3. Metode og metodiske overveielser
3.5. Gruppe-intervju
Tendo em vista testarem-se as hipóteses anunciadas no capítulo anterior, elaborou-se um roteiro de entrevista composto por dez perguntas balizadas diretamente pelos indicadores de precarização no trabalho, descritos no segundo capítulo. Recordando estes indicadores são: a) aumento efetivo da taxa de desemprego; b) risco iminente de desemprego; c) redução da renda e de benefícios sociais; d) flexibilização
dos contratos de trabalho; e) informalização (desemprego oculto); f) jornada de trabalho, prolongada (além do garantido por lei) g) instabilidade do emprego; h) contratação de trabalho de menores e adolescentes; i) substituição de postos de trabalho por estagiários; j) compreensão do trabalho como arriscado.
Utilizando tal roteiro de entrevista e ficha sociodemográfica e ocupacional, realizou-se um estudo piloto em uma das empresas supermercadistas natalenses com as seguintes ocupações: operador de caixa, atendente de açougue, repositor de mercadorias (ao total três participantes). Percebeu-se, então, que questões diretas, baseadas nos indicadores de precarização permitiam respostas evasivas, que não contribuíam para a consecução dos objetivos. Reformulou-se o roteiro de entrevista e a ficha sociodemográfica e ocupacional, recorrendo-se à literatura sobre significado do trabalho e à experiência do grupo de pesquisa em investigações sobre o assunto.
Borges (1998), revisando os estudos desenvolvidos sobre significado do trabalho, descreve que os mesmos o adotam predominantemente uma abordagem da Cognição Social e, desta forma, compartilham uma série de aspectos, envolvendo pressupostos e atribuições. Dentre eles se destacam os que: (1) pressupõem a mediação das relações do indivíduo com o mundo por suas cognições; (2) partem do entendimento de o significado do trabalho ser multifacetado e de múltipla causalidade; (3) focalizam os nexos entre os componentes do significado do trabalho e (4) são eminentemente empíricos. Apesar destas convergências, a autora salienta que tais estudos apresentam também diferenças acentuadas e os divide em dois grupos distintos. Um grupo (por exemplo: MOW, 1987; Soares, 1992) que designa de empírico-descritivo, por desenvolverem seus estudos, além dos aspectos gerais referidos, com as seguintes características diferenciadoras: (1) descritivos, já que identificam e classificam
dimensões do significado do trabalho, sem discutir suas relações com as vivências concretas dos indivíduos no mundo do trabalho; (2) estáticos, descrevendo estruturas cognitivas sem se preocupar com o dinamismo das mesmas; e (3) dualistas, no que se referem às técnicas de análises dos dados entre os usos de estratégias qualitativas e quantitativas.
O segundo grupo (por exemplo: Brief & Nord, 1990), revelando uma influência existencialista-marxista, diferencia-se por: (1) considerar a dinâmica entre as facetas do significado do trabalho permeada por muitas contradições; (2) considerar os nexos entre as facetas do significado do trabalho e o contexto socioeconômico e (3) tender a estabelecer combinações entre estratégias qualitativas e quantitativas de análise de dados. Borges (1998) aponta-nos que os “pressupostos diferenciados entre os estudos do significado do trabalho derivam diretamente das concepções de mundo dos pesquisadores” (p. 93).
Em que pese às divergências existentes na reflexão sobre o significado do trabalho, a bibliografia especializada tem convergido quanto a assumi-lo como um construto multifacetado (por exemplo, Brief & Nord, 1990; MOW, 1987), entretanto, não há consenso quanto à identificação destas facetas. Destaca-se aqui a opção de Borges e Tamayo (2001), que consideram como principais facetas constituintes desse significado:
Centralidade do trabalho – Importância atribuída ao trabalho em relação às outras esferas da vida.
Atributos valorativos – apreciação de como deve ser o trabalho, formado por valores, crenças e ideologias presentes na sociedade.
Atributos descritivos – atribuição de como o trabalho apresenta-se na realidade, no dia-a-dia dos sujeitos.
Hierarquia dos atributos – forma como cada indivíduo hierarquiza os atributos (valorativos, descritivos) e as esferas da vida.
Os referidos autores estudaram empiricamente os atributos valorativos e os descritivos, identificando sua estrutura fatorial. Estudos mais recentes desenvolvidos por Borges e Alves-Filho (2001; 2003), com diferentes categorias ocupacionais, possibilitaram a reformulação dos atributos apontados no estudo inicial.
São, então, fatores valorativos:
Justiça no trabalho: o ambiente de trabalho deve garantir as condições adequadas às atividades e a adoção das medidas de segurança, bem como garantir o retorno econômico compatível, o equilíbrio de esforços e direitos entre os profissionais. Auto-expressão e Realização Pessoal: o trabalho deve oportunizar expressão da criatividade, do sentimento de produtividade, das habilidades interpessoais, da capacidade de tomar decisões e do prazer pela realização das tarefas.
Sobrevivência pessoal e familiar: o trabalho deve garantir as condições econômicas de sobrevivência e de sustento pessoal, a assistência à família, a existência humana e a estabilidade no emprego.
Desgaste e Desumanização: o trabalho deve implicar em desgaste, pressa, atarefamento, o trabalhador percebe-se como máquina ou animalizado
(desumanizado); esforço físico, dedicação; percepção de que é discriminado. Os fatores descritivos, por sua vez, são:
Auto-expressão: o trabalho como oportunidade de aplicação de opiniões dos participantes e como lugar de influência nas decisões, de reconhecimento do que
se faz, de sentir-se tratado como pessoa respeitada, de relacionamento de confiança e crescimento pessoal.
Condições de trabalho: o trabalho exigindo para o desempenho adequado equipamentos específicos, conforto material e higiênico, assistência e melhores salários para o trabalhador.
Responsabilidade: o trabalho implicando na necessidade de cumprir com as tarefas previstas, na ocupação e no direito de que a organização cumpra com seus deveres, fazendo o indivíduo sentir-se bem.
Recompensa Econômica: o trabalho garantindo o sustento, a independência econômica e a sobrevivência.
Desgaste e Desumanização: o trabalho associado à valorização da condição de ser gente; a aceitação da dureza no trabalho, terminando por fazer o trabalhador perceber-se como máquina ou animal, exigindo rapidez, esforço físico, ritmo acelerado, repetição de tarefas e até discriminação em função do que faz.
O roteiro de entrevista (anexo 1), já reformulado, ficou estruturado em três grandes blocos de interesse que dizem respeito aos indicadores da precarização e perguntas afins, que possibilitaram delimitar o panorama da ocupação dos participantes e peculiaridades do setor:
1. Trabalho atual (35 questões). Este grupo de perguntas retoma questões trazidas pela literatura sobre significado do trabalho como: os atributos valorativos justiça no trabalho, desgaste e desumanização, auto-expressão e realização pessoal, e os atributos descritivos, condições de trabalho, recompensa econômica e auto-expressão (Borges & Alves-Filho, 2003). Estes componentes associados
aos indicadores da precarização, anteriormente listados, balizaram a formulação das questões do roteiro de entrevista.
2. Relação do trabalho com as demais esferas de vida (10 questões). Fundamentado na literatura do significado do trabalho especificamente, sobre a centralidade do trabalho, este bloco de questões visa entender a relação do trabalho com outras esferas da vida, como: família, lazer, religião e comunidade (Borges & Alves - Filho, 2003).
3. História ocupacional anterior (9 questões) e significado da trajetória ocupacional (2 questões). Através de uma compreensão derivada da literatura sobre significado do trabalho enquanto construto historicamente situado e multideterminado, consideraram-se na elaboração do roteiro de entrevista questões sobre a trajetória ocupacional dos participantes, além do significado atribuído a esta trajetória.
Em sua totalidade, o roteiro de entrevista consta de 56 questões abertas. A ficha sociodemográfica e ocupacional versa sobre formas de vínculo com a empresa, tempo de serviço na empresa, tempo de profissão, idade, estado civil, escolaridade, quantidade de filhos e renda familiar (anexo 2)