crescer, vai depender de mim... que é bom pra mim... principalmente assim na parte financeira né?... profissionalmente é importante...(E3).
...o que significa...é tudo né? por que se você não trabalhar você não consegue o que?...vestir, comer, comprar, entendeu? (E6).
Os discursos dos entrevistados mostram-se impregnado pela ideologia conhecida
como ética do trabalho8, exaltando o valor do trabalho enquanto dignificante do homem,
contudo sem maior aprofundamento sobre a própria ideologia, ou seja, apresentando justificativas financeiras para essa centralidade do trabalho em suas vidas.
8
...pra mim é essencial o trabalho assim... pra mim se eu não tiver trabalhando eu fico doente... se eu passar um dia em casa... às vezes eu to de folga ai eu fico pensando sabe? Pra mim é essencial trabalhar e trabalhar com aquilo que eu gosto (E2).
Tabela 15
Significado do trabalho: centralidade do trabalho
Categorias Subcategorias Econômica
Justificativa da importância do
trabalho na própria vida Trabalho como valor genérico
Na própria residência Lazer
Externos à residência Relação do trabalho com outras
esferas de vida
Trabalho-família
A categoria relação do trabalho com outras esferas de vida explicitam a multideterminação e dinamismo envolvidos no processo do trabalho, exemplificando a relevância de duas subcategorias: lazer e trabalho-família em sua composição. A subcategoria lazer apresenta-se enquanto opção para ocupação do tempo livre, ou seja, o tempo que não esteja sendo utilizado trabalhando. Este lazer assume aspecto de descanso, envolvendo atividades realizadas na própria residência nas quais o participante é mero expectador, atividades maternais e paternais, ou atividades desportivas externas à residência. A ocupação deste tempo livre foca-se em atividades com a família como percebemos nas falas dos participantes:
Olhe, sinceramente, eu gosto de ficar em casa, só... não sou de ... nunca fui à festa... nem aniversário eu não sei, nunca gostei... aí me casei, continuou a mesma coisa, meu marido também não sai pra nenhum canto... mas, uma vez perdida eu vou no shopping, aí assim, com as meninas daqui, mas com meu marido eu só fico em casa mesmo, ou senão vou pro interior, meu divertimento é nos interior (E2).
Quando eu chego, enquanto to jantando, to assistindo o Jornal Nacional... que quando termina o Jornal nacional vou me preparar pra dormir, demoro mais quando tem um futebolzinho ai eu paro pra assistir (E5).
À noite eu não tenho, eu tomo banho, janto, a mulher tá deitada também, se tiver acordada, conversa, bate um papo, fica por ali... aí, de manhã acordo cedo, acordo seis, seis e pouco, aí brinco os meninos ainda, ainda tem tempo no final de semana. Não tão direito, né? Porque uma hora, duas horas, não dá pra acompanhar... nem o final de semana não dá (E1).
É em casa. Fico com a menina, a menina é nova ainda, com um ano e meio, curto muito elas... as duas né? Levo elas num lazerzinho, num parque... numa praia... gosto de assistir filme também... em casa (E1).
Jogo bola, jogo dama, entendeu? Vou pra casa de algumas amigas (E6).
Também relacionada à categoria relação do trabalho com outras esferas de vida os participantes ressaltam a relevância do papel da família, reforçando ou não o valor do trabalho, esta subcategoria foi denominada: Trabalho-família. E6 enquanto caixa explicita a presença de apoio ao trabalho por parte da família: “...eles admiram muito assim, o que eu faço, entendeu? É ...um trabalho de atenção, né? De...confiança, né? Eles acham bom!” já os participantes E1, E2 e E5 apresentam relação ambivalente, com a presença de queixas: “Não acham muito bom o horário porque chego à noite... tem sempre uma reclamaçãozinha..., “onde é que cê tava? Tava trabalhando? Tem certeza que tava? (E1).
Ou expressão de adaptação: “...gostam, acham importante, valorizam, só acham que eu deveria ganhar mais... pra trabalhar de domingo a domingo, né?” (E2), “Antes eles reclamavam porque era longe, mas aí depois se acostumaram” (E5).
O tema – significado do trabalho: centralidade do trabalho – encontra-se em consonância com a faceta centralidade do trabalho, como concebida na literatura especializada (por exemplo; Borges & Tamayo, 2001; MOW, 1987) relacionando o trabalho às esferas de vida lazer e família; contudo os participantes do presente estudo
não relacionaram as esferas comunidade e religião ao trabalho. Acrescentaram a categoria justificativa da importância do trabalho na própria vida, expressando principalmente o valor instrumental do trabalho, enquanto possibilidade de satisfação de necessidades básicas de subsistência.
Problematizou-se se a ausência do aspecto comunidade e religião não expressam a própria redução do tempo para lazer vivenciado por estes trabalhadores, que estariam reduzindo a amplitude de suas atividades de lazer e necessitando alterações na priorização das esferas de vida levando a exclusão de algumas atividades ou tornando-as mal delimitadas (religião, por exemplo, tomada por lazer). Aponta-se também que o aspecto da crença religiosa apesar de ausente nas entrevistas, expressa-se na ficha sociodemográfica e ocupacional, estando este aspecto também presente de forma assistemática, principalmente em datas especiais. As respostas de tal ficha aponta na direção de que a esfera religião é fraca na vida dos entrevistados.
Para compreensão desta categoria apontamos para a ressignificação do significado do lazer, entendido enquanto tempo livre, ou seja, ausência de trabalho, enquanto tempo restrito, sendo necessário uma boa organização para utilizar este tempo, sendo o mesmo precioso, ou utilizado principalmente para o descanso corporal em atividades passivas de lazer.
Retomando a categoria justificativa da importância do trabalho na própria vida, encontramos o aspecto econômico como relevante para a centralidade do trabalho, constituindo seu valor instrumental, estando aquém do necessário para sustento de suas famílias. Este fator corrobora a expectativa de redução dos benefícios sociais.
As falas categorizadas e estruturadas no presente tema expressam que os participantes abrem mão do convívio familiar e do lazer em detrimento do trabalho, não ocorrendo possibilidade de escolha, visto que os contratos pré-estabelecidos e o risco
iminente de desemprego, mesmo que subtendido, coloca os funcionários em posição de aceitar as imposições do empregador.